Richard Stankevicius conta a trajetória dos jogos de MMORPG e desmistifica o universo da realidade virtual



Recebi da Editora Autografia, A Bíblia do MMORPG, escrita por Richard Stankevicius, que trata sobre a febre dos jogos de RPG (Jogos de Interpretação de Papéis), focando em seu modo virtual e online. Esse modo de jogo vem ganhando cada vez mais espaço no Brasil, principalmente entre os jovens. O livro, além de trazer conceitos importantes sobre o assunto, também discute o comportamento dos gamers, seus anseios e aflições, trazendo à tona questões comportamentais relevantes na era digital.

Desde a época dos clássicos Tibia e Ragnarock, até os mais populares atualmente, como: World of Warcraft, Guild Wars 2, entre outros, as diversas características particulares destas verdadeiras plataformas de interatividade e sociabilização virtual, levaram ao surgimento de uma nova linguagem para definir este universo com a clareza e dinamismo necessários. Esta obra conduz o leitor através do universo cotidiano dos gamers, apresentando sua linguagem de forma simples, intuitiva e tão profunda que se torna interessante até mesmo para aqueles que já dominam este assunto.

O nome do livro não é por acaso: a obra é uma verdadeira bíblia sobre os jogos de MMORPG, internet e realidade virtual, o autor escreve sobre desde o início dessa era até os tempos atuais. Richard Stankevicius produziu um livro riquíssimo em informações e boas ideias, e por possuir uma linguagem acessível, A Bíblia do MMORPG é indicada não só para os amantes dos MMORPG´s, mas também para todos que querem conhecer mais sobre este universo tão dinâmico e complexo, o que torna esta obra uma grande referência sobre este assunto.

Sobre o autor:

Richard Stankevicius é músico e escritor. Atualmente vive em São Paulo e escreve sobre as relações entre a sociedade contemporânea e o uso de plataformas de sociabilização virtual. Fundador da L33T, um dos mais populares clãs de Forsaken World no Brasil, foi moderador e principal responsável pelo conteúdo de fã sites deste famoso MMORPG, atingindo enorme visibilidade no extinto “forsakenbr”, entre os anos de 2010 a 2012. 

Quando os anjos caminham sem asas - Marco Lima



“... o seu comportamento seria comparado ao de um anjo. Um anjo sem asas.”

O décimo quarto Dalai Lama é exilado. Em 1962 nasce uma criança tibetana. O menino é chamado de Bidth, que em sânscrito significa sabedoria. Inicialmente o menino vive num orfanato, vez que sua mãe havia falecido e não havia informações sobre o destino de seu pai. Depois de um tempo o garoto é levado para viver no mosteiro de Gyantse.

No interior do mosteiro, Bidth passa a encantar os monges com o seu olhar, sua desenvoltura e a maneira singular com que lida com tudo que o cerca.

O que espera o futuro dessa criança? Vivendo no mosteiro ele passa a ter aulas de Kung-Fu com um mestre, aprende a visão zen japonesa e fortifica sua visão do yin e yang chinês. O que se destaca no personagem são suas ações. Bidth é capaz de promover equilíbrio nos ambientes pelos quais circula. Ele aprende e ensina.

“... a cura para as nossas tristezas está dentro de nós mesmos.”

Chang Po e Dalba, outros personagens do livro, seguiram caminhos distintos. O primeiro atua no comércio e o segundo ficara no mosteiro em que Bidth passou a viver. Com o domínio político chinês em Lhasa os amigos passam a utilizar um modo “secreto” de comunicação. Eles esperavam e acreditavam no retorno de Dalai Lama ao Tibete. Jigme é outro personagem na vida do garoto. Ele fica responsável pelo menino no mosteiro e atua “também com uma postura muito prestativa diante de todos”.

