Desista! E outras histórias de Franz Kafka - Franz Kafka

“Desista! E outras histórias de Franz Kafka”, foi publicado pela Editora Conrad em 2008. O livro traz nove histórias de Kafka, das quais sete apresentam texto integral, e são ilustradas por Peter Kuper.

Em quadrinhos, o livro apresenta “Uma pequena fábula”, “A ponte”, “Desista”, o texto abreviado de “Um artista da fome” e de “Um fractícidio”, além de “O timoneiro”, “As árvores”, “O abutre” e “O pião”.

As ilustrações em conjunto com os textos sombrios de Kafka resultam numa combinação perfeita. Apesar de curtas as histórias são cheias de angústia humana e de imagens desesperadas que podem ser encontradas nos textos kafkanianos.

Ver grandes clássicos ou histórias de autores renomados em quadrinhos pode parecer apenas um apetrecho comercial, mas não é assim. Quando nos deparamos com textos combinados com desenhos bastante representativos, a coisa muda de figura, vez que a história em quadrinho pode dar ainda mais qualidade ao texto daquele autor. É o que acontece nesse livro.

As nove histórias são muito bem representadas e os traços fortes de Peter Kuper nos colocam dentro do texto. O mundo pode ficar pequeno, você pode não saber o caminho, a fome pode perder seu ar espetaculoso quando é colocada no lugar de espetáculo, um crime pode acontecer, um timoneiro desconhecido pode conduzir a vida de quem se arrasta sem rumo... Kafka representa as questões humanas metaforicamente e as ilustrações se unem para levar o leitor a esse universo de absurdo, dúvida, vazio e solidão.

Comprei o livro na Bienal Internacional do Livro de São Paulo por tratar-se de Franz Kafka e eis que tive uma grata surpresa. Recomendo!

Sobre o autor

Franz Kafka nasceu em Praga, em 1883. Formou-se em Direito e trabalhou durante quatorze anos em uma empresa semi-estatal de seguros. Embora a escrita fosse seu único interesse,ela nunca serviu para pagar as contas. Publicou poucas de suas histórias em vida, antes de morrer de tuberculose aos 40 anos de idade, em 1924. Max Brad, grande amigo de Kafka, ignorou o pedido para que os manuscritos fossem queimados após sua morte, e começou a editar e publicar o trabalho de Kafka no mesmo ano em que ele morreu.
 
Sobre o ilustrador

Peter Kuper nasceu em Cleveland, nos Estados Unidos, em 1958. Tornou-se conhecido ao assumir a série “Spy vs. Spy” na revista Mad após a apsentadoria do criador dos personagens, o cubado Antonio Prohías. Kuper é autor de várias obras de quadrinhos, incluindo uma adaptação de A Metamorfose, de Franz Kafka. Suas ilustrações aparecem regularmente no Times, no New York Times e na Business Week.

Ficha Técnica
Título: Desista! E outras histórias de Franz Kafka
Escritor: Franz Kafka
Editora: Conrad
Edição: 1ª
ISBN: 978-85-7616-282-7
Número de Páginas: 70
Ano: 2008
Assunto: Ficção alemã

Contos Peculiares - Ransom Riggs

Millard Nullings, o menino invisível, dos personagens da série O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares, é o organizador dos contos que fazem parte do livro "Contos Peculiares", de Ransom Riggs, publicado pela Editora Intrínseca em 2016. Nullings nos diz na apresentação do livro que tratam-se de contos do folclore peculiar, de contos de fadas, mas que possuem diversos ensinamentos sobre o mundo dos peculiares. Contos esses que por vezes garantiram a sobrevivência daquelas crianças em suas aventuras.

A obra tem a apresentação feita pelo organizador/personagem e conta com dez contos sobre o universo peculiar.

“Os esplêndidos canibais” é a história de abertura, que revela a que ponto pode chegar a ganância e a inveja. “A princesa da língua bifurcada”, outro dos contos presentes no livro, nos traz reviravoltas na vida de quem é rechaçado por sua aparência, mas que é capaz de perdoar e libertar-se.

O leitor conhecerá ainda a história da primeira ymbryne e a abertura das fendas temporais, que fazem parte da série. Tem também detalhes da associação peculiar antes das ymbrynes e as histórias que rondam o mundo dos peculiares.

“A primeira ymbryne não era uma mulher que podia se transformar em ave, mas uma ave que podia se transformar em mulher. Ela nasceu numa família de milhafres, caçadores ferozes que não gostavam do hábito da irmã de se tornar uma criatura corpulenta e terrestre em momentos inesperados, pois suas mudanças repentinas de tamanho os derrubavam do ninho e sua fala estranha e balbuciante atrapalhava as caçadas.”

