Somos Todos Canalhas - Clóvis de Barros Filho e Júlio Pompeu


Uma sociedade em constante transformação, que vive seus dilemas e seus conflitos. Em meio a tantas escolhas que devem ser feitas, todo dia, todo instante, o valor aparece para ser discutido. De maneira direta ou indireta, a sociedade busca valores para estabelecer suas decisões. O valor é uma questão que inquieta o homem desde há muito, veja-se, por exemplo, as discussões sobre o tema que vem da Grécia Antiga (nos tempos de Platão e Sócrates).


Palavra que deriva para uma série de teorias, o valor é o centro da abordagem apresentada por dois filósofos brasileiros: Clóvis de Barros Filho e Júlio Pompeu. Em “Somos Todos Canalhas”, publicado pela Editora Casa da Palavra em 2015, os autores nos brindam com um diálogo (forma utilizada pelos filósofos para discursar sobre os questionamentos da vida).

O leitor terá contato com as explanações que passam pelo pensamento grego, pelo pensamento cristão e de Immanuel Kant, pela visão utilitarista e valores exemplificados como a fidelidade e a tolerância, que estão na última parte do livro. Em meio a conceitos, exemplos, teorias de filósofos e de pensamentos de uma época, observações práticas, somos envolvidos por uma conversa agradável.

O tema poderia ser exaustivo, dado que cada um constrói a sua interpretação e sua definição de valor, mas se revela, no mínimo, provocador. Clóvis e Júlio dividem conosco o conhecimento que tem sobre o assunto, numa verdadeira aula de filosofia. E cabe bem frisar a palavra: filosofia. Os autores, inclusive, ressaltam na apresentação do livro que trata-se de um exemplar cuja classificação é filosófica, nada tem de auto-ajuda (embora possa ter quem assim classifique).

Concordemos ou não com as teorias apresentadas, o objetivo de discutir o tema, que se revela tão necessário em tempos em que a canalhice impera, foi alcançado com louvor. O título é uma provocação que nos faz parar para pensar sobre a ética que temos no convívio com outras pessoas, nas ações que tomamos e sobre a ética. Somos todos parece nos colocar num único balaio em que impera a igualdade. Será? A valoração é diferente para cada indivíduo. Leia, e vale a pena compreender. Temos mesmo que tomar uma ação ou uma decisão, melhor expondo. A canalhice está aí, a solta, vivendo ao nosso redor e vivendo em nós.
 
Ficha Técnica
Título: Somos Todos Canalhas
Autor: Clóvis de Barros Filho e Júlio Pompeu
Editora:Casa da Palavra
ISBN: 978-85-7734-528-1
Edição: 1ª
Ano: 2015
Número de Páginas:304
Assunto: Filosofia

[Parceria] - Escritor Lincoln Luiz

O Tomo Literário vem anunciar uma nova parceria: o escritor Lincoln Luiz.

Lincoln é o escritor do livro "Equilíbrio - A Batalha Secreta".

Em breve teremos sorteio de um exemplar do livro. Fiquem ligados nas redes sociais e aqui no blog.

 

Conheça a sinopse do livro Equilíbrio:

"A guerra entre o bem e o mal não é uma batalha explícita, onde os personagens principais dessa luta são um garoto alado e um réptil com chifres.
 
A guerra vai bem além disso, totalmente fundada na influência, onde a raça humana se deixa levar por manipulações de agentes espirituais que alegam que seu "Deus" lhe trará a salvação, saúde e riquezas. Quando na realidade o destino dos mortais é outro, fadado a extinção completa, como um bando de porcos rumo ao abatedouro.

Um grupo anônimo conhecido como Neutros, age a favor da raça humana. Para retardar o inevitável e dar mais tempo de vida aos ignorantes do verdadeiro mundo místicos, escondidos dos olhos e conceitos dos descrentes do sobrenatural. Vislumbre o nascimento de reinos mitológicos e a queda dos deuses que outrora foram cultuados tão fervorosamente como supremos detentores dos poderes cósmicos e celestiais.

Esqueça suas crenças, ideologias e tudo que lhe foi ensinado. Os segredos serão revelados e o pensamento racional está fora de cogitação, a menos que deseje enlouquecer por conta própria, pois sua sanidade será posta a prova. Somos cópias ou clones de alguma entidade superior? Ou fazemos parte de algum plano celestial arquitetado a várias eras, onde não passamos de cobaias manipuláveis?

O que é verdade?"

[Parceria] - Escritor Fernando Borghi

Foto: fernandoborghi.blogspot.com
O Tomo Literário vem anunciar que Fernando Borghi é o novo parceiro do blog.

"Fernando Borghi é ator, comediante, roteirista, marido, pai, filho, tio, genro, cunhado, paranaense, palmeirense e, por incrível que pareça, ainda encontra tempo para ser homem. Não necessariamente nessa ordem. Pode parecer que não, mas Fernando é o típico cara que se sente muito satisfeito por ter a liberdade de escrever o que bem entende, da forma que acha que deve e, ainda por cima, ser pago para isso."

