[Entrevista] Ricardo Almeida - Tomo Literário

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Clube de Autores é a maior plataforma de autopublicação da América Latina, com cerca de quarenta novos títulos publicados por dia. Ricardo Almeida - CEO da empresa, lançou o guia "75 dicas para escrever um livro", que tem por objetivo ajudar os aspirantes a novos escritores no passo a passo para publicar suas histórias.

O Tomo Literário fez uma entrevista com Ricardo Almeida em que ele fala sobre a criação do Clube de Autores, o acesso que os escritores tem para a autopublicação e ainda comenta sobre o guia que lançou.

Ricardo Almeida fala também sobre o público leitor e aqueles que usam o Clube de Autores, além de fazer uma análise do mercado literário, que aponta mudanças no comportamento do leitor e cria espaço para os autores independentes.

Confira a entrevista.

Tomo Literário: Clube de Autores é a maior plataforma de autopublicação da América Latina. Conte-nos sobre a criação do clube.

Ricardo Almeida: O Clube nasceu da angústia, por assim dizer, dos seus fundadores. Todos nós tínhamos nossos livros escritos e passamos pelos processos tradicionais de publicação que, à época, resumiam-se a conseguir o patrocínio de uma editora ou a pagar  pela publicação. Na medida em que o tempo foi passando, a quantidade de editoras  dispostas a apostar em novos talentos essencialmente evaporou, o que  nos fez imaginar uma plataforma em que todos os autores que quisessem pudessem publicar seus livros.

Assim nasceu o Clube, em 2009, viabilizando publicações e impressões no primeiro modelo 100% sob demanda (o que inclui imprimir  livro a livro, unitariamente, na medida em que as vendas fossem acontecendo). E assim funcionamos até hoje - só que  com algumas evoluções importantíssimas fruto desses 10 anos de vida como, por exemplo, a distribuição em grandes livrarias e a oferta dos mais diversos formatos de livro para que os autores possam escolher. 

Tomo Literário: Como se dá o processo para o escritor publicar a obra por meio do Clube de Autores?

Ricardo Almeida: Da maneira mais simples possível: ele acessa o site, clica na opção "Publique seu Livro" e segue as orientações online. Em instantes ele será guiado pelo processo e seu livro estará online e à disposição de leitores em todo o mundo sem que ele precise pagar nada por isso. 

Tomo Literário: Recentemente foi lançado o livro "75 dicas para escrever um livro". Como surgiu a ideia de publicação desse guia?

Ricardo Almeida: Temos 10 anos de experiência em autopublicação, com mais de 70 mil títulos publicados e 85% de participação no mercado brasileiro. Isso nos dá uma coisa valiosíssima: experiência. Sabemos, por pura análise estatística, o que ajuda e o que atrapalha um autor no lançamento do seu livro. Essa é,  afinal, a nossa vida, a nossa história. E de que adianta uma história se ela não for compartilhada?  

Assim nasceu o livro, com o propósito de compartilhar com toda a comunidade de autores uma série de pequenas dicas que percebemos que fazem toda a diferença. 

Tomo Literário: Qual o perfil do escritor que hoje faz autopublicação pelo Clube de Autores?

Ricardo Almeida: Hoje, sendo bem sincero, é praticamente impossível determinar perfis específicos. Dado o tamanho do Clube e o volume de livros - hoje são cerca de 40 novos títulos publicados por dia - há de tudo por aqui. Temos poetas, professores, romancistas, escritores mais técnicos, empreendedores, religiosos, historiadores... Enfim, temos todos os gêneros porque, no fim, somos uma casa aberta a todos os autores.

Tomo Literário: Qual o público que atualmente mais usa o Clube de Autores para adquirir livros? É possível traçar esse perfil?

Ricardo Almeida: É possível dizer que temos dois perfis de leitores: os que compram diretamente no Clube e os que compram em nossos canais de venda, como Livraria Cultura, Amazon, Estante Virtual etc.  

No Clube, a maior parte dos leitores são os que fazem parte do círculo de relacionamento dos autores. Quando olhamos os canais de venda, no entanto, aí tudo muda. Nesse caso, a imensa maior parte dos leitores, a quase totalidade, são indivíduos que se identificam com a temática do livro.



Tomo Literário: Como você vê o mercado literário brasileiro, sobretudo para os novos escritores ou aqueles que não tem acesso a uma editora para publicação?

Ricardo Almeida: O mercado brasileiro já é dos autores independentes - não tenho nenhuma dúvida disso. Mas cito alguns dados importantes:

Entre 2001 e 2016, o número de livros lidos por brasileiro aumentou de 2,01 para 2,43. O próximo levantamento dessa pesquisa, do Instituto Pro-Livro, será feita em 2020 – e pode ter absoluta certeza de que ele será ainda maior. Ou seja:o brasileiro está lendo mais. 

O SNEL (Sindicato Nacional dos Editores de Livros) lançou, no começo de 2019, um estudo sobre a venda de livros em todo o ano de 2018. Cabe aqui uma observação extremamente importante: este estudo se baseia em pesquisas feitas justamente com o mercado tradicional e, portanto, ignora grande parte de tudo o que está acontecendo no mercado independente. Pois bem: segundo ele , o mercado teve uma queda de 10,1% em relação ao ano anterior, de 2017. Aliás, entre 2014 e 2018, a queda real acumulada do setor chega a assombrosos 44,9%.

