Pedagogia da Autonomia - Paulo Freire

Educação é um tema que deve ser amplamente discutido. Sobretudo os modelos que vemos empregados atualmente dentro das escolas brasileiras, sejam elas públicas e/ou particulares.

Há tempos sou um crítico do modelo educacional vigente e vejo que os esforços em mudá-lo são poucos. Em algumas regiões são nulos.  A forma como as crianças, jovens e até adultos são conduzidos ao aprendizado não estimula seu pensamento crítico. Hoje, muitas das matérias levadas à sala de aula são meramente decorativas: fórmulas, números, datas, passagens. 

Em “Pedagogia da Autonomia”, de Paulo Freire, publicado pela Editora Paz & Terra em 2014 (49ª edição, 143 páginas), o autor apresenta questões centrais necessárias para a formação dos educadores e sua ligação com o processo em relação ao educando.

O patrono da educação brasileira expõe colocações acerca do pensar. O educando deve ser feito como um ser crítico, capaz de tomar decisões. O educando não deve, portanto, ser um objeto depositário do sabor do educador. O educador não deve agir, como hoje vemos, apenas recitando, falando, copiando, expondo textos prontos e sua forma pronta de pensamento (sem debate, sem crítica, sem questionamentos). Com ética, responsabilidade, competência científica, respeito à autonomia, quem ensina aprende e aprendendo ensina.

Em tempos em que o pensamento crítico é de grande relevância e, na contramão, vemos modelos educacionais obtusos, ultrapassados e que não estimulam o pensamento, o instigar da autonomia deveria ser valorizado. A proposta de Paulo Freire segue nessa linha e o livro torna-se, no mínimo, instigante para educadores e para os demais leitores que desejam saber acerca do tema ou ainda dispor de mais elementos a respeito do processo educativo. Seria bom recomendá-lo a todo formando em pedagogia e aos que já tenham se formado.

O livro nos traz grandes ensinamentos a respeito de como e porquê o ato de um educador deve se voltar à cidadania com responsabilidade, a apropriação do pensamento crítico, o estímulo a curiosidade e à diversidade. Criação e recriação de uma pedagogia autônoma.

O educador tem de buscar se colocar como um ser que entende a “história e a visão de mundo” de seu educando. Mesmo que não concorde com ela, só com essa compreensão e abertura de prestar-se a entender, é que pode estimular e respeitar as diferenças e a oposição de opiniões.

“Pedagogia da autonomia” deve ser lido por educadores, estudantes, aqueles que estão buscando formação para ensinar. O tema sobre educação e a problematização criada por Paulo Freire deveria ser amplamente discutida e, mais do que isso, levar à mudança do olhar sobre a forma de educar dentro das instituições de ensino.

Ficha Técnica
Título: Pedagogia da Autonomia – saberes necessários à prática educativa
Escritor: Paulo Freire
Editora: Paz & Terra
ISBN: 978-85-7753-163-9
Ano: 2014
Edição: 49ª
Número de Páginas: 143
Assunto: Educação

Sorteio Marcador de Página Vintage - Modelo Avião

Você que tem Instagram, participe do sorteio de um marcador de página vintage - modelo avião, que acontece no perfil do Tomo Literário em parceria com a Loja Mixcelânea (www.mixcelanea.com.br).


Regulamento
- curtir a foto oficial;
- seguir @mixcelaneaoficial e @tomoliterario no Instagram;
- marcar três amigos (perfil ativo, exceto com finalidade comercial e celebridades);
- pode-se marcar mais de uma vez, desde que sejam amigos diferentes;
- ter endereço de entrega no Brasil.
Data do Sorteio
18/03/2015
Boa sorte, leitores!!!

Metempsicose (Conto) - Maurício Coelho

Sinopse
Um conto dentro de um conto. Quando três velhas senhoras se reúnem em uma tarde chuvosa para conversar sobre sinais de agouro, Inácio, neto de uma das senhoras, pensa que elas conversavam sobre histórias de fantasmas e começa a narrar uma história escrita pelo amigo dele, que jura ser baseado em fatos reais.

A sinopse de Metempsicose, do escritor Maurício Coelho, anuncia: “é um conto dentro de um conto”. Quando li tal sinalização de imediato deduzi o que há, um conto que possivelmente seja apresentado por um dos personagens dentro do conto do qual ele é personagem. Confuso? Não, não é não.

A história começa de uma maneira tranquila com três senhoras reunidas conversando acerca da morte e de presságios sobre o fim da vida. No que elas contam os fatos teriam sido coincidências ou sinais de fato? 

De uma conversa informal, um dos personagens, que assume o centro da narrativa, passa a ler um conto que um amigo escrevera na mesa de uma padaria em folhas de caderno soltas. Aí surge o momento de efeito. Para onde esse conto conduzirá o personagem e o leitor?

No conto lido por Inácio mistura-se delírio, embriagues, sonho e realidade. Na história há alguns lances de surpresa, que não posso contar para não entregar o efeito. Um crime, um corpo, uma visão, uma morte. Um mix de fatos que mexem com o leitor. Seria real? Paira a dúvida.

