Navegue a Lágrima - Letícia Wierzchowski


No Uruguai, numa casa de praia, Heloísa, uma editora, refugia-se para viver isoladamente após o luto. A casa em que ela passa a morar era a residência de veraneio de Laura Berman, uma consagrada escritora.

Em meio a fotografias, bebida e outros objetos que pertenceram aos antigos moradores, além da casa propriamente dita, passa a debruçar-se sobre as vivências daqueles moradores de outrora: Lara, Leon (o marido) e os dois filhos (Daniel e Max).

“... Era a primeira vez que eu os via, em carne e osso, ou seja lá o que fosse aquilo. Eles estavam ali, todos os quatro, tão vivos e palpáveis como as próprias árvores, os pássaros e as rosas desfolhadas e rubras.” Notamos no trecho que a presença dos moradores vai ganhando contornos pela mente de Heloísa, como se ela os tornassem vivos ao buscar a história contida em cada canto da casa, em cada objeto que a rodeia, em cada foto que vê. O livro, como percebe-se também no trecho destacado é narrado em primeira pessoa. Heloísa é a narradora.

Perto de completar sessenta anos de idade, ela viveu com um homem por onze anos, separou-se, passou a viver com Lucas, um novo amor, que faleceu. Nessa casa em que se ela se retira para apaziguar o coração, ela mistura as suas lembranças com as histórias da família Berman. Ali ela rememora os momentos que viveu ao lado de Lucas, os bons e maus, narra a doença que o levou à morte e a relação que mantinha com o amado. De outro modo, ela também busca reconstruir a história do casal Laura e Leon, seus inquilinos ficcionais, como ela se refere a eles em alguns trechos.
Das relações, dos sentimentos, das lembranças e porque não dizer, da imaginação, nasce a história dos Berman que se cruza e se costura com a de Heloísa.

“O tempo é paciente, meticuloso e mourejador. O tempo derrubou reis, gerações inteiras de reais, desfez reinados, alianças, fortunas, apagou religiões e riscou povos inteirinhos da face da terra de meu Deus. Por que um simples amor entre duas pessoas, um homem e uma mulher, haviam de ser, assim, imune ao tempo?”

A relação dos Berman não era perfeita, mas era lapidada pelo tempo, pelos gestos, pela forma de compreender um ao outro, seja por um livro deixado em algum canto da casa ou pela vivência com os filhos correndo pela propriedade. Mesmo na ausência havia uma forma de lidar com a relação.


Relações de amor. Esse é o cerne do livro “Navegue a Lágrima”, da escritora Letícia Wierzchowski, publicado pela Editora Intrínseca em 2015. Relações de amor que se desembaraçam na convivência, nas lembranças, nos objetos deixados no meio do caminho, naqueles outros que são adquiridos pelo casal, nos detalhes de uma casa que viu a relação se construir, se ajustar, se adaptar, se transformar. Um amor que vive a mercê do tempo. O amor é cheio de qualidade, mas também de artimanhas, por isso, nas relações o amor pode não aparecer de maneira explícita, escancarada, mas pode estar lá, disfarçado.

Heloísa, a personagem que é editora, diz que “a literatura é invenção, é criação, mas sempre há o pó da vida nos cantos da literatura, como pegadas, como marcas sutis da humanidade e do passo do autor.” E por isso, o livro de Letícia encanta, chama o leitor para a história de Heloísa e suas descobertas, que antes de mais nada, é também a descoberta de si mesma.

Já havia lido “Sal” da mesma autora e conhecia “A Casa das Sete Mulheres”. “Navegue a Lágrima” é mais uma obra de encher os olhos do leitor. Letícia, mais uma vez, apresenta um belo texto. Uma literatura que se aproxima do leitor por tocar em sentimentos que podem ser tratados de maneira piegas ou cheia de clichês, mas que ela transforma em arte, com sensibilidade.

Foto: Carin Mandelli
Sobre a autora

Letícia Wierzchovski nasceu em Porto Alegre e estou na literatura aos vinte e seis anos de idade. Publicou treze romances e nove livros infantis. É autora de “A Casa das Sete Mulheres”, que inspirou a série homônima produzida pela Rede Globo, exibida em trinta países. Com obras traduzidas para nove idiomas, Letícia recebeu o Prêmio Açorianos de Literatura em 2012.

Ficha Técnica
Título: Navegue a Lágrima
Escritor: Letícia Wierzchowski
Editora: Íntrinseca
Edição: 1ª
ISBN: 978-85-8057-744-0
Número de Páginas: 205
Ano: 2015
Assunto: Romance brasileiro

[Concurso Literário] - Concurso Jovens que Escrevem tem inscrições abertas até 16 de outubro


As   inscrições para o concurso literário Jovens que Escrevem vai até o dia 16 de outubro de 2016. 

Podem participar jovens de 12 a 25 anos. São duas categorias: Contos e Poesias.

Quer saber qual o prêmio?
  • 1º lugar – publicação de um livro de até 80 páginas (100 exemplares).
  • 2º lugar – prêmio de R$800,00 (oitocentos reais) em dinheiro.
  • 3º lugar – prêmio de R$ 500,00 (quinhentos reais) em dinheiro.
O livro será publicado pela A R Publisher Editora. O investimento para participar do concurso é de R$ 20,00 (vinte reais) e as inscrições são realizadas exclusivamente por e-mail: arpublisherditora@gmail.com.

