[Entrevista] André Balaio - Tomo Literário

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André Balaio é autor do livro Quebranto, do qual o conto que dá nome ao livro é finalista do Prêmio Aberst de Literatura na categoria Conto, Noveleta ou Novela de Terror/Horror. Um dos fundadores do Recife Assombrado, o escritor falou ao Tomo Literário sobre o início de sua jornada do meio literário, sobre a sua obra, novos projetos, o mercado literário, motivações para escrever e muito mais. Confira a entrevista.

Tomo Literário: Para começarmos conte-nos como foi o seu primeiro contato com a literatura e quando decidiu ser escritor.

André Balaio: Tudo começou na infância através dos livros de Monteiro Lobato e de uma coleção chamada “Para gostar de ler”, com contos e crônicas de autores como Paulo Mendes Campos, Rubem Braga e Carlos Drummond de Andrade. Na oitava série, o professor de Português estimulava que a gente escrevesse e ao final do ano criasse um livro. Acho que foi ali que tomei gosto pela escrita. Mas passei muito tempo sem levar isso a sério, só bem depois decidi aprender sobre escrita literária e comecei a escrever com a intenção de publicar.

Tomo Literário: Quebranto é um dos finalistas do Prêmio Aberst de Literatura na categoria Conto, Noveleta ou Novela de Terror/Horror. Qual a expectativa para o prêmio e como é figurar entre os finalistas?

André Balaio: Fiquei muito feliz com a indicação. A expectativa é grande, claro, por ser um prêmio importante. A indicação por si só já é um reconhecimento enorme.

Tomo Literário: Quebranto é também o nome do livro. Dos contos que estão presentes na obra qual aquele que melhor representa o seu estilo de escrita?

André Balaio: O livro tem 13 contos com histórias bem diferentes entre si, mas todas com um ponto em comum: são pessoas comuns que, colocadas em situações-limite, deparam-se com o fantástico. É em momentos extremos que o sobrenatural aparece. O medo nunca vem do desconhecido, mas de uma mudança de alguém próximo, em situações de desespero. São pais, mães, filhos, irmãos vivendo experiências de ruptura da normalidade, de provação. Dito isso, acho que o livro tem uma unidade e fica difícil destacar apenas um conto.

Tomo Literário: Você é um dos fundadores de O Recife Assombrado. Pode falar sobre o projeto aos leitores?

André Balaio: O Recife Assombrado começou como um fanzine no começo dos anos 90. A ideia era pesquisar os lugares mal-assombrados do Recife. Tentávamos entender a origem das lendas e conhecer novos casos. Em 2000, eu e Roberto Beltrão (escritor e jornalista) inventamos o site. Sim, O Recife Assombrado existe há 18 anos sem interrupção. Passamos a criar conteúdo de ficção e a estimular novos autores. Hoje temos vários livros e histórias em quadrinhos publicados. Peças de teatro e passeios turísticos foram criados com base nos livros. Um longa-metragem chamado “Recife Assombrado”, do qual fomos roteiristas, está em fase de finalização para lançamento em 2019. Nossos livros e quadrinhos são adotados como paradidáticos em diversas escolas de Pernambuco e fazemos palestras em escolas, bibliotecas públicas e instituições como o SESC.

Tomo Literário: Como você vê atualmente o cenário literário brasileiro?

André Balaio: Apesar do público ainda ser muito restrito, há muitas editoras independentes publicando ótimos livros de novas escritoras e escritores. E alguns veteranos continuam fazendo uma literatura de muita qualidade. A possibilidade de auto publicação com o uso de plataformas como o Kindle também ajuda a arejar a literatura brasileira. Falta apenas formar mais leitores. Acredito que este seja o grande desafio para que a literatura brasileira seja ainda mais relevante.


Tomo Literário: De modo geral o que te move a escrever? Quais suas inspirações e o que te agrada no horror e no sobrenatural?

André Balaio: Gosto de contar histórias e de buscar uma linha de contato com o leitor, fazer com que sinta o que os personagens sentem. Acredito que, pelo fato do horror e do sobrenatural trabalharem sensações básicas como o medo e a ansiedade, quem lê, baixa a guarda e apreende o que dizemos com mais intensidade. Quando conto a história de um pai que vira lobisomem e o filho policial tem que capturá-lo, não estou falando apenas da perseguição a lobisomens. Quando falo de uma mulher de meia-idade, pobre e casada, que cogita transformar um vizinho em amante, este homem morre e seu fantasma passa a persegui-la, não estou contando uma simples história de fantasmas. É assim que as coisas funcionam no horror para mim: a possibilidade de criar metáforas sobre as relações entre as pessoas.  

Tomo Literário: Você está preparando algum novo projeto literário? Pode nos adiantar alguma informação?