Ao iniciar a leitura parece que a história caminharia para um outro lugar, no entanto, vem a surpresa necessária com as revelações no conto lido por Inácio. Essa junção de algo que pareceria cotidiano e com desfecho inusitado dá aquele frisson da surpresa ao final.


Ficha Técnica
Título: Metempsicose
Escritor: Maurício Coelho
Assunto: Conto

August Pullman (Auggie) - Personagem de R.J. Palácio


August Pullman é o personagem central do livro “Extraordinário”, escrito por R. J. Palacio. O menino tem dez anos de idade e vive com seus pais e sua irmã, Via. Ele nasceu com uma síndrome genética que causou-lhe uma deformidade facial. 

O nome do livro é porque os pais do garoto acreditam que ele é extraordinário. No capítulo “Comum” do livro Auggie diz:

“(...) Mamãe e papai também não me acham comum. Eles me acham extraordinário. Talvez a única pessoa no mundo que percebe o quanto sou comum seja eu.”

August, apelidado de Auggie, tem uma deficiência e não descreve a sua aparência no livro. O menino passa por uma etapa que rompe paradigmas. Ele passará a estudar numa escola convencional e terá de conviver com outras crianças. Até então ele sempre recebera sua formação na própria casa da família em aulas dadas por sua mãe. Ele explica aos leitores que isso se deve ao fato de já ter operado 27 vezes, desde que nasceu. 27 operações em 10 anos.

August, com sua diferença, é um personagem que mostra algo de extraordinário. Ele vive e convive com seus amigos da escola e faz tudo ser o mais normal possível. Embora, nem sempre, as pessoas o vejam assim. Sua aparência, que poderia chocar as pessoas, é quase camuflada pelas atitudes que o menino tem. Suas ações, seu modo de tratar os colegas, os professores, a família se sobrepõe a sua deficiência. Ele de fato se torna extraordinário, dentro da sua maneira de viver levando a vida de um jeito leve, com descobertas e com um olhar inocente sobre o mundo.

Um trecho do parágrafo que August escreveu sobre um dos preceitos do Sr. Browne, seu professor que a cada final de mês colocava uma diretriz para os alunos escreverem sobre ela, diz:

“(...) deveríamos ser lembrados pelas coisas que fazemos. Elas importam mais do que tudo. Mais do que aquilo que dizemos ou do que nossa aparência. As coisas que fazemos sobrevivem a nós.”

O referido trecho demonstra bem a personalidade de Auggie, sua essência. Ele parece enxergar a pessoa por dentro, por seus atos, por seus gestos. Em tempos em que se julga as pessoas pela aparência, o menino deixa uma lição singular sobre respeito, busca pela igualdade e gentileza.
Capas do livro publicadas no Brasil pela Editora Intrínseca

Ele está de volta - Timur Vermes

Adolf Hitler acorda em meio a uma Alemanha que não é a de seu tempo. A cena inicial é de certo modo engraçada. Embora tenha lembranças de sua história no Reich, percebe que algo novo está acontecendo com aquele país. Agora os tempos são outros.

As pessoas o notam de uniforme militar e com características bastante representativas do ditador alemão, mas acreditam ser uma outra pessoa. Talvez um ator vivendo um processo de Constantin Stanislavski para encarnar personagens, um sósia, alguém capaz de uma caracterização perfeita para representar Adolf. Enquanto ele tenta demonstrar que de fato ele é quem é, se vê diante na não crença das pessoas que acabam conduzindo-o para situações inesperadas e surpreendentes.

Hitler vai tentando compreender a transformação: a constituição da sociedade, o grande número de turcos existente no país, as mudanças tecnológicas, o advento da internet, novos modelos de veículos, entre outros. Além das mudanças ele se vê em situações inusitadas sem entender o que aconteceu com aquele passado que ele teria vivido. Apesar de certo saudosismo ele vai encarando as situações que se colocam diante dessa nova Alemanha.

“Com frieza, minha capacidade de compreensão metodicamente ativa mais uma vez recapitulou a conjuntura naquele momento. Eu estava na Alemanha, em Berlim, mesmo que essa cidade me parecesse totalmente estranha. Essa Alemanha era diferente, mas se assemelhava em algumas coisas ao Reich que me era tão familiar: ainda havia ciclistas, automóveis, então também era muito provável que houvesse jornais.”

O homem participa de programa de TV, tem um vídeo transformado em viral na rede de computadores, é entrevistado, criticado e até amado. Relembra momentos que viveu a 60 anos passados e fala inclusive sobre suas posições extremadas. 

“Ele está de volta” é um livro irreverente, mas sem distanciar-se de uma crítica mordaz à hábitos sociais. O livro é o primeiro escrito por Timur Vermes e foi lançado pela Editora Intrínseca em 2014. São 304 páginas em que o ditador ganha ares cômicos, beirando ao ridículo e a bizarrice. Contudo, há que se frisar que trata-se de uma obra de ficção, o que o escritor lembra logo no início da obra. 

A história criada por Timur Vermes é,  sem dúvida, inteligente e engraçada. A crítica à sociedade que se deixa governar por meios midiáticos se revela mordaz. É provocadoramente irreverente, sobretudo por usar uma figura polêmica da história mundial, transformando-o num ser fora do contexto para criticar o que vivemos na contemporaneidade.

