Cemitérios de Dragões - Raphael Draccon

Cinco personagens tomam o centro da história de “Cemitérios de Dragões – Legado Ranger I”, do escritor Raphael Draccon. O livro, de 350 páginas, foi lançado em 2014 pela Editora Rocco - selo Fantástica -, e conta a história das cinco pessoas num mundo que fica numa outra dimensão. Derek é um soldado do Exército Americano, Amber é uma garçonete irlandesa, Romain é francês e mestre em parkour (aquela técnica de mover-se de um lado para o outro usando o corpo, principalmente saltos), Daniel um brasileiro, hacker e nerd e Ashanti, uma guerrilheira de Ruanda.

Os capítulos do livro são narrados a partir da história de cada um deles, que tem personalidades antagônicas, num mundo com humanoides, príncipes, anões, monstros, demônios e outros seres fantásticos. Eles tem uma missão, a de combater o mal. Mas quando se veem nessa terra inóspita, ainda não sabem a razão de ali estarem.

“_Como foi sua chegada aqui? (...) Digo... depois que você acordou?”

Os cinco personagens vivenciam suas histórias, que se cruzam em dado momento e vão percebendo o motivo de estarem naquele lugar estranho, passando por locais diferentes do mundo fantástico, que vão desde as Minas Dracônicas, passando pelo Castelo Estelar, a Floresta Cinzenta, o Centro de Taremu, a Floresta de Metal, Tengrim e outros que vamos conhecendo ao longo da narrativa.

Elementos que estão presentes no universo nerd e no livro atraem o leitor que gosta desse gênero de história. Há inspiração em autores como Tolkien, George R. R. Martin e programas e séries antigos como Changerman, Jaspion e Flashman. Interessante observar que há ainda uma miscelânea entre o tradicional e épico com a modernidade e a tecnologia, o que deixa o livro ainda mais atrativo e instigante.


Draccon utilizou-se ainda de momentos de ação, emoção e até humor, como toda boa história deve ter.

“... Tudo era dor. Mover-se, respirar, pensar. Qualquer coisa remetia a tanto sofrimento que até mesmo chorar fazia arder as feridas na face.”

Alguns personagens falam outras línguas, o que é expressado no livro com uma fonte diferente para cada fala. Em pouco tempo você vai reconhecendo essas diferenças linguísticas. Contudo, caro leitor, não fique preocupado se ainda não leu, pois está totalmente em português.

Vamos esperar pelo Legado Ranger II, para ver que rumo a história dos cinco personagens vai tomar e/ou se outros vão surgir.

Ficha Técnica
Título: Cemitérios de Dragões
Escritor: Raphael Draccon
Editora: Fantástica Rocco
Edição:
ISBN: 978-85-68263-01-3
Ano: 2014
Número de Páginas: 350
Assunto: Fantasia / Ficção infantojuvenil brasileira

O Espadachim de Carvão - Affonso Solano

Adapak vive com seu pai em uma ilha sagrada. Quando o jovem completa dezenove ciclos de vida, sua morada é invadida. Para sobreviver o jovem Adapak tem de fugir do local.

Na jornada o homem de pele negra (cor de carvão) e olhos totalmente brancos encontra diversos seres e vive momentos de descobertas.

Um dos trechos que descreve características físicas do espadachim revela:

“... Seu corpo esguio era completamente desprovido de pelos e sua pele era escura como a noite – o tom passado de cinza para o negro absoluto com o avançar do tempo. Seus pés e mãos contavam cinco dedos cada e não tinham unhas (...) seu par de olhos também era branco, apesar de uma observação mais honesta revelar que as pupilas eram brancas e por isso, sem o contraste dos globos oculares (também brancos) seus olhos finalizavam uma aparência sem vida e intimidante para um observado mais relapso.”

