Quem é você, Alasca? - John Green

“Vou em busca de um Grande Talvez.” (François Rebelais)

Estas teriam sido as últimas palavras de Rebelais. É baseado nessa frase que, Miles Halter, parte em busca do seu próprio “Grande Talvez”. O rapaz ingressa na Escola Culver Creek, no Alabama. A frase não é inspiradora para Miles por acaso, afinal ele gosta de decorar as últimas palavras que as pessoas disseram antes de morrer. E de certa forma, estas lhe serviram como um impulso para sua ação, após a reflexão.

No internato ele conhece Chip Martin (que utiliza o codinome de Coronel) e se torna seu grande amigo. Conhece ainda Alasca Young. A jovem desperta em Miles desejo e fascínio. Louca, despojada, engraçada, sexy, transgressora, indomável e inteligente ela envolve Miles (que ganha o codinome de Bujão, dado por Chip).

O livro de John Green, publicado no Brasil pela Editora Intrínseca em 2014, foi vencedor do Print Award, da American Library Association. No Brasil, foi lançado com algumas capas diferentes. Essa obra de Green prende a atenção desde o início. O autor mostra no seu texto porque conseguiu angariar e manter uma grande legião de fãs por todo o mundo. Milhares de leitores se encantam por suas histórias.

Alasca mexe com os sentimentos de Miles, numa ambigüidade que resulta numa entrega e admiração por ela.“Não sabia se deveria confiar na Alasca e não agüentava mais o seu comportamento imprevisível, fria em um dia, carinhosa em outro; irresistivelmente sedutora em um momento, teimosa e obstinada em outro.” O trecho citado revela a ambiguidade que há na personagem. Seria ela a antagonista? Ou uma protagonista dotada das excentricidades humanas e que não escondia seu lado mais “indesejado”?

A narrativa de Green é atrativa e a trama apresenta personagens bem construídos que carregam em suas histórias os seus dilemas pessoais. Dilemas da juventude como a descoberta do amor, do sexo, da transgressão, da afirmação.

“_ O melhor dia da minha vida foi hoje.”

Embora seja o primeiro livro de Green é bem elaborado, tem um enredo bem explorado em todas as nuances apresentadas. E o fator surpresa que divide a história em antes/depois, traz elementos de descoberta que ajudam a prender a atenção do leitor. A inquietação existente em Miles e o fascínio que Alasca exerce sobre as pessoas a sua volta dão um toque especial na trama. É uma paixão contida, que vira uma grande amizade, uma paixão que vira um amor fraternal.

Como havia lido outros três títulos de Green, não poderia deixar de ler o seu primeiro texto. Leitura altamente recomendada!
 
Capas brasileiras
Ficha Técnica
Título: Quem é você, Alasca?
Escritor: John Green
Editora: Intrínseca
ISBN: 978-85-8057-599-6
Edição: 1ª
Número de Páginas: 272
Ano: 2014
Assunto: Ficção americana

A Captura de Cérbero - Agatha Christie - John Curran

Este livro de John Curran traz o conto de Agatha Christie, intitulado “A Captura de Cérbero”. Título este que foi inspirado nos Trabalhos de Hércules, uma referência a um livro da autora inglesa.

Hércule Poirot entra em cena para descobrir um personagem que está morto. O filho de Lutzmann, Hans, é acusado de ter matado Hertzlein (um nazista). O pai, contudo, afirma que o filho não é o autor do crime: “Meu filho não matou Hertzlein.” Lutzmann pede ajuda a Poirot para desvendar o verdadeiro autor.

Conforme descrição de John Curran o fato de o conto não ter sido publicado na Revista The Strand é um mistério. Em tese o conto deveria ter sido publicado dando a conclusão aos doze trabalhos de Hércules.

Além do conto, esse livro que apresenta parte do trabalho publicado por Curran em “Os Diários Secretos de Agatha Christie”, traz informações sobre o início de carreira da Rainha do Crime, com o input dado pela proposta de sua irmã Madge: “Aposto que você não consegue escrever uma boa história policial.” Ainda são apresentadas informações de Agatha sobre seus próprios cadernos de anotações, que não eram organizados (faltavam datas completas, não seguiam uma ordem cronológica ou alfabética). Os cadernos de exercício de Agatha Christie eram uma forma para que suas histórias afloracem lentamente.

“... é um prazer, algumas vezes, quando estou lendo uma pilha de velhos cadernos de anotações a esmo e encontro algo escrito... Do que se trata, não me lembro mais; mas em geral me estimula, se não a escrever a mesma trama, pelo menos a escrever alguma outra coisa.” Parte da Autobiografia da escritora em que fala sobre os cadernos.

Na última parte do livro de 96 páginas publicado pela Leya em 2010, se fala sobre o Clube de Investigação, do qual a escritora juntamente com outros escritores policiais faziam parte.