Não poderia terminar sem deixar um destaque para a capa. A simples imagem do cabelo e do título do livro como se fora o bigode de Adolf aguça a curiosidade. É minimalista, mas de grande representatividade.


Ficha Técnica
Título: Ele está de volta
Escritor: Timur Vermes
Editora: Intrínseca
ISBN: 978-85-8057-529-3
Ano: 2014
Edição: 1ª
Número de Páginas: 300
Assunto: Ficção alemã

Tomo Literário abre espaço para seus leitores

Venho anunciar que vamos abrir espaço para publicar no blog contribuições de nossos leitores e seguidores das redes sociais.

Serão duas seções (uma delas vocês que acompanham o blog e as redes sociais conheceram recentemente). Confira abaixo:

Espaço do Leitor
Para participar da seção espaço do leitor é necessário enviar por e-mail (tomoliterario@gmail.com): resenhas, crônicas, contos ou quaisquer outros textos relacionados ao universo literário, com nome, cidade, estado e suas redes sociais.

Os textos serão avaliados. Aqueles que forem selecionados serão publicados, de acordo com a disponibilidade do blog. 

Importante:
- Não serão aceitos cópias de textos. Plágio é crime.
- Textos que já tenham sido publicados podem ser aceitos, desde que seja de sua autoria. (Enviar o link da publicação)
- As resenhas devem ser de livros que o blog ainda não tenha publicado. Consulte a lista na aba "Resenhas".
- A publicação será feita com o nome do autor e divulgação de suas redes sociais.


Estante do Leitor
Para participar envie por e-mail (tomoliterario@gmail.com) uma foto de sua estante de livros, cite de três a cinco livros que você indica e faça um breve comentário sobre cada um deles. Importante que no comentário não seja uma cópia da sinopse, mas um relato breve dizendo porque você recomenda o livro para outros leitores.

Além da foto é imprescindível informar nome, cidade, estado e link de suas redes sociais.

Os selecionados serão publicados no blog e nas redes sociais do Tomo Literário. 

Participem!


Opsaine Swiata - Veronica Sticcer

Natanael, morando no Brasil e adoentado, escreve uma carta a seu pai (desconhecido) polonês. O homem então embarca numa viagem de navio para o Brasil afim de conhece-lo. Filho, que até então, o pai desconhecia até mesmo a existência.

"Pedi que comprassem a passagem para o senhor vir me ver, já que não tenho condições de sair de onde estou. O senhor terá apenas de ir até o porto para pegar o navio."  Trecho da carta que Natanael escreve ao pai Opalka.

Nessa viagem o homem encontra Bopp, um personagem com viés cômico, grande figura composta numa linha tênue entre a inconveniência e a espontaneidade, o intrometido e o preocupado amigo (novo amigo, porque assim se faz com sua presença marcante e quase sufocante, mas divertida).

A história do livro é constituída de epístolas, diálogos e acompanhada de imagens que ilustram a época. É quase um remendo de anotações, como se fossem colhidos aleatoriamente, mas se entrelaçam de maneira única. O texto, a forma como ele é conduzido e nos conduz, torna o livro ainda mais agradável.

A obra de Veronica Sticcer, publicada pela Editora Cosac Naify em 2013 (160 páginas) é irresistível. 

Minha curiosidade em ler o livro partiu de dois pontos: uma ficção brasileira com um nome esquisito (primeiro adjetivo que me veio à cabeça). Ao que depois de certo tempo descobri tratar-se de polonês, língua que não me é comum. O melhor de tudo, é que me contive na curiosidade de buscar no oráculo da modernidade e só descobri de fato ao ler o livro. Recomendo que façam o mesmo, pois isso revelará algo de novo e tornará a compreensão mais agradável, do que se já ler o livro sabendo o significado. O outro ponto foi a indicação para o maior prêmio da literatura brasileira, Prêmio Jabuti. Foi finalista e selecionado como o terceiro melhor romance de 2013.

Da complexidade e estranheza do nome à bela história do conteúdo fiquei absorto pelo livro de Veronica e chamado a conhecer mais de sua literatura. É um livro singular. Sem contar o primoroso trabalho da Cosaf Naify, que nos brinda com uma capa de bom gosto, ilustrações e diagramação de qualidade.

Nota: A palavra "swiata" tem um acento agudo na primeira letra, no entanto o teclado não permitiu que eu o colocasse. 
Cartão postal. Anúncio da cia. Hamburg Sudamerikanische - página 63 do livro.

Ficha Técnica
Título: Opsaine Swiata
Escritora: Veronica Sticcer
Editora: Cosac Naify
ISBN: 978-85-405-0462-2
Edição: 1ª
Número de Páginas: 160
Ano: 2013
Assunto: Ficção brasileira

Como falar com um viúvo - Jonathan Tropper

Doug Parker é um homem de 29 anos, que tornou-se viúvo. De luto, ele tem um enteado (Russ), adolescente e cheio de problemas de comportamento. Sua irmã gêmea, Claire, está em processo de separação e ficou grávida. Sua irmã mais nova vai casar com um homem que ele não gosta e que conheceu no dia da morte de sua esposa. Seu pai sofreu um acidente vascular cerebral e não lembra de muita coisa.  Sua mãe vive como se estivesse num palco. Sua vizinha o seduz. Um editor quer que ele escreva um livro a partir de uma coluna que tem no jornal falando sobre sua viuvez e seu luto. Coelhos ficam pelo jardim da casa, e ele os detesta.

