O Teorema Katherine - John Green

“O Teorema Katherine”, do escritor norte-americano John Green foi publicado no Brasil em 2013 pela Editora Intrínseca. O livro conta em suas 304 páginas a história do jovem Colin Singleton e de Katherine.

Até aí tudo bem. Você vai dizer que tratra-se de uma história entre um garoto e uma garota chamada Katherine. O detalhe está nesse nome. Não é apenas uma Katherine. Colin já namorou dezenove Katherines. Coincidência ou não todas tinham o mesmo nome. E, após levar um pé na bunda da última namorada, ele parte numa viagem com o seu amigo Hassan.

“(...) Cada uma das vezes, Colin passou pelo mesmo ciclo de sentimentos: raiva, arrependimento, saudade, esperança, desespero, saudade, raiva, arrependimento. O problema de levar o fora especificamente de Katherines, comparado a levar o fora de quaisquer namoradas, era que aquilo ficava extremamente monótono.”

Colin é um rapaz tido como um prodígio, bastante inteligente e especialista em criar anagramas, além de pegar no pé do melhor amigo para que ele curse uma universidade.

Na jornada, Colin busca desenvolver e auferir o Teorema Fundamental da Previsibilidade das Katherines. Além de resolver os seus fracassos amorosos será que o Teorema conseguirá alçar Colin à fama, uma de suas buscas? Com base nos teoremas ele saberá efetivamente se os relacionamentos tem possibilidade de dar certo?

“(...) não é a gente que lembra o que aconteceu. É o que a gente lembra que se transforma no que aconteceu.”

Esse livro de John Green, autor também de “A culpa é das estrelas” tem um enredo interessante.  O fato de existir a construção de um teorema é desafiador. No entanto, o livro parece perder-se em certos aspectos. Por exemplo, se a quantidade de ex-namoradas chamadas Katherine fosse menor, possivelmente o autor poderia explorar mais a fundo cada um dos relacionamentos.

É uma história descontraída e em alguns momentos complexo, mas não é a complexidade em si que deixa o livro às vezes enfadonho. A abordagem dada é razoável. Em muitos momentos o personagem central torna-se repetitivo, cansativo, previsível.

Para compreender a composição do teorema leia o apêndice do livro. A explanação matemática está lá, escrita por Daniel Biss, professor e pesquisador.


Ficha Técnica
Título: O Teorema Katherine
Escritor: John Green
Editora: Intrínseca
ISBN: 978-85-8057-315-2
Edição: 1ª
Ano: 2013
Número de Páginas: 304
Assunto: Ficção americana

A Coragem de Ser Imperfeito - Brené Brown

“A Coragem de Ser Imperfeito”, de Brené Brown, p.h.D em serviço social, foi publicado no Brasil pela Editora Sextante no ano de 2013. É um livro que tem como tema central a vulnerabilidade humana.

É mister dizer que, como seres humanos, temos momentos e situações em que nos tornamos vulneráveis. A autora aborda, por meio de pesquisas, como esses instantes de vulnerabilidade afetam a vida de homens e mulheres. Trata ainda em sua abordagem nas 206 páginas do livro como há possibilidade de enfrentar a vergonha e ousar mais. A vulnerabilidade é explorada de forma que possamos realinhar nossa mente e nossas atitudes para usarmos de mais ousadia.

“É verdade que quando estamos vulneráveis ficamos totalmente expostos, sentimos que entramos numa câmara de tortura (que chamamos de incerteza) e assumimos um risco emocional enorme. Mas nada disso tem a ver com fraqueza.”

Além das impressões pessoais de Brené Brown o fato de haver embasamento nas pesquisas que ela realizou, torna o conteúdo mais consistente. É um conversa franca da autora, que se expõe, mostrando-nos que é preciso enfrentar o medo, a vergonha e, se libertando disso, ver que podemos colher mais criatividade. As dicas valem tanto para questões pessoais como para questões profissionais. É um livro daqueles que vale a pena revisitar de vez em quando para facilitar a internalização dos preceitos elencados e para nos estimular.

“A vergonha detesta ser o centro das atenções. Se falarmos abertamente sobre o assunto, ela começará a murchar.”