Sessão Intrínseca - Editora apresenta novidades


Na   Sessão Intrínseca, realizada no dia 21 de setembro, em São Paulo, a Editora Intrínseca apresentou novidades para o último trimestre do ano e livros recentemente lançados. Divididos em ficção, não ficção e juvenis, a editora explanou sobre as obras para o público. Quer conhecer um pouco sobre alguns deles?

 “Baseado em Fatos Reais”, de Delphine de Vigan aborda uma personagem que tem o mesmo nome da autora e que também é escritora. A homônima sofre de um bloqueio criativo. Ela passa a receber cartas anônimas  que a ameaçam por ter exposto publicamente a sua família, vez que escreveu um livro que revela segredos familiares. É nesse cenário que ela conhece uma mulher misteriosa, que aparenta ser tudo que a própria Delphine desejava se tornar. A mulher interfere na vida de Delphine e a conexão entre elas parece inacreditável.

De Ted Chiang, “História da Sua Vida e Outros Contos”, foi apresentado como um livro que vai superar a expectativa dos leitores. Ted não é muito conhecido no Brasil, mas tem uma peculiaridade ao escrever seus contos. O trabalho primoroso com que zela pelo texto possibilitou um livro que recebe elogios. O autor já foi bastante premiado.

“Diário de um Ladrão de Oxigênio” é de um escritor anônimo. Sim, ninguém sabe a real identidade do autor. No livro, um homem paranoico, dependente de álcool, de entorpecentes e de abusar emocionalmente de suas parceiras, um dia leva o troco. O livro vendeu mais de 100 mil cópias como produção independente na Amazon americana.

“A Filha Perdida” e “Uma Noite na Praia” são da escritora Elena Ferrante. O primeiro conta a história de uma mulher que, depois de ter as filhas crescidas e de terem se mudado para o Canadá, resolve tirar férias na Itália. Logo ela volta sua atenção para uma família, na qual tem uma criança. A menina e a boneca somem. Leda ajuda na busca e a aproximação com a mãe da menina desencadeia lembranças da própria vida de Leda. Já no segundo livro, ela conta uma fábula, narrada do ponto de vista de Celina, uma boneca que é perdida numa praia. Embora aparente ser infantil o livro também apresenta aspectos que podem ser atingidos por qualquer leitor, pois trata de impressões, percepções, leveza e tensão. O livro conta com ilustrações da artista italiana Mara Cerri.

“Alerta de Risco: Contos e Perturbações”, de Neil Gaiman é uma rica coletânea de histórias de terror e de fantasmas, ficção científica e conto de fadas, fábula e poesia que exploram o poder da imaginação. De certo que Gaiman, mais uma vez, tocará seus leitores com boas histórias. “Deuses Americanos” é outro livro do escritor que chega às livrarias com boa aceitação do público de Gaiman. Tido como um livro estranho, tem na estranheza o seu sucesso. Foi publicado pela primeira vez em 2001. A história conta a saga de Shadow Moon, ex-presidiário que descobre que sua esposa morreu. Sem lar, sem rumo, ele conhece o Sr. Quarta-Feira e embarca numa viagem por inusitadas cidades dos Estados Unidos. O livro é uma mistura de road trip, fantasia e mistério.

Ilustre Poesia”, de Pedro Gabriel é o terceiro volume da série ‘Eu Me Chamo Antônio’. O autor apresenta textos inéditos que mesclam prosa, verso, ilustrações e tipografias espetaculares.

E por falar em terceiro livro... “Biblioteca de Almas” é o último livro da série de O Lar da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares. E tal qual os livros anteriores, reúne fantasia, aventura e sombrias fotografias de época. Do mesmo autor, “Contos Peculiares” traz dez incríveis histórias ambientadas no universo de O Lar da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares. O livro tem uma bela edição em capa dura e conta com ilustrações que dão charme à obra.

“Coleção Como Lidar” tem cinco livros lançados simultaneamente que são guias simples e didáticos que mostram como lidar com grandes questões da vida adulta. Os livros são pequenos e ironizam a maturidade, os estereótipos e absurdos, com muito sarcasmo. Teve mais de 1,2 milhão de exemplares vendidos em apenas quatro meses, a coleção foi publicada originalmente na Inglaterra em 2015. É agora uma das maiores apostas da Editora Intrínseca para o final de ano.


“Garra”, de Angela Duckwort apresenta a combinação de paixão e determinação, a capacidade de produzir e de gerar resultados, que vão além do puro uso do talento ou da sorte. Por meio de pesquisas realizadas no campo da psicologia e com histórias de sucesso a autora explora a análise com relação ao que possibilitou pessoas bem-sucedidas a terem alcançado seu objetivo. Por meio de gráficos, tabelas e questionários permite que o próprio leitor faça uma autoanálise.

Da comediante Amy Schumer, “A Garota com Tribal nas Costas”, traz questões universais na vida das mulheres, como altos e baixos da carreira, da vida amorosa, dos relacionamentos familiares, da autoimagem e da autoestima. Ela usa de humor ácido em crônicas pessoais que vão levar o leitor a rir.

 “Como Matar a Borboleta Azul”, foi escrito por Monica Baumgarten de Bolle. É tido como uma leitura para entender como foi engendrada a crise econômica brasileira atual. O livro tem linguagem acessível e a análise é feita em forma de crônica.

