O Réu e o Rei - Paulo César de Araújo

Li várias opiniões sobre a tão polêmica biografia não autorizada. De um lado aqueles que defendiam veementemente o direito de terem suas vidas resguardadas, mesmo tendo vivido explicitamente em um cenário de extrema exposição (como atores e cantores, que tem sua vida exposta diariamente e que, por vezes, usam dessa exposição para angariar mais trabalho). Do outro lado aqueles que defendem o fato de que podem contar histórias, mesmo que seja sobre a vida e/ou intimidade de outrem.

Não vou entrar na polêmica com comentários contra ou a favor de biografias não autorizadas. Quero dizer que foi em meio a esse cenário que assisti uma entrevista de Paulo César Araújo, autor da biografia proibida do cantor e compositor Roberto Carlos. Ao ver Paulo falar sobre sua obra e sobre o tema, fiquei impressionado com a forma carinhosa com que ele falava de Roberto Carlos, que naquele momento o processava e pela maneira consistente com que argumentava. Não faltava-lhe bom senso em suas colocações bem articuladas e na maneira didática que as expunha. Inteligente esse jornalista, eu disse. E fui então conhecer mais de Paulo César.

Agora leio "O Réu e o Rei", publicado pela Companhia das Letras em 2014 (521 páginas). Por meio desse livro podemos conhecer a história dos bastidores da construção da biografia que foi recolhida e censurada. Paulo César empreendeu anos de pesquisa, dedicação, trabalho e investimento para contar a história de um ídolo da música brasileira e colocá-lo na História concretamente (com fatos sobre sua trajetória musicial gravadas eternamente por meio impresso), mas por infelicidade, a obra não pode ser publicada e chegar aos milhares de fãs de Roberto Carlos. Por infelicidade não, por obra do próprio biografado que, por vias legais, conseguiu impedir a circulação daquele livro que chamava-se "Roberto Carlos em Detalhes" (Planeta, 2006).

Interessante conhecer o contato que Paulo teve na infância com o cantor por meio de suas músicas, suas aventuras para conseguir uma entrevista com Roberto Carlos, as entrevistas que fez com várias pessoas que tem ou tiveram ligação com o músico, seu conhecimento sobre o cantor e sua obstinação em escrever um livro sobre a trajetória de um nome importante para a música brasileira que não tem nenhuma obra sobre a sua obra.

O livro é bem escrito, de leitura agradável e apresenta um Paulo César historiador contando sua própria história. Traça um panorama de sua jornada para completar o livro que foi proibido e tudo que aconteceu durante o processo que recebeu, incluindo o julgamento. Detalhes que talvez ficassem guardados se não tivesse a ousadia de contar sua própria vivência, a qual ninguém pode proibir.

É um livro interessante, inclusive pelo panorama da música, além da real história contada por Paulo César. Minha admiração pelo autor só aumentou. Em relação ao biografado do livro que foi proibido, Roberto Carlos, minhas impressões apenas se ratificaram. Admiro Roberto Carlos como compositor e reconheço sua importância para música brasileira, assim como reconheço sua forma contraditória entre o que diz  e prega com a maneira como age. Coisas bem distintas.

Não é evidente, mas fica uma questão: vale tudo pelo dinheiro? Roberto Carlos parece mercantilizar tudo: suas músicas, suas aparições, suas ações. Paulo César, no entanto, demonstra-se ainda depois de tudo que passou uma admiração de fã número um do cantor/compositor. Tenho certeza absoluta, mesmo sem ler, que a biografia que foi retirada de circulação, seria uma grande homenagem a Roberto Carlos, dada a sensibilidade e sensatez demonstrada por Paulo César de Araújo.



Ficha Técnica
Título: O Réu e o Rei
Autor: Paulo César de Araújo
Editora: Companhia das Letras
ISBN: 978-85-359-2443-5
Edição: 1ª
Ano: 2014
Número de Páginas: 521
Assunto: Autobiografia

Andante com Morte - Mario Pontes

“Andante com morte”, do escritor e jornalista Mario Pontes foi publicado pela Bertrand Brasil em 1999. Suas 160 páginas apresentam quatro histórias de ficção: A Morte Infinita, Sentinelas da Noite, A Engrenagem Universal e A Nova Rota da Seda.

As narrativas são independentes e bem construídas. A primeira delas, A Morte Infinita recebeu bastante atenção do tradutor francês de livros de Carlos Drummond de Andrade, que acabou por traduzir o texto para sua língua pátria.

O autor escreve com domínio, fato que se evidencia quando sabemos que trata-se de um jornalista que atua na área desde os dezesseis anos de idade.

