Kiss - A Maldição do Rei dos Vampiros - Sylavana Camello - Tomo Literário

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Kiss - A Maldição do Rei dos Vampiros - Sylavana Camello

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Kiss - A Maldição do Rei dos Vampiros, da escritora Sylvana Camello foi publicado pela Editora Coerência  (2019, 1ª edição, 176 páginas).

Você certamente já ouviu falar de Drácula, Frankenstein, lobisomens e zumbis. No livro de Sylvana eles aparecem com ares inusitados e de uma maneira inesperada que causa impacto e atrai leitores que gostam de uma trama satírica. 

Temos Vlad, filho do senhor supremo do mundo dos vampiros (Drácula), que carrega uma pochete cheia de apetrechos, tem medo de se contaminar com algum vírus ou bactéria, o que o leva a uma exagerada mania de desinfecção, além de ter uma aparente fragilidade física. Frankenstein, chamado de Frank, é preocupado com seus músculos a la Arnold Schwarzenegger e, além da força física, demonstra uma certa inabilidade e inocência no modo de pensar. Lobo, o lobisomem da trupe, é instável e tem um laço com a família de vampiros (que o escraviza) e o trata como se fora um cachorro de estimação.



Drácula criou uma espécie de sangue sintético que substitui o sangue humano como alimentação. Dessa forma, é proibido que os vampiros ataquem seres humanos para sugar  seu sangue. Está aí algo que o líder supremo dos vampiros não deseja: sugar sangue humano, receber água benta sobre o seu corpo ou ser atacado com alguma estaca. Mas, como toda lei, há quem a infrinja a regra imposta por Drácula.

"O equilíbrio entre os humanos nunca foi alterado durante a gestão de Drácula. Ele mantinha a ordem das coisas com mãos de ferro. Os zumbis eram atrapalhados e mal cheirosos. Tudo bem para o rei dos vampiros. O que importava era o serviço prestado. Tanto fazia serem zumbis ou lobisomens; se lhe servissem a contento, viveriam por um longo tempo."

Um vampiro latino, de nome Gael e amigo de Vlad, passa a atacar pessoas. Seu medo maior não é uma possível punição vinda do rei dos Vampiros, mas o aumento de sua circunferência abdominal provocada pelo consumo da Coke-Dracul - a bebida artificial que substitui o sangue humano. Como ele é um sanguessuga nato, não se esquiva de atacar humanos, no entanto  sabe que isso pode custar-lhe alguma retaliação por parte de Drácula, já que o hábito de morder a jugular caira em desuso. Então, o líder máximo do universo vampiresco lança sobre ele uma maldição, a maldição Kiss.

Vlad, imbui-se de tentar salvar o amigo quando toma conhecimento sobre a maldição e parte com Frank e Lobo em busca de informações que possam leva-los a desfazer o feitiço que foi lançado sobre o bonito e atraente Gael.  Eles acabam circulando por alguns lugares até que são mandados para a Amazônia em busca de um oráculo. Ah! A maldição que recai sobre o personagem garante momentos muito engraçados na obra, tanto pelas ações de Gael, quanto pela maneira como os outros personagens lidam com o assunto.

A trama construída por Sylvana gira em torno dessa busca que os personagens fazem para desfazer os efeitos de Kiss. A história tem uma narrativa fluída e apresenta muito bom humor. Hilário  ver as situações pela qual os vampiros, o lobisomem, o Frankenstein e até um zumbi que trabalha para Drácula, passam. Além de detalhes que enchem a história de sarcasmo e desconstroem esses seres do imaginário de maneira muito bem humorada, temos uma trama agradável de ler, rápida, acessível.


"Vlad cheirou suas duas axilas. Só por precaução, borrifou em seus sovacos um desodorante sem cheiro. Sabia que não fedia. No entanto, não custava nada se prevenir quanto aos incômodos de algumas bactérias."

Risos não faltarão ao leitor, tanto nos diálogos jocosos, quanto nas características com que os personagens se apresentam durante a história.


Aqui em terras brasileiras eles encontram Matinta Pereira, Cobra Grande, Saci, o índio Mapinguari,  Vitória-Régia e outros seres da floresta. E passam por inúmeras situações de ação, aventura e momentos divertidos que são garantidos ao leitor que se mesclam com lendas brasileiras.

Destaque-se a revisitação que Sylvana Camello fez de todos os seres conhecidos, como vampiros, lobisomens, zumbis e os de nosso folclore. Os diálogos irônicos e a forma contemporânea com que conversam dão agilidade no desenrolar da trama. As suas características físicas e comportamentais saem da visão arraigada que temos desses seres que, frequentemente, aparecem em obras de terror/horror ou no universo da fantasia.

Há sempre insinuações no ar, que leva-nos a imaginar sobre certas ações dos personagens, para além do que está escrito e tratado na trama. O que surge na ironia de um ou outro personagem, num comentário que faz de forma rápida (como se falasse pra si mesmo) ou que aparecem na narração, deixam a cargo do leitor interpretações sobre eles. E isso nos diverte! 

A história e os personagens também tem muitos elementos que soam como uma sátira à sociedade atual: a preocupação com a aparência física que notamos em Gael e em Frank, o uso da alimentação fabricada, a necessidade  de valorizar  a cultura local, as articulações que existem em qualquer esfera de poder, a quebra de regras.

Destaca-se a sagacidade dos personagens brasileiros que se mostram mais inteligentes, mais articulados e detentores de poderes para os quais Vlad e seus amigos tem de recorrer. Essa mistura entre personagens que advém de uma outra cultura com personagens das lendas do Brasil, deu um bom caldo na história.

O livro certamente vai agradar aqueles que gostam de uma história com humor e de leituras rápidas. Kiss é perfeito para descontrair o leitor e garantir boas risadas, sem deixar de lado a boa trama elaborada, a trajetória de bons personagens e um enredo pra lá de divertido.

Recomendo!

Sobre a escritora:


Sylvana Camello nasceu em Goiânia, onde mora até hoje. É formada em Educação Física pela UEG e trabalha como professora do ensino fundamental. Quando não está trabalhando, comendo pequi e escrevendo, curte um bom Rock’n’roll e filmes variados. Tem adoração por Stephen King e Nelson Rodrigues, seus dois amores. Pretende, através da escrita criativa, transformar suas histórias de fantasia em algo tão popular como a música sertaneja. Mantém grudada na cabeceira de sua cama a seguinte frase: Se há um livro que você quer ler, mas não foi escrito ainda, então você deve escrevê-lo, de Toni Morrison. O Portador de Luz foi o seu livro de estreia.


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