Uma mulher chamada Hildy que era amiga de fantasmas faz parte de outro dos contos. Ela deseja vender a casa dos pais e comprar uma propriedade mal-assombrada, já com fantasmas inclusos, naturalmente.

Um mercador peculiar parte em busca de uma ilha, para encontrar seu pai. "Os rumores diziam que Cocobolo ficava a sudoeste do Ceilão, no oceano Indico, mas a Ilha nunca fora avistada duas vezes  no mesmo lugar." Os sonhos e animais que vivem no mar, as baleias, podem guia-lo.


Os  contos peculiares trazem ainda notas do personagem-organizador que enriquecem as histórias que nos são narradas. É bem prudente dizer que há alguns contos que são rasos, com enredo mais fraco. E  há outros com peso e boa construção; sobretudo aqueles que estão mais intimamente ligados aos aspectos que são tratados na série de livros criada por Riggs. Neste último caso, as histórias conseguem ser complementares e conquistam, por assim dizer, a atenção do leitor.

“As pombas da Catedral de Saint Paul” e “A menina que domava pesadelos” são outros dois contos presentes no livro. O segundo é um alerta para as crianças peculiares sobre os dons que elas possuem. Se utilizados de forma inadequada podem ser prejudiciais. Como nota o editor: "não é porque nascemos com determinada habilidade que somos obrigados a usa-la." E quando me refiro a editor estou falando do personagem que figura nesse papel, o garoto invisível Nullings.

Em cada fábula há uma moral da história, como pode ser observado em “Os Gafanhotos”, em que a aceitação da diferença  é  a melhor coisa para com o outro. Lerá ainda o leitor um conto sobre um garoto que podia controlar o mar e um sobre um gigante de nome Cuthbert.


Alguns  leitores podem ter sua expectativa reduzida se tiverem a necessidade de comparar com os livros da série. Nesse sentido, vale avisar, que é uma obra "independente" derivada da trilogia e que, embora possa acrescentar uma ou outra curiosidade sobre o universo peculiar, não mudará a perspectiva das histórias já contadas.

A série O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares é mais surpreendente. No entanto, deixo aqui a observação que não é um livro ruim, ressalto apenas o controle da expectativa, face aos altos e baixos dos contos que são relatados nessa publicação.

A obra conta com capa dura e adornos em dourado e traz ilustrações feitas por Andrew Davidson. Ilustrações, diga-se de passagem, de encher os olhos do leitor. Um belo livro para completar sua coleção peculiar. 

Foto: The New York Times


Sobre o autor

Ransom Riggs chegou ao topo da lista de mais vendidos do The New York Times com a série O lar da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares. Nasceu em uma fazenda no estado americano de Maryland e cresceu no sul da Flórida. Estudou literatura na Kenyon College e cinema na University of Souther California. Atualmente, mora em Los Angeles com a esposa, a também escritora Tahereh Mafi.


Foto: andrewdavidsonillustration.com


Sobre o ilustrador

Andrew Davidson é formado em design gráfico pela Royal College of Arts. Trabalhou como ilustrador em diversas áreas, sempre se concentrado em artes manuais e desenho. Sua eclética experiência profissional inclui a produção de xilogravuras para “O Homem de Ferro”, de Ted Hughes, mais de doze conjuntos de selos para o Correio Britânico e as gravações em vidro nas portas da quadra central de Wimbledon.

Ficha Técnica
Título: Contos Peculiares
Escritor: Ransom Riggs
Editora: Ìntrinseca
Edição: 1ª
ISBN: 978-85-510-0053-3
Número de Páginas: 208
Ano: 2016
Assunto: Ficção americana

Frida - A Biografia - Hayden Herrera

"Frida - A Biografia" foi escrito por Hayden Herrera e publicado pelo selo Biblioteca Azul (Editora Globo) em 2011, com tradução de Renato Marques.

O livro, como o título alude, apresenta a biografia da pintora mexicana Frida Kahlo. Além do prefácio o livro conta a história da artista em seis partes, traz notas de agradecimento, a bibliografia selecionada pela historiadora que compôs a publicação, notas, lista de ilustrações e figuras que são demonstradas ao longo do livro, e índice.

Frida nasceu em 1907, como atesta sua certidão, mas ela escolheu nascer em 1910, ano da Revolução Mexicana. “Frida decidiu que ela e o México moderno haviam nascido no mesmo ano.” A artista faleceu em 1954. Criou a sua estrutura lendária e como enseja a reflexão da arte sobre si mesma, tem em sua mitificação muita ambiguidade e sentimentos próprios expressados de maneira singular.