Leitura obrigatória para fãs de Agatha Christie!

Ficha Técnica
Título: Agatha Christie – A Captura de Cérbero
Escritor: John Curran
Editora: Leya
ISBN: 978-85-62936-27-2
Edição: 1ª
Número de Páginas: 96
Ano: 2010
Assunto: Literatura inglesa

O Incidente da Bola de Cachorro - Agatha Christie - John Curran

“O Incidente da Bola de Cachorro” é um conto da escritora conhecida como a Rainha do Crime, Agatha Christie. Neste livro, John Curran, autor de “Os Diários Secretos de Agatha Christie”, apresenta o conto (inédito) e outros textos.

John Curran escreveu o livro para mostrar aos leitores e fã de Agatha Christie uma coleção de 73 cadernos com anotações da escritora. Nos cadernos constam montagens para os livros, nomes de personagens, resumos de histórias que viriam a se tornar os clássicos da escritora, listas, desenhos, planos para as peças teatrais e contos, além de anotações pessoais. Muita ideias que originaram a obra de Agatha Christie estavam anotadas lá. O livro traz, inclusive, reproduções das páginas originais dos referidos cadernos. 

No exemplar publicado pela Leya em 2010, extraiu-se o conto inédito. O detetive belga, um dos personagens mais célebres da escritora, Hércule Poirot, recebe uma carta em que, segundo ele, a senhora que a escreveu “não diz nada, nada mesmo”.

Como bom observador e astuto conhecedor da mente humana que é, Poirot nota a data em que a carta fora escrita e vai até o local em que a remetente, Mis Wheeler morava. Ela morreu.

Poirot segue a investigação sobre a morte da mulher e chega ao nome do criminoso, mesmo que a morte pareça num primeiro momento uma morte natural.

As características da escritora que se repetem em outros livros está presente neste conto. Há citações sobre testamento da falecida, parentes que poderiam ser beneficiados com a morte da personagem, uso de venenos/remédios, entre outros.

Segundo John Curran, o conto depois se tornou o livro “Poirot perde uma cliente”, e teria sido escrito originalmente em 1933.

Como dito anteriormente, além do conto inédito o livro traz outros textos extraídos do livro original de Curran (Os Diários Secretos). Informações sobre os bastidores do conto, textos extras sobre “A mão misteriosa”, citações de outros escritores de suspense que foram encontrados nos cadernos originais de Agatha e posfácio do livro que originou este estão presentes para completar as 96 páginas da edição.

Ficha Técnica
Título: Agatha Christie – O Incidente da Bola de Cachorro
Escritor: John Curran
Editora: Leya
ISBN: 978-85-62936-27-2
Edição: 1ª
Número de Páginas: 96
Ano: 2010
Assunto: Literatura inglesa

Quotes Para Refletir


Enquanto leio, costumo marcar ou anotar trechos, frases ou páginas que despertam reflexão. Costumo anotar num arquivo e eventualmente é sempre bom revisitar e rememorar os livros e os autores. Separei dez quotes de livros lidos em 2015.

A maneira como nos encontramos com um livro é enigmática. E independe se o livro é fruto de uma coceira gostosa ou de uma paralisia generalizada.”

Felipe Ferreira – Griphos Meus

Disciplina é reconhecer o que tem que ser feito, fazê-lo da melhor maneira possível, e fazê-lo assim o tempo todo.”

Bob Knight – O Poder Extraordinário do Pensamento Negativo

Eu entendo que o futuro seja imprevisível.”

John Green – O Teorema Katherine

Quando passamos por algum risco e sobrevivemos, deixamos de ficar paralisados diante do perigo. Aprendemos a ter coragem.”

David Servan-Schreiber – Podemos Dizer Adeus Mais de Uma Vez

Não há nada mais primário e mesquinho do que enxergar os atos alheios pelo ângulo exclusivo da acusação.”

Maitê Proença – Uma Vida Inventada

O velho que preserva sua validade ou que encarna uma tradição ou marca uma presença no tempo continua novo.”

Paulo Freire – Pedagogia da Autonomia

É um erro bastante difundido que uma personalidade de liderança deva saber de tudo. Ela não precisa saber de tudo.”

Timur Vermes – Ele Está de Volta

Quem somos e a maneira como nos relacionamos com o mundo são indicadores muito mais seguros de como nossos filhos serão do que tudo o que sabemos sobre criar filhos.”

Brené Brown -  A Coragem de Ser Imperfeito

É preciso de aduladores afastar.”

Molière – O Misantropo

Não adianta sentar a uma mesa de bar e reclamar da vida: o que resolve problemas são ações e não discursos.”