Desapego, bondade, equilíbrio, respeito, compreensão, compaixão, sabedoria, bem definem os acontecimentos que vão cercar a história de Bidth. Ele age de maneira singular encantando a todos e mesmo sua história pessoal vai prender a atenção do leitor. Ele vai tomar decisões para encarar o desconhecido e na preparação para essa jornada descobrir-se e aperfeiçoar tudo aquilo que aprendera ao longo do tempo.

“A luta é capaz de dar mais sentido à nossa vida. Lutem! Lutem contra a depressão, contra a tristeza e as emoções de vocês. Na maioria das vezes, somos derrotados mais pelas nossas mentes do que pelos nossos braços. Precisamos ser sempre mais fortes do que nossas melhores desculpas.”

A história do livro passa-se do nascimento aos dezoito anos do personagem-central. Há alguns trechos em que a narrativa não é linear no que se refere ao tempo e isso dá um jogo interessante para o leitor descobrir um pouco mais sobre a vida de Bidth e seu futuro, que deve ser apresentado nos livros seguintes da trilogia.

“Os destinos são construídos com elementos de que já sabemos e com elementos que ainda vamos descobrir.”

O livro”Quando os anjos caminham sem asas”, do escritor Marco Lima, foi publicado pela Editora Biblioteca 24 Horas em 2016. Uma bela história de ensinamentos, respeito, cordialidade, generosidade e busca de equilíbrio. O aprendizado com as ações, com as pessoas, com os livros, com ensinamentos do passado, com a vida... tudo isso faz parte da constituição da história particular de Bidth.

Outrossim, vale ressaltar que personagens como Bidth deixam uma lição para o leitor, que pode ser chamado a refletir sobre suas próprias ações ou ações das pessoas que os cercam. Histórias que enaltecem valores positivos na construção de uma vida equilibrada, sem dúvida, enchem de bons sentimentos aqueles que leem. “Quando os anjos caminham sem asas” é desses livros que deixam uma crença de que nem tudo está perdido e que a humanidade ainda pode melhorar. Mesmo que seja uma obra ficcional, convida o leitor a ser melhor, a ser um agente transformador de seu eu e do meio social.

Foto: Reprodução
Sobre o autor

Professor de Educação Física, Pós-Graduado em Medicina Tradicional Chinesa, mestre em Chi Kung e Lian Gong. Palestrante, apresenta-se ministrando temas relacionados a saúde e ao retardo do envelhecimento. Milita há cerca de quinze anos aperfeiçoando teorias relacionadas ao equilíbrio emocional como peça chave para uma vida física e mental estáveis. Defende o incentivo a prática do desapego como o primeiro passo de qualquer grande conquista e a prática da aceitação como técnica de libertação contra qualquer tipo de sofrimento. Escreveu “Quando os anjos caminham sem asas” retratando a saga de um menino órfão criado por monges e atualmente encontra-se escrevendo o segundo livro da trilogia a ser lançado no ano de 2017. Participou das antologias Total e Demais escrevendo crônicas e contos nos anos de 1998 e 2000. Escreveu também A Cota do Dia – Prolongando a essência da vida, em 2007, promovendo o desafio da descoberta dos limites do corpo com o despertar da consciência Yin e Yang.

Ficha Técnica
Título: Quando os anjos caminham sem asas
Escritor: Marco Lima
Editora: Biblioteca 24 Horas
Edição: 1ª
ISBN: 978-85-4161-024-7
Número de Páginas: 274
Ano: 2016
Assunto: Romance brasileiro

5ª Tarde Literária – Editora Illuminare




Olá, amigo leitor!

Anote aí.
 
Dia 11 de março de 2017 a Editora Illuminare promove a 5ª Tarde Literária, com muita literatura, autores talentosos, sorteio de livros, lançamentos de títulos da editora e muito mais.

Serão lançadas as antologias:
Reis e Rainhas – contos medievais
Anjos e Demônios – contos fantásticos
Avenida Muskinesse 666 – livro originado da Oficina Literária Contos de Suspense e Terror.