Em tempos que por todos os lados é valorizada uma falsa sensação de que o ser humano precisa ser perfeito, Brené derruba o mito. Apresenta ao leitor uma forma e uma perspectiva, a partir da qual, o ser humano é imperfeito, portanto vulnerável, e daí é possível também extrair oportunidades únicas.

Cai a perfeição ditada por preceitos sociais, levanta-se a auto-estima. Leitura que agrega, com argumentos embasados. Por falar em ousadia, ouse ler! Vale a pena! Brené Brown, a escritora, também é professora e cita que aprendeu a ensinar com o patrono da educação brasileira, o célebre Paulo Freire.

Para terminar, faço questão de citar um trecho com o qual a escritora inicia a sua obra. Trata-se de uma parte do discurso "Cidadania em uma República", proferido por Theodore Rossevelt em abril de 1910 na Sorbonne. O referido trecho ilustra a essência do livro.

"Não é o crítico que importa; nem aquele que aponta onde foi que o homem tropeçou ou como o autor das façanhas poderia ter feito melhor. O crédito pertence ao homem que está por inteiro na arena da vida, cujo rosto está manchado de poeira, suor e sangue; que luta bravamente; que erra, que decepciona, porque não há esforço sem erros e decepções; mas que, na verdade, se empenha em seus feitos; que conhece o entusiasmo, as grandes paixões; que se entrega a uma causa digna; que, na melhor das hipóteses, conhece no final o triunfo da grande conquista e que, na pior, se fracassar, ao menos fracassa ousando grandemente."

Ficha Técnica
Título: A Coragem de Ser Imperfeito
Escritor: Brené Brown
Editora: Sextante
ISBN: 978-85-7542-958-7
Edição: 1ª
Ano: 2013
Número de Páginas: 208
Assunto: Assertividade / Psicologia

Guia de Uma Ciclista em Kashgar - Suzanne Joinson

Lizzie chega a Kashgar, na Rota da Seda, para ajudar a implantação de uma missão cristã. Com Lizzie está sua irmã Evangeline English. Eva, como é chamada, e outras duas mulheres tentam se organizar no novo local. Ela resolve fazer um guia para ciclistas que pretendam no futuro viajar para aquela região. As anotações de Evangeline, a ciclista, nos conduz pela história do livro.

Contudo, não é apenas em Kashgar que o livro de Suzanne Joinson se passa. Também serve de cenário a cidade de Londres, onde acontece a história de Tayeb e Frieda. Esta última descobre ser parente de uma mulher de quem não ouviu falar e que ao morrer deixou no apartamento uma coruja.

As duas narrativas ocorrem em tempos diferentes. A de Eva e Lizzie se passam em 1923 e de Frieda e Tayeb nos tempos atuais.

O livro publicado pela Editora Intrínseca em 2013 e traz histórias de relacionamentos e encontros que temos na vida. O texto é profundo, equilibrado, leve e mostra os sentimentos dos personagens de maneira sutil.

A vida das pessoas, personagens do livro, se passam diante de tradições e da cultura dos lugares que habitam. Há transformação e adaptação em relação ao meio. A mulher e sua condição social é retratada, sem contar o retrato religioso (que ocupa o segundo plano, mas está no livro), afinal Eva e Lizzie foram à Kashgar com o propósito de uma missão religiosa.

Sem dúvida, é um bom livro, que capta a atenção do leitor.

Ficha Técnica
Título: Guia de Uma Ciclista em Kashgar
Escritor: Suzanne Joinson
Editora: Intrínseca
ISBN: 978-85-8057-327-5
Edição: 1ª
Ano: 2013
Número de Páginas: 272

Assunto: Ficção inglesa

Dias Perfeitos - Raphael Montes

Segundo livro do escritor Raphael Montes, “Dias Perfeitos”, lançado pela Companhia das Letras em 2014 (274 páginas), conta a história do controverso casal Téo e Clarice.

Ele é estudante de Medicina e demonstra características típicas de um sociopata: frieza, ausência de culpa ou remorso, atitudes violentas que são mascaradas por uma aparente correção de personalidade. Téo cuida de sua mãe cadeirante, que tem um cachorro chamado Sansão e o rapaz tem afeição por um cadáver que usa na aula de anatomia a quem deu o nome de Gertrudes.

“Gertrudes era a  única pessoa de quem Téo gostava. Desde o primeiro momento, ele soube que os encontros com ela seriam inesquecíveis.” É com esses dizeres que começamos a história narrada no livro.