Ana Beatriz Barbosa – Mentes Consumistas



Ua:Brari Do Outro Lado do Mundo - Marcelo Rubens Paiva

Fred, um jornalista, tem envolvimento com Bia. Esta, por sua vez, está para se casar com Júlio e eles se casam. É nessa data que Fred se reaproxima de Bia. O clima de tensão, sexo e paixão entre a mulher casada e o jornalista paira no ar.

Num dado momento da história, Fred se vê com Júlio, ao cobrir como jornalista um plano para resgatar o irmão dele, Zaldo. Para isso fazem uma viagem para a Amazônia. Zaldo teria desaparecido ao adentrar a floresta e tornou-se um líder religioso. O homem é chamado de Ua:Brari (que dá título ao livro) e que na língua dos índios significa “aquele que conhecia o caminho para o outro lado do mundo.”

“_Os macuxi tem um mito. Ua:Brari era um rapaz que só pescava peixe miúdo. Apareceu um tatu-bola que sabia o caminho pra debaixo da terra, onde tinha muito peixe. Eles iam todos os verões e voltavam com peixe para todos, até o dia em que os dois amigos morreram e ninguém sabia o caminho. Talvez Zaldo seja amigo de um tatu-bola, que saiba o caminho pro outro lado da Terra.”

A história traz política, ecologia, amor, sexo, traição, jornalismo, intriga e outros elementos. Publicado pela Editora Objetiva em 2011, o livro de Marcelo Rubens Paiva tem 255 páginas. O autor tem uma narrativa de diálogos rápidos, de frases curtas. Por vezes apresenta um texto similar a cena de cinema, incluindo expressões como “corta”. Um elemento lingüístico para dar efeito.

Na primeira parte do livro o texto parece perder-se com algumas lacunas e repetições, como se fossem o pensamento do personagem e um complemento sobre outro ponto de vista. Cheguei a imaginar, em certos trechos, que o texto havia escapado ao autor, como se ele tivesse deixado um espaço de tempo para escrever a história e, ao voltar a escreve-la, houvesse lançado o texto como lhe veio. Mais pro meio da história, o livro melhora, porque as questões (políticas, ecológicas, de religiosidade, de traição e intrigas) começam a aparecer de maneira mais uniforme.

Fred, o personagem central, acaba por saber de tudo que se passa e acaba envolvido numa trama interessante.

Ficha Técnica
Título: Ua:Brari Do Outro Lado do Mundo
Escritor: Marcelo Rubens Paiva
Editora: Objetiva
ISBN: 978-85-390-0182-8
Edição: 1ª
Número de Páginas: 255
Ano: 2011
Assunto: Romance brasileiro

Sorteio - Destrua Este Diário - Tomo Literário

[Post Oficial - Regulamento] - Eu quero destruir este diário!


Foto oficial do sorteio
Para participar do sorteio do livro "Destrua Este Diário" (Capa Silver Tape) de Keri Smith, é simples. Você pode ter até 8 números para concorrer. Veja:
  • Seguir o blog www.tomoliterario.blogspot.com (Participe Deste Site) e comentar o post do blog (este) com a frase "Eu Quero Destruir Este Diário", vale 6 chances para sorteio. E/OU
  • Seguir @TomoLiterario no Instagram, respostar a foto, marcar @TomoLiterario e cinco amigos vale 2 chances para participar do sorteio.
O sorteio será realizado no dia 25 de Maio de 2015. O ganhador será divulgado no Blog, Instagram, Twitter e Facebook do Tomo Literário e terá até 24 horas para enviar nome e endereço completo para entrega da premiação.

Importante
- O participante deve ter endereço de entrega no Brasil.
- No Instagram serão desconsiderados aqueles que marcarem perfis de celebridades e/ou perfis com finalidade comercial.
- Será aceito uma participação no blog e uma no Instagram. Duplicidades serão desconsideradas.
- Se o blog atingir 200 seguidores até a data do sorteio, teremos um segundo premiado (brinde surpresa).
- No blog, para participar, comente neste post.

O Coração dos Heróis - David Malouf

Em “O Coração dos Heróis”, o escritor David Malouf escreve parte da aventura da Ilíada de Homero, grande marco da literatura mundial. O livro, publicado pela Editora Leya em 2011, conta a história de dois homens em meio a uma das mais sangrentas guerras. Quando Troia estava sendo destruída um acontecimento atordoa e mexe completamente com a vida desses dois homens.

Os personagens centrais são Aquiles e Príamo. A batalha fez com que a vida desses homens se cruzasse de uma maneira que as guerras impiedosamente realizam. Aquiles perde seu amigo Pátroclo durante o cerco de Tróia. Príamo (Rei de Troia) tem um filho, Heitor. Este último foi o algoz de Pátroclo. 

Aquiles, querendo vingar a morte de seu amigo, toma-se de um desejo vingativo avassalador e impiedoso a ponto de matar Heitor e arrastar o corpo do homem em sua carruagem por onze dias. Uma visão violenta e um ato de extrema crueldade que faz com que o rei tome contato com o território inimigo para resgatar o corpo do filho.

