A aventura do pudim de Natal - Agatha Christie

O livro “A Aventura do Pudim de Natal”, da aclamada escritora policial Agatha Christie,  lançado pela Editora L&PM em 2014, nos apresenta seis histórias em suas 272 páginas. Originalmente o livro foi escrito em 1960 e as narrativas foram selecionadas pela própria escritora, com o propósito de homenagear o Natal, data pela qual Agatha tinha grande saudosismo e afeição.

No prefácio do livro, a autora revela que tem profunda gratidão pelos anfitriões que muito tiveram trabalho e que tornaram os dias de Natal uma memória maravilhosa em sua velhice.

Na primeira história, que dá nome ao livro, Hercule Poirot investiga uma inusitada situação a partir do encontro de uma pedra preciosa que estava escondida num pudim preparado para o Natal. Uma simulação de crime para pregar uma peça no detetive belga toma outro rumo e acaba por surpreender os demais envolvidos.

Na história denominada “O mistério da arca espanhola”, Poirot volta à cena. Dessa vez para desvendar o mistério de um crime, cujo corpo do assassinado foi encontrado dentro de uma antiga arca. O detetive põe em funcionamento suas células cinzentas para desvendar o criminoso.

Poirot aparece ainda em outras três história do livro: “Poirot sempre espera”, “Vinte e quatro melros” e  “O sonho”. Com sua perspicácia e inteligência o homenzinho elucida os casos com observação, pistas e seu vasto conhecimento sobre a natureza humana. Ainda que um ou outro personagem o subestime a partir de sua aparência.

“O aspecto cômico e quase ridículo que ele apresentava se opunha à concepção que havia feito dele. Poderia esse homenzinho engraçado, com a cabeça em forma de ovo e o enorme bigode, realmente fazer as maravilhas que lhe atribuíam?”

Em resposta à personagem de “Poirot sempre espera”, podemos afirmar que sim. O detetive é capaz de desvendar crimes que parecem sem solução.

Em “O sonho” um homem morre da maneira que ele acreditava que morreria, tendo inclusive, narrado o fato  ao próprio detetive. O homem sonhava com sua morte, por meio de um suicídio que ele cometia com uma arma de fogo guardada em sua mesa. Poirot mais uma vez desvenda o mistério.
Para fechar o livro, a escritora não deixou de fora uma de suas grandes personagens, a simpática e idosa Miss Marple. Ela entra em ação em “A extravagância de Greenshaw”.

Boas histórias, simples, envolventes e com a dose certa de suspense e mistério que a “Rainha do Crime”consegue engendrar. E como diz Agatha Christie em seu prefácio: “(...) Feliz Natal para todos que lerem este livro.

Capas de outras edições lançadas no Brasil
Ficha Técnica
Título: A aventura do pudim de Natal
Escritora: Agatha Christie
Editora: L&PM
Edição: 1ª
ISBN: 978-85-254-2730-4
Número de Páginas: 272
Ano: 2014
Assunto: Ficção policial inglesa

10 livros e o Natal

Dia 25 de dezembro é Natal. Nessa época as decorações, a união familiar, a troca de presentes, o clima, a fantasia de ser visitado pelo Papai Noel, tudo isso encanta a adultos e crianças.  Goste ou não de Natal, ele existe.  Independente de sua crença ou religião, o Natal é mágico e por isso separamos dez livros que tem a temática da data em suas histórias. Confira a lista dos livros e as sinopses.
A aventura do Pudim de Natal – Agatha Christie
L&PM, 272 páginas, 2012

Um corpo apunhalado dentro de um baú. Uma briga familiar que termina em assassinato. Um homem que acredita estar prevendo sua morte em sonhos. Estes são apenas alguns dos mistérios que Agatha Christie apresenta nesta deliciosa seleção de contos, que reúne cinco casos do detetive Hercule Poirot e um de Miss Marple. Na história que dá título ao livro, “A aventura do pudim de Natal”, um príncipe herdeiro pede a Poirot que o ajude a encontrar um rubi que lhe foi roubado. Para investigar o caso, o detetive precisa participar – a contragosto – de uma tradicional celebração natalina inglesa em uma mansão do interior. Mas um bilhete anônimo acaba mudando tudo.  Publicado originalmente em 1960, as histórias foram escolhidas pela própria autora, que faz uma homenagem às festas de Natal de sua infância.

O Natal de Poirot – Agatha Christie
L&PM, 256 páginas, 2010
 
Simeon, o patriarca dos Lee, resolve convidar todos os filhos para comemorar o Natal na luxuosa mansão da família. É hora de eles deixarem os ressentimentos de lado e visitarem o velho pai. Mas aparentemente as intenções de Simeon não são nobres. Ele quer se divertir às custas do ganancioso grupo de familiares. Tudo começa com algumas alterações em seu testamento... e termina com um assassinato, em um quarto trancado por dentro. Quando Hercule Poirot oferece ajuda para solucionar o caso, encontra uma atmosfera que não é de luto, mas de suas suspeitas mútuas. 
Feliz Natal , Alex Cross – James Patterson
Editora Arqueiro, 176 páginas, 2013
 