Essa apresentação bem humorada está na contra-capa do livro do autor: "Pra Quem É, Tá Bom". O livro é uma produção independente e apresenta crônicas com muito bom humor.

Logo mais teremos resenha no blog.

Você pode seguir o escritor no Instagram: @fernando_borghi ou no Snapchat ofernandoborghi.

O Espadachim De Carvão e As Pontes de Puzur - Affonso Solano

No segundo livro de Affonso Solano, Adapk está de volta. Dessa vez o fantástico personagem que viveu em Kurgala está refugiado num navio. Ainda tem de lidar com seu passado e um noitário (referência a diário) cai em suas mãos e o coloca em contato com Puzur. 

É por meio dos dois personagens e de uma garota que acompanha o ladrão Puzur, que fatos que influenciaram a vida de Adapak e a história de Kurgala vão sendo colocados diante do leitor.

O livro “O Espadachim de Carvão e as Pontes de Puzur”, publicado pela Editora Leya em 2015, tem em suas 192 páginas uma história com seres fantásticos, num mundo de igual fantasia. Mas não faltam também elementos essenciais para toda boa história: conflitos, sentimentos e mistérios.

A continuação de “O Espadachim de Carvão”, livro de Affonso Solano, publicado em 2013, dá continuidade sobre a vida de Adapak e seu reino e nos coloca em contato com ele novamente, mas também com mais detalhes de seu universo e vida pregressa. Aprofundamos na descoberta de um personagem que, distante dele, mas com ele, vai revelando uma trama interessante e que em algum momento há de se cruzar. Affonso sustentou a qualidade do primeiro livro.

Adapak é um dos melhores personagens da literatura fantástica brasileira, por seu estilo, por suas características e pela sua mescla entre um bravo herói mítico e sentimentos humanos. A história do segundo livro pode agradar leitores de todas as idades. Tem ritmo, mistério e fantasia. Ao terminar a leitura talvez fique um pouco angustiado. Senti cheiro de continuação. A continuação grita, pedindo um terceiro, um quarto, um quinto livro. O desfecho dá mesmo a sensação de quero mais.


Ficha Técnica
Título: O Espadachim de Carvão e as Pontes de Puzur
Autor: Affonso Solano
Editora:Leya
ISBN: 978-85-7734-568-7
Edição: 1ª
Ano: 2015
Número de Páginas:192
Assunto: Ficção brasileira

A Mágica da Arrumação - Marie Kondo



Certo dia noto um livro de capa graficamente bonita na estante de uma livraria. Olhei, mas sem muito interesse. Tempos depois vou me deparando com pessoas lendo o livro que havia visto na livraria e fui procurar saber um pouco mais sobre. O livro a que me refiro havia figurado em primeiro lugar na lista do The New York Times e estava em lista de mais vendidos no Brasil. Com certo toque de inovação que era mencionado, adquiri.


Publicado pela Editora Sextante em 2015, “A Mágica da Arrumação”, de Marie Kondo e que tem como subtítulo “a arte japonesa de colocar a ordem na sua casa e na sua vida”, trata de organização. Assunto que costumamos ver em alguns programas de televisão e até certo modo recorrente, em revistas de decoração, revistas femininas ou encartes de jornal direcionados a vida doméstica.


A autora do livro desde pequena costumava arrumar suas coisas e buscar métodos para deixar tudo organizado. Teve contato com vários meios até criar o seu método, dar palestras, atender clientes e escrever o livro.


Baseado no Feng-Shui, o livro não aborda o tema da forma como sempre vemos a técnica milenar japonesa ser utilizada. Aborda a organização pelo prisma do modelo criado por Marie. Do início ao fim a inovação que foi o mote do livro e que poderia dar o “pulo do gato” não apareceu. De outra maneira, organizadamente estão ali conceitos diversos sobre arrumar. Arrumar a casa, que leva a arrumar a vida. Organização é organização.


Em meio à bagunça da casa dos leitores de certo que a maior parte é constituída de coisas dispensáveis. E a procura pela novidade do método continua, até que a leitura do livro se conclui. Marie, sem dúvida, teve um bom meio de organizar o livro com pedaços ou visões de técnicas diversas, não muito diferentes do que se vê naqueles programas de televisão que foram citados ou nas revistas femininas.


Há muito o ser humano vem tentando de alguma forma organizar-se. Talvez esteja aí a explicação do livro figurar entre os mais vendidos no Brasil. As pessoas estão procurando um  meio de organizar suas gavetas, armários, estantes, sua carreira, seus relacionamentos, a política, o país.


As técnicas de organização estão ali descritas por Marie, para lembrar ao leitor de que é prudente organizar.