“(...) É a minha carne que está sendo arrastada pelas pedras lá. Sete vezes já chorei a morte de um filho perdido na guerra. E o que lembro de cada um é como eles chutavam com seus pezinhos sob o meu coração, aqui, bem aqui, e o primeiro choro que soltaram ao ser apresentados ao mundo, e os primeiros passos.” (Trecho de diálogo em que Hécuba, mãe de Heitor, fala sobre o filho morto)

O autor criou uma versão da história desses personagens, usando-se de sua imaginação. Não é uma cópia ou revisitação da obra de Homero. Segundo David Malouf é uma inspiração, que veio de seu contato com a Ilíada ainda nos tempos de colégio. Portanto, a outra obra foi um sopro para a criatividade do autor.

É uma  bela narrativa repleta de componentes que tornam épica a história da guerra pela qual eles passam. Em meio a violência, como o episódio sangrento da vingança de Aquiles a quem matou seu amigo, também há fidelidade, parceria, orgulho. Mas, a guerra por si só, convoca aos elementos de tristeza, vingança, animosidade e ódio.

“Seus ossos agora, os doze maiores ossos, o crânio queimado e mais um punhado de lascas recuperadas das cinzas da pia funerária, estão numa urna com uma enorme boca no túmulo que Aquiles mandou construir em memória do querido amigo. A Seu tempo, ele próprio a esses se juntará.”

É uma história comovente, adjetivo dado pelo The New Yorker. Para quem gosta de narrativas em períodos de guerra ou histórias épicas é bastante interessante. Me surpreendi positivamente com a história de Malouf.


Ficha Técnica
Título: O Coração dos Heróis
Escritor: David Malouf
Editora: Leya
ISBN: 978-85-8044-292-2
Edição: 1ª
Ano: 2011
Número de Páginas:
Assunto: Ficção australiana

Os Anjos de Badaró - Mario Prata

“Os Anjos de Badaró”, de Mario Prata foi publicado em 2011 pela Editora Planeta (240 páginas).

O livro foi escrito por Mario ao longo de seis meses, na internet. Na medida em que o livro ia sendo escrito e que cada palavra, cada frase, cada parágrafo ia se formando, os internautas podiam acompanhar a composição do texto. Milhares de pessoas tinham essa possibilidade, em diversos países. Mesmo os trechos que, por ventura, fossem apagados seriam lidos.

Ozanon Badaró é o personagem central da história. A partir de um convite de uma vizinha ele aceita catalogar garotas de programa e monta um site de agenciamento. As garotas são os anjos. Badaró se apaixona pela primeira garota que conhece, Elyza (Anna). Em decorrência da morte de Badaró, que parece ter sido um suicídio, muitos mistérios terão de ser revelados. Não se pode esquecer que Badaró está envolto num mundo conturbado, além de ter muito dinheiro em jogo.

“Tem suas vantagens, uma morte anunciada. Ou será que eu é que estou tentando me enganar? É estranho isso.”

Uma dona de casa que virou detetive parte para a descoberta desses mistérios. Muito suspense, crimes, sexo e certa dose de humor compõe a história criada e recriada por Mario Prata. Badaró deixa sua história registrada em disquetes. Usa-os como diário, contando seu cotidiano, inclusive os acontecimentos que envolvem os anjos, além das histórias que envolvem seus amigos Capella e Takashi. Cláudia, a detetive, desvendará o mistério.

Por tratar-se de um romance policial as perguntas que nos fazemos surgem durante a leitura: Quem matou? Qual o motivo do crime? Isso ou aquilo é uma pista do autor? E com o humor que está presente nos personagens e em algumas passagens da narrativa, torna o livro leve, apesar de ser uma história policial.

A experiência vivida pelo autor de ter escrito o livro quando a internet passava a fazer parte da vida das pessoas e ter sido disponibilizado afim de que todos pudessem ler ante do lançamento, afetou o resultado do livro. Essas influências podem ter apimentado a história e podem ter feito algo do original (imaginado pelo autor) se perder. De qualquer forma o que está escrito está aí e o resultado foi interessante.

O processo de escrita deve ter sido bastante instigador, colocando o autor em contato direto com seus leitores, que sugeriram, criticaram, leram, releram, observavam, analisavam, interagiam. E, como dito pelo Liberátion (França), “com a internet, o ato de escrever pode se transformar num espetáculo”.

É uma leitura para divertir!

Ficha Técnica
Título: Os Anjos de Badaró
Escritor: Mario Prata
Editora: Planeta
ISBN: 978-85-7665-809-2
Edição: 1ª
Ano: 2011
Número de Páginas: 240
Assunto: Ficção brasileira

Uma Vida Inventada - Maitê Proença

Segundo livro da atriz e escritora Maitê Proença, “Uma Vida Inventada” (214 páginas) foi publicado em 2008 pela Editora Agir.