É véspera de Natal, tempo de paz e fraternidade. Infelizmente nem todos pensam assim. Após deter um ladrão que estava roubando a caixa de doações da igreja, tudo o que Alex Cross quer é ter uma noite feliz com sua família. Mas, para tristeza de seus filhos, de Bree e de Nana Mama, o detetive será convocado para solucionar não apenas um, mas dois casos no feriado. Numa bela mansão, uma família é mantida refém. Alex atravessa a cidade rumo a uma das regiões mais nobres de Washington. Henry Fowler, um famoso advogado que viu sua vida e sua carreira serem arruinadas, ameaça matar os filhos, a ex-mulher e seu novo marido. Psicótico e viciado em metanfetamina, Fowler precisa ser detido. Mas a pergunta que não sai da mente do psicólogo que habita em Cross é: o que faria alguém tão bem-sucedido afundar dessa maneira? Envenenamento e terror na estação de trem Convocado às pressas pelo FBI, Cross terá que capturar uma antiga inimiga: a terrorista Hala Al Dossari, que foi reconhecida por uma das câmeras da Union Station. Em pouco tempo acontecem mortes e explosões. Mas será esse ataque seu único objetivo? Ou tudo fará parte de um plano maior, capaz de gerar uma catástrofe nacional?
Esquecer o Natal – John Grisham
Rocco, 216 páginas, 2002
O livro conta a história de Nora e Luther Krunk, que planejam fazer um cruzeiro pelo Caribe para fugir do Natal. Escândalo e pasmo gerais, pois moram num bairro chique, onde todo mundo festeja o Natal com todo o brilho que tem a maior festa cristã. Só que, na véspera do embarque, sua filha volta do Peru, impossibilitando o cruzeiro. Em poucas horas, os Krunk são obrigados a improvisar uma festa que exigiria semanas e até meses de preparo. O atropelo é tão grande que o desastrado Luther sobe ao telhado para colocar um homem de neve - feito de plástico -  junto à chaminé e acaba caindo lá de cima, sendo salvo por um fio elétrico enrolado ao seu pé. É aí que os vizinhos, que antes zombavam dos Krunk e suas trapalhadas, entram com a amizade e a solidariedade. A festa estava estragada? Os vizinhos fazem a festa. O rabugento Luther Krunk reconcilia-se com os vizinhos, com o Natal e com o mundo. 
Deixe a neve cair – John Green
Rocco Jovens Leitores, 336 páginas, 2013
 
Na noite de Natal, uma tempestade de neve transforma uma pequena cidade num inusitado refúgio para encontros românticos. Em “Deixe a Neve Cair”, bem sucedida parceria entre três autores de grande sucesso entre os jovens, John Green, Lauren Myracle e Maureen Johnson escrevem três hilários e encantadores contos de amor, com direito a surpreendentes armadilhas do destino e beijos de tirar o fôlego. E provam que o amor verdadeiro pode acontecer quando e onde menos se espera.


Um conto de Natal – Charles DickensL&PM, 144 páginas, 2003
Em meio ao frio e à neve da cidade de Londres, à véspera do Natal, todos preparam-se para a celebração do nascimento de Cristo. As donas de casa ocupam-se alegremente com seus assados, os homens, ansiosos, não vêem a hora de voltar para casa, e as crianças perdem o sono pensando nos presentes. Apenas uma pessoa não parece feliz com o Natal: o velho Scrooge, homem de negócios sovina, ranzinza e solitário. Ele não vê razão para tanta alegria e inquieta-se, apenas, com a folga que terá de dar a seu secretário. Mas ele recebe a visita fantasmagórica de Marley, seu falecido sócio, que se arrepende de ter passado a vida atrás do dinheiro. Ele leva Scrooge em uma viagem inesquecível para tentar salvá-lo enquanto é tempo.
Publicada originalmente em 1843, a história da redenção do velho Scrooge é sem dúvida o mais célebre conto de Natal e já foi adaptada para história em quadrinhos, filme, peça teatral, etc., comovendo adultos e crianças de todas as épocas.

O Natal do Carteiro – Allan Ahlberg
Companhia das Letras, 36 páginas, 2010


Quando chega a época de Natal, o Papai Noel não é o único a arrancar os cabelos abarrotado de tantas tarefas. O Carteiro também trabalha em dobro para entregar todos os bons votos e desejos de felicidade - e alguns presentes também. Pois neste livro ele visita alguns personagens de contos de fadas tradicionais para lhes entregar a correspondência natalina - os ursinhos recebem um postal da Cachinhos Dourados; a Chapeuzinho Vermelho ganha do Lobo Mau uma carta com um jogo de tabuleiro; ao Humpty Dumpty chega um cartão com um quebra-cabeça enviado pelos Cavaleiros do Rei; o Homem Biscoito é presenteado com um almanaque e um livrinho de sabedorias; e até o Lobo Mau, mais um que adora o Natal, foi visitado pelo nosso amigo.

Mas a grande tarefa do Carteiro nessa época do ano - como ninguém parou para pensar nisso? - é auxiliar a própria família Noel, fazendo chegar à sua fábrica os milhares de pedidos das crianças. Assim, ele também passa por lá, para deixar as suas cartas, e de quebra ainda ganhar um presente, que carteiro também merece. Ao acompanhar a história do Carteiro, as crianças encontram os envelopes recheados de cartas, cartões e presentinhos - como jogos e livros - e aprendem a manter uma tradição milenar que, mesmo com o avanço dos contatos via telefone e principalmente da correspondência eletrônica, nunca perderá a sua função.

Cartas do Papai Noel – J. R. R. Tolkien
Martins Fontes, 168 páginas, 2012

Todo mês de dezembro, um envelope com um selo do Polo Norte chegava para os filhos de J. R. R. Tolkien. Dentro dele, uma carta escrita à mão com letra trêmula e estranha e um lindo desenho colorido. Isso tudo era do Papai Noel, narrando histórias incríveis sobre a vida no Polo Norte. Desde a primeira carta para o filho mais velho, em 1920, até a comovente última carta para a caçula, em 1943, este livro reúne todas as memoráveis cartas e desenhos que Tolkien fez para os filhos em uma edição primorosa.
  
O presente do meu grande amor – Stephanie Perkins (Organização)
Intrínseca, 352 páginas, 2014
Se você gosta do clima de fim de ano e tudo o que ele envolve — presentes, árvores enfeitadas, luzes pisca-pisca, beijo à meia-noite —, vai se apaixonar por O' presente do meu grande amor'. Nas doze histórias escritas por alguns dos mais populares autores da atualidade, há um pouco de tudo, não importa que você comemore o Natal, o ano-novo, o Chanucá ou o solstício de inverno.
Se você gosta do clima de fim de ano e tudo o que ele envolve — presentes, árvores enfeitadas, luzes pisca-pisca, beijo à meia-noite —, vai se apaixonar por O' presente do meu grande amor'. Nas doze histórias escritas por alguns dos mais populares autores da atualidade, há um pouco de tudo, não importa que você comemore o Natal, o ano-novo, o Chanucá ou o solstício de inverno.
Se você gosta do clima de fim de ano e tudo o que ele envolve — presentes, árvores enfeitadas, luzes pisca-pisca, beijo à meia-noite —, vai se apaixonar por O' presente do meu grande amor'. Nas doze histórias escritas por alguns dos mais populares autores da atualidade, há um pouco de tudo, não importa que você comemore o Natal, o ano-novo, o Chanucá ou o solstício de inverno.