Clarice, a menina por quem Téo nutre certa paixão é uma jovem que está escrevendo um roteiro de um filme. Esse roteiro dá nome ao livro: Dias Perfeitos. O roteiro tratará a história de três amigas que serão conduzidas por um estrangeiro desconhecido numa viagem.

Quando Clarice cruza com Téo, ele se sente apaixonado por aquela garota. Resolve então embarcar com ela numa viagem louca, que os colocará num relacionamento de certo modo conturbado. A moça será submetida a crueldade de Téo. Crueldade e violência que para ele está justificada no amor que sente. Como se tudo que fizesse de mal a ela fosse para ter a certeza de que o amor dos dois duraria. Ela tem de depender dele, ela tem de estar com ele, ele tem de ter poder sobre a vida dela.

Trata-se de um livro com uma história psicologicamente eletrizante, com o cerne da narrativa concentrado nos dois personagens centrais, sem histórias paralelas que ficam rondando o leitor. Cruel, violento, sinistro e surpreendente. Esses são os adjetivos iniciais que anotei quando da conclusão da leitura do livro.

O metódico Téo é frio, perverso, mas apaixonado. O limite entre a loucura e a razão existentes no que se chama de amor, pode ser levado às últimas conseqüências. O personagem é um típico psicopata, tanto que pode ser capaz de mentir descaradamente e engendrar até mesmo o leitor com suas ações mascaradas. Nos leva à linha tênue entre gostar da complexidade e da sua personalidade diferente e do asco por suas ações cruéis e desmedidas.

Em meio à essa história há certa bizarrice, com nomes de lugares, personagens intrigantes e bastante ironia. Os diálogos são velozes e bem montados, o que torna a leitura agradável, sem lacunas, sem nuances que nos distanciam do que está sendo contado. Raphael Montes demonstra mais uma vez o domínio sobre sua narrativa. “Dias Perfeitos” foi tão instigante quando o primeiro livro do autor, “Suicidas”.

Ficha Técnica
Título: Dias Perfeitos
Escritor: Raphael Montes
Editora: Companhia das Letras
ISBN: 978-85-359-2401-5
Edição: 1ª
Ano: 2014
Número de Páginas: 274
Assunto: Ficção brasileira

Resultado - Sorteio Marcador de Página Vintage

Leitores,

O sorteio do marcador de página vintage - modelo avião, em parceria com a Loja Mixcelânea (www.mixcelanea.com.br), foi realizado hoje no Instagram do blog.

O número sorteador foi 10143 e a ganhadora foi @js.adriely. Parabéns!!! A ganhadora tem vinte e quatro horas para responder o Direct pelo Instagram com nome completo e endereço.

Agradecemos a todos os participantes! Fiquem ligados no blog Tomo Literário e nas redes sociais do Tomo, pois teremos outros sorteios e promoções. Aguardem!

Grande abraço.


O Clube dos Suicidas - Robert Louis Stevenson

Robert Louis Stevenson viveu quarenta e quatro anos. Teve sua consagração com o grande público ao publicar o romance “A ilha do tesouro”. Além desse título que o tornou famoso, ele é autor do célebre “O estranho caso de Dr. Jekyll e Sr. Hyde”, mais conhecido como “O médico e o monstro”.

Falemos agora de “O Clube dos Suicidas”, publicado em 2010 pela Editora Rocco Jovens Leitores. O livro do escocês Robert Louis é um precussor do que viria depois a se tornar o moderno romance policial.

Nessa história um grupo de homens se reúne para fazer parte do Clube dos Suicidas. Pelo nome já dá para supor que o referido clube e seus associados desejam se matar. Por meio de sorteio, com jogo de cartas, um dos sócios é escolhido para matar outro.

O príncipe Florizel e o Coronel Geraldine passam a fazer uma investigação para saber quem está por trás dos crimes. É essa aventura que o leitor viverá dentro desse sinistro clube.

O livro de Stevenson é intrigante, instigante e tem uma leitura agradável. Para fãs do gênero policial é um prato cheio. Li em duas tardes e adorei a história contada por ele. A apresentação do livro, feita por Fernando Sabino cita um trecho que deixa bem claro a familiaridade do escritor com a escrita.