Este mesmo estudo aponta que, em 2018, 46.828 foram publicados no Brasil (contra 48.879 ao longo de todo o ano de 2017). Uma queda grande, certo? Quer uma informação importantíssima para entender esse número? No mesmo período de 2018, um total de 10.696 livros foram publicados aqui no Clube de Autores. Ou seja: o Clube de Autores (e, portanto, os livros independentes) registraram um total de 22,84% de todos os livros publicados no Brasil ao longo de 2018.

Há, portanto, uma migração de hábitos facilmente constatada: se o brasileiro está lendo cada vez mais e os canais tradicionais de vendas registrando quedas cada vez mais significativas, para onde está indo o leitor? Para fora do  tradicional - o que inclui os livros independentes.

Nesse sentido, há mais alguns dados que servem para ilustrar bem esse movimento: os do mercado internacional, onde essa revolução já aconteceu. Veja:

De acordo com a Bowkers, 1.009.188 livros independentes foram publicados nos Estados Unidos em 2017 – um crescimento de 256% em 5 anos. O volume de livros do Clube de Autores, que tem 85% desse mercado aqui no Brasil, fica na casa do 1% – um porcento – do que se registra lá nos EUA. Em outras palavras: há ainda MUITO espaço para autores independentes aqui.

Nesse mesmo ano de 2017, o faturamento de livros tradicionais nos EUA cresceu 1,1%. O de livros independentes cresceu quase o dobro: 2,1%.

29% de todos os best-sellers nos EUA em 2017 foram publicados como livros independentes.

Finalmente, para os pessimistas que acham que esses números lá são tão diferentes apenas porque americanos são mais digitalizados e consomem mais ebooks, vai um outro dado: 87% de todas as vendas de livros independentes são em formato impresso, e não eletrônico.

Tomo Literário: Além da autopublicação o Clube de Autores disponibiliza algum outro tipo de serviço aos escritores?

Ricardo Almeida: Diretamente, não. Nosso foco é e sempre será a oferta de uma plataforma de autopublicação. Mas operamos, desde 2011, um marketplace de serviços editoriais com milhares de profissionais cadastrados, o www.profissionaisdolivro.com.br. Sua mecânica  é simples: o autor orça o serviço desejado online (revisão, capa, ilustração etc.), contrata pelo site e interage com o prestador por meio de uma área restrita e segura, onde a entrega é feita. Se o autor aprovar o que receber, o serviço é devidamente finalizado; se ele reprovar, o serviço é cancelado e ele recebe reembolso integral. Simples, prático e direto. 

Tomo Literário: O que você acredita que mais falta para o público que deseja se tornar escritor? Quais são as principais falhas que cometem ao tentar publicar um livro?

Ricardo Almeida: É difícil responder sobre o que falta, pois isso demandaria uma generalização perigosa. Cada um tem a sua história, as suas facilidades e as suas dificuldades. Nesse sentido eu recomendaria duas coisas: o livro com as nossas 75 dicas e um hábito voraz de leitura. Porque é muito difícil, quase impossível, ser um bom escritor sem se ser um bom leitor. 

Tomo Literário: Como o autor deve se preparar para lançar um livro?

Ricardo Almeida: Como essa é uma resposta muito,  muito complexa, eu recomendaria dois posts que fizemos em nosso blog: 

Ambos focam aspectos diferentes do processo de publicação - da ideia à tangibilização. E ambos incluem etapas que considero vitais. 

Tomo Literário: Quais são os planos ou expectativas do Clube de Autores para os próximos anos? Teremos novidades?

Ricardo Almeida: Certamente teremos muitas novidades! Crescemos, no ano passado, 40% - e nossa meta este ano é crescer entre 50 e 75%. Esse crescimento será embalado por um algoritmo que estamos desenvolvendo em conjunto com nossos canais de venda que permite a recomendação de livros independentes a partir dos hábitos de leitura de livros tradicionais. Em outras palavras: hoje, o Clube de Autores domina a cauda longa do mercado editorial brasileiro: os livros independentes estão aqui e, por esse  mesmo motivo, é até óbvio supor que os próximos best-sellers nascerão do nosso acervo. Nosso objetivo é detectar quais são esses best-sellers e impulsioná-los, utilizando para isso a rede que montamos no ano passado de livrarias nos revendendo. 

Tomo Literário: Deseja deixar algum comentário adicional para os leitores?  

Ricardo Almeida: A literatura brasileira está passando pelo seu momento mais rico e revolucionário desde o modernismo. Enquanto, lá atrás, Mário de Andrade abriu caminho para uma literatura genuinamente brasileira, agora estamos rompendo com o status quo, com o tradicionalismo, para entregar ao público uma cultura quente, feita a partir de todo esse furacão multicultural que é o nosso mundo de hoje. O futuro da nossa literatura não está mais - ainda bem - na meia dúzia de títulos manjados que as editoras tradicionais lançam com medo de fazer apostas arriscadas: está aqui, sendo publicado todos os dias, à disposição de todos. Venha. Leia. E traga esse futuro para o presente.



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