O livro “Coma”, de Carol Dantas também será lançado nessa data.

A entrada para o evento é gratuita.

Serviço:
5ª Tarde Literária – Editora Illuminare
Biblioteca Municipal de Barueri Eny Cordeiro
Rua Ricardo Peagno, 78 – Barueri – SP
Horário: das 14hs às 17hs

As Invernas - Cristina Sánchez-Andrade




No início da Guerra Civil Espanhola, que se deu em 1936, duas irmãs são enviadas para fora do país pelo seu avô, chamado de Dom Reinaldo. As meninas viviam com ele, mas certo dia não encontram-no em casa, mas ele retornou. Aquele repentino desaparecimento parecia ser o prenúncio do que viria depois.

Escondendo-se de seus perseguidores o avô enviou as netas para outro lugar e elas acabam vivendo na Inglaterra. Esse homem guardava um segredo que vem a ser descoberto posteriormente. Ele era tido como comunista e também como um cientista da aldeia na qual morava. Dom Reinaldo comprava, em vida, o cérebro das pessoas para que pudesse estudá-los quando os donos morressem. Precavido, fizera contrato com as pessoas que venderam o órgão.

As irmãs, que são órfãs e viveram com o avô, são Dolores e Saladina. Elas são chamadas de “As Invernas”, que dá título ao livro publicado pela Editora Tordesilhas em 2017 e que foi escrito pela espanhola Cristina Sánchez-Andrade. A edição brasileira teve tradução de Fátima Couto. As Invernas, depois de vier num outro país da Europa, retornam a aldeia cerca de trinta anos depois.

“Fora de Terra Chã, tinham chegado a se acomodar a outros climas e costumes, mas nunca haviam deixado de sonhar com a casa e a figueira, com os verdes prados sob a chuva.”

Dolores e Saladina são diferentes, tanto em sua constituição física, quanto nas características psicológicas e comportamentais. “A alta e a não alta; a bonita e a feia; a que toma café da manhã e a que em vez disso come miolo de pão com vinho; a que tem dentes e a que os perdeu mordendo o pão preparado com pedra. A que é virgem e a que sabe Deus o que será...” Elas tem uma relação tipicamente de irmãs. Sentimentos como inveja, raiva, amor, compreensão, cercam a relação das duas, que vivem com bastante proximidade.

Dolores é a irmã que se casa, mas que vive uma relação difícil com seu marido. Até que certa feita resolve visitar a irmã e as duas acabam cometendo um ato tenebroso. Foi depois desse episódio que elas resolveram voltar para a aldeia espanhola denominada de Terra Chã, onde viveram anteriormente. A presença das irmãs por ali parece despertar todo o passado dos habitantes do local, um passado que eles gostariam de manter esquecido.

“Ninguém suspeita nada do que aconteceu conosco. Somos jovens, cruzamos fronteiras, rios, pontes, cidades, falamos inglês, viemos o mar e fizemos cinema. O que vamos fazer aqui, escondidas como percevejos e fechadas para o mundo, com incríveis segredos em nosso interior, como essa gaveta que não quer abrir?”

Saladina, a irmã virgem, começa a envolver-se com Tiernoamor, o protético que, inclusive cuida de seus dentes, ou melhor, cuida de suprir a ausência deles. E, em dado momento, ele também tem revelações inesperadas que serão feitas a uma das irmãs.

As Invernas são fãs de cinema e chegaram a participar de filmes. Em vários momentos da trama elas comentam sobre seus sonhos e desejos e citam grandes atores do cinema como Ava Gardner e Clarke Gable. Apesar de alimentarem o sonho de serem atrizes elas atuam como costureiras, diante da máquina Singer, acostumando-se ao cotidiano que agora tem em Terra Chã.