"Se a arte de contar histórias é a de divertir, ensinar, espantar, arrebatar e manter aceso o interesse do ouvinte, conforme acontecia com as que lhe contava a governanta na sua infância, então Stevenson aprendeu bem a lição."

O escritor apresenta bons elementos que compõe um suspense policial, com personagens interessantes e bem constituídos, além de uma trama intrigante. Fico imaginando o frisson e os comentários dos leitores do livro quando de sua publicação original.

Para os fãs do gênero policial, como eu, sugiro que tenha na estante, e leia.

Ficha Técnica
Título: O Clube dos Suicidas
Escritor: Robert Louis Stevenson
Editora: Rocco Jovens  Leitores
ISBN: 978-85-7980-007-8
Edição: 1ª
Ano: 2010
Número de Páginas: 126
Assunto: Ficção escocesa

Dez Centímetros Acima do Chão - Flavio Cafiero

Uma coletânea de quatorze contos do escritor Flavio Cafiero, lançada sob o nome “Dez Centímetros Acima do Chão”, título também de um dos contos. Foi publicada em 2014 pela Editora Cosac Naify, com 160 páginas.

Os contos tem uma narrativa longa, com poucos parágrafos, quase como um discurso caudaloso, com algumas pausas para respirar e as histórias contadas como um jorro de palavras sendo lançadas (não ao acaso) aos leitores.

Tudo que é contado é descrito e narrado a partir de coisas simples, pequenas, cotidianas, mas não são superficiais. Demonstram a profundidade que há nas pequenas coisas da vida. Um jogo de facas, o hábito de uma mulher passar batom, um casal na mesa ao lado, os móveis da casa, um cão, entre outros. Todos são motivadores para desenvolver o conto, ainda que os mesmos não ocupem em todos os casos o lugar central da narração.

Os contos foram escritores pelo autor entre 2008 e 2013. Inusitada a forma do conto “A uhtima aventura do erohi – epizodhio 13”. Ao ler sugiro atentar-se inclusive às notas de rodapé, com marcações que fazem parte do conto como se fora de um editor e de um organizador. Foi uma grata e esperada surpresa me deparar com um belo texto.

Gostei do livro. Gostei dos contos. Gostei da capa. Recomendo a leitura.
 
Ilustração da capa - Daniel Bueno / Fonte: Cosac Naify


Ficha Técnica
Título: Dez Centímetros Acima do Chão
Escritor: Flavio Cafiero
Editora: Cosac Naify
ISBN: 978-85-405-0800-2
Edição: 1ª
Ano: 2014
Número de Páginas: 160
Assunto: Ficção brasileira

Suicidas - Raphael Montes

A primeira vez que soube do livro “Suicidas” foi por meio de uma entrevista que o autor Rafhael Montes deu ao programa do Jô Soares. Naquela ocasião eu já havia ficado curioso para ler. Mas ainda não havia adquirido o livro ou pego emprestado. O tempo passou. Em 2014 eu vi o escritor pessoalmente na Bienal do Livro de São Paulo, em frente ao estande da Saraiva. Naquele momento me veio em mente que eu deveria ler o livro.

Pouco tempo depois acabei comprando o segundo livro de Raphael Montes, intitulado “Dias Perfeitos”. Mas, por alguma razão que a própria razão desconhece, eu queria ler primeiro o primeiro. Não porque tivesse qualquer recomendação de alguém. Eu mesmo que havia colocado isso como fato para ler “Suicidas”.  Com o segundo livro na estante aguardando a leitura, procurei na internet e adquiri enfim o primeiro do autor.

Daquele despertar de curiosidade pela obra de um novo escritor, de um gênero que confesso gostar bastante, haja vista que sou fã incondicional de Agatha Christie e suas tramas, muito tempo se passou. Agora enfim li.

Quando abri o livro e iniciei a leitura fui tomado por uma história de jovens que se prendiam num porão para se matar. Da primeira à última página, 487 no total, fui absorto pela trama bem engendrada por Raphael.

“Suicidas”, publicado pela Editora Benvirá em 2012, tem uma narrativa agradável e cheia de elementos que me fizeram compreender os elogios que tinha lido e ouvido acerca do livro. É um dos melhores primeiros livros que já li. Separo aqui o fato de ser um admirador dos escritores do gênero policial. Estou de fato sendo imparcial.