Se você gosta do clima de fim de ano e tudo o que ele envolve - presentes, árvores enfeitadas, luzes pisca-pisca, beijo à meia-noite -, vai se apaixonar por O presente do meu grande amor. Nas doze histórias escritas por alguns dos mais populares autores da atualidade, há um pouco de tudo, não importa que você comemore o Natal, o ano-novo, o Chanucá ou o solstício de inverno.

Dom de Natal – Nora Roberts
Harlequin, 308 páginas, 2009

Duas histórias sobre o milagre natalino.
Volta, No Natal: Após 10 anos longe de sua cidade, o jornalista Jason Law retorna para New Hampshire sob a égide do filho pródigo. Ele agora pensa em somente uma coisa: reencontrar Faith Kirkpatrick, seu primeiro amor, e sua primeira decepção na vida. Mas talvez ela não tenha mais tempo para Jason... a não ser que, inspirada pelo espírito natalino, crie coragem para tornar realidade seu maior desejo. Nosso Pedido de Natal: Os gêmeos idênticos Zeke e Zach tinham somente um pedido para Papai Noel: uma nova mãe! Ao conhecerem a srta. Dayse, a nova professora de música, mal podiam acreditar em tamanha sorte. Por outro lado, convencer o pai deles, Mac Taylor, poderia ser muito mais difícil do que imaginavam.  Será que Zeke e Zach ganhariam o presente que tanto queriam?

Heresia - S. J. Parris

Em “Heresia”, de S. J. Parris, lançado pela Editora Arqueiro em 2011, Filippo Bruno, que adotara o nome monástico de Giordano Bruno de Nola foge do mosteiro. O motivo de sua fuga: seria acusado de heresia e interrogado pelo padre inquisidor. Suspeita que aos olhos dos monges havia se confirmado quando Bruno foi pego na latrina com o exemplar de um livro constante da lista de proibições de leitura da igreja. Foi excomungado e exilado pelo simples fato de ser um estudioso e amante do saber.

Giordano Bruno é contratado para investigar uma provável conspiração que tinha por objetivo derrubar a protestante Rainha Elizabeth. Em meio ao conflito religioso que se instala entre católicos e protestantes ele é enviado a Oxford com a missão de espionar e descobrir informações sobre a conspiração. A ida até lá torna-se interessante, na medida que também poderia auxiliá-lo numa busca particular: quer encontrar um livro  cujo autor afirma que compreendeu a mente divina.

O filósofo, escritor, cientista e estudioso tem sua visão pessoal em que acredita que o Universo é infinito e, “sendo assim por que não seria povoado por outras Terras, outros mundos e seres como nós?” Giordano é um dos homens que acredita na teoria de Copérnico, enquanto outros tantos em Oxford são contrários a esse pensamento, incluindo o diretor da instituição. Por vezes, sua fé e sua crença é confrontada por um ou outro personagem.

“(...) Na verdade, porém, não penso em mim como católico, nem protestante, termos que me parecem restritos demais. Eu creio numa verdade maior.” Tal declaração é dada por Giordano Bruno num dos diálogos em que é questionado sobre sua posição religiosa. O filósofo parece um homem a frente de seu tempo.

Antes de um debate que haveria entre Bruno e o diretor Undershill, Roger Mercer morre após ser violentamente atacado por um cão de caça. O que parece um mero acidente pode não ser bem assim. Bruno acredita que alguém matou Roger. Por qual motivo? Quem estaria por trás dessa morte terrível? Seriam suas convicções religiosas que o teriam colocado em perigo?

Ele então começa a fazer investigações que possam levá-lo a quem teria interesse em silenciar Roger Mercer e esbarra com homens de confiança do diretor, mas que escondem segredos. Um deles poderia ser o criminoso? Nesse turbilhão de aventuras por Oxford, dois outros homens são assassinados, o que levanta ainda mais suspeita de que o primeiro caso fora realmente um assassinato. Bruno acredita então que os casos estão interligados. E continua sua investigação particular.


Algumas pistas sobre o motivo do crime são deixadas para Bruno. Quem quer que tenha cometido o crime parecia querer ser encontrado. Recortes de livros com citações, marcas na parede da biblioteca, quartos revirados, mortes violentas, chaves que são utilizadas sem autorização, homens misteriosos que parecem sondá-lo e a filha do diretor, Sophia, parecem fazer parte de um quebra-cabeça.

Religião, crença, cultura, preconceitos são postos diante de homens tidos como sábios e que possuem aparente reputação ilibada. No entanto, no meio deles, há alguém que é capaz de matar para manter sua crença. Os homens sábios parecem não conseguir diferenciar os acontecimentos reais da prática de heresia.

É um suspense histórico repleto de informações sobre os pensamentos religiosos do século XVI em suas 368 páginas e surpreende o leitor. Os personagens tem personalidade forte e alguns apresentam certa dubiedade em relação a seu caráter, deixando o leitor intrigado em relação a sua conduta. Fator que surpreendera o próprio personagem central do livro na história de mistérios que ele busca revelar. Livro altamente recomendado em função de sua trama bem arquitetada, da narrativa coesa e dos intrigantes pontos que são levantados ao londo da história ficcional.

Ficha Técnica
Título: Heresia
Escritora: S. J. Parris
Editora: Arqueiro
Edição: 1ª
ISBN:978-85-8041-002-0
Ano: 2011
Número de Páginas: 368
Assunto: Romance Inglês

Lost – Identidade Secreta – Cathy Hapka

“Lost – Identidade Secreta”, lançado pela Prestígio Editorial em 2006 é baseado no roteiro original da série de TV. Lost é uma série que fez grande sucesso em todo o mundo, criada por Jeffrey Lieber , J. J. Abrams e Damon Lindelof. A série ganhou o Emmy e o prêmio Golden Globe.

O livro conta a história de Dexter, um dos personagens que estava no voo que caiu numa misteriosa ilha. Partindo de Sidney, na Austrália, os passageiros se viram diante do desastre com o avião. Sobreviventes, tem de enfrentar toda sorte de adversidade que o lugar inóspito apresenta. Dexter, que tinha um segredo, se redescobre na ilha.