A artista teve poliomielite quando criança e sofreu um grave acidente de ônibus aos 18 anos de idade, em que uma barra de ferro a perfurou violentamente.  Socorrida, foi colocada sobre uma mesa de bilhar e teve a barra arrancada até que médicos chegassem. Levada ao hospital, os médicos se questionavam sobre o tempo que ela aguentaria, enquanto faziam a reconstituição dos danos em seu corpo por meio de cirurgias. Ela sobreviveu. Entre dores, coletes, remédios, macas, camas, muletas, bengala e cirurgias construiu sua arte.

Em 21 de agosto de 1929 casou-se com o muralista Diego Rivera. Ela o havia conhecido quando era adolescente, no colégio que frequentava e no qual ele pintava um de seus murais. Há relatos que ela dizia que um dia se casaria com ele.

"Muitas pinturas de Frida expressam seu fascínio pela procriação, e algumas refletem diretamente seu desespero por não ter filhos."

A vontade de ser mãe era treinada com a coleção de bonecas que tinha e os sobrinhos que eram por ela recebidos com muitos mimos.

Foto: As Duas Fridas. Obra de 1939.
Depois que Diego Rivera fora pra Mahatman e Detroit, Frida voltou uma vez ao México quando recebeu a notícia da doença de sua mãe. Depois que Rivera perdera contrato por manifestação política, o casal voltou ao México. Frida não gostava de morar nos Estados Unidos. De volta, estavam eles na casa azul e rosa. Essa última de Diego e a outra de Frida. Ficavam lado a lado interligadas por uma ponte. Foi nesse retorno que Frida descobriu que o marido tivera sua irmã mais nova como amante. Contudo, continuaram casados e Frida tinha enorme carinho pela irmã. Elas se complementavam em suas diferenças.

Por falar na vida amorosa de Frida, o livro também relata a sua bissexualidade que fora assumida por ela, cuja primeira relação acontecera nos tempos do colégio. Ela mantinha alguns relacionamentos extraconjugais com mulheres e com homens (estes segredados de Rivera). Como Frida expressa o que sente ou vive na arte que cria, a bissexualidade é expressa também em algumas de suas obras.

Por Diego Rivera a pintora Frida acaba vivenciando envolvimentos políticos. Ele era socialista, admirava Trotsky  (que morou em sua casa durante um tempo) e se tornou grande amigo do russo. Participou de partidos políticos, pintava murais com esse viés, como o feito na Ford que criou burburinho, chamou a atenção da imprensa e fez perder outro contrato  (que os levou a voltar ao México).

"Ser uma pintora de imagens folclóricas charmosas, ainda que desconcertantes e perturbadoras, em muito contribuiu para ajudar Frida em seu processo de autoinvenção como criatura fabulosa e exótica."

O sucesso de sua exposição em Paris a colocou no rol de artistas surrealistas. Na verdade Frida Kahlo não se importava com os "ismos" estrangeiros que classificavam a arte em categorias. A mexicana queria ser vista como uma artista original, alimentada pela tradição popular de seu país. Ela, no entanto, ficou feliz de ser aceita nos círculos surrealistas em Nova York e Paris.

A artista, ao contrário dos surrealistas, tinha na sua fantasia um produto "do seu temperamento, vida e lugar". A magia na arte de Frida Kahlo é  de seu anseio para que as imagens das telas afetassem a vida. Tudo ali tinha experiência de sensações reais.

Foto: Autorretrato. Obra de 1947
O historiador Parker Medley escreveu a ela dizendo que definiria sua obra como "pintura simbólica consciente, intencional e útil, em oposição às produções inconscientes, totalmente obscuras e cabalisticas de fraudes engenhosas... Você sabe claramente o que pintou. Consequentemente, as diferenças, estéticas e psicológicas, entre honestidade e charlatanismo devem ser disponibilizadas para o público..."

Frida estava certa quando disse: "Pensavam que eu era surrealista. Mas não sou. Eu nunca pintei sonhos. Eu pintei minha própria realidade". Para ela a pintura devia desempenhar um papel na sociedade. E foi o que transmitiu a seus alunos, os "Fridos", que acabaram por formar uma agremiação de pintores esquerdistas que comungavam do ideal de levar arte ao povo.

A história da vida de Frida seria uma fantástica ficção se nada do que aconteceu em sua vida fosse real. Mas, posto que trata-se de biografia, fiel a realidade da artista biografada, Frida tem uma história extraordinariamente fantástica. O livro tem detalhes, trechos de cartas, citações de pessoas que viveram com ela, trechos de notícias e conta tudo sobre a grande pintora mexicana.