André Balaio: Estou escrevendo meu primeiro romance. É uma história urbana violenta que envolve mediunidade, mas no fundo eu falo das coisas de sempre: machismo, inadequação, relações familiares deterioradas, só que de forma insólita. Em suma, será um romance de ficção fantástica urbana, ou de horror suburbano, como queira.

Tomo Literário: Quais são os autores que você admira ou que de alguma forma influenciaram o seu trabalho como escritor?

André Balaio: Há muitos. Sem dúvida Edgar Allan Poe é a influência mais antiga e perene. Nunca me afastarei dele. Shakespeare está sempre presente. Tanto que um conto de Quebranto cita Macbeth e outro é uma versão contemporânea de Hamlet. Há também Kafka, Borges, Cortázar, Melville, Lovecraft, Proust, Dostoiévski, Tolstói, Flaubert. Mais recentemente me apaixonei pela literatura do argentino Juan José Saer. Entre os brasileiros, sou fã de Guimarães Rosa, Graciliano Ramos, Hilda Hilst, Lygia Fagundes Telles, Murilo Rubião e Raimundo Carrero, que, aliás, é meu primeiro mestre.

Tomo Literário: Que livros, de quaisquer gêneros, você recomendaria aos leitores? Está lendo algum atualmente?

André Balaio: É preciso ler os clássicos. Livros como A Metamorfose (Kafka), Grande Sertão: Veredas (Guimarães Rosa), Lolita (Nabokov), Dom Quixote (Cervantes), Madame Bovary (Flaubert), Moby Dick e Bartleby (Melville) e Crime e Castigo (Dostoiévski) são muito importantes para uma formação não apenas literária, mas de vida. Além desses, na seara do gótico/horror, há clássicos indispensáveis como Contos de Imaginação e Mistério (Poe), Drácula (Bram Stoker), O Médico e O Monstro (Stevenson), Frankenstein (Mary Shelley), Contos de Lovecraft e livros de Stephen King como A Dança da Morte e Carrie.

Atualmente estou lendo “Garotas mortas” de Selva Almada. É a história de três assassinatos de garotas ocorridos no interior da Argentina nos anos 80. A autora reconstitui esses feminicídios com maestria e mostra o quanto de misoginia a sociedade argentina é feita.

Tomo Literário: Gostaria de deixar algum comentário para os leitores do blog?

André Balaio: Quero agradecer ao Tomo Literário pela entrevista. É sempre muito bom falar dos livros que amamos e também, claro, dos que escrevemos. A literatura transforma, causa uma pequena revolução na gente, nos salva da idiotice, da mediocridade. Então, o que posso dizer é: leiam. Leiam muito. Leiam sempre. Reservem um tempinho, meia hora que seja, por dia para ler. Procurem se informar em sites, blogs, jornais literários. Há vários que tratam de literatura de qualidade.

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Conheça o site do Recife Assombrado:

7 comentários:

  1. O filme "RECIFE Assombrado" é do Roteirista ULISSES BRANDÃO, o roteiro não é deste autor. Ele deu assessoria no início da produção, e só. Corrijam.

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    1. Olá, Daniel! De fato, Ulisses Brandão - que é o produtor deu o acabamento final a um roteiro inicial do longa, que também tem pesquisa e argumento nosso. Foi um ótima parceria com Ulisses, que fez um excelente trabalha de acabamento do roteiro, atuado como um legítimo "Script Doctors". Confira este vídeo com comentários e o trailer oficial do filme "Recife Assombrado":

      https://www.youtube.com/watch?v=sAc7PP8DdXI

      Um abraço!

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    2. Olá, Daniel! De fato, Ulisses Brandão - que é o produtor executivo do filme - deu o acabamento final a um roteiro inicial que nós fizemos para o longa, que também tem pesquisa e argumento nossos. Foi uma ótima parceria com Ulisses, que fez um excelente trabalho de acabamento do roteiro, atuado como um legítimo "Script Doctors". Confira este vídeo com comentários e o trailer oficial do filme "Recife Assombrado":

      https://www.youtube.com/watch?v=sAc7PP8DdXI

      Um abraço!

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  2. Oi, Daniel. Como o Roberto Beltrão comentou, a história original e o roteiro são nossos. Ulisses Brandão é na verdade o produtor do filme e fez alguns ajustes para a filmagem. Forte abraço!

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    1. Excelente! Vamos ver nas telas então essa história incrível e surpreendente . E veremos também se estarão de fato junto com a equipe nos créditos e entrevistas, ao contrário de até agora. Fortíssimo abraço

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  3. Oi, Daniel. Como o Roberto Beltrão comentou, a história original e o roteiro são nossos. Ulisses Brandão é na verdade o produtor do filme e fez alguns ajustes para a filmagem. Forte abraço!

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  4. Calma, não precisam comentar duas vezes a mesma coisa, um fortíssimo abraço!

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