Jardim dos Famintos – Adams Pinto - Tomo Literário

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Jardim dos Famintos – Adams Pinto

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Pessoas acordam num lugar que desconhecem totalmente. O ambiente além de novo, guarda surpresas que não são tão agradáveis assim. Eles aparecem no local com máscaras em seus rostos. A pouca memória que lhes restam é cheia de lacunas, pois não sabem exatamente o que aconteceu para que eles fossem parar nesse lugar inusitado. “Que lugar é esse? Parece uma espécie de altar construído no meio da floresta...”

Os personagens, no entanto, percebem que o sangue não pode tocar o solo, pois quando isso ocorre vira um “pandemônio” – palavra que usam para designar um evento assustador. Quando o sangue toca o solo o que há de pior nos humanos se revela e eles têm uma vontade estarrecedora de consumir carne humana.

“Pandemônio : a manifestação mais absoluta da loucura. Corpos colidindo com violência desmedida. Ira, êxtase e agonia. Dentes em bocas sorridentes procuram carne para rasgar, gargalhando, chorando, soluçando, compondo uma sinfonia medonha. Mãos, cujos dedos fincam a carne no intuito de despedaça-la, também golpeiam ossos, errática e bestialmente. Não há homens, apenas monstros exibindo sua natureza mais doentia.”

Os personagens, que acordam num local estranho e que estão em grupos separados, se cruzam. Eles tem que lidar com o desconhecido que representa o lugar, com as ocorrências climáticas  e, naturalmente, com os conflitos que surgem no próprio grupo. E, não podemos esquecer, que o sangue não pode tocar o solo, como dito anteriormente (outra preocupação que tem de carregar). Há discordância sobre as ações que devem tomar, mas também há a necessidade de união para que possam sobreviver e enfrentar os obstáculos e desafios que surgem num ambiente inóspito e cheio de armadilhas (naturais ou não).

No livro Jardim dos Famintos, do escritor Adams Pinto, que foi publicado em 2017 (1ª edição – independente), temos um misto de suspense, terror, fantasia e aventura, que mesclados com a personalidade de cada um dos personagens  enriquece a trama e dá ao autor a possibilidade de mexer com a história para impactar o leitor. E o impacto vem.


Quem somos? Onde estamos? Para onde vamos? Essas três questões compõe a busca que os personagens fazem. Os dois núcleos de personagens, com suas distinções – que são ressaltadas pelas suas ações, trazem à tona a simbologia do que cada um deles representa nesse emaranhado de pessoas que se veem diante de uma situação completamente aterrorizante.

Quando falamos de uma história que lida com fantasia, a criação do ambiente também é de suma importância, tal qual a criação dos personagens e do próprio enredo da narrativa. Adams Pinto criou um lugar insano, em que o sangue desperta o lado canibal dos personagens. Para se livrar da morte, há a necessidade de que encontrem ou, melhor, demonstrem seu lado obscuro. Vale ainda frisar que o próprio mundo em que os personagens se encontram e os diversos lugares pelos quais passam em busca de resgatar aquilo que lhes falta, se tornam um elemento-personagem dentro da história.

O fato de, desde o início, os personagens não saberem de nada, conduz o leitor pela história como se também fossemos uma das pessoas que ali estava. Vamos descobrindo sobre os personagens ao mesmo tempo em que eles vão fazendo o autoconhecimento. As máscaras usadas por eles representam também a diferença de suas personalidades, como se cada um tivesse um papel a desempenhar dentro do grupo do qual fazem parte. As diferenças de personalidades criam conflitos, trazem a diversidade de comportamentos e de perfis psicológicos, e fazem deles personagens complementares no desenrolar da trama de Jardim dos Famintos. Temos oito protagonistas e muitos outros personagens secundários e o leitor vai acompanhar o emaranhado de mistérios que vão se revelando.

“Os olhos confinam a imensidão do universo na finidade do ser humano!”


O lugar é perigoso, mas também há perigo pelos próprios personagens, quando surge a vontade da prática do canibalismo, por exemplo. O autor mescla terror e fantasia ao longo da história e entremeia bem os elementos da história que dão clímax e aqueles que apresentam a trama para poder destacar outros pontos de tensão. Os diálogos dos personagens também trazem pontos interessantes, incluindo algumas passagens que tem humor.

As ilustrações de Jon Bosco, que estão presentes no livro, estão em total conexão com a história e acrescentam ao projeto gráfico. A capa chama a atenção e mostra as oito máscaras que são representadas pelos personagens.

Jardim dos Famintos é um bom livro! A obra terá continuação. Aguardemos ansiosos!

Sobre o autor:

Adams Pinto | Foto: Reprodução

Adams Pinto, ilustrador e designer cearense, tem uma carreira conhecida internacionalmente na área de estampas geeks para lojas como Teefury, Qwertee e outras. Mas apesar da perícia com artes gráficas, sempre nutriu um amor secreto pela literatura. Desta maneira, influenciado por nomes como H.P. Lovecraft, Stephen King, Bernard Cornwell e contando com o apoio espiritual de J. R. R. Tolkien, levou adiante a confecção do seu primeiro romance: Jardim dos Famintos.

Ficha Técnica

Título: Jardim dos Famintos
Escritor: Adams Pinto
Editora: Independente
Edição:
Número de Páginas: 411
ISBN: 978-85-420-1031-2
Ano: 2017
Assunto: Literatura brasileira

Um comentário:

  1. Muito boa a sua resenha!

    Eu comprei o livro digital e estou bem ansiosa para lê-lo!

    Abração,

    Drica.

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