“Nimona” é uma graphic novel de Noelle Stevenson que fala de uma metamorfa sem limites nem papas na língua. O sonho dela é ser comparsa de Lorde Ballister Coração-Negro, o maior vilão que já existiu. Mas ela não sabia que ele possui escrúpulos. A história mistura magia, ciência, ação e humor. Subversiva e irreverente é uma boa pedida para quem quer ler um novo quadrinho.

“As Mil Noites”, escrito por E. K. Johnston é um reconto de As Mil e Uma Noites. A autora apresenta uma fábula cheia de mistério e magia, amor e sacrifício.

Outros dos livros apresentados foram:

“O Martelo de Thor”, de Rick Riordan;
“Tony & Susan”, de Austin Wright;
“Belgravia”, de Julian Fellowes;
“A Química”, de Stephenie Meyer;
“Wine Folly, o Guia Essencial do Vinho”, de Madeline Puchette e Justin Hammack;
“Enquanto Houver Champanhe, Há Esperança”, de Joaquim Ferreira dos Santos;
“Sully: o Herói do Rio Hudson”, de Chestey Sully Sultenberger e Jeffey Zaslow;
“Pax”, e Sara Pennypacker;
“Não se Enrola, Não”, de Isabela Freitas;
“Pó de Lua nas Noites em Claro”, de Clarice Freire.

Foram apresentados também livros de Jojo Moyes que tem sido sucesso de venda e de público. Dois livros da autora foram destacados pela editora: “Nada mais a perder” e “O som do amor”. Jojolovers, como são chamados os fãs da escritora, terão mais romances para completar a coleção. Os livros da escritora alcançaram a marca de 1,5 milhões de exemplares vendidos pela Intrínseca.

Qual ou quais vai para sua lista de desejos? Para saber mais sobre esses e outros livros consulte o site da editora: 

#LendoDomQuixote – Volume 2 – Semana 3 – Capítulo XV ao XXI


No   período de 19/09/2016 a 25/09/2016 aconteceu a terceira semana da leitura coletiva do livro “O Engenhoso Cavaleiro Dom Quixote de La Mancha” (segundo livro), do escritor espanhol Miguel de Cervantes Saavedra.

Vale lembrar que projeto de leitura coletiva é encabeçado pelo blog Companhia de Papel. Por meio da hastag #LendoDomQuixote é possível acompanhar fotos e comentários postados nas redes sociais.

Nessa etapa do livro temos Dom Quixote e Sancho ainda falando sobre Sasón Carrasco e Tomé Cecial.  Seriam eles o Cavaleiro do Espelho e seu escudeiro? Dom Quixote imaginara outrora que os dois haviam passado por um encantamento que os fez ter a aparência atual.

No capítulo XVI um insteressante jogo em que Dom Quixote se depara com outro. E, mais adiante, encontra um homem que carrega um leão numa jaula e quer com ele travar uma batalha. Coisa típica de Dom Quixote. O cavaleiro, contudo, não consegue travar a batalha, mas inventa outros artifícios para que sejam exaltadas sua coragem e suas vitórias.

Como diz ele a Sancho: “bem poderão os encantadores tirar-me a ventura, mas o esforço e o ânimo, será impossível”.

Dom Quixote vai a casa de D. Diego de Miranda e lá fica por quatro dias. De lá saindo encontra-se com dois homens que pareciam clérigos ou estudantes. Sancho e Quixote participam ainda do casamento de Camacho.

Nessa etapa do livro há uma redução no ritmo das aventuras que Quixote se mete, no entanto, tudo que é narrado prepara o leitor para o que virá adiante. E cada capitulo que segue retoma um ou mais pontos que se passaram em capítulos anteriores. Daí decorre o fato de que mesmo o que parece desviar a narrativa, volta para elucidar um acontecimento. Nota-se, como observado anteriormente, que Sancho Pança toma um destaque maior do que no primeiro volume. 

Continuo, até aqui, considerando os livros do Cavaleiro da Triste Figura, uma das melhores, senão a melhor, leitura do ano. As leituras de livros clássicos, por vezes são tidas como massantes. Em que pese que haja um refinamento na escrita de Cervantes que pode causar certa estranheza ao leitor, é um livro que chama para pensar. A construção da narrativa deve ser lida e sentida por quem lê. Ter contato com vídeos e artigos de estudiosos da obra do autor, torna tudo ainda mais interessante.

A leitura prossegue. Em 26/09/2016 adentramos o quarto estágio da leitura coletiva e, na próxima semana, trago mais um post sobre a obra.

Eliane Potiguara, autora de A Cura da Terra da Editora do Brasil, participa de evento do Itaú Cultural

De 28 a 30 de setembro, o Itaú Cultural promove o "Mekukradjá – Círculo de Saberes de Escritores e Realizadores Indígenas", evento que tem como objetivo promover a troca de conhecimentos sobre o povo indígena por meio da literatura e do cinema, com debates, filmes, poesia e prosa. Os encontros contam com a presença de artistas de 11 estados brasileiros e 11 etnias, sendo Eliane Potiguara, autora do livro "A cura da Terra", da Editora do Brasil, uma das participantes do debate sobre o Feminino na Literatura e no Cinema Indígenas. 