Kurgala é o mundo pelo qual o espadachim, que dá nome ao livro, circula e é apresentado de maneira fantástica e mitológica. Os nomes com que lidamos no início do livro pode nos envolver e/ou nos atrapalhar, mas na medida em que avançamos na leitura vamos descortinando e se aprofundando nesse novo universo. Quatro grandes deuses, chamados de “Os Quatro Grandes Que São Um”, são a força maior que move as criaturas que conheceremos no livro.

Os perseguidores de Adapak sempre falam uma palavra que lhe serve de sinal de alerta: Ikibu. E ao se ver em perigo o jovem espadachim sente a sua mente trabalhando e operando de maneira antecipada, estudada, os movimentos de seus combatentes. Assim sendo, Adapak é capaz de atacar e se defender sem grande esforço. Como isso acontece? Através da técnica de Círculos de Tibaul.  O espadachim enfrenta diversos momentos em que coloca em prática as técnicas de combate que aprendeu ao longo de sua vida, no manejo de suas duas espadas.


Na fuga e, na luta pela sobrevivência, Adapak vai desvendar segredos de sua mente, do seu corpo, do seu conhecimento e da sua própria história, perpassando por seu pai e por pessoas com quem se relaciona. Valores e percepções que o jovem tinha antes de fugir, passam a ser questionados e ele aprende e apreende com os confrontos que vivencia em Kurgala.

"_Quando somos criança, nos é dito que o mundo é... ruim, sim (...) Mas conforme crescemos e o vivenciamos, aos poucos entendemos que o ruim não é puramente "ruim" e o bom não é puramente "bom". O bom e o ruim andam juntos, você tem que aceitar um para entender o outro."

O jovem de pele cor de carvão é ávido por livros de fantasia e vê referências de fatos ou citações que leu com as que vive. Trechos de livros lidos por Adapak são citados na introdução de cada capítulo, nos dando referências do que encontraremos na leitura das próximas páginas.

“O Espadachim de Carvão”, de Affonso Solano tem um universo mítico em suas 256 páginas, com criaturas exóticas, por vezes assustadoras e lugares fantásticos, descritos com detalhes que só podem despertar a imaginação do leitor. Adapak é um personagem intrigante e curioso da literatura de fantasia brasileira. Ganha ares de herói, com descobertas de um jovem passando para a fase adulta, sem perder o poder mítico que o envolve e o fascínio que esses seres exercem nos leitores.

Sobre o autor

Affonso Solano
Foto: Beatriz Dourado
Affonso Solano é um dos criadores do site e podcast Matando Robôs Gigantes, é também ilustrador e storyboarder e colunista do site TechTudo.

Ficha Técnica
Título: O Espadachim de Carvão
Escritora: Affonso Solano
Editora: Casa da Palavra
ISBN: 978-85-7734-334-8
Edição:
Número de Páginas: 256
Ano: 2013
Assunto: Ficção Brasileira

Prêmio Jabuti - Vencedores

Troféu do Prêmio Jabuti
A 56ª Edição do Prêmio Jabuti, o maior prêmio da literatura brasileira, premiou na noite de ontem (18/11) no Auditório do Ibirapuera, em São Paulo, o melhor livro de ficção e de não-ficção.

"Breve História de um Pequeno Amor", de Marina Colasanti foi eleito o melhor livro de 2013 na categoria ficção. Já na categoria não-ficção o ganhador foi o escritor Laurentino Gomes, com o livro "1889". Além do troféu os ganhadores receberam R$ 35.000,00.

Veja a capa e a sinopse dos livros vencedores.




1889 - Laurentino Gomes
Globo Livros, 416 páginas, 2013

Nas últimas semanas de 1889, a tripulação de um navio de guerra brasileiro ancorado no porto de Colombo, capital de Ceilão (atual Siri Lanka), foi pega de surpresa pelas notícias alarmantes que chegavam do outro lado do mundo. O Brasil havia se tornado uma república. O império brasileiro, até então tido como a mais sólida, estável e duradoura experiência de governo na América Latina, com 67 anos de história, desabara na manhã de quinze de novembro. O austero e admirado imperador Pedro II, um dos homens mais cultos da época, que ocupara o trono por quase meio século, fora obrigado a sair do país junto com toda a família imperial. Vivia agora exilado na Europa, banido para sempre do solo em que nascera. Enquanto isso, os destinos do novo regime estavam nas mãos de um marechal já idoso e bastante doente, o alagoano Manoel Deodoro da Fonseca, considerado até então um monarquista convicto e amigo do imperador deposto.