“(...) não estava certo quanto ao tempo que se passará até que acordasse de novo. Estava novamente cercado pela escuridão, mas desta vez era uma escuridão temperada por um lugar frio e prateado e pelo brilho alaranjado e inconstante de fogueiras ao redor.”

Ele espera encontrar a sua amada Daisy entre os passageiros que estão espalhados pela ilha. Não tem certeza se ela embarcou ou não. O personagem  relata momentos  na ilha, em que esteve ao lado de Jack, Kate, Boone, Claire, Charlie, John Locke, Sawyer, Sayd e outros personagens que figuraram no elenco principal da série. No livro, eles aparecem como  coadjuvantes. A história principal é a de Dexter, contada do mesmo modo que a série, apresentando momentos atuais (vividos na ilha) e momentos passados (antes do embarque no avião).

Alguns mistérios da ilha são citados de maneira rápida, sem grande chamariz nas 160 páginas do livro. Para quem acompanhou a série, terá a impressão de que o livro serve como uma apresentação dos personagens que ganham destaque depois, na TV e no DVD. Talvez por ter acompanhado toda a série, esperava mais do livro. 

Ficha Técnica
Título: Lost – Identidade Secreta
Escritora: Cathy Hapka
Editora: Prestígio Editorial
ISBN: 85-99170-72-4
Edição: 1ª
Número de Páginas: 160
Ano: 2006
Assunto: Romance norte-americano

O Misterioso Caso de Styles - Agatha Christie

Agatha Christie é conhecida como “A Rainha do Crime”, haja vista que sua carreira como escritora foi consolidada no ramo policial. Iniciou sua vida literária em função de uma aposta feita com sua irmã Madge.

“O Misterioso Caso de Styles” foi o primeiro livro de Agatha Christie. Escrito em 1916, só foi publicado quatro anos depois, em 1920. Algumas tentativas de Agatha em conseguir um editor para o livro não logram êxito, tendo sido recusado por alguns editores, antes do seu lançamento.

Além de ser o primeiro título da escritora, é nesse livro que aparece o seu mais célebre personagem: o detetive belga Hercule Poirot, assim descrito numa das páginas do livro:

“Poirot era um homenzinho extraordinário. Não tinha mais que um metro e cinquenta de altura, mas impunha-se com grande dignidade. Sua cabeça tinha exatamente o formato de um ovo e ele a trazia sempre ligeiramente inclinada para um lado. Seu bigode era hirto e de aspecto militar. A elegância de suas roupas era quase inacreditável: creio que um traço de poeira causaria nele mais sofrimento que um ferimento a bala. Embora esse baixinho esquisito e todo arrumadinho tivesse sido um dos mais celebrados membros da polícia belga nos velhos tempos, notei pesaroso que agora ele também estava mancando. Seu faro de detetive era extraordinário, tendo alcançado triunfos notáveis ao desvendar os mais intricados casos de sua época.”

A narrativa é feita por Hastings, amigo de Poirot que apareceu posteriormente em outros livros da escritora. Inspetor Japp, da Scotland Yard, também está presente nessa e em outras publicações de Christie.

“O Misterioso Caso de Styles” revela a história de um assassinato por envenenamento, ocorrido na propriedade Styles Court. A Senhora Inglethorp é morta após ingerir estricnina, um poderoso veneno. Poirot entra em cena para investigar o caso, em busca de pistas, fatos e circunstâncias que podem revelar o autor do crime. Vários suspeitos, contradições, álibis, bilhetes, testamentos, xícaras, romances e pistas aparentemente desconexas. Mas, para Poirot, basta utilizar sua massa cinzenta (o cérebro) e compreender o método do criminoso para chegar a conclusão do caso.

Na edição lançada pela Globo Livros em 2014, são apresentadas duas revelações sobre o assassinato. Calma! A primeira explanação de Poirot sobre o crime acontece no salão de Styles com todos os suspeitos presentes. O outro final revelador é o originalmente escrito por Agatha Christie, mas que não fora publicado. Por recomendações de seu editor John Lane, ela teve de reescrever a revelação que ocorre em meio a um julgamento, no tribunal. Embora não tenha sido publicado na primeira versão do livro, podemos apreciar os dois finais nessa edição. O leitor, portanto, poderá conhecer e analisar cada um deles.

O livro é bastante interessante. Reúne os elementos que são replicados em outros livros da escritora. O suspense e as surpresas são marcantes, o que deixa o leitor sempre alerta e também em busca de quem é o assassino. É possível embarcar na história como se fossemos um detetive em busca de pistas. Leitura obrigatória para fãs de Agatha Christie e para admiradores do gênero suspense.

Convém mencionar que “O Misterioso Caso de Styles” é considerado um dos melhores “livros de estreia jamais escritos”. John Curran, na introdução, diz que “os incontáveis leitores de Christie ao longo de quase um  século concordam entusiasticamente com isso”. Certamente eu estou entre eles.

Ficha Técnica
Título: O Misterioso Caso de Styles
Escritora: Agatha Christie
Editora: Globo Livros
ISBN: 978-85-250-5703-7
Edição: 1ª
Ano: 2014
Número de Páginas: 286
Assunto: Ficção Policial Inglesa

O Ano da Leitura Mágica - Nina Sankovitch

"Precisamos de livros que nos afetem como um desastre, que nos deixem profundamente tristes como se alguém tivesse morrido, alguém que amássemos mais do que a nós mesmos, como se nos perdêssemos de todos numa floresta, como um suicídio. Um livro tem de ser uma rachadura no oceano congelado que temos dentro de nós." 
Franz Kafka, Carta para Oskar Pollak, 27 de janeiro de 1904

Nina sempre tivera o hábito da leitura. Desde a infância ela e suas irmãs tiveram contato com o universo literário. De uma família de imigrantes, os livros serviam para manter os laços. Sua mãe e seu pai tinham o hábito da leitura, que fora transmitido às filhas (não como uma imposição, mas pelo exemplo). Nina revela que eles (os livros) “estavam presentes em todos os cômodos e eram lidos” pelos pais para eles mesmos ou para as filhas.

Aos 46 anos de idade a irmã de Nina faleceu em decorrência de câncer. E foi nos livros que ela buscou o conforto para sua desolação. Enquanto a irmã estava no hospital, Nina levava obras para que ela lesse e assim tornasse o período de internação e a doença mais leves, menos dolorosos.