Foto: Árvore da Esperança. Obra de 1946.
A historiadora de arte Hayden Herrera nos fala da infância, dos estudos, das traquinagens da menina, do envolvimento com a arte, das obras, da manifestação de Frida em suas pinturas, dos casos amorosos, do envolvimento político, da vida dolorida que teve após o acidente, da sua relação ambivalente com seus problemas de saúde, dos conhecidos que fez ao longo da vida como Henry Ford, Nelson Rockefeller, André Breton, Marcel Duchamp, Sergei Eisenstein, Pablo Neruda e Leon Trotsky.

A autora nos fala sobre o casamento cheio de amor e tempestade com Diego Rivera, as amantes dele e dela, a relação da artista com a vida, sobre sua afinidade profunda com o folclore mexicano e com a cultura de seu país, o que muito é  representado em sua arte e nas roupas utilizadas por ela.

A vida e a obra de Frida estão muito bem representadas no estudo minucioso feito pela autora. Além disso, a biografia é bem escrita, fluída, clara e que, aliados ao fascínio que Frida exerce e que a história de Frida revela, tornam o livro ainda mais prazeroso.

A contextualização das pinturas de Frida aproximam o leitor da compreensão de sua expressão pessoal, carregada de cores, desejos, dores, lamentos, alegrias e toda sorte de sentimento que a pintora coloca em suas telas.

Certa vez questionada por um jornalista se era pintora, Frida respondeu: "Sim, a maior do mundo." Frida era peculiar, em tudo. E esse pode ser um dos motivos de ter se tornado uma artista de estilo único e um ícone pop.

Livro mais que recomendado para quem gosta de Frida, para quem gosta de arte, para quem gosta de biografias ou mesmo para quem quer apenas ler um bom livro.
Foto: Reprodução

Sobre a autora

Hayden Herrera é historiadora, curadora e professora de história da arte, especializada em arte latino-americana, que lecionou na Universidade de Nova York. Colaborou com importantes publicações, entre as quais New York Times, Art in America, Art Forum e Connoisseur. Nas céu em 20 de novembro de 1940 e vive em Nova York.

Ficha Técnica
Título: Frida – A Biografia
Escritor: Hayden Herrera
Editora: Biblioteca Azul
Edição: 1ª
ISBN: 978-85-250-4950-6
Número de Páginas: 620
Ano: 2011
Assunto: Biografia

[Quotes] Livro Drácula, de Bram Stoker

Nesse post você vai conferir quotes extraídos do livro "Drácula", de Bram Stoker, que foi publicado pela Editora Zahar.

"Só quem já sofreu durante a noite sabe como a aurora pode ser doce e ansiada, ao coração e aos olhos."

"Dizem que as pessoas que estão próximas da morte, em geral, perecem com a chegada da aurora ou a virada da maré."

"Pois a vida afinal é só a espera de uma outra coisa diferente disso que estamos fazendo, e a morte é a única certeza que podemos ter."

"O verdadeiro Deus cuida para que um único pardal não caia do ninho antes do tempo. Mas o Deus criado pela vaidade humana não diferencia a águia do pardal."

"Todos os homens são loucos de uma maneira ou de outra."

"O conhecimento é mais forte que a memória."

"Aprendemos com o fracasso,  não com o sucesso!"

"Benditos aqueles cujas vidas seguem sem medos, pavores, e para quem o sono é uma bênção que chega com a noite, trazendo apenas bons sonhos."

"Haverá sofrimento para todos nós,  mas nem tudo será dor,  tampouco a dor vai durar para sempre."

"O riso é  um rei e vem quando e como bem entende. Não pede licença, não escolhe o momento apropriado."

"A falha da nossa ciência  é querer explicar tudo,  e quando não consegue diz que não há nada a explicar."

"Existem mistérios sobre os quais os homens só podem formular hipóteses e que, ao longo das eras, serão solucionados apenas em parte."

"... pode existir um veneno destilado a partir de coisas boas."


"Nunca tenham medo de pensar."

O Homem que caiu na Terra - Walter Tevis

“Mas nem por um instante ele esqueceu o motivo que o trouxera à Terra. Estava sempre com ele, inevitável, como a dor latente que ainda residia em seus músculos fortalecidos, mas permanentemente cansados, como a estranheza impossível, não importa quão conhecida se tornasse, daquele planeta enorme e diverso.”

“O homem que caiu na Terra”, de Walter Tevis, publicado pela DarkSide Books em 2016 tem tradução de Taissa Reis. A obra foi escrita originalmente em 1963.