Breve História de um Pequeno Amor - Marina Colasanti
Editora FTD, 48 páginas, 2013 


Uma escritora encontra um ninho com dois filhotes de pombo. Por meio de uma prosa poética, o leitor compartilha as hesitações e os sucessos de uma história de crescimento e desenvolvimento. Como o próprio nome da obra diz, esta é uma história de amor, mas também de ciúme, aflição, paciência, saudade, preocupação, orgulho...

Você pode conferir a lista completa de ganhadores da 56ª Edição do Prêmio Jabuti no site da premiação (http://premiojabuti.com.br/).

Agradecimento especial à Distribuidora Casa de Livros que gentilmente me comunicou os dois ganhadores durante o evento, via Instagram.
Conheçam o site da Casa de Livros: http://casadelivrosdistribuidora.com.br/.

10 livros sobre História do Brasil


Há inúmeros livros que contam sobre momentos, fatos e personagens históricos brasileiros. A história nos releva, assim como nos livros ficcionais, muitas personas, vivências, pensamentos e fatos que parecem, por vezes, fantasiosos. Gosto muito de apreciar livros que contam a história, pois vemos ali manifesto os relatos de momentos verídicos e acontecimentos que influenciam ou influenciaram gerações.
Voltar ao passado é um meio de conhecer o presente e entender o que faremos do futuro. Conhecer o país, os habitantes, as motivações do povo e dos governos, é um universo bastante rico. Por isso, selecionei dez livros que tratam de momentos da história do Brasil. A lista poderia ser muito, mas muito maior, com certeza. No entanto, vamos iniciar com esse top 10. Confira os livros e a sinopse respectiva.

1808 – Laurentino Gomes
Editora Planeta, Ano 2007, 408 páginas
                                             
A fuga da família real portuguesa para o Rio de Janeiro ocorreu num dos momentos mais apaixonantes e revolucionários do Brasil, de Portugal e do mundo. Guerras napoleônicas, revoluções republicanas, escravidão formaram o caldo no qual se deu a mudança da corte portuguesa e sua instalação no Brasil. O propósito deste maravilhoso livro, resultado de dez anos de investigação jornalística, é resgatar e contar de forma acessível a história da corte lusitana no Brasil e tentar devolver seus protagonistas à dimensão mais correta possível dos papéis que desempenharam duzentos anos atrás. Escrita por um dos mais influentes jornalistas da atualidade, 1808 é o relato real e definitivo sobre um dos principais momentos da história brasileira.

1822 – Laurentino Gomes
Ediouro, Ano 2010, 328 páginas

Nesta nova aventura pela História, Laurentino Gomes, o autor do best-seller '1808', conduz o leitor por uma jornada pela Independência do Brasil. Resultado de três anos de pesquisas e composta por 22 capítulos intercalados por ilustrações de fatos e personagens da época, a obra cobre um período de quatorze anos, entre 1821, data do retorno da corte portuguesa de D. João VI a Lisboa, e 1834, ano da morte do imperador Pedro I. 'Este livro procura explicar como o Brasil conseguiu manter a integridade do seu território e se firmar como nação independente em 1822', explica o autor. 'A Independência resultou de uma notável combinação de sorte, acaso, improvisação, e também de sabedoria de algumas lideranças incumbidas de conduzir os destinos do país naquele momento de grandes sonhos e perigos'.