“Mais um dia. Mais um dia em companhia da irmã. A vaca, o monte, a Singer. Cerzir, varrer, arrancar as teias de aranha e esfregar. A mesma coisa que fizera na véspera e que faria no dia seguinte. Já havia algum tempo ela começava a pensar que essa rotina que tanto as havia consolado ao chegar a Terra Chã não era agora nada além de uma forma de envelhecer.”

Na casa antiga, elas moram também com a vaca Greta, que vive no porão, quase como um cão domesticado. Em várias passagens do livro outros animais ou insetos são citados, como o momento em que uma delas cuida de um grilo, chegando a lhe dar o nome de Adolf Hitler. Situações inusitadas que dão um ar diferente a toda a trama criada pela autora.

O livro tem uma narrativa não linear que entremeia memórias com o momento vivido pelos personagens no presente. Cristina Sánchez-Andrade, que é considerada uma das grandes vozes femininas da literatura espanhola, tem uma narrativa que toca o leitor quase com um tom poético. A história criada pela autora tem nuances cômicas e dramáticas, bem como ironia e criticidade (como é o caso de que uma das irmãs tem sua beleza ressaltada, enquanto a outra é tachada de feia), apresenta personagens em momentos de alegria e de dúvidas, além de situações de turbulência. A autora utiliza-se muito bem de sutileza e crueldade. Há certa estranheza que paira no ar. Estranho é um ótimo adjetivo para definir a obra. No entanto, não é nenhum demérito. A estranheza é uma particularidade que torna a história e seus personagens ainda mais cativantes e instigantes ao olhar do leitor que tem contato com a obra. Torna o livro singular.

Personagens com estilos diferentes, mas que carregam em suas personalidades traços peculiares, o que é bastante ressaltado na diferença entre as irmãs e em sua relação de proximidade e de conflitos, povoam a cidade da história e dão um toque especial na trama. Inclusive os personagens secundários são bem trabalhados pela autora.Todos são peculiares. Cristina entrega ao leitor uma história bem consolidada, agradável de ler, fascinante pelo modo pitoresco com que construiu Terra Chã e seus habitantes.

Cada um dos capítulos é aberto com uma ilustração da Penndpaper. São imagens que remetem a casas de aldeias e dão um toque especial ao projeto gráfico de Amanda Cestaro. Essas imagens conseguem traduzir a atmosfera dos ambientes pelos quais As Invernas passam e onde as cenas se desenrolam.

É um livro memorável!

Sobre a autora

Cristina Sánchez-Andrade (Santiago de Compostela, 1968) é escritora, crítica literária, tradutora e coordenadora de vários seminários de narração. Formada em ciências da informação e em direito, é autora dos romances Las lagartijas huelen a hierba (1999), Bueyes y rosas dormían (2001), Ya no pisa la tierra tu rey (Anagrama, Prêmio Sor Juana Inés de la Cruz 2004), Alas (2005), Coco (2007), Los escarpines de Kristina de Noruega (finalista do Prêmio Espartaco de Novela Histórica 2011) e El Libro de Julieta (2011). Sua obra foi traduzida para o inglês, português, italiano, polonês e russo, e sobre ela os críticos espanhóis disseram: “Uma escrita que trabalha com os sentidos, uma lenda rude, selvagem e feroz... algo radicalmente novo na literatura em espanhol, original e insólito” (Manuel Rivas); “Guardem este nome: Cristina Sánchez-Andrade. É nada menos que uma das vozes femininas mais poderosas que a literatura espanhola nos deu” (Nuria Martínez Deaño, La Razón); “No caso de Cristina Sánchez-Andrade, pode-se falar, é claro, em uma escritora com um mundo próprio e insólito e um estilo que surpreende” (Luis García Jambrina, ABC).

Ficha Técnica
Título: As Invernas
Escritor: Cristina Sánchez-Andrade
Editora: Tordesilhas
Edição: 1ª
ISBN: 978-85-8419-047-8
Número de Páginas: 279
Ano: 2017
Assunto: Romance espanhol