A obra A cura da Terra, publicação infanto-juvenil de Eliane Potiguara, conta a história de Moína, uma menina muito curiosa, de origem indígena, e que adora se aconchegar nos braços da avó para ouvir histórias. A personagem procura entender o sentido de sua vida, as suas transformações. Uma das histórias contadas pela avó revelará à menina o sofrimento pelo qual seu povo passou, as descobertas e a sabedoria de seus ancestrais e também como conseguiram a cura de um de seus bens mais preciosos: a Terra.

O Mekukradjá contará com apresentações artísticas e tradicionais, além de exibições de filmes e espaço de convivência com exposição de livros e artesanato indígenas. Participam também os escritores Ailton Krenak, Daniel Munduruku, Kaká Werá, Roni Wasiry Guará, Olívio Jekupé, Márcia Wayna Kambeba, Cristino Wapichana e Tiago Hakiy; e os realizadores Cristina Flória, Isael e Sueli Maxakali, Alberto Alvares, Divino Tserewahú e Patrícia Ferreira Mbya. Não indígenas também fazem parte das mesas: o escritor Maurício Negro, o cineasta Andrea Tonacci e a pesquisadora em linguística Maria Silvia Cintra Martins, complementam os encontros.

Sobre a Editora do Brasil:

Fundada em 1943, a Editora do Brasil tem atuado há mais de 70 anos com a missão de mudar o Brasil por meio da educação.  Como empresa 100% brasileira, tem atuado com esse foco ofertando conteúdos didáticos, paradidáticos e literários direcionados ao público infantojuvenil. Foi fundadora da CBL, SNEL, FNLIJ, IPL e daAbrelivros. 

Serviço:

Mekukradjá – Círculo de Saberes de Escritores e Realizadores Indígenas
Data: De 28 (quarta) a 30 (sexta) de setembro
Local: Sala Itaú Cultural (piso térreo) Avenida Paulista, 149, São Paulo - SP
Entrada: a programação é gratuita. Chegar com duas de antecedência para retirada de ingressos.

O Último Adeus - Cynthia Hand

“Nossa, eu odeio essa pausa, enquanto a pessoa que está falando procura o modo mais tranquilo de dizer  morreu, como se encontrar outra palavra deixasse a coisa menos horrorosa: termos como foi descansar, como se a morte fosse temporária; partiu ou se foi, como se fossem férias; expirou, que deveria ser um termo mais técnico, ma que mais parece que o morto é uma caixa de leite, com uma data carimbada ali, depois da qual a pessoa se torna... bom, leite azedo.”

Alexis ou Lex recebe a proposta de seu terapeuta Dave: escrever um diário sobre o que vive, como forma de expor os sentimentos que retraí. Há cerca de sete semanas o seu irmão morreu, vitimado por um suicídio. Em um Moleskyne de capa preta ela faz suas anotações e passa então a narrar a história. Fala, sobretudo, do trauma que a morte de seu irmão Tyler causa a toda família, incluindo sua mãe.

Um bilhete deixado num post-it por Ty diz: “Desculpa, mãe, mas eu estava muito vazio”. Essa foi a lembrança deixada por ele.

O fato de Tyler ter tirado a própria vida deixa uma lacuna incompreensível na vida de sua irmã Lexie. Ela fala sobre tudo que viveu ao lado do irmão e, a partir de certo ponto, passa a ver ou ter a impressão de que viu Ty em corpo físico. O Ty que já havia morrido. Lexie tem para si que ele quer direcioná-la para alguma ação.

“Ás vezes acho que vejo Ty (...) Ás vezes, eu tenho a impressão de que ele está dentro de casa. E sinto que ele quer algo de mim.”

O pai de Lexie é separado de sua mãe e eles não tinham um bom relacionamento, bem como não tinham proximidade. Além do bilhete que Ty deixou, algumas fotos que tinham a figura do pai sumiram e ele deixou uma carta para Ashley, a ex-namorada. As relações que, de certo modo, se apresentam conturbadas, ficam expostas na dor que é sentida por Lexie, bem como a dor de sua mãe que ainda vive o luto pelo filho. Também pudera, haja visto que ele não morreu por uma doença ou por acidente, mas tirando a própria vida.

A proposta inicial feita pelo terapeuta de expressar os sentimentos por meio de um diário, pareceu, inicialmente, repetitiva pelo que presenciei em outras tantas publicações. No entanto, o livro surpreende, porque não é meramente a exposição dos escritos da personagem-narradora. É ela quem conta a história, indo além do que teoricamente teria escrito em seus diários de terapia. O livro, portanto, segue a narrativa com uma trama que prende a atenção do leitor.

Lidar com a morte de um ente querido todos sabemos que não é algo agradável. E na busca pela compreensão dos sentimentos que afligem Lexie, ela vai descortinando mistérios que pairam no ar e tecendo o alinhamento de relações familiares, que permeiam as lembranças. Lexie aponta para os leitores o emaranhado que é tratar de questões que lhe afligem: a perda, a superação da morte do irmão e as questões do cotidiano que vão consumindo a personagem.

Foto: Livraria Cordis























“O    Último Adeus”, de Cynthia Hand, publicado pela Darkside Books em 2016 e que tem tradução de Carolina Coelho é um livro que trata de perdas e dos questionamentos que a  perda de um ente querido lança-nos diariamente. 