O livro é narrado em terceira pessoa. Newton chega ao planeta Terra com uma missão. Inicialmente, os objetivos do antheano não são bem explícitos ao leitor. Aqui, em ares terrenos, ele busca acumular fortuna o mais rápido possível com a negociação de novas tecnologias, além de construir uma nave e tentar passar incógnito diante dos terráqueos. Utiliza-se do advogado Farnsworth e sua empregada Betty Jo, dessa forma consegue manter-se distante do contato com muitas pessoas, sem ser descoberto como um ser de outro planeta, apesar da curiosidade que desperta. Contudo, sua constituição física e seu comportamento chamam a atenção.

“Meu deus, ele era esquisito. Alto e magro e os olhos saltando como os de um pássaro. Mas ele se movia como um gato, mesmo com a perna quebrada. Tomava remédios o tempo todo e nunca se barbeava. Parecia que também não dormia.”

O leitor tem ainda contato com a história de Dr. Nathan Bryce, um professor que, após encontrar uma máquina de revelação fotográfica e estudá-la, percebe que a tecnologia empregada é muito avançada para a época. Bryce passa então a investigar o que há por traz desse produto comercializado pela World Enterprise. O referido professor vem a ser contratado para trabalhar na construção da nave espacial de Thomas Jerome Newton.

Bryce fica encantado com todo o universo que tem de materiais à sua disposição para construir a nave. E tem em si um dilema em acreditar que aquele aparelho seria utilizado para explorar a exosfera ou se seria utilizado para outra finalidade, como uma guerra mundial. Entre seus valores pessoais e o amor pela ciência, acaba se entregando à ciência. Mas não sem estranhar o comportamento de Newton e tentar descobrir quem verdadeiramente é aquele homem. E para isso, utiliza de todos os recursos que tem disponível.

É uma história de ficção bastante original, que apresenta uma narrativa em que o leitor deve ficar bastante atento a frases “soltas” que o personagem lança enigmaticamente e que vão dando corpo a seu papel na história. São nessas sutilezas que a história vai se constituindo e formando o quebra-cabeça proposto pela trama. A narrativa do autor é fluída, mas sem pressa, sem angústia em revelar tudo de uma única vez. E isso dá um tom interessante de prender a atenção do leitor pelo viés de aguardar o que virá adiante.


Newton, o personagem central e, que no cinema, foi vivido por David Bowie, é um alienígena que se mistura aos humanos. E, como acontece, as pessoas vão adquirindo os hábitos e trejeitos de quem convive. Com ele acontece o mesmo. Vivendo entre humanos e numa dualidade entre sua origem do planeta de Anthea e os sentimentos e ações de quem vive na Terra, ele carrega certa melancolia. Sua maneira excêntrica de viver vai se tornando mais humana, e temos a sensação de solidão que ele vive em função de suas diferenças e de sua transformação.

O personagem também tem seus dilemas, quando em conversas com Bryce se questiona se ele acredita que a humanidade tem o direito de escolher a sua própria forma de destruição. Os antheanos ao que parece querem interferir e proteger o planeta Terra:

“... somos muito mais sábios do que vocês. Acredite, somo muito mais sábios do que imagina. E estamos além de qualquer dúvida razoável de que o seu mundo se transformará em um monte de lixo atômico daqui a não mais de trinta anos, se não interferirmos.”

Nesse contraponto de um ser de outro planeta querer mudar algo no planeta Terra e ver-se modificado pela convivência, é que reside o cerne do livro. Vamos notando que a humanidade vai tomando o personagem extraterrestre, como que desconstruindo quem ele era inicialmente. Tevis, o autor, dá grande ênfase às descrições desse personagem e de sua maneira de agir, e isso clarifica a transformação que o vai tomando. A solidão e a melancolia são presentes no texto. Me atrevo a dizer que é um livro de ficção científica que foca na existência e na alma humana.

O livro vai nos conduzindo por uma história cheia de enigmas e que vai sendo descortinado ao longo dos diálogos e ações dos personagens. Newton, particularmente, é quem dá o tom dos segredos que vão sendo revelados. E no final, somos surpreendidos de maneira magistral pelo autor.


Foto: Reprodução

Sobre o autor

Walter Tevis (1928-1984) nasceu em São Francisco, Califórnia. Foi professor de literatura na Universidade de Ohio e autor de romances e contos traduzidos em pelo menos dezoito idiomas. Três dos seis romances que escreveu foram adaptados para o cinema: The Huster (1959), The Color of Money (1984) e O Homem que Caiu na Terra (1963). Este, dirigido por Nicolas Roeg em 1976, marca a estreia de David Bowie como ator. O filme logo se tornou um clássico e influenciou a cultua pop como poucas outras obras de ficção científica.

