Confissões de Um Adolescente Depressivo - Kevin Breel - Tomo Literário

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Confissões de Um Adolescente Depressivo - Kevin Breel

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A luta de um adolescente contra a depressão se tornou uma das TED Talks mais virais de todos os tempos, acumulando meio milhão de visualizações em menos de um mês. Kevin Breel, que foi o responsável pelo feito, é o autor do livro Confissões de Um Adolescente Depressivo, publicado no Brasil pela Editora Seoman - Grupo Editorial Pensamento - em 2017, com tradução de Denise de Carvalho Rocha.

Para se ter uma ideia, no Brasil, em 2016, mais de 75 mil pessoas foram afastadas do trabalho diagnosticadas com depressão. Segundo a OMS - Organização Mundial de Saúde - até 2020 a depressão será a doença mais incapacitante do mundo. A depressão é coisa séria e a doença deveria ganhar prioridade de políticas governamentais. Ainda temos uma visão tacanha no que refere-se ao trato das doenças mentais/emocionais, e muito disso decorre do preconceito. Diante desse cenário, é muito complicado para que as pessoas que se sentem com os sintomas iniciais procure ajuda. Esbarram em uma enorme dificuldade de entender que a depressão não é frescura, preguiça ou uma fase complexa que se passa na vida e, tampouco, encontram facilidade de fazer-se compreendido pelas pessoas que os cercam.

Tendo em vista esse panorama, a obra publicada pela Seoman, ganha destaque no que refere-se ao fato de falar sobre a doença por meio de alguém que experimentou todos os estágios da depressão. Focado num adolescente, que também é acometido pela depressão que não escolhe raça, cor, idade, posição social, a obra ajuda-nos a compreender a doença.

Narrado em primeira pessoa a obra aborda a trajetória do jovem, Kevin Breel, relatando-nos a sua infância e tudo que permeou o seu crescimento. "É como se a dor do passado pudesse transcender o tempo e a culpa, e voltasse a afligir o meu coração, sem convite de boas-vindas" - revela o autor na introdução do livro. Complementa falando que reviver ou relembrar de tais momentos foi como a montagem de um quebra-cabeças, posto que "à medida que cada pecinha ia se encaixando no lugar, eu ficava mais e mais consciente de que a minha vida foi esculpida na incerteza e se arrastou através da escuridão".

Kevin fala sobre sua infância e revela que se odiava, embora ninguém percebesse que ele nutria esse sentimento. Um relato contundente quando pensamos que essa era a visão de uma criança sobre si mesma. Ele nos revela ainda informações sobre a sua casa na Hobbs Street e  das pessoas que ali viviam com ele: a irmã, a mãe e o pai. Kevin fala sobre a constatação da separação do casal que dormia em quartos separados, dos vícios do pai e sua depressão, da vida solitária que ele como garoto levava.

Na escola surge nele a impressão do cenário social que vivia, um ambiente que se demonstra "inseguro, assustador e imprevisível". É na escola que surge o bullying, que foi aparecendo aos poucos e aumentando gradualmente. As adjetivações pejorativas de tão repetidas faziam a vítima sentir-se como descreviam seus algozes e o apoio de sua aceitação residia nos outros, na espera de que as pessoas dissessem que o aceitavam. Isso vai criando uma espiral que vai prendendo a pessoa em si mesma.

Ainda garoto Kevin trocou de escola e fez uma rede de novos amigos que se reuniam na cada de um deles na pré-adolescência. Na família de Jordan, um desses amigos, se sentia importante. Aí, nesse mesmo período, a morte de alguém próximo o abala e vem a mudança para o ensino médio. Nos relatos feito pelo autor ele vai revelando como cada passo de sua vida afetou a sua forma de enxergar o que acontecia a seu redor e como isso, de certo modo, foi afetando o seu estado de espírito, modificando o seu jeito de encarar o mundo. Havia, no jovem, sempre um pensamento pendendo para o lado negativo.

Desde o início da leitura sentimos a forma jovial com que Kevin narra. Temos que lembrar que ele era um adolescente e usa de uma linguagem coloquial para atingir o público de sua mesma faixa etária, e essa forma de linguagem acaba por deixar a obra mais próxima dos leitores de qualquer idade. É, sem dúvida, um relato eloquente, verdadeiro e cru.

"...eu preferia ignorar meus próprios sentimentos; por isso evitava falar de mim mesmo sempre que possível."


Kevin relata com minúcia os momentos de depressão. A sensação de que não tem forças, a névoa que o encobriu, a percepção negativa sobre tudo que acontecia em sua vida, o encapsulamento em si, o fato de se sentir sempre pior, o ciclo de pensamentos que levam a se odiar e muitas outras coisas. Fazemos uma imersão em seus sentimentos expostos. É um relato de quem passou por isso, portanto nos toca, nos desperta empatia. Transparece no relato do autor a sua vivência. Destaco essa etapa do livro, porque nos coloca em conexão com o que se passa na mente e nas ações de quem está em depressão. Esse mergulho que fazemos em suas confissões, nos leva a sensações mais profundas. Depressão não é frescura! Depressão não é brincadeira! Depressão não é preguiça! Depressão tem que ser tratada.

"Todo mundo estava feliz e eu me odiava."

O autor nos confessa, inclusive, sobre sua tentativa de suicídio e as descobertas que teve a partir de tal episódio. A superação da depressão não é algo que se faz sozinho, mas é preciso que haja consciência sobre o que se passa para procurar e aceitar ajuda.

O livro não se propõe a ser um manual, daí decorre o fato de que sua leitura cria em nós empatia. A obra não tem a frieza dos termos técnicos, explicações extensas, recomendações que não pautam-se nos exemplos práticos de quem viveu aquilo. Pelo contrário, apresenta-se como um livro com linguagem acessível, dinâmico, objetivo e que mostra situações. Precisamos conhecer e compreender para auxiliar quem está ao nosso lado e sofre.

Confissões de Um Adolescente Depressivo é um livro que conversa com o leitor, apresenta uma história inspiradora de superação e nos leva a um caminho de conhecimento sobre esse mal que assola grande parte da humanidade.

Sobre o autor:

Kevin Breel é escritor, comediante, stand-up e ativista de saúde mental. Seu trabalho recebeu destaque em diversos meios de comunicação, entre eles NBC, CBS, The Huffington Post, MTV, CNN, The Today Show, Mashable e The Wall Street Journal. Sua apaixonante TED Talk viralizou instantaneamente e acumulou meio milhão de visualizações em menos de um mês, ganhando destaque em mais de 200 meios de comunicação. Como comediante, Kevin Breel já se apresentou em vários locais do mundo. Como ativista de saúde mental, ele é um dos embaixadores da campanha norte-americana Bell Let's Talk e já foi convidado para fazer palestras em Harvard, Yale, MIT, para o governo do Canadá e em grandes empresas do mundo todo.

Ficha Técnica:

Título: Confissões de Um Adolescente Depressivo
Escritor: Kevin Breel
Tradutor: Denise de Carvalho Rocha
Editora: Seoman
Edição: 1ª
ISBN: 978-85-5503-050-5
Número de Páginas: 232
Ano: 2017
Assunto: Depressão

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