História bem arquitetada em que as mães daqueles jovens que se reuniram para se suicidar são chamadas após uma no da tragédia. Sob o comando da delegada Diana Guimarães as mães acompanham a leitura de anotações deixadas por um dos jovens suicidas que tinha por sonho se tornar um grande escritor e gravar seu nome na literatura.

Uma reunião tensa em que a verdade é escancarada e os relatos descritos pelo participante do suicídio coletivo se releva por vezes cruel e violento. Em meio à tensão de relembrar a morte dos filhos e dos detalhes trágicos apresentados pela leitura, as peças de um quebra-cabeça vão se encaixando e fatos surpreendentes vão se revelando.

Sem dúvida é um enredo original, bem montado e que prende o leitor. Enquanto não terminei de ler o livro não sosseguei. Não me continha em querer saber o desfecho. Excelente leitura! Só tenho elogios ao livro!


Ficha Técnica
Título: Suicidas
Escritor: Raphael Montes
Editora: Benvirá
ISBN: 978-85-64065-57-4
Edição: 1ª
Ano: 2012
Número de Páginas: 488
Assunto: Ficção brasileira

Dia Internacional da Mulher

Dia 08 de março é o Dia Internacional da Mulher. E não poderia deixar de fazer uma homenagem às mulheres que de um jeito ou de outro estão envolvidas ou comprometidas com o mundo literário.

Desejo a todas as leitoras, escritoras, blogueiras, redatoras, revisoras, tradutoras, bibliotecárias, editoras, vendedoras de livro, ilustradoras, enfim a todas as mulheres um FELIZ DIA DA MULHER!

Uma citação de Clarice Lispector que da simplicidade de suas palavras define profundamente: "O destino de uma mulher é ser mulher."

O Poder Extraordinário do Pensamento Negativo - Bob Knight

Acostumamos, por razões das mais diversas, a ler ou ter referências de livros que falam de pensamento positivo. Isso no faz acreditar piamente que somente o pensamento positivo transforma e que todo e qualquer pensamento negativo deve ser rechaçado da nossa mente, é quase um pecado capital. Tratar de negatividade é uma afronta a qualquer pessoa.

Certamente, mesmo os que não gostam dos livros de auto-ajuda, sabem que a grande maioria deles trata somente do lado positivo das coisas. Nós, seres humanos, temos de olhar tudo a nossa volta, fatos ou desejos, sonhos ou realidade, pelo prisma positivo.

Aí está a sacada do autor do livro, Bob Knight. Sendo ele o maior vencedor na história do basquete universitário dos Estados Unidos, expõe sua teoria como sobre o pensamento negativo pode se reverter em resultado positivo. Só reconhecendo nossas falhas e fraquezas é que podemos transformar nossas ações e nos conduzir a bons resultados. Essa é a essência da abordagem utilizada por Knight.

Em vez de apenas pensarmos o lado positivo das questões, tratar o assunto sobre um viés negativo faz com que planejemos, visualizemos possibilidades infinitas, com que nos precavemos sobre situações inusitadas que podem acontecer e tentamos assim olhar a frente. É como se o otimista visse apenas o lado bom e não soubesse domar os obstáculos que podem surgir, que não estão previstos na sua visão perfeita de mundo.

Lançado em 2013 pela Editora Agir, o livro reúne bons insights para aplicação na vida pessoal e profissional. É um olhar sobre as questões que envolvem liderança, gestão e a maneira como encaramos nossos pequenos e grandes fracassos. Não estamos livres dele ao longo da nossa vida.

Bob Knight se utiliza de várias citações de consagrados autores, filósofos e líderes de estado, além de personalidades mundiais e citações de senso comum, os famosos ditos populares. Tudo isso ele usa buscando ratificar sua teoria sobre o poder do pensamento negativo.

“Algumas pessoas vêem as coisas como são e perguntam por que? Eu vejo as coisas como poderiam ser e pergunto: Por que não?” Citação de Bernard Shaw feita por Bob no livro.

Ele não prega que todos sejam pessimistas, mas realistas. E para alcançar resultados satisfatórios é preciso levar em consideração os erros, obstáculos, imperfeições, derrotas etc. Reverter o problema a nossa favor é o que resumidamente prega Knight em seu livro, levando em conta que o negativo se apresenta diante de nós e que para superá-lo é preciso preparar-se.

