Estantes


Foto: Instagram @estantedapolly
Foi a frase do poeta brasileiro Carlos Drummond de Andrade que me inspirou a fazer um post sobre estantes. A estante é para o leitor devotado quase como um altar, um lugar sagrado. É ali que são guardados, acarinhados, expostos e exaltados os livros que o leitor adquire, com o propósito de devorar suas histórias (sejam elas ficcionais ou não-ficcionais).

Esse móvel é aquele local particular, sobre a qual o leitor por vezes derrama seu ciúme, mas ao mesmo tempo quer mostrar para os outros. O leitor voraz quer que todos saibam que a sua estante está crescendo, está ficando cada vez mais recheada de livros e, lá no fundo, talvez queira chegar ao estágio em que tenha que comprar mais estantes (e aí criar uma pequena desculpa de comprar mais livros para preenchê-las). Porque estas, as estantes cheias, já não suportam mais o peso e a quantidade de livros que preenchem os espaços outrora vazios. 

"Não tenho mais prateleiras para colocar os meus livros", "tenho tantos livros que não tem mais lugar para colocá-los", "tem muito livro fora da estante", "oh, os meus livros precisam ser colocados numa estante"... Não é assim que falamos, leitores?

Foto: Instagram @cirocireca
Não importa se uma estante pequena, uma estante grande, ou uma estante imensa. Não importa que sejam várias estantes em diferentes cômodos, várias num mesmo ambiente, uma pequena prateleira ou uma estante que nos deixa boquiabertos, como a das bibliotecas clássicas. Seja uma estante herdada de um parente, uma nova comprada sob medida, uma adquirida com designer inovador, algumas prateleiras ou com madeira reciclada, ou até mesmo uma estante improvisada. Uma estante branca, de mogno, de jacarandá, não importa. A estante é um refúgio do livro fechado, que fica ali, silencioso, mas gritando, gritando, gritando para ser lido. E, depois de lido, fica ali, esperando que outra vez, o mesmo ou outro leitor, venha buscá-lo, admirá-lo, lê-lo.

A estante talvez seja o local físico no qual são guardados os sonhos, as fantasias, as milhares de palavras que nos fizeram viajar por um mundo fantástico, por uma história complexa, por uma poesia, por uma biografia de um grande nome ou nem tanto, por um livro de título curto, por um livro de título incompreensível no primeiro momento, por escritores nacionais e estrangeiros. É na estante que ficam nossas lembranças? Guardamos a fantasia na mente, mas deixamos na estante a palavra repousada que deu origem a mágica do encantamento de tantos personagens, lugares, situações...

Foto: Instagram @menosfacemaisbook
Os livros, nas estantes, podem ser colocados em ordem alfabética (por título ou escritor), por cores, por estilo, por mero acaso. Arrumados ou banguçados, misturados com enfeites ou objetos que nos remetem ao universo lido ou que acrescentamos para decorar. Em pé ou deitados, com ou sem aparadores, os livros ali esperam, silenciosos, para despejarem sobre nós o muito que guardam em si.

A estante é sim o altar, a morada, o cofre, o refúgio, o lugar em que guardamos nossos livros. Livros esses que carregam conhecimentos, aventuras, inspirações, divagações e fazem a nossa alegria.

Livro, tenha a bondade, venha preencher os espaços vazios de nossas estantes.



Nota de Agradecimento

Leitores convidados do Instagram disponibilizaram suas fotos para ilustrar o post. Na legenda da foto há o perfil do autor. Agradeço a todos pela colaboração em compartilhar com os leitores e visitantes do blog suas estantes.


Foto: Instagram @kaiobmachado
Foto: Instagram @akarin7
   
Foto: Instagram @vanessatanios

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