O desafio de Nina foi ler um livro por dia, durante um ano, totalizando, portanto, 365 livros lidos. Em sua poltrona roxa restaurada e quase totalmente limpa, ela embarca nessa jornada literária.

“O Ano da Leitura Mágica”, publicado pela Editora Leya em 2011, conta em suas 232 páginas a expedição de Nina pelas páginas dos livros. A história de vida família também é contada, sem apego à cronologia. Enquanto a autora relata os momentos vividos com sua irmã, seu marido, seus filhos e seus pais, aparecem referências dos livros.

Autores, personagens, citações que inspiraram Nina durante sua incursão à leitura são mencionados. Interessante observar como a literatura foi capaz de apaziguar o coração de Nina, de fazê-la perceber o mundo real de maneira diferente. Um novo olhar.

Ainda que os livros, por vezes, transformem-se numa objeto de fuga da realidade, eles podem nos trazer a compreensão sobre o que vivemos, porque vivemos e para que vivemos. O livro é um relato pessoal da experiência de Nina. Revela sua compreensão do mundo e o afago, o alento, o conforto, que encontrou em páginas escritas por diversos autores dos mais variados gêneros.
“(...)Durante anos, os livros abriram uma janela pela qual eu podia ver como as outras pessoas lidavam com a vida, suas tristezas, alegrias, monotonias e frustrações. Eu os usaria novamente para buscar empatia, orientação, amizade e experiência. Os livros me dariam tudo isso e muito mais.”
Além da leitura dos livros, Nina publicava resenhas em seu blog. A convivência com os livros tornou-se uma rotina durante aquele ano, e sua vida pessoal foi se adaptando ao cenário. Questões que a inquietavam, lições de vida, palavras de ânimo podiam ser lidas por meio dos personagens.
“(...) Porque as palavras são testemunhas da vida: elas registram o que aconteceu e tornam tudo verdade. Palavras criam histórias que se transformam em histórias inesquecíveis. Mesmo a ficção retrata a verdade: boa ficção é a verdade. Histórias sobre as vidas relembradas nos levam para o passado ao mesmo tempo em que nos permitem seguirmos em frente.”
Trata-se de um livro apaixonante para os bibliófilos que, com certeza, em um ou outro momento se reconhecerão, ainda que seja pelo simples fato de gostar de livros. 


Ficha Técnica
Título: O Ano da Leitura Mágica
Escritora: Nina Sankovitch
Editora: Leya
ISBN: 978-85-8044-265-6
Edição: 1ª
Ano: 2011
Número de Páginas: 232
Assunto: Livros e leitura

O Dossiê Pelicano - John Grisham

John Grisham foi advogado especializado em defesa criminal e processos por danos físicos. É escritor de 22 romances e a temática de seus livros gira em torno do Sistema Judiciário norte-americano e das grandes firmas de direito. Os personagens que recheiam as histórias são juízes, advogados, promotores e outros serventuários da justiça. O escritor vendeu mais de 250 milhões de exemplares em todo o mundo, com livros traduzidos para mais de 29 línguas. Seus títulos figuram nas listas dos mais vendidos. A Publishers Weekly o elegeu o escritor dos anos 90.

Em “O Dossiê Pelicano” (Editora Rocco, 1993, 446 páginas), dois juízes da Suprema Corte são assassinados na mesma noite, com diferença de horas. Abe Rosenberg é o mais velho, com posições liberais. Glenn Jensen, o mais jovem e de espírito conservador. Alguém pretendia afastá-los de alguma decisão em juízo? Estariam envolvidos com algum caso a ser julgado?

Diante da ocorrência dos crimes, que levanta suspeita de que tenham sido praticados pela mesma pessoa, o FBI declara não ter pistas sobre o autor dos homicídios.

Darby Shaw, uma aluna da faculdade de Direito de Tulane, que tem um caso amoroso com seu professor, passa dias pesquisando sobre o assunto. A jovem formula uma tese baseada em seus achados e monta um dossiê. Suas especulações acerca do autor dos crimes leva a um suspeito bastante improvável.

“_ Uma pequena teoria inofensiva sobre quem os matou. Foi levado para Washington no último domingo por um homem chamado Thomas Callahan, professor de direito de Tulane. Ele o entregou a um amigo do FBI e o dossiê passou de mão em mão...”

Tendo o dossiê sido encaminhado à várias pessoas, chegou a passar por mãos que não aprovaram o seu conteúdo. Provavelmente a pessoa envolvida com os assassinatos dos juízes. Além deles, outras pessoas são assassinadas, na tentativa de que o conteúdo do dossiê não seja conhecido pelo grande público.

Após sofrer um atentado, Darby tem de fugir pela cidade, escondendo-se de alguém que a persegue e a deseja eliminar. Após ler reportagem no Washington Post, a jovem estudante procura pelo jornalista Gray Grantham. Ela conta com ele para que publique uma matéria com todo o conteúdo do dossiê e revele o algoz de Abe, Glenn e das outras vítimas. Numa fuga em busca de encontrar sinais que comprovem a tese de Darby eles vivem uma aventura pela comprovação dos acontecimentos e averiguam, inclusive, a participação da Casa Branca nos fatos ocorridos.

Como outros títulos de Grisham, “O Dossiê Pelicano” é um livro envolvente. Tem suspense, tensão e emoção na medida certa e a narrativa revela porque o escritor de “A Firma” (que foi sucesso na adaptação para o cinema) é um escritor de bestsellers. Recomendo o livro com louvor.


Curiosidade

"O Dossiê Pelicano" - The Pelican Brief -  foi adaptado para o cinema. O filme é de 1993 e conta com a participação de Julia Roberts e Denzel Washington

Ficha Técnica
Título: O Dossiê Pelicano
Escritor: John Grisham
Editora: Rocco
ISBN: 85-325-0388-8
Ano: 1993
Número de Páginas: 446
Assunto: Ficção norte-americana


Varsóvia 1920 - A derrota de Lenin - Adam Zamoyski

Uma parte da história muitas vezes esquecida ou até mesmo desconhecida de grande parte do público. Em agosto de 1920 acontecimentos ocorridos em Varsóvia (Polônia), influenciaram a política daquela década e da década posterior, o rumo da Segunda Guerra Mundial e outros fatores em toda a Europa. Entre a Rússia e a Alemanha, estava a Polônia, país ainda enfraquecido economicamente e, portanto, vulnerável, porém esse país foi capaz de surpreender o país inimigo com o “milagre da Vístula”.