O livo de Jonhathan Tropper, “Como Falar com um Viúvo”, publicado em  2010 pela Editora Sextante, conta em suas 270 páginas a história inusitada desse viúvo. Todos que o cercam querem que ele saia do luto, até pelo fato de já ter decorrido um ano. 

“(...) Acontece que as pessoas se tornam possessivas em relação à própria dor, quase orgulhosas. Querem acreditar que a dor delas é diferente da dor dos outros. Mas, na realidade, é exatamente igual.”

Doug não quer se forçar a nada, quer viver o momento com as lembranças ao lado de sua amada. Ele ainda lembra o tempo todo de Hailey, que morreu num trágico acidente de avião. Para curar a ferida ele escreve uma coluna que leva o título do livro. Doug relata suas dificuldades com a perda e vira sucesso.

Vivendo momentos em que tem que agir como pai (padrasto) de Russ, receber sua irmã em casa e lidar com alguns relacionamentos que tem com algumas mulheres e outros divertidos e desastrosos encontros e desencontros, ele se vê filosofando sobre tudo que vive e viveu. Mas sobretudo, Doug é levado a viver (de novo). Mesmo sem querer embarcar na superação de seu luto, com o tempo passando e as inusitadas histórias que vai vivendo ele se vê, indiretamente, superando a morte. Tudo acontece sem planejamento, sem direção, sem sonhos, já que sua vida escapa de seu controle.

“(...) Mais dia, menos dia, a vida joga todos no chão. Depois nos levantamos de novo e fazemos algumas mudanças, porque é assim que agimos. Nós nos adaptamos. E, quando conseguimos nos adaptar, ficamos mais preparados para sobreviver.”

A história é engraçada, com passagens inusitadas de episódios familiares, com diálogos irônicos e mordazes. Apesar da irreverência traz mensagem sobre superação e amor.

Comprei o livro sem muita expectativa. Não tratava-se de um título renomado ou bastante falado, não conhecia o autor, mas estava num bom preço e o título me pareceu cômico, e chamou a ateção. Li a sinopse e achei interessante. Dei a chance ao livro, e a mim, comprei e gostei da trama. É divertido, inusitado e inteligente.

Boa leitura!

Ficha Técnica
Título: Como falar com um viúvo
Escritor: Jonathan Tropper
Editora: Sextante
ISBN: 978-85-99296-2
Edição: 1ª
Ano: 2010
Número de Páginas: 270
Assunto: Ficção americana

Adapak - Personagem de Affonso Solano

Representação do personagem na capa do livro O Espadachim de Carvão
Adapak é filho de um dos “Quatro Deuses” e vive em Kurgala. Sua história é contada no livro “O Espadachim de Carvão”, do escritor Affonso Solano, que num dos trechos o descreve assim:

 “...Seu corpo esguio era completamente desprovido de pelos e sua pele escura como a noite – o tom havia passado de cinza para negro absoluto com o avançar do tempo. Seus pés e mãos contavam cinco dedos cada e não tinham unhas. “

O rapaz é um personagem fantástico que tem traços bem desenhados, não tem nariz e orelhas. O que há é um par de orifícios para cada. A boca de Adapak, conforme descrição “era pequena e de lábios finos, ocultando 28 dentes brancos”. Adapak tem a pele totalmente negra e os olhos totalmente brancos, o que lhe dá certo aspecto de um ser sem vida e que causa estranhamento ou intimidação a qualquer um que o observe de maneira menos atenta. Tais características do personagem são únicas, pois não há nenhum outro descrito com a mesma semelhança no livro.

Adapak - Ilustração de Ronie Solano
em www.espadachimdecarvão.com
O personagem, vivendo em sua terra, tem a seu dispor todo conhecimento divino, mas ele não pode deixar o lugar. Aos 19 ciclos de idade (no mundo de Adapak a idade é contada em ciclos) a ilha em que ele vive é invadida por assassinos e para sobreviver ele precisa fugir.

É nessa fuga que Adapak, que até então conhecia apenas a ilha, vai descortinar um mundo desconhecido. Ele busca encontrar aqueles que desejam a morte dos Deuses de Kurgala.

O homem, aparentemente fantástico, carrega traços humanos. Adapak é um voraz leitor de literatura fantástica, tem medos, tem inabilidades de lidar com algumas situações que se apresentam, tem certa inocência  e é um exímio espadachim, utilizando-se da técnica dos Círculos de Tibaul que o ajudam em situações das mais diversificadas vividas por ele nessa fuga. Sua mente trabalha a favor dos movimentos que ele faz com o corpo e as armas.

Li menções de que Adapak é uma inspiração autobiográfica de Affonso Solano, seu criador. Se isso é certo, não sei. Talvez seja. Paira a dúvida.  Certo é que carrega traços humanos (hábitos e personalidade) e uma boa dose de heroísmo. No personagem residem os aspectos de um jovem passando para a vida adulta e o ar mítico que impressiona.