A história criada pela autora é, ao mesmo tempo, misteriosa e sensível. Misteriosa na medida em que trata dos aparecimentos de um personagem morto, da sobrenaturalidade que essa aparição causa e dos pontos de mistérios que envolvem o bilhete, a carta deixada, o sumiço das fotos do pai e outras passagens que são narradas por Lexie. Sensível no  que refere-se a profundidade da relação do amor entre os irmãos, da busca pelo entendimento das diferenças familiares, da compreensão do desejo do jovem ter tirado a própria vida e do que fica para os que não foram. Logo, em alguns momentos da história o leitor vai ser provocado com arrepios e em outros tomado por emoção.

A própria autora teve um irmão que se suicidou. No entanto, convém frisar que não é uma história autobiográfica, é ficção. A obra de Cynthia, que figurou na lista de best-sellers do New York Times é um livro para encantar. E a Darkside arrasa mais uma vez no que refere-se ao trabalho gráfico, além é claro, de apresentar um ótimo texto. O toque especial do trabalho primoroso da editora fica por conta de um post-it que vem colado sobre o título do livro na capa. Um detalhe simples, mas que coloca o leitor em conexão com a trama.

Foto: Reprodução
Sobre a autora

Cynthia Hand é a autora da trilogia Sobrenatural, incluída na lista de best-sellers do New York Times. Nascida no sudeste de Idaho, ela é formada em escrita criativa na Boise State University e na Universidade de Nebraska-Lincoln. Nos últimos sete anos, lecionou redação da Pepperdine University no sul da Califórnia. Ela  e a família recentemente se mudaram de volta para Idaho, onde curtem ar fresco.

Ficha Técnica
Título: O Último Adeus
Escritor: Cynthia Hand
Editora: Darkside
Edição: 1ª
ISBN: 978-85-9454-002-7
Número de Páginas: 352
Ano: 2016
Assunto: Literatura norte-americana

Pedaços de mim, de Rô Mierling tem edição limitada e de luxo


"Pedaços de mim", da escritora Rô Mierling é um livro cheio de mistérios e realidade. Um livro que reúne a realidade urbana, os mórbidos medos humanos e sinistras situações. Suspense, horror, drama e terror psicológico – de tudo um pouco nesse livro criativamente assustador.
O livro é dividido em três partes:

Parte I
Pedaços de Mim

Parte II
Convidados do Funeral

Parte III
Epitáfios 
Confira a página exclusiva do livro no link: http://zip.net/bfts19
O projeto gráfico da publicação é de arrasar. O livro é em capa dura com imagem fosca aveludada. O miolo é em couchê 90gr bege, ou seja, com folhas mais consistentes. As ilustrações são assustadoras e exclusivas. O livro pode ser adquirido por R$ 29,00 (vinte e nove reais) e tem frete grátis. Não é bacana?
Mas atenção, pois a edição de luxo exclusiva tem um número limitado de exemplares.
É fã de livros de terror, suspense e horror? Não fiquei sem o seu. A compra pode ser feita via cartão de crédito ou depósito bancário. 
Basta entrar na página do livro e escolher a forma de pagamento:
http://zip.net/bfts19

Hellraiser - Clive Barker

O livro foi publicado originalmente em 1986. O autor Clive Barker escreveu com a intenção de que se tornasse um filme, o que ocorreu em 1987 e foi sua estreia em direção. Hellraiser, Renascido do Inferno, teve nova edição, publicado no Brasil pela Darkside Books em 2015, com tradução de Alexandre Callari.

O livro conta a história de Frank Cotton, um homem hedonista que tem obsessão por prazeres carnais nada convencionais Ele precisava descobrir prazeres além dos que já conhecia afim de se satisfazer. Depois de viajar atrás de novas descobertas, trancafiou-se num quarto com ossos, bombons, agulhas e uma jarra de sua própria urina, formando uma espécie de altar. Com a caixa de Lemarchand em mãos, que seria uma espécie de portal para o inferno, ele invoca os Cenobitas, seres que podem lhe proporcionar os prazeres que vão além da compreensão humana. No entanto, era mais do que a oferta de prazeres que eles, torturadores vorazes, queriam. Tarde demais. Não há volta para Frank. O homem que então é tragado para o inferno.

Os Cenobitas provocam uma série de inquietações em Frank, como destacado no trecho a seguir: “Por que, então, ele estava tão aflito de observá-los? Seriam as cicatrizes que cobriam cada polegada dos corpos deles, a carne cosmeticamente perfurada, cortada e infibulada, sendo a seguir coberta de cinzas? Seria o odor de baunilha que eles traziam consigo, a doçura que mal conseguia disfarçar o fedor que havia por detrás? Ou seria, que, conforme a luz aumentava e ele os examinava mais atentamente não viu nada de alegria ou mesmo de humanidade em seus rostos mutilados, apenas desespero e um apetite que fazia suas entranhas se retorcerem?” Dá para sentir o clima do que Hellraiser vai expor para o leitor.

A caixa de Lemarchand era mais que um mapa, era a estrada,  o portal para onde ele foi. Frank estava aprisionado atrás das paredes do quarto daquela casa, a casa em que seu irmão Rory e a esposa agora queriam viver. Se assim podemos chamar, o casal torna-se a esperança de fuga de Frank. Trancafiado naquele quarto, que emite sons, Júlia (a cunhada) se aproxima e encontra na movimentação das paredes uma imagem assustadora. Ela cumprirá os desejos de Cotton por sangue e carne humana. Rory, seu marido e Kirsty, sua amiga, acabam envolvidos nessa demoníaca e assustadora narrativa.