Ficha Técnica
Título: A Mágica da Arrumação
Autor: Marie Kondo
Editora: Sextante
ISBN: 978-85-431-0209-2
Edição: 1ª
Ano: 2015
Número de Páginas:160
Assunto: Feng-Shui

Textos Para Nada - Samuel Beckett



Ler Samuel Beckett sempre foi um desejo. De repente, num dia chuvoso, me deparo com “Textos Para Nada”, publicado pela Editora Cosac Naify em 2015. O título, por si só, me chamou a atenção. Quando vi as letras negras gritando Beckett na capa, não tive dúvida, comprei-o.


Os textos apresentados no livro foram feitos pelo autor entre 1950 e 1952, logo depois dele ter escrito “O inominável”. Escritos em primeira pessoa, os textos tem certo conflito do personagem-narrador, que não se descreve, que não se apresenta, que não se revela, a não ser por seus sentimentos, sejam eles angustiosos ou não.


O próprio narrador lança a si mesmo indagações acerca de sua vida, seus sentimentos, seus desejos e suas dúvidas. O modo que Beckett usa na narrativa é uma tentativa de se desprender do modelo inglês. Os textos apresentam-se quase que como a fala, um desabafo de um narrador que está confuso, que nota que está perdendo o controle, que lida ou tenta lidar, entender, compreender os seus conflitos.


O título do livro (que despertou a minha atenção), conforme explicitado no posfácio de Lívia Bueloni Gonçalves “alude à ideia de inutilidade, de uma composição sem serventia ou propósito.” Demonstra ainda insatisfação com o ato de narrar. Ainda segundo Lívia “a ideia da falha é recorrente no universo beckettiano e relaciona-se com a impotência sentida pelo narrador. Se ele não se satisfaz, transforma suas dificuldades em matéria literária.”


Intenso e humano são os dois adjetivos encontrados para definir o livro. Ali estão a humanidade de alguém que se vê impotente diante de suas questões pessoais ou universais e a intensidade de sentimentos que se misturam. Vale pelo autor, vale pela tradução, vale pelo texto (mesmo que seja para nada). E não há como não mencionar o trabalho gráfico da Cosac Naify. Simplesmente Cosac Naify.

Ficha Técnica
Título: Textos Para Nada
Autor: Samuel Beckett
Editora:Cosac Naify
ISBN: 978-85-405-0875-0
Edição: 1ª
Ano: 2015
Número de Páginas:77
Assunto: Ficção inlgesa

Livros Lidos em Novembro de 2015



“Tempos da Ditadura - Na Casa da Vovó – o que vi e vivi”, de Francisco Antonio Doria é uma publicação da parceira Editora Revan. Recebi o livro da editora, que conta a história do autor e de suas lembranças durante o período ditatorial do país. Francisco expõe tudo que viveu nesse período, incluindo incursões de sua família, de amigos e de políticos e personalidades que estavam dos dois lados da ditadura (perseguidos e perseguidores).


Da coleção Pensamento e Vida, publicada pela Editora Escala li “Thomas More – Estadista e Filósofo da Utopia”, de Marcos A Pereira. Thomas foi um filósofo que escreveu “Utopia”, livro em que demonstra um mundo novo, um estado ideal, um local em que os cidadãos tem trabalho, liberdade, respeito e harmonia na convivência e na paz humana. Sendo sua obra mais famosa o livro de Marcos aborda a vida, a filosofia e a bibliografia de Thomas More.


Aventurei-me numa das obras mais conhecidas de Franz Kafka, “A Metamorfose”. Publicado pela Nova Fronteira conta a história de um homem que se vê transformado em inseto. Metáfora ao embrutecimento e acomodação humana é um livro que traz um frisson já na primeiras frases do texto.


Ainda li a biografia do físico Stephen Hawking, escrita por ele mesmo, sob o nome de “Minha Breve História”, lançado pela Intrínseca. Conhecemos o homem, o acadêmico, o pesquisador, o físico ao longo de sua breve história. Breve, por ser contada de maneira resumida, mas que no dá a exata noção da grandiosidade e da representatividade de Hawking para o mundo.


“Textos para Nada”, de Samuel Beckett foi outro livro lido no mês. Publicado pela Cosac Naify reúne textos de Beckett em que o narrador tenta lidar com seus conflitos. Na lembrança de fatos, histórias passadas e de sentimentos vividos apresenta-se uma narrativa diferenciada.


“O Vilarejo”, de Raphael Montes reúne histórias macabras e sinistras que prendem a atenção do leitor. Livro altamente recomendado. Possível ler de uma única vez e bem recebido pela crítica literária.


A última leitura do mês de novembro foi “A Prova é a Testemunha”, de Ilana Casoy que conta sobre o julgamento dos criminosos do caso Isabela Nardoni, menina que foi arremessada da janela do sexto andar do prédio em que morava. Detalhado, imparcial, bem colocado o livro nos leva para o interior do tribunal do júri em que o pai e a madrasta da menina foram condenados.


Boa leitura!