Adapak é um dos personagens mais emblemáticos da literatura fantástica brasileira. É um daqueles personagens que podem ser reproduzidos no cinema, na televisão, nos quadrinhos, nas animações, no imaginário.

Estante do Leitor (Convidado Victor Hugo)

A coluna Estante do Leitor faz sua estreia no blog.  Periodicamente publicaremos aqui nessa seção a foto de uma estante de nossos leitores e indicações de livros.

A primeira estante divulgada é do leitor convidado Victor Hugo, de Goiânia/GO. Veja a foto e confira os títulos que ele nos indica.

Siga o leitor no Instagram@gynvictor 

Estante do Leitor Victor Hugo.
Essa é só uma parte dos livros que o leitor tem.
Contos de Beedle, o Bardo – J. K. Rowling
"Escolhi esse livro por se tratar de uma coletânea de contos bem curtinhos e super leves pra se ler numa fila de banco, ou antes de dormir. Se trata de uma escritora cujo público-alvo é em geral crianças e adolescentes, então, não há muito o que se esperar em termos de complexidade (...), mas mesmo assim a pequena coletânea não deixa de ser muito atrativa e de fazer jus ao grande universo ao qual ela pertence."
Narrativas – Hermann Hesse
"(...) um dos meus autores modernos preferidos, é alguém que precisa ser conhecido por qualquer amante da leitura, não só pela qualidade da sua escrita, mas pela profundidade da sua abordagem, seja lá qual assunto for. Então, é também uma pequena coletânea de contos, muitos bem curtinhos, mas bem simbólicos que funcionariam como uma introdução antes de obras maiores como Sidarta, Lobo da Estepe (...)"
O Profeta – Khalil Gibran
    "É, com certeza, o livro mais distinto dos cinco da minha lista. Se trata de uma narrativa sobre um sábio que está deixando a cidade, então, antes de partir, ele faz um grande discurso onde trata de temas atemporais da nossa existência, com passagens dignas de Saint Exupery e outros mais, pra quem gosta de livros simples mas com mensagens diretas e que nos deixam um aprendizado, esse é uma boa pedida."
    Loja dos Suicidas – Jean Teul
    "É uma pequena narrativa (...) bem divertida e inusitada, dessas que lemos para passar o tempo. Conta a historia de uma família que tem uma tradicional loja de artigos para pessoas que querem se matar, em meio a um  ambiente extremamente triste e obscuro, eis que nasce uma criança que traz luz contra toda a sombra daquele meio. Achei inusitado." 
     Sonetos – Florbela Espanca
     "Enfim chegamos ao quinto livro. Pela lista, percebam que recomendei dois romances e duas coletâneas de contos, ambos sempre bem contrastantes um com o outro? Aqui encerro minha lista com um livro de poesias. Se trata de uma escritora portuguesa (...) Florbela traz na sua poesia o tédio, o pessimismo e de uma maneira bastante profunda e única. Em algumas poesias nota-se uma certa falta de 'moral e bons costumes', mas nada que não faça dela mais importante ainda e de sua obra mais interessante e convidativa." 

Victor Hugo, obrigado por compartilhar conosco!
Estante do Leitor      
Quer ter sua estante publicada aqui? 
Envie uma foto para o e-mail tomoliterario@gmail.com e indicação de três a cinco livros com um breve comentário (o texto tem de ser de sua autoria - não serão aceitas sinopses). Mencione, por exemplo, porque você indica o livro ou o que o tocou na leitura.
Selecionarei algumas fotos e publicarei  aqui mencionando seu nome, cidade, estado e link para a rede social que você desejar. A publicação ocorrerá de acordo com a disponibilidade do blog.   
Vamos compartilhar conhecimento e o prazer pela leitura! 
Participe!


Griphos Meus: Cinema, Literatura, Música, Política & Outros Gozos Crônicos - Felipe Ferreira

Ler o "gripho" do autor datado de 16 de janeiro de 2014, presente na contra-capa, apresentou o livro de uma maneira instigante.

"Griphos Meus"  pode levar a crer que os textos serão meramente encapsulados e fechados para o mundo do escritor, no entanto, ao leitor menos desavisado cabe um aviso: você vai ler algo se apresenta revelado, sem amarras, sem mordaça e com criticidade aguçada. Refiro-me ao fato de que não são textos introspectivos, muito pelo contrário. A ostra (triste), definição que o autor se deu nos brinda com textos que se revelam, se abrem para o mundo.

Em “Griphos Meus – cinema, literatura, música, política & outros gozos crônicos”, Edição do Autor, 2014 (183 páginas), Felipe lança ao leitor suas percepções, observações, constatações e interpretações de temas variados (presentes no subtítulo do livro). Num texto bem escrito, pessoal e voraz, nos deleitamos com seu olhar crítico e apurado sem ser pretensioso e empossar-se dono da verdade ou desejoso da derrota alheia. Não é a crítica pela crítica, voltada em maldizer o foco do texto que ele assistiu, leu, viu ou ouviu. O autor é, antes de tudo, um observador que lança seus (sem posse) sentimentos sobre o mundo. 