“Ela viu que era humano, ou que havia sido. Mas o corpo tinha sido feito em pedaços e recosturado com a maior parte das peças faltando ou retorcidas e enegrecidas, como progressão de uma espinha, mas a vértebra estava despida de músculos, com alguns poucos fragmentos reconhecíveis da anatomia.”

O livro de Clive Barker tem 160 páginas e uma trama perturbadora. Não resta dúvidas de que é uma excelente obra de terror. As cenas descritas no livro, por vezes são chocantes. A busca de Frank, voltado totalmente para o prazer, lança uma perturbadora inquietação ao pensarmos no que o homem é capaz para satisfazer desejos pessoais. O terror que assola cada página, cada cena, cada descrição pormenorizada do que Frank passa é assustador, o que torna a obra um excelente livro do gênero.

“Hellraiser” é uma história de terror de qualidade e que prende a atenção do início ao fim. Por ser um livro curto, de certo que o leitor vai querer devorá-lo numa única sentada para leitura.

Falar bem das edições da Darkside é quase um clichê, mas não dá pra não mencionar a capa dura e em alto relevo, similar a couro e com ilustração dourada no centro (representação da imagem da caixa de Lemarchand). Sombriamente luxuosa foi realizada para comemorar os 30 anos do livro, posto que a edição em referência foi publicada em Setembro de 2015. Certamente “Hellraiser” vai te assombrar.

Sobre o autor

Nascido e criado na Inglaterra, Clive Barker é um escritor conhecido internacionalmente, autor de vinte livros cuja temática varia de ficção adulta de horror à moderna série de livros infantis. É também um aclamado artista e produtor de cinema. Ele é mais conhecido como escritor e diretor do cult clássico de horror “Hellraiser – Renascido do Interno”, de 1987. Um filme que explora os temas do sadomasoquismo, dor como fonte de prazer e moralidade sob coação e medo. Clive vive em Bervelly Hills, na Califórnia.

Ficha Técnica
Título: Hellraiser
Escritor: Clive Barker
Editora: Darkside
ISBN: 978-85-66636-69-7
Edição: 1ª
Número de Páginas: 160
Ano: 2015
Assunto: Literatura norte-americana

[Parceria] Escritor Gustavo Araújo


O Tomo Literário anuncia um novo parceiro: o escritor Gustavo Araújo.

Sobre o escritor:

Gustavo Castro Araujo nasceu em Curitiba, PR, em 1973.

Influenciado por Niccolò Ammaniti e John Boyne, escreveu seu primeiro romance, “O Artilheiro”, finalista no Concurso Nacional do SESC em 2009. Dois anos depois, teve o conto “O Logaritmo do Gato” selecionado para a Coletânea Machado de Assis, do SESC-DF. Em 2013, os contos “O Livro de Elisa” e “Catarina” foram publicados na Antologia “!” da Caligo Editora. Em 2014, o conto infantil “Tempo de Arte” foi selecionado para a coletânea “Monteiro Lobato” do SESC-DF. Em 2015, o romance "Pretérito Imperfeito" foi também lançado pela Caligo.

Atualmente, administra o blog literário EntreContos.com

Conheça a sinopse do romance:

Pretérito Imperfeito é a história de Toninho, o garoto de treze anos, de natureza inquisitiva, que prefere passar os dias observando passarinhos, refugiando-se, solitário, na clareira de um bosque nos limites da cidade.

Também é sobre os dilemas de Cecília, a menina que adora ler e escrever e que, ao lado da mãe, está confinada em sua própria casa, refém das atividades misteriosas em que seu pai está envolvido.

Por fim, é a história de Pedro Vieira, pai de Toninho, desde a infância em um sítio no Rio Grande do Sul, até a paternidade tardia, redentora, talvez, de um passado que ele prefere deixar escondido em uma caixa no alto do armário.

Pretérito Imperfeito entrelaça essas três realidades distorcendo o tempo e o espaço. Falando do amor sofrido pela primeira vez. Do amor por livros e por escrever. Do amor entre pais e filhos. De segundas chances. De reescrever o final da própria história.

Acompanhe o escritor nas redes sociais e no site oficial

Sorteio Tomo Literário e Papeando Livros




Amigos leitores,

O Tomo Literário e o blog Papeando Livros prepararam um super sorteio.

Para participar basta seguir os dois blogs via Google Friend Connect e comentar o nome com que seguiu os blogs na aba Sorteio do Tomo Literário.


Serão cinco ganhadores. Os prêmios são:
- Livro “O Regresso”, de Michael Punke;
- Livro “Tudo Pode Acontecer”, de Will Walton;
- Livro “Tudo e Todas as Coisas”, de Nicola Yoon
- Box “O Espadachim de Carvão”, de Affonso Solano;
- Kit Bolsa de Leitura “O Pequeno Príncipe”.

Confira o regulamento:

- Seguir os dois blogs via Google Friend Connect:

- Comentar o nome com que seguiu o blog na aba Sorteio no blog Tomo Literário. O não registro  do comentário nessa aba implica em desclassificação.