O livro apresenta um misto de realidade e ficção, em que as duas facetas se fundem e se confundem. Maitê fala de sua própria vida, como uma forma de libertar-se de si mesma para dar espaço a outras histórias, outras personagens, outras pseudo-realidades.

“Tem um congestionamento aqui dentro de mim. São muitas pessoas querendo falar, se exibir, se expressar.”

A escritora fala de sua infância, de sua família, das tragédias que assolaram sua vida, da carreira, das aventuras e desventuras amorosas, de viagens, de dramas, de alegrias, de pensamentos e de outros tantos fatos. Em meio a exposição de sua intimidade há histórias fictícias, que aparentemente apresentam sob alguma perspectiva a própria realidade vivida por Maitê. A realidade parece nesse momentos disfarçada de romance ficcional.

A leitura foi agradável e o conteúdo me surpreendeu. Esperava uma escrita mais superficial, no entanto agradou-me a maneira como ela escreve, sua ironia fina e até mesmo a forma como descreve que encarou seus dramas pessoais. Maitê teve coragem de despir-se ao leitor. Acontecimentos que muitos (incluindo os leitores) talvez escondessem se houvesse sido em sua biografia. Mas há também momentos de plena alegria.

“Quero sentir as alegrias essenciais que outrora formavam a base do meu dia-a-dia. O bate-estaca do mundo não me motiva. Só tem graça o que mexe nas minhas profundezas, ou então que fique tudo quieto e calmo.”

Senti no texto de Maitê que a atriz se confundiu com a escritora. Mas isso não seria impossível de acontecer, posto que trata-se da mesma pessoa. A exposição que a autora faz sobre si, apresenta certa vestimenta de uma escritora que fala de uma atriz. Não só atriz, mas ainda mãe, estudante, filha, amante, neta. Essa mistura é de certo modo um jogo de revelação que convida o leitor a adentrar na profundidade de suas inquietações expostas.

A escritora revela que “talvez esteja tentando construir uma ponte mais sólida” entre si e as pessoas para que possa sair do isolamento em que se enfiou para proteger-se. Me fez ter vontade de ler os outros livros da escritora.

Ficha Técnica
Título: Uma Vida Inventada
Escritor: Maitê Proença
Editora: Agir
ISBN: 978-85-220-0934-3
Edição: 2ª
Número de Páginas: 214
Ano: 2008
Assunto: Romance brasileiro

Podemos Dizer Adeus Mais de Uma Vez - David Servan-Schreiber

David Servan-Schreiber, o autor do livro, foi médico e professor nos Estados Unidos e na França. Neurocientista, lançou em 2007 o livro intitulado “Anticâncer”, que vendeu mais de um milhão de exemplares em 36 idiomas.

O escritor descobriu ter um tumor no cérebro e recebeu um diagnóstico assustador: seis meses de vida. No entanto, conseguiu superar esse período  com determinação. O livro “Podemos dizer adeus mais de uma vez” foi escrito por ele como um epílogo, uma despedida diante dos momentos que viveria no final de sua vida.

“(...) me fez compreender que eu posso fazer alguma coisa por mim mesmo.”

No livro  publicado pelo selo Fontanar (Objetiva) em 2011 o autor relata sobre sua luta ao descobrir que o tumor voltara e que sua agressividade o levaria ao final da vida. É um relato lúcido, emocionante, engrandecedor e surpreendente de um homem que luta pela vida, mas que apresenta consciência de sua finitude. 
  
“Como não ficar paralisado pelo terror quando todos os prognósticos são os piores possíveis, quando todos os sinais de alerta piscam, quando todos os sintomas físicos se afinam?”

O papel de David como profissional, marido, irmão, pai, filho, amigo, apresenta suas experiências contornando a doença. Dos momentos difíceis, passando pelas hospitalizações, indo à conscientização de seus familiares, a despedida que David deixa registrada são palavras de conforto, com sabedoria acerca de si e do ser humano.

A publicação é de fato um livro motivador, que desperta o leitor sobre aspectos que por vezes desejamos não pensar. Além disso, dá pra usar de empatia e verificar que  nem sempre os pequenos problemas que temos são os maiores que existem. A lucidez de preparar-se para a morte, sem esquecer-se de viver, é a maior lição deixada pelo autor.

“Mesmo quando estamos sofrendo de uma doença fatal, sobram muitas oportunidades de rir, e eu recomendo efusivamente aproveitá-las.”

David faleceu em Julho de 2011.