“(...) estamos tão condicionados, seja pela mídia ou pela própria cultura familiar, a polemizar tudo, que o mais singelo ato de amar, seja lá quem for, vira o começo do fim.”

A leitura é intensa e prazerosa. Ora apresenta nuances de suavidade, ora voraz e arrasadora tocando profundamente no cerne da questão a que o escritor se refere, ora erótica, sensual, sexual, ora filosófica. O intento do autor em fazer seus "griphos" viscerais foi atingido. Para quem, como eu, gosta de textos preciso, profundos e contundentes é um livro que surpreende (positivamente, faço questão de anotar – grifo meu).

Que bom se deparar com apontamentos pessoais, mas intensos e amplos, que nos atingem na concordância e na discordância de suas impressões, mas que sobretudo nos provocam. Versam sobre diversas artes, sejam elas cinematográficas, literárias, musicais, políticas, ou simplesmente a arte da vida. Sim, viver é uma arte. Escrever também. E o autor tem um texto artístico, e até poético, que muito me agradou.
Felipe Ferreira / Foto: Raulino Junior

Recomendo a leitura!

Sobre o autor

Felipe Ferreira é escritor e roteirista. Ariano, santo-amarense, soteropolitano. Graduado em Letras com Inglês pela Universidade Católica do Salvador (UCSAL). É colunista do Cinem(Ação), do Ambrosia e do PubliKador.

Ficha Técnica
Título: Griphos Meus: cinema, literatura, música, política & outros gozos crônicos
Editora: Edição do Autor
Ano: 2014
Edição: 1ª
Número de Páginas: 183
Assunto: Ensaios brasileiros

O Carnaval nos Livros


O Carnaval é uma das maiores festas populares do Brasil. Trata-se de um período em que foliões ou não aproveitam para viajar, descansar ou cansar. Os foliões festejam ao som do samba, do frevo, do maracatu, do axé ou outros ritmos. Escolas de samba, blocos de rua, bailes em clubes, fantasias, confete e serpentina, ou praia, campo, sofá e cama. Não importa sua escolha.

Na semana pré-carnaval preparei uma lista com 10 livros que tratam da temática. É o Carnalivro do Tomo Literário. Os volumes explicam a festa, apresentam ícones do carnaval brasileiro, tem suas histórias passadas nessa época ou fazem referências ao período como pano de fundo para a história principal. Veja abaixo a lista de livros acompanhada da sinopse/descrição de editoras e/ou livrarias.

Carnaval é cultura | Poética e técnica no fazer escola de samba – Milton Cunha
Senac (Ano 2015, 370 páginas)

Rio de Janeiro, desfile das escolas do grupo especial. Quando a sirene toca e o portão se abre, cada agremiação tem 82 minutos para atravessar o Sambódromo. Mas, para os integrantes na avenida, o sonho tornado realidade é ainda mais efêmero: apenas 30 minutos na passarela para que a escola cumpra sem atrasos sua evolução na Marquês de Sapucaí. 
A diversão é o que iguala a humanidade, afirma o autor. A anônima garota da comunidade transformada em majestosa passista, a dona de casa rodopiando no reverente traje de baiana, a celebridade já famosa na mídia o ano inteiro: ali todos são atores-foliões que, brincando, encenam, sambam e cantam uma história analisada por um rigoroso júri espalhado em cabines. 
O carnavalesco Milton Cunha registrou os bastidores de vinte anos de seus desfiles, abriu seu baú pessoal e o dos recortes de jornais e concebeu Carnaval é cultura: poética e técnica no fazer escola de samba. Selecionou mais de 500 imagens que, além de captar os momentos de delírio na avenida, revelam o trabalho de dez meses antes nos barracões, nas quadras, nos ensaios: como o desfile do ano seguinte é pensado, planejado e executado, como os materiais são reaproveitados, como a festa gera trabalho e desenvolve artesãos. 

O Inverso das Origens – Rosa Magalhães e Maria Luiza Newlands
Novaterra (Ano 2014, 192 páginas)

Dez anos de história se fundindo com o cenário carnavalesco pelas mãos de Rosa Magalhães. O carnaval do Rio, proclamou Oswald de Andrade, “é o acontecimento religioso da raça”. E para evoluir a celebração, os presidentes de Escolas de Samba passaram a pedir ajuda aos cenógrafos do Teatro Municipal e da Escola Nacional de Belas Artes, a partir da década de 30, buscando as técnicas que levaram à consti­tuir um carnaval como nos tempos do Império. 
A professora, artista plástica, figurinista, cenógrafa e carnavalesca formada na EBA, Rosa Magalhães, é personagem fundamental nesse processo. O Rio passa a influenciar o país com seu novo modelo de “Escola de Samba”, com nova dimensão, enredo e suntuosidade, mostrando que as formas antigas do carnaval tornavam-se canibalizadas na reconstrução da atualidade do carnaval.
Começando pela agremiação do Salgueiro, em 1971, Rosa também destilou suas pérolas literárias e narrativas sotisficadas pela Beija-flor, Portela, Estácio, União da Ilha, Império Serrano - onde deu o título ao consagrado samba enredo "Bumbum Praticumbum Prugurundum" - Imperatriz Leopoldinense - onde garantiu diversos títulos nesses dez anos aqui narrados, entre 1992 e 2002 – Vila Isabel, onde levou o primeiro lugar em 2013 e vem dando vida à São Clemente no carnaval de 2015. Um livro onde a carnavalesca revela todo o processo criativo do carnaval e abre seu portifólio, mostrando de onde vem cada enredo, narrativa, a lógica do olhar escolhido para contar nossa história, e parte de suas fases que contaram com influências diversas e marcaram o carnaval carioca com desfiles épicos e únicos.