- Os livros “O Regresso” e “Tudo Pode Acontecer” serão enviados aos ganhadores pelo blog Papeando Livros.

- O  livro “Tudo e Todas as Coisas”, os kits “O Espadachim de Carvão” e “Bolsa de Leitura o Pequeno Príncipe” serão enviados aos ganhadores pelo blog Tomo Literário.

- O ganhador deve ter endereço de entrega no Brasil.

- A comunicação dos ganhadores será realizada nos blogs e todos devem enviar nome e endereço completos em até 36 horas. A não comunicação desclassifica o sorteado e será realizado novo sorteio.

- Todos os critérios serão conferidos pelos blogs para validar a participação.

- As participações serão computadas de 23/09/2016 até 23/10/2016 às 23h59min.

- Os ganhadores serão divulgados no dia 24/10/2016.

- Os livros serão enviados pelos blogs em até 10 dias após o recebimento do endereço dos ganhadores.

- Os ganhadores devem enviar uma foto do livro recebido para que seja publicada nos blogs e/ou nas redes sociais.

Editora do Brasil promove sessão de autógrafos de lançamentos infantojuvenis

A Editora do Brasil realiza no dia 24 de setembro, sábado, das 11h às 15h, na Livraria Cortez a sessão de autógrafos dos livros infantojuvenis “Entre Silêncio e Gestos” do autor Marcos Arthur e “Silêncio de Filha” e “Poesias para a Paz”, do autor Jonas Ribeiro. Antes do início dos autógrafos, os convidados e o público poderão assistir às apresentações de cantorias e contação de histórias, além de desfrutar de muita pipoca e alegria.

Sobre as obras

Entre Silêncio e Gestos, de Marcos Arthur
Marcel é um garoto tímido, tão tímido que se fecha feito um tatu-bola nas situações constrangedoras. Muito de sua timidez se deve às consequências de uma grave doença que enfrentara quando ainda bebê: a poliomielite, que o fez ter uma leve deficiência.  Por este motivo é alvo de bullying na escola.  Mas, inspirado por seus pais a notar o mundo pelos olhares da arte, Marcel descobre uma maneira de reagir: seu talento especial para o teatro de pantomima – a arte de expressar sentimentos por meio de gestos e atitudes, em silêncio. Este livro apresenta um relato marcante e emocionante de um jovem que vira o jogo e enfrenta seus piores pesadelos com gestos preciosos.
 
Silêncio de Filha, de Jonas Ribeiro.
Juliana é comunicativa, mas certas confissões só faz ao seu diário. Quando percebe algo errado, Marta, sua mãe, deixa bilhetes pelo caminho da filha para ajudá-la nas decisões importantes. Intermediado por estas anotações, o leitor conhecerá o universo de afeto entre mãe e filha e a relação de amor e amizade que constroem permeadas pelo silêncio. Este mais recente sucesso de Jonas Ribeiro traz novamente a família de “Palavra de filho”, livro que aborda a relação entre o pai e o irmão de Juliana – cada qual comunicando-se à sua maneira.

Poesias para a Paz, de Jonas Ribeiro e César Obeid.
A paz, um tema caro à humanidade, virou poesia nas mãos criativas dos escritores César Obeid e Jonas Ribeiro. Com ritmo e rimas, a dupla fez poemas para que as crianças se divertissem e pudessem refletir sobre respeito, solidariedade e diálogo; frutos cotidianos da paz. Esta é a terceira produção conjunta destes autores, que já lançaram pela Editora do Brasil os títulos “A escada transparente” e “O menino de muitas caras”. As ilustrações da argentina Vanina Starkoff, complementam o texto, trazendo muitas cores, leveza e detalhes que transmitem uma sensação de paz verdadeira. 

Sobre os autores

Jonas Ribeiro é formado em Língua e Literatura pela PUC-SP. Fez teatro, contou histórias em hospitais públicos e escolas, além de lecionar Redação. Escreve desde os 16 anos e com 41 anos já havia lançado seu centésimo livro, com mais de 600 mil exemplares vendidos. Entre as editoras que possuem seus livros publicados estão Callis, Cortez, Dimensão, Brinque-Book, Paulus, Ave Maria, Mundo Mirim. Com esse livro, possui na Editora do Brasil 20 livros publicados, três deles com o escritor César Obeid.

Marcos Arthur é músico, compositor, escritor, ilustrador e designer gráfico. Estudou música no Instituto Musical de São Paulo e na Fundação das Artes de São Caetano do Sul. Foi um dos fundadores do premiado Núcleo Zambelê, cuja proposta era a de montar espetáculos essencialmente musicais, dirigidos ao público infantojuvenil. O grupo chegou a receber o prêmio de Revelação, da Associação Paulista de Críticos de Artes – APCA. Marcosfoi indicado também como Melhor Autor em “Vamos atrás do raio de sol” (Prêmio Apetesp) e “Chimbirins e Chimbirons” (Prêmio Mambembe), todas encenadas pelo núcleo. Lançou seu primeiro livro infanto-juvenil “O avô de Arthurzinho tocava moedroca”, em 2014, pela editora Edebê. As ilustrações também são de sua autoria.

Sobre a Editora do Brasil

Fundada em 1943, a Editora do Brasil atua há mais de 70 anos com a missão de mudar o Brasil por meio da educação.  Como empresa 100% brasileira, foca a oferta de conteúdos didáticos, paradidáticos e literários direcionados ao público infantojuvenil. Foi fundadora da CBL, SNEL, FNLIJ, IPL e da Abrelivros.