Ficha Técnica
Título: O Homem que Caiu na Terra
Escritor: Walter Tevis
Editora: DarkSide Books
Edição: 1ª
ISBN: 978-85-9454-005-8
Número de Páginas: 216
Ano: 2016
Assunto: Ficção norte-americana

Guerras Secretas - Alex Irvine

“Guerras  Secretas” foi publicado originalmente em quadrinhos no ano de 1984. Jim Shooter, Mike Zeck e Bob Layton foram os criadores. É considerado um divisor de águas, posto que reuniu pela primeira vez os principais personagens. A Novo Século publicou o livro em 2016, com exclusividade no Brasil. Alex Irvine é o escritor que fez a adaptação da HQ para a íntegra em romance.

Alguns dos heróis da Marvel vão parar misteriosamente em algum tipo de nave espacial. Antes eles estavam desenvolvendo suas atividades usuais. Parar naquele lugar sem saber os motivos, os deixam confusos com o ocorrido. Entre eles está Magneto, tido como inimigo e alguns dos integrantes de X-Man, Os Vingadores e Quarteto Fantástico. Mas também há ausências de integrantes desses grupos.

Eles avistam uma outra espaçonave que carregava mais do que inimigos humanos. Galactus estava presente. Ele que como um deus vagava a procura de planetas para consumir seu desejo incontrolável.  Se tivessem de lutar em lados opostos a batalha certamente seria curta.

Diante deles as estrelas se apagam, parece confluir dali um novo planeta e eis que uma fenda espacial surge.  Eles teriam sido convocados por Beyonder, o onipotente, para uma batalha interestelar no Mundo de Batalha.

"Destrua seus inimigos, e todos os seus desejos serão realizados."

Em meio aos conflitos eles vão delineando seus objetivos (individuais ou coletivos) e fenômenos ocorrem ocasionando transformações "inesperadas". Os heróis se questionam sobre seus desejos e os grupos unem aliados para se fortalecer nas batalhas.

O Homem-Destino cria duas novas figuras, captadas em Denver: Vulcana e Titânia. As alianças são seladas, ainda que em certos momentos haja insegurança por parte de alguns membros. Xavier, expressa em seus pensamentos que sente e enxerga algo diferente em relação a tudo que acontece. Reed, tem sua linha de pensamento. Thor e Capitão América tem suas interpretações acerca dos acontecimentos.

Os heróis e vilões são surpreendidos com a imensa nave de Galactus. O que ele pretende trazendo-a ao Mundo de Batalha? E Destino tem seus próprios planos: "...não é demência  um homem de minha genialidade  ambicionar um objetivo elegantemente inalcançável. Ter ambição pelo que está eternamente fora do alcance me mantém ileso da demência."


Em meio aos caos, as batalhas, a luta pelo poder e pelas questões que lhe são aprazíveis, os personagens discutem diferentes formas de encarar o desafio,  fazem e desfazem alianças, se envolvem emocionalmente, criam empatia e antipatia uns pelos outros e lutam, ora do mesmo lado, ora em lados opostos. No Mundo de Batalha não conta só a força física. Há muito envolvimento das questões mentais dos heróis  (consciente e inconscientemente). O poder de Beyonder pode ser maior do que imaginam.

Um ritmo frenético é dado ao texto, assim como em Guerra Civil. O que mantém a aura da história em quadrinho, embora não o seja. Os diálogos rápidos são entremeados por muita ação e o recurso de expressar pensamentos dos personagens em algumas ações funciona para chamar a atenção do leitor sobre pontos importantes da trama que se desenrola. Outra faceta utilizada que dá emoção ao leitor é que, em alguns momentos, a história parece caminhar para a conclusão, mas eis que novidades aparecem e uma nova sessão de aventuras se inicia.

A descrição das cenas seguem o ritmo acelerado das histórias de heróis e, como diz Alex Irvine na nota de agradecimento é "uma história tão vasta, ricamente louca..." Guerra Secretas coloca o leitor no centro das intrigas e disputas pela solução do complexo jogo lançado por Beyonder.

Uma batalha épica envolvendo os heróis: Hulk,  Homem-Aranha, Capitão América, Xavier, Reed, Magneto, Tocha Humana, Coisa, Gavião Arqueiro, Thor, Vespa, Wolverine, Espectro, Ciclope, Tempestade, Noturno e tantos outros. Além de ter Galactus, Destino e outros personagens criados pela Marvel. A história de Guerras Secretas é uma referência de sua época e da consolidação da cultura geek.

Uma boa diversão!
Foto: Reprodução

Sobre o autor

Alex Irvine é autor de fantasia e ficção científica. Já escreveu quadrinhos do Demolidor, Homem de Ferro e livros de franquias como Transformers, Supernatural e Dungeons & Dragons. É casado e pai de gêmeos. Vive em South Portland, Maine.