Inventores do Caranval – Renato Lemos
Verso Brasil Editora (Ano 2015, 192 páginas)

Em 'Inventores do Carnaval', Renato Lemos traz nove perfis de personagens que mudaram a história do Carnaval com suas criações. Ismael Silva encabeça o time forjando a própria ideia de escola de samba ao fundar a Deixa Falar. Em seguida, vem Mário Filho, idealizador do desfile e da competição entre as escolas; Natal da Portela, o primeiro patrono; Mestre André e sua famosa paradinha; Delegado, o mestre-sala por excelência; Cartola, Joãosinho Trinta, Monique Evans e, encerrando o volume, Candonga e sua famosa toalha, recuando a bateria para que toda a escola tivesse o gostinho de desfilar ouvindo a batida de seu samba.
  

O Rapto do Galo – Fabiana Karla
Rocco Pequenos Leitores (Ano 2014, 32 páginas)

Fabiana Karla homenageia a cultura de sua terra natal, apresentando um desfile de personagens e tradições. A autora transporta os leitores para as ruas de Recife, com seus bonecos gigantes, passistas de frevo e o batuque do maracatu. Escrito em rimas, “O rapto do galo” é um cordel contemporâneo enriquecido pelas ilustrações de Rosinha.

O País do Carnaval – Jorge Amado
Companhia das Letras (Ano 2011, 176 páginas)

Romance de estreia, escrito quando Jorge Amado tinha dezoito anos, O país do Carnaval (1931) é, apesar do título irônico, mais sombrio e introspectivo que a maioria dos livros que fizeram dele o ficcionista mais popular da literatura brasileira. A narrativa começa no navio que traz de volta ao Brasil o jovem filho de fazendeiro Paulo Rigger, depois de sete anos em Paris, onde cursara direito e absorvera comportamentos e ideias modernas. Nos primeiros dias que passa no Rio de Janeiro, Rigger tenta compreender um país onde já não se sente em casa, um país que tenta timidamente superar seu atraso oligárquico e ingressar na era industrial e urbana. De volta a Salvador, ele participa de um grupo de poetas fracassados e jornalistas corruptos que giram em torno do cético Pedro Ticiano, cronista veterano. Todos se sentem insatisfeitos e buscam um sentido para a existência: no amor, no dinheiro, na política, na vida burguesa ou na religião. Nesse romance de geração, as dúvidas e angústias dos personagens espelham a situação do país, que naquele momento passava pela Revolução de 30 e procurava redefinir seus rumos.

Pra Tudo Começar na Quinta-Feira – Fábio Fabato e Luiz Antonio Simas
Mórula Editorial (Ano 2015, 180 páginas)

Este é um trabalho com um recorte temático e espacial: ele versa sobre os enredos das escolas de samba do Rio de Janeiro e os seus criadores. A primeira parte aborda a conexão que existe entre os enredos das agremiações e os respectivos contextos históricos em que foram apresentados. A segunda parte apresenta e analisa a biografia profissional e a contribuição dos maiores carnavalescos, criadores de enredos, para o crescimento e transformação das escolas de samba do Rio de Janeiro desde 1960, quando a influência desses personagens passa a ser decisiva (e polêmica) para os rumos da festa.

 

Carnaval – Luiza Trigo
Rocco Jovens Leitores (Ano 2012, 152 páginas)

Carnaval com as primas no Recife: praias, música, amigos, sol, diversão... A receita ideal para Gabriela curar a dor de cotovelo depois de ver o ex-namorado beijando uma garota. Decidida a esquecer Gustavo de uma vez, Gabi faz as malas e deixa o Rio para uma semana de muita curtição no Nordeste. Ela só não contava com a possibilidade de se apaixonar de verdade em pleno carnaval! Escrito pela carioca Luiza Trigo, Carnaval conta a história de Gabi, Felipe e uma turma muito animada com a qual a garotada vai se identificar.

O Livro de Ouro do Carnaval Brasileiro – Felipe Ferreira
Ediouro (Ano 2005, 424 páginas)

Este livro aborda a história do carnaval desde seu surgimento, na Idade Média, até o advento da Internet, passando pela organização da festa nas principais cidades do país. Traça um amplo e surpreendente painel da cultura brasileira e contém informações e análises capazes de agradar tanto ao estudioso compenetrado quanto o folião mais animado.