Ficha Técnica
Título: Podemos dizer adeus mais de uma vez
Escritor: David Servan-Schreiber
Editora: Fontana (Objetiva)
ISBN: 978-85-390-0293-1
Edição: 1ª
Número de Páginas: 137
Ano: 2011
Assunto: Motivação

Liderança Fora do Quadrado – Jon R. Katzenbach e Zia Khan

“Liderança fora do quadrado”, de Jon R. Katzenbach e Zia Khan, publicado pela Elsevier/Campus em 2011 (222 páginas) trata da organização (formal e informal) e de como é possível contagiar a equipe para obter os melhores resultados.

Na introdução os autores expõe: “Passamos a entender as organizações formais e informais após décadas de pesquisa, trabalho com clientes e experiência profissional que abrange indústrias, setores e nações.” Tal afirmação corrobora o fato de que não é um trabalho superficial. O que é apresentado no livro sobre a organização informal versus a organização formal, mereceu estudos ao longo do tempo.

O livro apresenta à líderes aquilo que realmente acontece nas empresas e como é importante que a liderança saiba utilizar da informalidade para vencer desafios diários e estratégicos, satisfazer clientes, incluindo a motivação da equipe em busca dos resultados organizacionais.

“Se não há nada que lhe diga que não pode, então pode.”

A formação de redes informais nas organizações muitas vezes são o modo como problemas podem ser resolvidos e obstáculos podem ser superados. Por vezes os colaboradores envolvidos aprendem a lidar com isso de maneira natural, outras após certo sofrimento. Acredita-se, contudo, que qualquer um pode melhorar sua eficácia dentro da empresa.

A organização formal, sem sombra de dúvidas, é necessária. Visão, missão, planejamento, metas, avaliações de desempenho, entre outros são processos formais e, com o passar do tempo, algumas destas podem se perder e/ou estagnar. É daí que a organização informal tende a entrar em cena, como um complemento para fazer dar certo. “Ao criar e sustentar o equilíbrio entre os elementos informais e formais, as organizações podem atingir o melhor dos dois mundos, de modo que promovam vantagens significativas.”

É uma ótima leitura para líderes e administradores que estejam afim de conhecer mais o ambiente em que atuam e compreender exigências do mercado. Os estudos de muitas empresas dão o embasamento aos conceitos apresentados. Um livro para ler e consultar. E como sempre, conhecimento nunca é demais. Bom para o líder que sabe utilizar-se dos mecanismos informais e formais, visando a melhora do desempenho.

Ficha Técnica
Título: Liderança fora do quadrado
Escritor: Jon R. Katzenbach e Zia Khan
Editora: Campus/Elsevier
ISBN: 978-85-352-4395-6
Edição: 1ª
Número de Páginas: 222
Ano: 2011
Assunto: Motivação no trabalho / liderança

Livros Para Colorir

Foto: @cristinamoah
Os livros para colorir tem se tornado uma mania entre adultos. Não é só no Brasil que esses livros tem mexido com o imaginário das pessoas. "Jardim Secreto", de Johanna Basford, publicado em solo brasileiro pela Editora Sextante, por exemplo, vendeu mais de 1,4 milhão de exemplares no mundo, mais de 100 mil exemplares no Brasil. Por aqui essa onda começou a despontar em Dezembro de 2014.

Esse gênero possibilita um momento relaxante, fato anunciado no subtítulo do livro ou na menção de seu chamariz como um livro para terapia antiestresse. Como vivemos numa sociedade agitada, em que a vida profissional, os compromissos diários, as tarefas diversas, os problemas e as preocupações nos cercam, não é difícil encontrar quem queira um momento relaxante para desestressar.

Para pintar os desenhos do livro tudo que é necessário é disposição, lápis de cor, giz de cera ou canetinhas. E o relaxamento virá! Além de diminuir o estresse auxilia na vazão da criatividade e no lado artístico dos pintores.

É importante mencionarmos que há psicólogos que alertam que o trabalho de colorir, isoladamente, não é a única maneira de curar quem sofre de estresse. Em se tratando de um problema recorrente, o melhor é procurar auxílio de um especialista. Mas voltemos ao livros como diversão.

Foto: @raquelscudeler

Outro livro da mesma autora, Johanna Basford, também para colorir é "Floresta Encantada". Os livros desse gênero tem figurado nas primeiras posições das listas de mais vendidos, o que dá fôlego ao mercado editorial impresso. Não há somente os livros de Johanna, outros tem surgido nas prateleiras das livrarias, tais como "Jardim Encantado", da ilustradora Sophie Leblanc e "Mindfulness", de Emma Farrarons.


Divertidos, lúdicos, inspiradores e até, de certo modo, saudosistas. Afinal quem não lembra de pintar desenhos na infância? Fato é que seja pela diversão ou pelo mote do antiestresse há cada vez mais pessoas cedendo aos encantos da pintura, seja para se tranquilizar, expressar arte, se divertir ou apenas para passar o tempo. 

Nas redes sociais também tem sido bastante usual vermos fotos dos livros e de páginas deles (pintadas ou não). Para ilustrar o post alguns leitores do Instagram cederam suas fotos. Na legenda há o perfil de quem a foto pertence. Com certeza elas servirão de inspiração!  