O livro de Adam Zamoyski, publicado em 2013 pela Editora Record, conta sobre tal episódio em suas 206 páginas. Como relata o autor, o que o livro “pode aspirar é fornecer um esboço do ocorrido...”. Deduz-se, portanto, que não é objetivo do livro esgotar o assunto.

Através da pesquisa realizada pelo autor são apresentados os posicionamentos adotados pelas frentes envolvidas nos acontecimentos, os líderes de cada uma, as estratégias de guerra praticadas e a posição política de cada opositor, bem como de seus aliados. Mapas e fotos da batalha complementam o conteúdo do livro.

“(...) Dez dias de combate renderam 50 mil prisioneiros (66 mil, segundo fontes russas), 231 canhões e 1023 metralhadoras. O Exército Vermelho teve mais uns 25 mil mortos e pelo menos 30 mil (talvez tantos quanto 80 mil) integrantes internados na Prússia Oriental, junto com suas armas e equipamentos.”

A paz entre Rússia e Polônia foi selada em março de 1921. Os acontecimentos dos anos anteriores (1919-1920) deram a imagem de que a Rússia seria um poder imperialista e uma ameaça aos países vizinhos. Mussolini,  Franco, Salazar e até Hitler, além de outros líderes com visão ditatorial foram beneficiados com os acontecimentos da guerra.

“E ainda que a vitória polonesa fosse logo anulada pelo que aconteceu depois de 1939, duas décadas de afastamento do comunismo trazido por ela à Europa Central Oriental deram a essa parte do continente seu primeiro gosto de algum tipo de existência democrática e civilizada”.

Essa breve experiência democrática permitiu aos povos da região que se estende da Estônia até os Balcãs a desenvolver políticas com bases democráticas que lhes ajudaram a enfrentar o fascismo e o comunismo.

Varsóvia 1920 – a derrota de Lenin, embora seja um livro com informações que não discutimos comumente nas salas de aula e, por tratar de um momento histórico até desconhecido, ajuda-nos a compreender o contexto vivido por aqueles países. Auxilia-nos ainda a compreender as estratégias que tais nações adotaram, os reflexos que sentiram na Segunda Guerra Mundial e o legado que ficou para os países que participaram diretamente.

Uma boa leitura, sobretudo para quem gosta de conhecer mais sobre períodos de guerra e se delicia com o conhecimento sobre fatos reais.


Ficha Técnica
Título: Varsória 1920 – a derrota de Lenin
Escritor: Adam Zamoyski
Editora: Record
ISBN: 978-85-01-08295-47
Edição: 1ª
Número de Páginas: 206
Ano: 2013
Assunto: Varsóvia (Polônia) / História

10 livros e o Oriente Médio


O Oriente Médio é uma área que tem sido um grande centro de negócios, uma região estratégica, econômica, política, cultural e religiosamente sensível aos acontecimentos dos últimos tempos.

É fato, explícito pelo noticiário, a existência de conflitos na região. Conflitos estes motivados por diferentes razões, como sua história, sua posição no contexto geográfico e político no mundo, suas condições naturais, seus recursos minerais extraídos do solo e, ainda, o convívio entre as religiões. O Oriente Médio é berço do judaísmo, do cristianismo e do islamismo.

Contudo, o Oriente Médio apresenta mistérios e belezas contidos no povo, nas crenças, nas riquezas naturais, nos rituais, na vestimenta, nos costumes e tradições.  Baseado nisso, montei uma lista de livros que são ambientados no Oriente Médio ou nos quais seus personagens lá tenham nascido ou crescido. Veja a lista e a sinopse dos livros.


O caçador de pipas – Khaled Houssein
Nova Fronteira, Ano 2005, 368 páginas

O livro conta a história de Amir, um afegão há muito imigrado para os Estados Unidos, que se vê obrigado a acertar as contas com o passado e retorna a seu país de origem. O ponto de partida do livro é a infância do protagonista, quando Cabul ainda não era a capital do país que foi invadido pela União Soviética, dominado pelos talibãs e subjugado pelos Estados Unidos. O livro foi adaptado para o cinema.

O livreiro de Cabul – Âsne Seierstad
Record, Ano 2006, 320 páginas

'O Livreiro de Cabul' apresenta o fascinante universo do dia-a-dia afegão, porém, sob a ótica de uma ocidental. Após viver quatro meses com a família do livreiro afegão Sultan Khan, a jornalista norueguesa Âsne Seierstad compôs o melhor retrato das contradições extremas e da riqueza cultural desse país. Um relato emocionante do cotidiano de uma família islâmica e das dificuldades deste povo para obter conhecimento e se comunicar.

A cidade do sol – Khaled Houssein
Nova Fronteira, Ano 2007, 368 páginas

Mariam tem 33 anos. Sua mãe morreu quando ela tinha 15 anos e Jalil, o homem que deveria ser seu pai, a deu em casamento a Rasheed, um sapateiro de 45 anos. Ela sempre soube que seu destino era servir seu marido e dar-lhe muitos filhos. Mas as pessoas não controlam seu destino. Laila tem 14 anos. É filha de um professor que sempre lhe diz - 'Você pode ser tudo o que quiser'. Ela vai à escola todos os dias, é considerada uma das melhores alunas do colégio e sempre soube que seu destino era muito maior do que casar e ter filhos. Confrontadas pela História, o que parecia impossível acontece - Mariam e Laila se encontram, absolutamente sós. E a partir desse momento, embora a História continue a decidir os destinos, uma outra história começa a ser contada, aquela que ensina que todos nós fazemos parte do 'todo humano', somos iguais na diferença, com nossos pensamentos, sentimentos e mistérios.

Malala: a menina mais corajosa do mundo – Viviana Mazza
Nova Fronteira, Ano  2013, 192 páginas

Malala tinha apenas 11 anos de idade quando decidiu levantar sua voz e lutar para que mulheres e meninas tivessem os mesmos direitos que os homens em seu país, o Paquistão. Com o apoio de sua família, Malala escolheu a gritar um basta às diferenças. Lutou sem armas ou violência, com a coragem das palavras e da educação, com a força da verdade e da inocência. Aos quinze anos, em um dia como outro qualquer a caminho da escola, Malala descobriu que o Taliban queria matá-la. De maneira grandiosa e emocionante, este livro revela a trajetória, os medos e os sonhos da mais jovem ganhadora do Prêmio Nobel da Paz. 