Ficha Técnica
Título: Guerras Secretas
Escritor: Alex Irvine
Editora: Novo Século
Edição: 1ª
Número de Páginas: 303
Ano: 2016
Assunto: Ficção norte-americana

Instituto Pró-Livro apresenta os vencedores da 1ª edição do Prêmio IPL - Retratos da Leitura



 O Instituto Pró-Livro criado pelas entidades do livro – ABRELIVROS, Câmara Brasileira do Livro (CBL) e Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL), desde o início das suas atividades, em 2007, comanda uma série de iniciativas visando fomentar a leitura, difundir o livro e transformar o Brasil em um país de leitores. Agora dá mais um passo rumo aos seus objetivos. Nesta quinta-feira, 15 de dezembro, em São Paulo, aconteceu a 1ª edição do Prêmio IPL - Retratos da Leitura, o qual não só reconheceu como também homenageou organizações por suas práticas que estimulam a leitura.

O Júri foi formado por especialistas representando as categorias do Prêmio: Marcos da Veiga Pereira (presidente do IPL), Maria Lúcia Kerr (cadeia produtiva), Luis Antonio Torelli (cadeia produtiva), Carlo Carrenho (mídia), João Pedro Paes Leme (mídia), José Castilho (biblioteca/ONGs), Sonia Madi (ONGs), Vera Saboya (biblioteca e ONGs) e Zoara Failla (coordenadora - IPL).

“Certamente muitas outras mereciam esse prêmio, mas, nesse lançamento quase simbólico, serão homenageadas aquelas que, segundo os especialistas, atenderam aos principais critérios que orientaram essa indicação, como: reconhecimento, relevância, abrangência, continuidade, história e inovação”, afirma Marcos da Veiga Pereira, presidente do Instituto Pró-Livro.

Conheça os vencedores:

Na categoria Cadeia Produtiva:
·         Instituto Ecofuturo (mantenedora: Suzano Papel e Celulose) – Projeto Bibliotecas Comunitárias - Ler é Preciso.
·         Skoob – (Portal de compartilhamento sobre livros e leituras pelos leitores)
·         Companhia das Letras (Editora Schwarcz) – Projeto Clubes de leitura com remição de pena.

Categoria ONGs:
·         Fundação Itaú Social - Programa Itaú Criança - Campanha “Leia para uma criança”
·         Associação Vaga Lume – Expedição Vaga Lume
·         ACEC – Associação Cultural Estudos Contemporâneos - Flupp - A Festa Literária das Periferias.

Categoria Mídia:
·         Revista Emília
·         Fundação Volkswagen - Plataforma do Letramento (coordenação técnica CENPEC)
·         GloboNews Literatura

Categoria Bibliotecas:
·         Biblioteca Pública Estadual do Acre
·         Biblioteca de São Paulo – Parque da Juventude
·         Rede Bibliotecas Parque do Estado do Rio de Janeiro
                                                                                                         
Os representantes das entidades contempladas receberam o troféu durante o evento.

Já para a segunda edição do Prêmio IPL Retratos da Leitura, em 2017, as instituições interessadas em participar poderão inscrever seus projetos de fomento à leitura ou difusão do livro. Essa edição será lançada em março/17, com ampla divulgação e apresentação de seu regulamento. “O nosso desejo é que o prêmio possibilite reconhecer ações exitosas já em prática pelo Brasil e que estimule mais instituições a incentivarem a leitura, alcançando um maior número de pessoas, para, em um futuro não muito distante, nos tornarmos uma sociedade que desfrute dos benefícios promovidos pela leitura”, conclui Marcos da Veiga Pereira.

Outra novidade do IPL será o lançamento, também em março/17, de sua Plataforma Pró-Livro. Um espaço colaborativo onde será possível, além de receber as inscrições dos projetos para concorrer à 2ª edição do Prêmio, cadastrar, mapear, divulgar e conhecer estudos, pesquisas, programas e projetos de fomento à leitura e difusão/acesso ao livro, desenvolvidos em todo o Brasil pelo governo, universidades e sociedade civil. Ela também oferecerá ferramentas para promover o intercâmbio e troca de experiências e conhecimentos, por meio do uso de fóruns e integração com redes e mídias sociais. “A partir dessa plataforma, o IPL espera difundir e valorizar ações voltadas à promoção da leitura que acontecem pelo Brasil, e, compartilhar experiências, estudos, metodologias e ideias que possam melhor qualificar e estimular novas ações e políticas mais efetivas, voltadas ao fomento e à melhoria da qualidade da leitura”, acredita o presidente do IPL.