“Ter vontade de ganhar não basta. Todos têm. O que importa é ter vontade de se preparar para ganhar.”

Apesar de um bom livro, com insights que servem para inspiração, não é um livro que muda a nossa vida. Leitura pela leitura e para agregar conhecimento acerca do tema, sobre o prisma do autor, no entanto sem grandes recomendações. Leia se tiver tempo.

Ficha Técnica
Título: O Poder Extraordinário do Pensamento Negativo
Escritor: Bob Knight
Editora: Agir
ISBN: 978-85-2201-49-03
Edição: 1ª
Ano: 2013
Número de Páginas: 169
Assunto: Liderança

A Origem do Mundo - Jorge Edwards

“A Origem do Mundo”, de Jorge Edwards, foi publicado pela Editora Cosac Naify em 2014 e conta em suas 160 páginas a intrigante história de Patrício Ilanes, Patito, médico casado com Silvia, uma mulher vinte anos mais jovem que ele.

Feliz Diaz, um intelectual chileno morre. Sua morte, para supresa de Patrício, causa uma reviravolta na vida do amigo.

Uma foto de mulher encontrada em meio aos pertences do falecido junto com uma foto de Silvia, esposa de Patrício, é o estopim para uma trama de desconfiança, ciúme, insegurança, mas também de desejo e provocação. São as contradições contidas em Patrício que se perfazem e nos conduzem a esse romance sensual e afetuoso, com traição e desejos.

Jorge Edwards é um grande admirador de Pablo Neruda. Este por sua vez tinha grande apreço pelo escritor e por sua vida literária. Com a credencial de Neruda dá pra imaginar que uma boa história viria pela frente. E assim foi.

Me deparei com um texto coeso e que além do amor de Patricio e Silvia, e do personagem que se coloca no meio do casal. É um romance inesperado, recheado de referências artísticas e que mostra uma Paris apaixonante.

A busca do médico para descobrir se a mulher nua da foto era a esposa mostra-o contraditório com seus sentimentos. Com sua quase paranóia, cheio de medos e inseguranças, cercado de incertezas, mas também de certezas que ele cria e vendo seus complexos e medos se materializarem, Patrício também se torna simpático ao leitor. A contrariedade existente em qualquer relação está bem representada no personagem.

Cada capítulo do livro é aberto com uma citação, muitas das quais são de Sêneca, como “Deixamo-nos guiar ao sabor do vento”. Deixei-me guiar pela coerente narrativa de Edwards. Mergulhar no livro escrito pelo chileno foi uma boa pedida. A quem não conhece recomendo lê-lo e se  deparar com uma das razões pelas quais o escritor é considerado um dos grandes nomes da literatura em língua espanhola.

Ficha Técnica
Título: A Origem do Mundo
Escritor: Jorge Edwards
Editora: Cosac Naify
ISBN: 978-85-405-0603-9
Ano: 2014
Edição: 1ª
Número de Páginas: 160
Assunto: Ficção chilena


Mentes Consumistas - Ana Beatriz Barbosa Silva

Depois de ter lido “Mentes Perigosas – o psicopata mora ao lado”, fiquei curioso em ler os outros livros da médica e escritora Ana Beatriz Barbosa Silva. Comecei a jornada pelo outro que me pareceu interessante: “Mentes Consumistas – do consumismo à compulsão por compras”.

O livro lançado pelo selo Principium da Editora Globo em 2014 (200 páginas) trata da linha tênue e por vezes imperceptível que leva a pessoa do consumismo necessário a suprir suas necessidades básicas ou transtorno que toma o indivíduo e o faz adoecer.

As pessoas que tem compulsão por compras sofre de modo semelhante ao de um dependente químico. Não trata-se apenas de uma questão de esbanjamento ou de ostentação nessa era consumista em que vivemos. É uma doença.

Na sociedade moderna com estímulos a ter, comprar, possuir, se sobrepondo ao ser, desperta o aumento progressivo de pessoas com tal diagnósticos.

“(...) existem milhares de pessoas que acreditam, verdadeiramente, que o ter vale muito mais que o ser, e ouso afirmar que esta talvez seja uma das maiores tragédias da história coletiva da humanidade.”