Serviço

Data: 24 de setembro​, das 11h às 15h​
Local: Livraria Cortez – Rua Bartira, 317, Perdizes, São Paulo, SP.
Tel: (11) 3873-7111
Entrada: gratuita

Desafiando tabus, escritor produz livro-reportagem sobre prostituição

O escritor e jornalista Ramon de Souza, que reside na cidade de Itaquaquecetuba, começou a divulgar na internet os primeiros capítulos de “A grande caça às borboletas”, livro-reportagem no estilo gonzo que fala sobre prostituição e o uso do sexo como uma prática comercial. Aos 22 anos, o autor já participou de seis antologias literárias e possui dois livros publicados pela Editora Multifoco: “Rato Urbano” (2014) e “Meus preciosos contos tristes” (lançamento previsto para o fim de 2016).

Ramon representou o município de Itaquaquecetuba durante a 24ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, um dos maiores eventos do ramo do Brasil. Na ocasião, o jovem distribuiu autógrafos e participou do lançamento das antologias “Ponto G — Vol. 2”, que reúne contos eróticos, e “Solarium — Vol. 4”, que agrupa histórias curtas de ficção científica.

Apegado à visão de um mercado editorial colaborativo, Ramon decidiu utilizar a plataforma virtual Wattpad para divulgar aos seus leitores os primeiros capítulos de “A grande caça às borboletas”. Recomendado para maiores de 18 anos, o livro vai além da clássica visão distanciada sobre prostituição e apresenta entrevistas com garotas de programa, gerentes de prostíbulos e administradores de cinemas pornô, além de apresentar, de uma forma descontraída, as experiências sexuais do próprio escritor no mundo do sexo pago.

“A grande caça às borboletas” demorou um ano para ser produzido e a obra está em seus estágios finais, quase pronta para ser lançada como livro físico e digital. “Meu objetivo é mostrar o lado da prostituição que a mídia tradicional não costuma ter coragem de chegar perto, justamente porque o jornalismo brasileiro ainda está muito preso no modelo não-aprofundado de fazer notícia”, explica o escritor. O projeto pode ser conferido gratuitamente no Wattpad através deste link.


#LendoDomQuixote – Volume 2 – Semana 2 – Capítulo VIII ao XIV


No   período de 12/09/2016 a 18/09/2016 aconteceu a segunda semana da leitura coletiva do livro “O Engenhoso Cavaleiro Dom Quixote de La Mancha” (segundo livro), do escritor espanhol Miguel de Cervantes Saavedra.

Inicialmente cheguei a me questionar se Cervantes continuaria com uma obra consistente, tendo em vista a grandeza do primeiro volume. Até aqui a qualidade do texto, da história e da riqueza dos personagens tem se mantido.

Logo no início do capítulo VIII temos a informação de que a partir desse ponto do livro começa efetivamente a jornada de façanhas de Dom Quixote e seu escudeiro Sancho Pança.

O cavaleiro deseja chegar a El’ Toboso para tomar a benção de Dulcineia e seguir suas aventuras. Quixote e Sancho dialogam e, ao anoitecer de uma determinada data, eles descobrem a cidade, cuja população na época não passava dos mil habitantes.

No povoado, Quixote deseja encontrar o palácio em que ele tem por certo que Dulcineia reside. Sancho busca convencê-lo que se embrenhe na floresta para que ele, o escudeiro, volte e procure por Dulcineia sozinho.

“Esse meu amo por mil sinais me tem mostrado ser louco de pedras, e eu também não lhe fico atrás, que sou mais mentecapto do que ele, pois o sigo e o sirvo...” E, assim sendo, ao se depararem com três aldeãs Sancho quer que o Cavaleiro da Triste Figura acredite que uma delas é Dulcineia.

Seguindo adiante eles se deparam com uma companhia de teatro. São artistas que estão vestidos de Morte, Anjo, Rainha, Imperador e Demônio. E mais a frente encontram o Cavaleiro do Bosque. Os cavaleiros conversam de um lado, enquanto seus escudeiros conversam de outro. Os primeiros falam de seus feitos de cavalaria, já os dois outros conversam sobre sua vida.

O Cavaleiro do Espelho diz que enfrentou Dom Quixote. E ao dizer isso a ele mesmo, que especula mais informações, acabam por ter uma contenda. Sancho se amedronta com o escudeiro, em função de grande nariz. Quixote, no entanto, vê que o cavaleiro parece com o bacharel Sasón Carrasco e o escudeiro com Tomé Cecial. Acredita que tenha havido encantamentos que transformaram os outros nas figuras que eles conheciam. Sancho fica descrente diante do que os seus olhos veem.

Nesse livro, percebemos que Sancho ganha mais destaque do que no primeiro volume. E a história, a partir de agora, começa de fato a apresentar as agruras que os dois passam, diante do poder imaginativo de Quixote e da maneira mais realista de Sancho encarar os fatos.

Vale lembrar que projeto de leitura coletiva é encabeçado pelo blog Companhia de Papel. Por meio da hastag #LendoDomQuixote é possível acompanhar fotos e comentários postados nas redes sociais.

A terceira semana da leitura está em andamento.