*Saiba mais sobre os especialistas, acessando o link:

Livros lidos em novembro de 2016



Vamos aos livros lidos em novembro de 2016? Abaixo você vai conhecer a lista de livros e um breve comentário sobre cada um deles:

O primeiro livro do mês foi “Todos os Contos”, de Clarice Lispector. Livro que reúne toda a obra de contista de Clarice e que foi publicado pela Editora Rocco. O livro foi sucesso nos Estados Unidos e depois publicado aqui em território nacional. Uma obra para fãs de Clarice com todo o universo fascinante de seus contos.

Da historiadora Hayden Herrera, li “Frida – A Biografia”, que foi publicado pela Biblioteca Azul. Frida foi uma grande artista mexicana e temos no livro toda a sua vida. Desde a infância até o seu casamento com Diego Rivera, o acidente  de ônibus que a deixou fragilizada e toda sua vida no universo da arte. Frida é, sem dúvida, uma grande artista e a biografia é extremamente rica.

Outro livro lido durante o mês foi o clássico publicado pela Editora Zahar, em edição comentada e capa dura, “Drácula”, do escritor Bram Stoker. O livro conta a história do conde  que dá nome ao livro e que até hoje é o personagem que mexe com o imaginário das pessoas, tanto na literatura quanto no cinema. É um livro que merece atenção dos leitores.

Um livro de deixar o leitor de queixo caído é "O Sol é para todos", da escritora Harper Lee, publicado pela Editora José Olympio. Nessa obra temos uma história de preconceito racial e injustiça. De modo sensível, profundo e tocante a autora aborda essa temática, chamando o leitor para refletir sobre racismo e preconceitos.


Publicado pela Editora Intrínseca, “Contos Peculiares”, de Ransom Riggs é um livro adicional da série O Lar da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares. Nessa publicação temos dez contos do universo peculiar. O personagem Nullings, o menino invisível da série, é o organizador da edição e apresenta histórias que aludem ao mundo dos peculiares, como fábulas

“O Parasita, de Sir Arthur Conan Doyle foi lido em e-book. É um conto que fala da história de um homem que, sendo cientista não acredita naquilo que não possa comprovar (cientificamente). Encontra uma mulher que faz hipnose e resolve participar de experimentos. Sua surpresa: ele acaba sendo dominado mentalmente por ela.

Publicado pela Editora Cosac Naify, Valter Hugo Mãe tem um texto surpreendente. “O Filho de Mil Homens” é um livro que fala de relações e de não estar só. Com histórias que se entrelaçam, formando uma complexa e grande família, os personagens com seus anseios, mazelas e inquietações buscam suas essências.

Da Editora Darkside Books, li “Batman Arkham Knight”, de Mark Wolfman. Trata-se da novelização do game de mesmo nome. Batman terá de enfrentar Espantalho que pretende espalhar uma substância em Gotham City. Além desse inimigo, o Homem Morcego vai se deparar com vários outros numa batalha para vencê-los.

De Alex Irvine, publicado pela Novo Século, li “Guerras Secretas” em que os maiores heróis do universo e também os vilões travam uma batalha, convocados pelo onipotente Beyonder. Eles se confrontam no Mundo de Batalha.


“O Medalhão de Ísis”, é da escritora parceira C. S. Camargo. O livro foi publicado pela Editora Arwen e conta a história de Ahlam que é oferecida em casamento, depois seqüestrada e tem a missão ao lado de Faris de encontrar as peças do medalhão. Mitologia egípcia e um texto fantástico esperam pelos leitores.

Publicado pela Editora Arwen, o livro “O Filho da Natureza”, da escritora parceira Ísis L. M. J. foi outra das leituras do mês. Conta a história de um povo que vive numa aldeia, após uma devastação. Mutantes são perseguidos pelo governo e eles tem de enfrentar desafios e aventuras para manter-se vivos.

O livro “Branco”, de  Priscila Baroni foi publicado pela Editora Autografia. Recebi esse livro da editora e foi uma grata surpresa. Trata-se de uma história fantástica em que uma menina acorda num bosque, situado num reino em que as pessoas não tem memória. Ela então parte numa jornada em busca de desvendar o mistério sobre quem ela era e enfrenta um rei tirano e cruel, cuja forma de atuação é mandar quem  o contraria para a guilhotina.

Livro que foi lido durante um projeto de leitura coletiva, conclui “O Engenhoso Cavaleiro Dom Quixote de La Mancha (Livro II)”, Miguel de Cervantes Saavedra, publicado pela Editora 34. O livro é o segundo tomo da obra do autor e fala da andante cavalaria de Dom Quixote ao lado de seu escudeiro Sancho Pança. Os dois vivem aventuras, versam sobre muitas histórias de cavalaria e concluem sua jornada nesse volume.