Parabéns aos leitores/pintores pela arte e obrigado por compartilhar com os visitantes do blog.




   
Foto: @monalisabriganti

           
Foto: @dukandeira

Foto: @ednaruiva24














     
         
          Foto: @minhaflorestaencantada_
 
Foto: @sil_jardimsecr






 
Foto: @karolynecristina




Veja abaixo a sinopse dos livros de Johanana Basford:

Jardim Secreto 
Faça um passeio por estes lindos jardins e se aventure em uma caça ao tesouro tão fascinante que todos os seus problemas ficarão para trás. As ilustrações ricas em detalhes estão só esperando por você para ganhar vida.

Divirta-se procurando as diversas criaturas escondidas nestas páginas. Complete os espaços em branco, escolha suas cores preferidas, faça seus próprios esboços e crie um universo deslumbrante onde não há lugar para o estresse. Jardim secreto é um livro para todas as idades, que nos permite esquecer as adversidades do dia a dia através dos desenhos e que busca trazer à tona o artista que existe em cada um de nós.





Floresta Encantada 
Neste livro, Johanna Basford convida o leitor a embarcar numa viagem ao coração de uma floresta encantada.

Enquanto colore os desenhos de flores, casas na árvore, animais e objetos mágicos, seu desafio é encontrar os nove símbolos especiais ocultos ao longo destas páginas. Eles destravam o portão do castelo, revelando seus mistérios. O que será que ele guarda? Traga à tona o artista que existe em você e divirta-se em uma jornada através desse universo deslumbrante.



O Ruído das Coisas ao Cair - Juan Gabriel Vásquez

“E ardiam desabando os muros de meu sonho, tal qual como desaba gritando uma cidade.” (Aurelio Arturo, Ciudade de Sueño). Esta citação está no início do livro e de certo modo representa a história que Antonio vive.

A morte de um homem e outros fatores que circunstanciavam a sua vida estão no centro das atenções do livro. Ricardo Laverde vive na Colômbia, país que tem um poder paralelo, o narcotráfico. O autor, colombiano, cita inclusive Pablo Escobar em algumas passagens do livro e da vida do próprio personagem. Escobar foi possivelmente um dos mais conhecidos líderes do narcotráfico no mundo.

Juan Gabriel Vásquez é, além de escritor, tradutor e jornalista. “O Ruído das Coisas ao Cair”, foi publicado pelo selo Alfaguara da Objetiva em 2013 (247 páginas).

A vida do personagem Antonio Yammara, um professor, muda justamente quando se cruza com o homem que virá a morrer, Ricardo Laverde. A morte desse homem no início de 1996 em Bogotá, ex-presidiário e envolvido com o tráfico internacional de drogas, muda a história do professor.

“(...) Amaldiçoei Ricardo Laverde, amaldiçoei o momento em que nos conhecemos e nem por um instante me passou pela mente que Laverde não era o responsável direto pela minha desgraça.”

Antonio resolve investigar o crime. Parte atrás de coletar informações que possam levar a explicação da morte de Laverde, mas também encontra-se com sua própria história, seu passado, sua esperança de futuro. De alguma forma todas as pessoas envolvidas na história se vêem transformadas, seja lá por qual seja o motivo.

O cenário criminoso de uma Colômbia recente está como pano de fundo da história do livro, contendo violência, drogas, crimes. No entanto, não trata-se de um livro para maldizer, explicar ou ser conivente com o universo. É uma ficção que se usa da realidade para expor suas mazelas e as conseqüências.

Ficha Técnica
Título: O Ruído das Coisas ao Cair
Escritor: Juan Gabriel Vásquez
Editora: Alfaguara (Objetiva)
ISBN: 978-85-7962-191-8
Edição: 1ª
Ano: 2013
Número de Páginas: 247
Assunto: Romance colombiano

O Misantropo - Molière

Molière nasceu em 1622 e morreu em 1673. É tido até hoje, século XXI, como um dos maiores autores de teatro de todos os tempos. Ainda na adolescência tive o prazer de assistir a uma montagem de um de seus clássicos: “O Avarento”. Foi ali, ainda sem saber muito bem quem era o grande autor que estava por trás daquele texto humorado e crítico, que tive o primeiro contato com Molière. A partir daí fui tomando conta da magnitude do autor.

Agora, por meio da edição publicada pela Editora Zahar, em 2014 e com tradução de Barbara Heliodora, tive o prazer de ler o texto de outra obra de Molière, “O Misantropo”. Ter contato com esse texto teatral foi bom, ainda mais sabendo que a peça foi encenada pela primeira vez no ano de 1666. Isso mesmo, no século XVII. Uau!