A Engrenagem Universal tem uma nuance interessante em que o que aparece em primeiro plano vai sendo colocado a segundo plano, enquanto o que ocupava lugar menos destacado ganha ares de ponto central.

As histórias carregam brasilidade, seja no modo de escrever do escritor ou na própria atuação dos personagens em seus diferentes aspectos. Nelas estão retratados assuntos como a morte, a visão de futuro, a loucura do homem.


O livro foi adquirido sem nenhuma pretensão, e as histórias foram uma boa diversão.


Ficha Técnica
Título: Andante com Morte
Autor: Mario Pontes
Editora: Bertrand Brasil
ISBN: 978-85-286-0734-8
Edição: 1ª
Ano: 1999
Número de Páginas: 160
Assunto: Conto brasileiro

Sêneca - Luiz Feracine

"Sêneca - Filósofo Estoico e Tutor de Nero" integra a Coleção Pensamento & Vida, da Editora Escala. Naturalmente, como o próprio nome do livro indica, este volume trata especificamente de Sêneca, o filósofo estoico.

O estoicismo é uma das correntes filosóficas que preponderantemente fez parte do desenvolvimento ocidental. Segundo Sêneca a moral "resulta da natureza racional do ser humano cujo objetivo existencial converge para a conquista da felicidade enquanto desfrute do bem máximo fujo valor supremo manifesta-se no agir do sábio".

A primeira parte do livro aborda Sêneca e seus diferentes aspectos, como filósofo, como educador, sua forma de pensar, apresentação sobre o estoicismo, a crítica do filósofo ao epicurismo entre outros aspectos, incluindo o biográfico. Na segunda parte do livro há textos selecionados. São eles: O Benefício, A Brevidade da Vida, A Constância do Sábio, A Tranquilidade da Alma, Da Vida Retirada, A Vida Feliz e A Clemência. Os textos demonstram muito do pensar filosófico de Sêneca e nos dão a exata dimensão de sua obra e sua influência para a filosofia e para o estoicismo.

A corrente filosófica do qual ele faz parte diz que o fim último do homem é a felicidade, que se realiza com a posse da virtude. Daí decorre o fato de Sêneca ser um crítico dos epicuristas, que acreditam que o homem sembre busca realizar o seu prazer.

Foi Sêneca quem introduziu no estoicismo o conceito de consciência (distinguir entre o bem e o mal) e o conceito de vontade (que difere da razão).

Ler sobre grandes pensadores sempre amplia nosso conhecimento e nossa capacidade crítica. Conhecer mais sobre esse filósofo, seus pensamentos e sua contribuição para a humanidade, certamente faz bem. A coleção da editora é fabulosa e vale a pena ler. Filosofia é libertadora, é para a vida.

Ficha Técnica
Título: Sêneca Filósofo Estoico e Tutor de Nero
Autor: Luiz Feracine
Editora: Escala
ISBN: 978-85-389-0109-9
Edição:
Ano: 2011
Número de Páginas: 192
Assunto: Filosofia

O Null - Sérgio Egidio Guevara Panceri

"O Null", de Sérgio Egidio Guevara Panceri foi publicado em 2012 pela Editora All Print.

Trata-se de um livro ficcional em que há questionamentos sobre a vida. O personagem principal parece buscar encontrar em meio ao caos que é viver, respostas para suas inquietações, medos e fantasmas. Ele se questiona sobre o que vê, ouve e sente. Tem angústia presente nesse ser humano que parece isolado num mundo em que as pessoas vivem individualmente e que vozes o atormentam.

Por vezes tive a impressão de que o personagem é o próprio autor, querendo de alguma forma colocar para fora suas próprias angústias e questionamentos. E também seus medos. Sua forma de se expressar possivelmente tenha sido pelas ações do personagens fictício. E no final da orelha do livro lá encontrei a resposta ao que percebi: "tem na escrita e na música uma forma de desabafo e percebeu que é através delas que pode fazer-se ouvir".

"O Null" pode ser "nada" ou "deuses", como é descrito no prefácio do livro. Senti que a história poderia se desenvolver mais e dizer mais, no entanto, por haver essa mistura entre o dizer do autor e do personagem, a história se fechou. Em algum momento a narrativa se perdeu, embora tenha bons elementos que pudessem torna-lá bem interessante.

A parte final do livro apresenta algumas poesias do autor. Para mim, foi a melhor parte. 