A maneira como Ana Beatriz fala sobre o assunto aproxima o leitor e possibilita compreender a mente de quem sofre por compulsão por compras. No livros vemos uma grande reflexão sobre o poder da mídia, a influência da sociedade, a imposição do materialismo e o valor dado ao dinheiro.

Segundo dados do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo é de 3% o  percentual da população brasileira diagnosticada como compulsiva por compras.

Os shoppings centers talvez sejam a maior representação do consumismo brasileiro, expondo no mesmo local nossos desejos de beleza, diversão, segurança, consumismo, identidade e lazer.” Os consumidores, de modo geral, são afetados pelo marketing feito sobre os produtos e serviços. E quem não consome, parece não fazer parte dos grupos sociais.

Atentar-se aos sintomas que revelam a compulsão é imprescindível para um tratamento precoce que evite os efeitos devastadores do transtorno. Pessoas acometidas pela compulsividade em comprar normalmente veem sua vida afetiva, familiar, relações de trabalho, vida financeira, estudos ruir. Há dependência, angústia, sofrimento, conflitos, que não são nada saudáveis e acabam por envolver não somente o compulsivo, mas todos que estão a sua volta, que fazem parte dos seus círculos sociais.

O livro dá dicas para o diagnóstico, para o tratamento e para, sobretudo, conhecer o panorama das mentes consumistas. De uma maneira simples e fluida, o texto da escritora não é recheado de termos técnicos, que afastam o leitor da compreensão do tema. Pelo contrário. Vale a pena. Recomendo.

Ficha Técnica
Título: Mentes Consumistas
Escritor: Ana Beatriz Barbosa Silva
Editora: Principium
ISBN: 978-85-250-5719-8
Edição: 1ª
Ano: 2014
Número de páginas: 200
Assunto: Compras / Consumidores

Livros Lidos em Fevereiro de 2015


Comecei a leitura do segundo mês do ano com um romance americano: “As doze tribos de Hattie”. É o primeiro romance da escritora Ayana Mathis e foi considerado pelo The New York Times como um dos melhores livros do ano de 2013. O mesmo livro foi também escolhido por Oprah Winfrey para integrar o seu clube do livro.

Depois parti para os bastidores da política brasileira, com relatos sobre corrupção, compra de votos, licitações fraudulentas e outros mecanismos utilizados nos meandros de uma eleição para a conquista do poder. “O Nobre Deputado”, livro do juiz Ma’rlon Reis narra por meio de um personagem fictício, depoimentos colhidos pelo escritor com políticos de verdade. Chocante, mas um alerta aos leitores eleitores.

O terceiro livro a integrar a lista de lidos do mês foi o impressionante “Cartas de Amor aos Mortos”, de Ava Dellaira. Tive contato com esse livro por comentários em redes sociais e queria muito lê-lo, por ter despertado minha curiosidade. Trata-se de um livro em que a personagem central busca a superação da morte de sua irmã por meio de cartas que ela escreve a pessoas que já morreram. As cartas serviram-lhe de apoio para as passagens e descobertas da vida da adolescente. Uma história cativante de celebração à vida.

Ainda em fevereiro recebi e li o livro “Griphos Meus – Cinema, Literatura, Música, Política & Outros Gozos Crônicos”, do escritor Felipe Ferreira (parceiro do blog). Foi uma leitura agradável e intensa sobre suas observações viscerais acerca das artes presentes no subtítulo. Me deparei com um texto bem escrito que muito me agradou.

Num livro adquirido numa daquelas promoções imperdíveis de sites de compra, adquiri “Como falar com um viúvo”, de Jonathan Tropper. A sinopse era interessante. Resolvi arriscar. Encontrei uma história bem humorada de um viúvo que tenta superar a perda escrevendo uma coluna para um jornal. Ele vai vivendo momentos inusitados com sua família, seu enteado, mulheres que conhece e vai levando a vida de maneira leve, cômica, sem planejamento. Foi uma leitura agradável.

No livro de Verônica Sticcer, “Opsinaie Swiata” embarquei numa emocionante viagem. Um livro lindo (fisicamente falando) e de uma história tocante. Um homem que recebe uma carta de seu filho brasileiro, que ele não conhece, e vem visitá-lo passando por situações inusitadas no navio. Um retalho de textos compostos de relatos, imagens, cartas e diálogos se torna irresistível. O título foi o terceiro colocado no Prêmio Jabuti 2013 na categoria romance.

