O Parasita – Sir Arthur Conan Doyle

"Eu sempre vi o conceito de espírito como o produto da matéria. O cérebro, eu imaginava, segregava a mente, assim com o fígado segrega a bile. Mas como isso pode ser verdade quando eu observo a mente trabalhando à distância e lidando com a matéria assim como um músico poderia lidar com um violino? O corpo não dá origem à mente, então, mas é preferivelmente o instrumento bruto pelo qual o espírito se manifesta. O moinho não dá origem ao vento, apenas o sinaliza. Isso era oposto à minha maneira de pensar inteira, e ainda assim era incontestavelmente possível e digno de investigação."

Austin Gilroy é um cientista, e como tal é cético em relação a certos assuntos que não foram ou que não podem ser provados cientificamente. Ele se depara, em um encontro, com a Sra. Penclosa, que faz hipnotismo. Entre sua curiosidade e seu ceticismo em relação ao tema ela acaba por testá-lo utilizando Agatha.

Apesar de Gilroy continuar cético e buscando compreender o fenômeno da mente humana, ou melhor, da manipulação dela, vai vendo-se envolvido cada vez em sua pesquisa, submetendo-se a hipnose realizada por aquela mulher. É  alertado para afastar-se dessas convenções a que tem se submetido. A própria mulher  diz ser capaz de controlar totalmente a mente de alguém a ponto de transforma-la num assassino, exemplificativamente. Os experimentos hipnóticos praticados por ela já teriam deixado marcas em um conhecido de Austin.

Em forma de diário ele lança seus pensamentos e o que viveu naquele dia. Percebe que a mulher que o hipnotiza parece estar por ele interessada. Ela é uma parasita que pode alojar-se dentro do sistema nervoso dele e controla-lo, e ele não deseja isso. Ele, angustiado, luta contra tudo que ela impõe à distância.  Ele ama Agatha e não quer magoa-la de jeito algum. Desfere palavras grosseiras contra Penclosa, a parasita, e  ela promete-lhe vingança. Ele aguentará todo o tormento de um experimento de hipnotismo que provocou uma reviravolta dentro de si?

"Não, minha paciência chegou ao limite. Ela me tornou o homem mais desesperado e perigoso que caminha sobre a terra."

Nesse texto de Conan Doyle vemos o ceticismo do homem se transformando numa obsessão de outrem e levando-o a estágios outrora inimagináveis. Um belo texto. Surpreende pelo caminho que segue e leva o leitor aos tormentos de Austin e as reviravoltas de sua peculiar história. Um ótimo conto.

O parasita é um conto publicado pela Guimarães Editores em 2009 e faz parte do livro "Histórias Extraordinárias", ao lado de outros contos do mesmo autor.

Nota: a resenha refere-se apenas ao conto "O Parasita", que foi lido em e-book.

Foto: Reprodução
Sobre o autor

Sir Arthur Conan Doyle foi um escritor e médico britânico, nascido na Escócia, mundialmente famoso por suas 60 histórias sobre o detetive Sherlock Holmes, consideradas uma grande inovação no campo da literatura criminal. Foi um renomado e prolífico escritor cujos trabalhos incluem histórias de ficção científica, novelas históricas, peças e romances, poesias e obras de não-ficção.

Ficha Técnica
Título: O Parasita
Escritor: Sir Arthur Conan Doyle
Editora: Guimarães Editores
Edição: 1ª
ISBN: 978-85-66636-82-6
Número de Páginas: 269
Ano: 2009
Assunto: Contos

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