Mayada filha do Iraque – Jean P. Sasson
Best Seller, Ano 2005, 266 páginas

Ambientado no Oriente Médio, o livro, relata a história verídica de Mayada Al-Askari. Apesar de pertencer a uma influente família iraquiana, ela foi presa e torturada pela polícia secreta de Saddam Hussein sob a falsa acusação de imprimir propaganda contra o governo em sua gráfica. Mayada presenciou quase todas as fases da turbulenta história do Iraque moderno. Seu avô foi o primeiro autêntico nacionalista árabe, seu tio foi primeiro-ministro do Iraque durante quatro anos e sua mãe trabalhava para o governo. Durante a sua juventude circulou entre a realeza e pelos palácios de Saddam Hussein. Fez carreira como repórter, casou-se e teve dois filhos. Sobreviveu à guerra Irã-Iraque, à Guerra do Golfo, às sanções. Mas, em 1999, presa pela polícia secreta de Saddam Hussein, permaneceu meses em uma das celas da famosa Prisão Baladiyat, sem comunicação com ninguém de sua família, sem direito a julgamento e sob ameaças constantes de tortura e execução. Na prisão Mayada conheceu outras mulheres em situação semelhante que não sabiam porque estavam presa ou porque eram torturadas, e viviam em condições sub humanas. Sem qualquer contato com suas famílias ou com o mundo exterior, passavam os dias contando umas para as outras as histórias de suas vidas. Histórias que durante muito tempo Mayada desejou revelar ao mundo. 

Eu, Malika Oufkir, prisioneira do rei – Malika Oufkir e Michèle Fitoussi
Companhia das Letras, Ano 2000, 368 páginas

Malika Oufkir foi criada como uma princesa. Filha do chefe do exército e da polícia secreta do Marrocos, no início da década de 50 ela foi adotada pelo rei Mohammed v e, depois da morte dele, por seu filho Hussein ii. Morou em palácios, recebeu uma educação refinada e se acostumou a conviver com reis e artistas de cinema. Um dia, porém, quando seu verdadeiro pai, Mohamed Oufkir, tentou um golpe de Estado para derrubar Hussein ii, essa vida de sonhos acabou. Seu pai foi assassinado e ela, a mãe e seus cinco irmãos foram levados para uma prisão em algum lugar do Saara. Durante vinte anos eles viveram em condições desumanas, submetidos a toda sorte de humilhações, até conseguirem escapar. Esta é a história que a própria Malika e a jornalista francesa Michèle Fitoussi narram neste livro, um verdadeiro conto de fadas às avessas em pleno século XX.

Mulheres de Cabul – Harriet Logan
Ediouro, Ano 2009, 128 páginas

Durante o regime do Taleban, de setembro de 1996 a outubro de 2001, as mulheres do Afeganistão foram submetidas a absurdas leis repressoras, como não poder trabalhar fora nem freqüentar escolas. Era proibido rir em público, ouvir música, empinar pipas, e fotografias eram consideradas formas de idolatria. 
Foi nesse mundo de trevas que Harriet Logan mergulhou em busca de histórias e imagens humanas e dolorosas, a convite da London Sunday Times Magazine, em dezembro de 1997, quinze meses depois que o Taleban havia assumido o controle do Afeganistão. Era uma missão perigosa, mas o risco valeu a pena, como se pode confirmar nas páginas de 'Mulheres de Cabul'. Algumas das mulheres ouvidas e fotografadas em 1997 foram novamente visitadas por Harriet após a queda do Taleban, em 2001, como Zargoona (professora de física antes do regime do Taleban), que chorou nas duas vezes em que recebeu Harriet em casa. Sanam, uma garota de nove anos, que sonha em ser médica, pôde comemorar os novos tempos de liberdade com sua boneca chamada Sadaf. 'Quando os Talebans estavam aqui, eu precisava esconder minha boneca atrás de mim, porque se eles a encontrassem, teriam me batido.'

Palestina Edição Especial  - Joe Sacco
Conrad, Ano 2011, 328 páginas

Esta obra procura retratar o drama do povo palestino em uma reportagem em quadrinhos. Reúne os dois volumes da obra, textos, fotos e desenhos de Joe Sacco. O livro funciona como um diário do autor durante a visita que ele fez à Palestina, onde ele mostra ao leitor tudo o que acontece em sua volta e as conversas que teve com as pessoas da região. Durante dois meses, ele coletou histórias nas ruas, nos hospitais, nas escolas e nas casas dos refugiados, presenciando confrontos dos soldados com a população e entrevistando vítimas de tortura.

Vida dupla, um romance sobre o Oriente Médio – Rajaa Alsanea
Nova Fronteira, Ano 2007, 255 páginas

'Vida dupla', um romance sobre o Oriente Médio hoje, da jovem escritora Rajaa Alsanea, causou furor quando foi lançado em língua árabe em 2005. A vida social, romântica e sexual, e os desejos e intimidades das protagonistas, quatro jovens e ricas sauditas, provocou polêmica no mundo árabe tanto pelo tema como pela linguagem usada pela autora, bastante coloquial e antenada com a tecnologia - a reprodução de trocas de e-malis entre amigas são freqüentes no texto - para dar voz às personagens.

Oriente Médio: do advento do Cristianismo aos dias de hoje – Bernard T. Lewis
Editora Zahar, Ano 2001, 392 páginas

Este livro traça um painel do Oriente Médio - do advento do Cristianismo aos dias de hoje - abrangendo 2.000 anos de história. O leitor vê desfilar todos os episódios por que passou essa região, berço de três religiões e grande centro cultural da Antigüidade. Partindo da disputa territorial pelos impérios persa e romano dois milênios atrás - passando pela implantação do monoteísmo, a irrupção e difusão do islamismo, as ondas invasoras do leste e as hordas mongóis de Gengis Khan, a ascensão e queda do poderoso império otomano, o frágil equilíbrio de forças entre o islamismo e o cristianismo - até achegar à atualidade, com o recrudescimento do fundamentalismo e a explosão da Guerra do Golfo, o professor Bernard Lewis ministra um curso sobre o que representou e representa para o mundo a saga dos povos árabes.