O texto trata de um cavalheiro chamado Alceste, que tem sua vida afetada por seu exageros. Ele é critico da hipocrisia da corte e enfrenta a todos que estão a sua volta, confrontando-se com o modo como eles agem: Cèliméne sua amada, a corte, os amigos, os inimigos, todos.

O personagem central é homem inflexível. Por trás de seu comportamento exacerbado que se coloca acima dos acontecimentos e das pessoas ao seu redor, há uma crítica do autor no que se refere aos hábitos da corte, às questões sociais daquele tempo. Em que pese haver certa rabugice no personagem que pode lhe conferir um certo humor, ele condena os vícios, como afirma Bárbara Heliodora, a tradutora, na introdução do clássico: “Até a integridade, em excesso, pode merecer o riso crítico da comédia, mas os vícios continuam merecendo condenação.”

Ter contato com textos bem escritos e clássicos, nos faz pensar o porque essas obras se tornam atemporais. Talvez porque o que se criticava na época continue representado na sociedade em outros formatos, ou possivelmente porque o texto do autor e seu enredo estivesse a frente de seu tempo.

Para encerrar separei alguns trechos de falas do personagem Alceste, com sua criticidade e suas colocações contundentes.

“Mas nada do que eu disse pode ser mudado;
Do que é perverso o mundo está tão recoberto,
Que me afastar dos homens para mim é o certo.”

Num outro trecho critica o comportamento de quem quer viver como lobos.

“Melhor abandonar o conluio e a matança;
Se os homens como lobos preferem viver,
A minha companhia não podem mais ter.”

Outras falas de Alceste:

“É preciso de aduladores afastar.”
“Mas nem covarde nem complacente sou eu.”

“(...) O mal de gente assim não tem limite;
A esse celerado tudo se permite;” 

Ficha Técnica
Título: O Misantropo
Escritor: Molière
Editora: Zahar
ISBN: 978-85-378-1197-9
Edição: 1ª
Ano: 2014
Número de Páginas: 126
Assunto: Teatro francês

Os Segredos da Princesa de Cadignan - Honoré de Balzac

“Os Segredos da Princesa de Cadignan”, de Honoré de Balzac tem o foco pleno na personagem central. Na medida em que a narrativa evolui compreendemos as circunstâncias e alocação daquela mulher no tempo.

A Princesa de Cadignan resolve tornar-se uma mulher religiosa, e embora viva em reclusão, ainda não abriu mão de viver o verdadeiro amor. Como no trecho em que revela: “Podemos amar sem ser felizes, podemos ser felizes e não amar; mas amar e ter felicidade, reunir esses dois imensos gozos humanos, é um prodígio.”

Há certa dose de crítica à sociedade da época e seus costumes, inclusive no que refere-se aquilo que as pessoas querem guardar como se fora um segredo. Nem tudo que se quer guardar, permanece guardado.

“Após essa conversa, a princesa tinha a profundeza de um abismo, a graça de uma rainha, a corrupção dos diplomatas, o mistério de uma iniciação, o perigo de uma sereia.”

Interessante observar que Balzac sempre descreve as idades dos personagens. A definição da faixa etária ou a idade específica determina, para Balzac, as ações de seus personagens, o modo como eles pensam, como se comportam no quadro social em que vivem, como se colocam no mundo. A idade determina uma maneira de atuação.

Pelo fato de o centro da história ser de uma princesa, a mulher ganha especial destaque. Ela se vê arruinada após a Revolução de 1830. Em certos aspectos coloca-se em voga o papel da mulher naquela sociedade, por meio dessa personagem que vive na aristocracia, tem vida religiosa, não quer morrer sem ter o prazer de novo amor e se coloca diante das situações que a ela são apresentadas pela vida.

“Quando somos bem sucedidas, devemos então guardar silêncio, sob pena de perder nosso império. Derrotadas, as mulheres devem também se calar por altivez. O silêncio do escravo apavora o senhor.”

A edição que li foi a publicada pela DPL Editora em 2005. A história da Princesa de Cadignan revela um final para provocar o leitor. A leitura da obra de Balzac é fabulosa. Gosto muito do autor, sobretudo após a leitura que fiz de sua biografia. Saber que era um homem que queria fazer-se presente na sociedade de modo que seu status fosse notado, ao ponto de sofrer com dívidas e o fato de buscar envolver-se com diferentes amores, mostra bem como a obra é um pouco o espelho de seu autor. Ler Balzac vale a pena.

Além da narrativa sobre a nobre, o livro apresenta ainda uma curta história de Balzac, intitulada “A Mensagem”, que fala de um amor entre um jovem e sua amante.

Ficha Técnica
Título: Os Segredos da Princesa de Cadignan
Escritor: Honoré de Balzac
Editora: DPL
ISBN: Não há no livro
Edição: 1ª
Ano: 2005
Número de Páginas: 160
Assunto: Ficção francesa