Ficha Técnica
Título: O Null
Autor: Sérgio Egidio Guevara Panceri
Editora: All Print
Edição: 1ª
Ano: 2012
Número de Páginas: 123
Assunto: Ficção brasileira

O Torreão - Jennifer Egan

Um misterioso castelo que resistiu ao longo dos tempos. Danny vai até lá para ajudar o seu primo a reformar o castelo e transformá-lo num hotel luxuoso. A história paira então em torno desse misterioso castelo e a própria experiência de Danny com um mundo real que se mistura a um universo fantasioso.

De certa forma, "O Torreão", de Jennifer Egan, lançado pela Editora Intrínseca em  2012, me causou certo incômodo. Vamos então aos fatores que mexeram comigo: um deles é o fato de que os diálogos são colocados em meio a própria narrativa, sem travessões ou apresentados com o nome do personagem antes da fala, igual aos textos teatrais. Isso deixa confuso e faz parar a leitura para avaliar se foi algo dito pelo personagem ou algo expresso pelo autor para contar a história.

Outro fator que me incomodou foi a mudança de tempo. Há uma mistura entre o tempo presente e o tempo passado, que nos leva a uma confusão tal qual como o personagem Danny. Objetivo da escritora? Não sei. Se era confundir, tenho certeza de que o alvo foi alcançado.

A mistura de imaginário e real é uma forma usada por diversos escritores, mas senti que em "O Torreão" essa fórmula não fluiu de maneira tão eloquente. Em que pese o fato de eu ter lido vários elogios sobre o livro, de fato não o colocaria na minha lista de recomendações para amigos e leitores vorazes.

Há certo humor, há bons elementos de uma composição ficcional, há personagens complexos e cheios de vida e personalidade, mas a leitura não me envolveu. Daqui a algum tempo, provavelmente eu me lance numa releitura e, quem sabe, eu tenha uma opinião diferente.

Ficha Técnica
Título: O Torreão
Autor: Jennifer Egan
Editora: Intrínseca
ISBN: 978-85-8057-190-5
Edição: 1ª
Ano: 2012
Número de Páginas: 240
Assunto: Ficção americana

De Abismos e Vertigens - Carol Teixeira

"De Abismos e Vertigens", de Carol Teixeira foi publicado pela Editora Sulina em 2004. Nas 128 páginas há textos da escritora sobre diversos temas: cinema, música, arte, cotidiano, filosofia. Esta última fortemente presente pela expressão do pensamento da autora e por citações lançadas ao longo dos textos.

A primeira parte do livro é denominada de "Insights" e apresenta textos publicados anteriormente ou até mesmo textos ainda inéditos. Na segunda parte do livro, denominada de "Egotrip" há textos extraídos do intenso diário de Carol Teixeira com suas impressões sobre os momentos vividos e tudo aquilo que observava ao longo do tempo.

É um livro curto, de leitura rápida e fácil, mas prazeroso. Provocações, observações ou constatações, são a visão da escritora sobre o que lhe tocou e, que de certo modo, também pode imprimir um pouco da sensação de quem por aquilo também passou. Citações de músicos e escritores também são encontradas ao longo do livro, como a de Jack Kerouac:

"As únicas pessoas que me interessam são as loucas, aquelas que são loucas por viver, loucas por falar, loucas por serem salvas; as que desejam tudo ao mesmo tempo..."

As crônicas de Carol são para filosofar, tem profundidade de quem vive intensamente.

Ficha Técnica
Título: De Abismos e Vertigens
Autor: Carol Teixeira
Editora: Sulina
ISBN: 978-85-205-0388-8
Edição: 1ª
Ano: 2004
Número de Páginas: 128
Assunto: Crônica brasileira

Erasmo de Rotterdam - Luiz Feracine

O livro "Erasmo de Rotterdam - O Mais Eminente Filósofo da Renascença", sobre o humanista é o volume 7 da Coleção Pensamento & Vida publicado pela Editora Escala em 2011. Uma coleção que por si vale a pena, dado a quantidade de obras publicadas, incluindo obras sobre pensadores, como é o caso do livro em questão.

Erasmo de Rotterdam, que chamava-se Geer Gertz e assumiu o nome de Desidério Erasmo, é considerado um dos homens mais inteligentes de seu tempo e tem uma visão contrária a aristotélica-tomista. Sua filosofia é independente, embora ele tenha vínculos religiosos e tenha também grande proximidade com o protestante Lutero. "Erasmo conferiu nova visão à filosofia da Renascença, privilegiando o ser humano, a religião cristã e o conhecimento sapiencial da vida".