As Palavras - Por José Saramago

Li um livro de Língua Portuguesa, mais especificamente, sobre o uso da acentuação gráfica, que faz parte de uma série  elaborada para entender o nosso idioma pátrio. Apesar de ser a nossa língua mãe, muitas vezes, nos deparamos com armadilhas, portanto é sempre bom rever e aprender um pouco mais acerca do nosso idioma.

Foi no livro, que me deparei com uma definição bastante original, de autoria do escritor português José Saramago. Faço questão de transcrever e compartilhar com vocês que acessam o nosso blog.

"As palavras são boas. As palavras são más. As palavras ofendem. As palavras pedem desculpas. As palavras queimam. As palavras acariciam. As palavras são dadas, trocadas, oferecidas, vendidas e inventadas. As palavras estão ausentes. Algumas palavras sugam-nos, não nos largam; são como caraças (=máscaras), vêm nos livros, nos jornais, nos slogans publicitários, nas legendas dos filmes, nas cartas e nos cartazes. As palavras aconselham, sugerem, insinuam, ordenam, impõem, segregam, eliminam. São melífluas ou azedas. O mundo gira sobre palavras lubrificadas com óleo da paciência. Os cérebros estão cheios de palavras que vivem em boa paz com as suas contrárias e inimigas. Por isso as pessoas fazem o contrário do que pensam, julgando pensar o que fazem. Há muitas palavras."

Referência bibliográfica

CADORE, Luiz Agostinho. Uso da Acentuação Gráfica. 1ª edição. São Paulo: Manole, 2008.


Foco - Daniel Goleman

A atenção precisa ser exercitada para funcionar da melhor maneira possível. No livro “Foco”, do escritor Daniel Golmenan, publicado em 2014 no Brasil pela Editora Objetiva, o autor argumenta que é preciso foco para desenvolvermo-nos num mundo em que as distrações e o grande volume de informações nos cerca. O foco torna o profissional melhor em sua atividade, a pessoa mais concentrada e com possibilidade de melhorar o êxito de suas qualificações. A atenção, ganha então, papel fundamental para determinar o sucesso do indivíduo.

Para um estudante, por exemplo, “quanto mais eles divagam, menos compreendem”. Segundo Goleman, “a mente de um leitor divaga tipicamente entre 20% e 40% do tempo em que lê um texto”. A divagação, tira o foco, fazendo com que o indivíduo se disperse do assunto a que deveria estar atento.

Atividades que desafiam a nossa capacidade ao máximo ou aquilo pelo qual somos apaixonados, são canais que possibilitam o foco total. Ambos tornam-se um poderoso meio para ampliar a nossa atenção. É mais comum prestarmos atenção naquilo que gostamos.

“O envolvimento ativo da atenção significa uma atividade descendente, um antídoto para o risco de se atravessar o dia com um automatismo de zumbi. Podemos reagir a comerciais, ficar alertas ao que está acontecendo ao nosso redor, questionar rotinas automáticas ou melhorá-las. Essa atenção focada e frequentemente orientada a resultados inibi hábitos descuidados. É um foco ativo.”

Alguns fatores exercem influência no sucesso na vida adulta. Goleman fala sobre um teste realizado com crianças que tinham de controlar a sua mente para serem recompensadas com um doce. Na fase adulta, aqueles que demonstraram maior controle emocional, se saíram melhores em suas vidas. “Têm melhor desempenho na vida crianças que são capazes de ignorar um impulso, filtrar o que é irrelevante e se manter focadas num objetivo.”

A atenção, contudo, não é ilimitada. As preocupações ou distrações interferem na capacidade de nossa atenção, ocupando espaço de coisas mais relevantes. Nos ver como os outros nos veem, tentar  isolar as interferências que nos atrapalham, usar de empatia, compreender o outro com sensibilidade social é fundamental para focar a nossa atenção. O escritor cita que “quanto mais você se importa com alguma coisa, mais presta atenção e quanto mais presta atenção, mais você se importa”. É, portanto, um círculo virtuoso.

Por falar em virtude, o pensamento positivo é um forte instrumento para ativar áreas positivas do cérebro. Focar em nossos pontos fortes nos incentiva e nos estimula. Por outro lado, dar atenção às nossas fraquezas, nos deprime e nos fecha.

No campo corporativo a atenção é uma necessidade da liderança, que precisa voltar-se ao lugar certo na hora certa, com o propósito de perceber tendências, ver a realidade dos acontecimentos e aproveitar as oportunidades. No entanto, é preciso complementar que não é apenas a atenção do líder que define o fracasso ou o sucesso de uma organização. A rede de atenção formada por seus membros, independentemente do nível hierárquico, pode levar a empresa a focar-se naquilo que é relevante ou no que não a faz lucrar. A estratégia da empresa guia a atenção dos seus integrantes. Goleman exemplifica com o retorno de Steve Jobs à Apple em 1997. Sua estratégia para vencer as dificuldades que a empresa enfrentava foi simples: foco.

“Focar não é apenas selecionar a coisa certa, mas também dizer “não” às coisas erradas (...)”. Foco nos desperta para a maneira como conduzimos as nossas ações, vemos para onde ou o que direcionamentos a nossa atenção. O tratado de Goleman, com ampla pesquisa de fontes, vai além do uso da mente para tarefas rotineiras. Abrange o pensar em “nós”, pensar nos outros, se ver e ser parte do mundo. Para se destacar e para conduzir de maneira eficiente e eficaz as ações é preciso ter foco.

O livro é daqueles que se pode ler a qualquer hora, em qualquer lugar, porque o assunto é atual e perene. Vale para líderes, liderados, profissionais, estudantes, jovens, idosos, enfim para todos. Atenção não tem idade nem profissão, foco é uma ferramenta essencial para o sucesso.

Ficha Técnica
Título: Foco – a atenção e seu papel fundamental para o sucesso
Escritor: Daniel Goleman
Editora: Objetiva
Edição: 1ª
ISBN: 978-85-390-0535-2
Ano: 2014
Número de Páginas: 294
Assunto: Relações humanas / Inteligência - aspectos