Li também a “Pedagogia da Autonomia”, do patrono da educação brasileira Paulo Freire. Um livro estimulante com lições sobre o processo educativo, zelando pela autonomia, criticidade, cidadania, curiosidade e liberdade do educando.

“Ele está de volta”, o primeiro livro do escritor alemão Timur Vermes também foi lido. Uma história irreverente que revela uma crítica aos meios de mídia e à sociedade de um modo cômico e bizarro, marcado pela presença de Adolf Hitler numa Alemanha que não foi a que o ditador conheceu.

Outro título que li no curto mês de fevereiro foi “Alta Tensão”, do escritor Harlan Coben. É uma boa história cheia de nuances de volta ao passado do agente Myron Bollitar, um dos mais premiados e conhecidos personagens criados pelo autor.

Para dar continuidade a leitura dos “Mentes”, como eu costumo dizer, li “Mentes Consumistas”, de Ana Beatriz Barbosa Silva. O assunto abordado pela médica e escritora é a compulsividade que certas pessoas tem em relação ao consumo. Identificar os fatores que levam a isso, suas causas e consequências, e tratar é fundamental. Em meio à sociedade consumista em que vivemos não podemos confundir consumo para as necessidades e o transtorno que abala a vida pessoal, profissional e financeira do compulsivo.

Enfim, consegui ler o primeiro livro do escritor Raphael Montes, “Suicidas”. Uma história bastante original e que de fato apresenta o escritor como um dos novos nomes da literatura policial brasileira.

Li ainda “A Origem do Mundo”, do escritor chileno Jorge Edwards. Uma história apaixonante, numa Paris igualmente sedutora, contando sobre um casal que vê sua relação posta a prova a partir da morte do amigo de Patrício. Uma foto reveladora e intima traz a tona uma inquietação em relação à traição e Patrício tem de lidar com a situação e quer descobrir quem era a mulher da foto.

Para a seção de desenvolvimento profissional, que busco ler todos os meses, escolhi “O Poder Extraordinário do Pensamento Negativo”, do escritor Bob Knight, que foi um dos grandes treinadores da liga universitária de basquete americano. A partir do pensamento negativo o autor mostra como podemos extrair coisas para melhorar e aperfeiçoar nossas ações.

Que venha março! 

Alta Tensão - Harlan Coben

Harlan Coben é um dos escritores mais lidos em todo o mundo. Suas obras foram traduzidas para mais de quarenta idiomas. O escritor venceu diversos prêmios entre eles três grandes prêmios da literatura policial americana: o Anthony, o Shamus e o Edgar Allan Poe.

“Alta Tensão” é o quarto título que leio do escritor. Um livro que foi publicado pela Editora Arqueiro em 2011 e conta com 272 páginas.

Nesse livro Myron Bollitar, um dos personagens mais conhecidos e premiados de Coben, é o responsável por descobrir intrigas que envolvem um astro de rock, Lex Ryder. Uma ex-estrela do tênis, Suzze T. que é esposa de Lex, tem a paternidade do filho que espera posta em dúvida. Ela recebe uma mensagem no Facebook que lança a polêmica e a preocupa. Myron tem então que descortinar o que e quem está por trás daquelas três palavras que causaram tamanho furor e fizeram com que Lex deixasse Suzze.

Percorrendo lugares sinistros e lidando com personagens viciados, Myron vai acabar vendo sua própria vida abalada. Há mistérios que aparentemente tem alguma relação direta com ele ou sua família. Toda e qualquer mentira precisa ser desfeita. Assim, o passado dos personagens vem à tona provocando outros fatos no presente e clamando por soluções.

O livro é interessante, como outros que li do mesmo autor. A história recheada de mentiras, rivalidade, ganância, expõe figuras com defeitos, apontando a vulnerabilidade em que vivem os personagens.

Particularmente não creio que esse seja o melhor livro de Coben, no entanto isso não invalida o bom enredo e os mistérios que ainda assim são capazes de instigar os leitores apaixonados por suspense.

Ficha Técnica
Título: Alta Tensão
Escritor: Harlan Coben
Editora: Arqueiro
ISBN: 978-85-8041-021-1
Edição: 1ª
Ano: 2011
Número de páginas: 272
Assunto: Ficção policial americana