Nos pensamentos do filósofo estão presentes vertentes sobre educação de jovens, bem como o papel da família nesse aprendizado e a responsabilidade dos educadores sobre os educandos. Essa vertente do filósofo demonstra sua preocupação com a educação da juventude e se revela de caráter pedagógico.

No humanismo, corrente de pensamento que tem o homem como centro das coisas, Erasmo de Rotterdam é um dos filósofos mais aclamados. Uma de suas obras mais conhecidas é "Elogio à Loucura", nela há muito de humor e criticidade sobre o homem, baseado na loucura.

O livro que trata do filósofo apresenta uma visão sobre o pensar de Erasmo, sua biografia, sua obra e apresenta trechos de textos que elucidam muito de sua forma de filosofia, e do seu legado. Para quem gosta de filosofia ou tem atuação em áreas correlatas à da Educação é um prato cheio. Para quem, como eu, tem apenas curiosidade pelo saber, também é um excelente livro para ampliar horizontes. Importante, contudo frisar, que não trata-se de um livro profundo e com minúcias da vida e obra do autor, mas apresenta de maneira consistente o filósofo.

Ficha Técnica
Título: Erasmo de Rotterdam
Autor: Luiz Feracine
Editora: Escala
ISBN: 978-85-389-0112-9
Edição: 1ª
Ano: 2011
Número de Páginas: 200
Assunto: Filosofia

Silo - Hugh Howey

Silo, publicado pela Editora Intrínseca, do escritor Hugh Howey, publicado em 2014, é um daqueles livros que ao ler a sinopse despertou-me grande interesse. Adicionei então na minha wish list e depois o comprei. Com 512 páginas imaginei ser uma daquelas arrebatadoras histórias, que não conseguimos parar de ler até chegar à última palavra da última página.

O livro foi escrito pelo autor durante seu tempo livre (como intervalos e horário de almoço) e levou cerca de três anos para ser concluído. Ele atuava numa livraria e foi costurando a história nos tempos que tinha disponível.

É uma narrativa interessante e com verdades que parecem mentiras e mentiras que parecem verdades. Os personagens apresentam certo mistério, o que está contido na própria existência do silo em que habitam. Que universo os aguarda do lado de fora? Por que há mortes? Quem ousa tentar descobrir o que há por trás da paisagem que eles vêem do lado de dentro do silo?

A viagem que eles empreendem dentro do próprio ambiente, em diversos andares, pelos quais por vezes levam dias para chegar, já dá à história um certo ar claustrofóbico sem, no entanto, tirar o suspense, as intrigas, os conflitos e acontecimentos que precisam ser esclarecidos.

Juliette é a personagem central que tem um ar de heroína moderna, com sua maneira simples, porém de certo modo arredia a mudanças. Mas ela tem que encará-las e quer saber mais.

A história me instigou, mas por ser o primeiro volume, o final não trouxe um desfecho que tenha me agradado, dando uma sensação de obra inacabada. Quando leio uma trilogia ou qualquer obra literária que tenha mais de um tomo, sempre espero que, no mínimo, eles tenham um desfecho em cada passagem, ainda que fique aberto para continuação.

Do final deste livro eu esperava mais, do início e do meio foi instigante e eletrizante acompanhar a jornada dos habitantes do silo e os segredos que dentro e fora estão guardados.

Um bom livro!

Ficha Técnica
Título: Silo
Autor: Hugh Howey
Editora: Intrínseca
ISBN: 978-85-8057-473-9
Edição: 1ª
Ano: 2014
Número de Páginas: 512
Assunto: Ficção americana

Nas Minhas Palavras - Dalai Lama

O livro “Nas Minhas Palavras”, de Dalai Lama é uma introdução à filosofia do mestre budista. Publicado pelo selo Fontanar da Objetiva em 2010, tem 166 páginas e nos apresenta nas palavras do próprio Dalai Lama definições e explicações sobre elementos do budismo.

Assim sendo, são tratados assuntos que vão da felicidade, passando pela definição de budismo, além de falar sobre os ensinamentos, a lei do carma, meditação, responsabilidade, sentido da vida e da morte, entre outras abordagens.

Interessante notar que a leitura, independente da religião do leitor, é cheia de palavras positivas e de ensinamentos que perpassam a questão religiosa. A maneira como os assuntos são tratados e revelados ao leitor, ainda que não seja de extrema profundidade, visto ser uma introdução, certamente nos faz refletir sobre a maneira com que agimos. Ação é fundamental, além dos ensinamentos.

Havia lido esse livro há bastante tempo e resolvi reler quando me deparei com ele na estante. A simplicidade e a clareza com que Dalai Lama expõe essas questões complexas e elementares do budismo, elucida muito a nós, leigos, o assunto e essa filosofia milenar.