Orfeu da Conceição – Vinicius de Moraes
Companhia das Letras (Ano 2013, 104 páginas)

"Tragédia carioca", Orfeu da Conceição transporta para um cenário tipicamente brasileiro o mito de Orfeu, filho de Apolo, uma das histórias mais emblemáticas da vasta mitologia grega. Imerso em sofrimento depois da morte da amada Eurídice, o músico vê-se incapaz de entoar suas canções, pois os sons melodiosos e tristes de sua descer ao Hades (o reino dos mortos) para trazer Eurídice de volta à terra. Ambientada lira não o consolam da perda do grande amor. Desesperado, Orfeu decide em uma favela carioca, Orfeu da Conceição estreou no Theatro Municipal do Rio de Janeiro em 1956, com enorme sucesso. Nada mais justo: com músicas de Tom Jobim - a peça inclusive inauguraria a fecunda parceria entre o poeta e o compositor -, cenários de Oscar Niemeyer e figurinos de Lila Bôscoli, o texto é ainda hoje um marco na releitura inteligente dos mitos gregos diante da realidade social, da mistura entre poesia e música popular, entre teatro e canção.

Carnaval – João Gabriel de Lima
Objetiva (Ano 2006, 132 páginas)

Pedro, um paulista cansado de sua monótona rotina como dono de locadora de DVDs, decide passar o carnaval no Rio atrás da amante, uma chef famosa. Ao caminhar pela cidade ensolarada, misturar-se aos blocos de uma Zona Sul em festa e descobrir os personagens de uma Lapa renascida, Pedro acaba encontrando também um novo roteiro para sua vida. A jornada carnavalesca de Pedro evoca a vertigem de 'Depois de Horas', filme de Martin Scorsese. Num estilo que remete à prosa de Borges, João Gabriel de Lima faz de Carnaval um romance sobre encontros, desencontros, mas, antes de tudo, sobre o poder mágico da criação. O leitor se vê convidado para um instigante jogo - afinal, o que é fruto da imaginação desse narrador viciado em filmes e o que é realidade?


Cartas de Amor aos Mortos - Ava Dellaira

Em “Cartas de Amor aos Mortos”, da escritora Ava Dellaira, publicado em 2014 pela Editora Seguinte (selo jovem da Companhia das Letras), Laurel muda de escola após a morte de sua irmã mais velha, chamada May. Não só de escola, mas tem a sua vida transformada indo morar com uma tia. Na escola, uma professora de Laurel passa uma tarefa aos alunos: escrever uma carta para alguém que tenha morrido.

Laurel escreveu sua primeira carta endereçada a Kurt Cobain, fundador, vocalista e guitarrista do grupo de rock Nirvana, que se suicidou. A experiência de relatar num texto suas histórias mexeu com a jovem. Sem entregar o dever à professora ela passa a escrever para outras pessoas: Amy Whinehouse, Judy Garland, Elizabeth Bishop, Janis Joplin entre outros. É por meio dessas cartas que a menina conta suas verdades.

“A verdade é bela, não importa qual seja. Mesmo que seja assustadora ou má. É a beleza simplesmente porque é verdade. E a verdade é radiante. A verdade nos faz ser nós mesmos. E eu quero ser eu.”

Como um diário, Laurel fala com os destinatários sobre suas vidas e sobre sua própria adolescência, seus sentimentos, seus segredos, a descoberta do amor, os sonhos e desilusões que a cercam. Laurel se apaixona por Sky e vive outras passagens ao lado de Natalie e Hannah, suas amigas.

A jovem carrega algum desconforto ou trauma em relação a morte de sua irmã. Esta por sua vez marca presença na memória de Laurel, o que se pode verificar pelos relatos escritos nas cartas. É como se Laurel buscasse na irmã mais velha a segurança para enfrentar os desafios da vida. May era seu porto seguro e uma figura que lhe era admirável.

Com uma abordagem que não pára na relação de Laurel com sua irmã falecida e dos sentimentos que pairam sobre essa história, vê-se ainda outros temas tratados, tais como drogas, bebidas, sexualidade, amor, relações familiares, medos, dramas, conflitos, questionamentos filosóficos e tudo mais que a adolescência pode apresentar.

“(...) Todos nós queremos ser alguém, mas temos medo de descobrir que não somos tão bons quanto todo mundo imagina que somos.”

Ava Dellaira escreveu um livro impressionante, com uma história que celebra a vida. Apesar de ser um livro voltado ao público juvenil ele vai além do seu público-alvo, sendo capaz de encantar a adultos. Feito que, notadamente, é comum em livros bem escritos e que apesar de sua aparente superficialidade, toca fundo do leitor.

Das vivências de Laurel é possível extrair aprendizados sobre essa fase crítica da vida, que é a adolescência, com seus prazeres e dissabores. A personagem é uma jovem que busca entender o mundo  para compreender o seu mundo. Laurel encontra nas cartas o apoio que precisa e não é difícil comover-se com sua silenciosa busca pela superação depois de ter sua família despedaçada em decorrência da morte da irmã.

Um excelente livro, uma excelente história. Se ainda não estiver na sua lista de leitura, recomendo que o insira e leia.


Ficha Técnica
Título: Cartas de Amor aos Mortos
Escritora: Ava Dellaira
Editora: Seguinte
ISBN: 978-85-65765-41-1
Edição: 1ª
Ano: 2014
Número de Páginas: 338
Assunto: Ficção – Literatura Juvenil