Quando nos deparamos com mensagens positivas acerca da vida e que nos leva a refletir sobre como podemos conduzir as coisas de maneira mais engrandecedora, acredito que já valha demais. Em tempos conturbados que vivemos, uma palavra de alento e um gesto de compaixão é sempre esperado, e deveria ser natural.

Com palavras bem colocadas, exemplos simples e uma forma próxima de falar, Dalai Lama dá uma boa introdução sobre budismo.

“Uma coisa que nos preocupa a todos é como viver e morrer me paz. A morte é uma forma de sofrimento; é uma experiência que preferiríamos evitar, mas é algo que inevitavelmente ocorrerá a cada um de nós. Todavia, é possível adotar um curso de ação para enfrentar o desagradável acontecimento sem medo. Um dos fatores principais que ajudarão a nos manter calmos e confiantes no momento da morte é a maneira como vivemos nossa vida. Quando mais sentido tivermos dado às nossas vidas, menos iremos lamentar no instante da morte. As sensações e os sentimentos na hora da morte dependerão da maneira como tivermos vivido.”

O trecho acima é só um exemplo de como a reflexão está presente no livro. É uma boa leitura.

Ficha Técnica
Título: Nas Minhas Palavras
Escritor: Dalai Lama
Editora: Fontanar
ISBN: 978-85-7302-999-4
Edição: 1ª
Número de Páginas: 166
Ano: 2010
Assunto: Budismo

As Minas de Salomão - Henry Rider Haggard

“As Minas de Salomão”, de Henry Rider Haggard foi originalmente escrito em 1885. A história se passa na África, onde estariam escondidas as minas de diamantes que dão nome ao livro. George Curtis parte para encontrar tais minas, no entanto desaparece. Henry, seu irmão, decide ir a sua procura e seleciona uma equipe.

Allan Quartemain que é caçador de elefantes e explorador, John Good que é capitão e o africano Umbopa, um servo que acompanha os outros e que possui uma personalidade misteriosa, se lançam numa aventura em busca do fabuloso tesouro escondido. Quartemain é o personagem que narra o livro. Inicia a introdução assim:

“Agora que este livro está impresso, e em vésperas de correr o mundo largo, começa a pesar fortemente sobre mim a desconfiança de que, para ele ser aceitável, muito lhe falta como estilo e como história”. Escreve isso e pede benevolência ao leitor, porque afirma que está “mais habituado a manejar a carabina do que a pena”.

A obra de Henry Rider Haggard pode ser considerada a primeira ambientada no continente africano e, além disso, é o livro precursor daqueles que tratam de “mundos perdidos”. A aventura de Quartemain e do grupo é instigante e tem até mesmo passagens cômicas e situações inusitadas que vivem.

Eles entram no Reino dos Kakuanas e passam por situações adversas, incluindo a escassez de alimento, o frio extremo (como na passagem em que estão nas montanhas chamadas de Seios de Sabá), enfrentam a sede e se deparam com pessoas que podem matá-los (para as quais fingem ter poderes sobrenaturais).

O livro também foi inspiração para o filme de mesmo nome e até o brasileiro Raul Seixas tem uma música chamada “As Minas de Salomão” (cujo título faz alusão ao livro, mas que não reflete a história propriamente dita). Escavações próximas ao Rio Jordão, dão por certa a possibilidade da existência das “Minas do Rei Salomão”, mas há uma questão de cunho religioso que não convém adentrarmos por não ser esse o foco.

Falemos do livro.

É uma tradução de Eça de Queiroz e a história, por ser um clássico, já seria por si engrandecedora. Saber sobre a importância desse livro para a história da literatura é ainda mais apaixonante. Convém frisar que requer uma leitura atenta pela forma como as palavras são colocadas e, ainda, pelo uso de expressões pouco usuais nos dias atuais ou terminologias que se referem à língua dos kakuanas (tribo africana do livro). Mas, por outro lado, isso também se torna interessante no livro. Ver a língua colocada de maneira mais formal é de certo modo uma maneira de exercitar a nossa língua pátria e buscar compreendê-la em suas derivações.

“As Minas de Salomão”, publicado pela Cofina Media em 2011, é um ótimo livro. Recomendo a leitura.

Ficha Técnica
Título: As Minas de Salomão
Escritor: Henry Rider Haggard
Editora: Cofina Media
ISBN: 978-972-8996-73-4
Edição: 1ª
Número de Páginas: 253
Ano: 2011