1889 – Laurentino Gomes
Globo, Ano 2013, 416 páginas

Nas últimas semanas de 1889, a tripulação de um navio de guerra brasileiro ancorado no porto de Colombo, capital do Ceilão (atual Sri Lanka), foi pega de surpresa pelas notícias alarmantes que chegavam do outro lado do mundo. O Brasil havia se tornado uma república. O império brasileiro, até então tido como a mais sólida, estável e duradoura experiência de governo na América Latina, com 67 anos de história, desabara na manhã de Quinze de Novembro. O austero e admirado imperador Pedro II, um dos homens mais cultos da época, que ocupara o trono por quase meio século, fora obrigado a sair do país junto com toda a família imperial. Vivia agora exilado na Europa, banido para sempre do solo em que nascera. Enquanto isso, os destinos do novo regime estavam nas mãos de um marechal já idoso e bastante doente, o alagoano Manoel Deodoro da Fonseca, considerado até então um monarquista convicto e amigo do imperador deposto.

Essas e outras histórias surpreendentes estão em 1889, o novo livro do premiado escritor Laurentino Gomes. A obra, que trata da Proclamação da República, fecha uma trilogia iniciada com 1808, sobre a fuga da corte portuguesa de Dom João para Rio de Janeiro, e continuada com 1822, sobre a Independência do Brasil.

Guia politicamente incorreto da História do Brasil – Leandro Narloch
Leya, Ano 2009, 304 páginas

Nesse livro, o jornalista Leandro Narloch prefere adotar uma postura diferente para contar a História, que vai além dos mocinhos e bandidos tão conhecidos. Ele mesmo, logo no prefácio, avisa ao leitor: Este livro não quer ser um falso estudo acadêmico, como o daqueles estudiosos, e sim uma provocação. Uma pequena coletânea de pesquisas históricas sérias, irritantes e desagradáveis, escolhidas com o objetivo de enfurecer um bom número de cidadãos.”É verdade: esse guia enfurecerá muitas pessoas. Porém, é também verdade que a história, assim, fica muito mais interessante e saborosa para quem a lê.

Domitila – a verdadeira história da Marquesa de Santos – Paulo Rezzutti
Geração Editorial, Ano 2013, 352 páginas

Depois do extraordinário sucesso de seu livro de estreia, Titília e o Demonão: cartas inéditas de d. Pedro I à marquesa de Santos, o historiador Paulo Rezzutti presenteia o público amante de história e de boas histórias com a sua muito aguardada biografia de Domitila de Castro (1797 -1867), a incomparável marquesa de Santos, amante do primeiro imperador do Brasil e uma das mulheres mais notáveis e influentes da América Latina, que, segundo o escritor Paulo Setúbal, “encheu um Império com o ruído do seu nome e o escândalo do seu amor”.

Ditadura à brasileira – Marco Antonio Villa
Leya, Ano 2014, 432 páginas

Esta obra procura desmistificar a ditadura brasileira, tanto em sua duração como em seus efeitos. Narra aqui a história desse período buscando não omitir quanto aos excessos que levaram à perseguição, tortura e morte no período entre o final de 1968 e 1979, e, para ele, porém, 'o regime militar brasileiro não foi uma ditadura de 21 anos. Não é possível chamar de ditadura o período 1964-1968 (até o AI-5), com toda a movimentação político-cultural. Muito menos os anos 1979-1985, com a aprovação da Lei de Anistia e as eleições para os governos estaduais em 1982'.

O guia dos curiosos Brasil – Marcelo Duarte
Panda Books, 2010, 584 páginas

Você sabe quanto a Casa da Moeda gasta para fazer 1 centavo? O livro reúne informações práticas, divertidas e pouco conhecidas sobre todo o Brasil.  Uma viagem preparada para todo mundo que deseja saber mais sobre o país.

Casa grande & senzala (Edição Comemorativa de 80 anos) – Gilberto Freyre
Editora Global, Ano 2013, 784 páginas

Para celebrar os 80 anos de publicação de Casa-grande & senzala, a Global Editora lança uma edição especial desta obra clássica. Esta edição comemorativa tem capa dura e traz, além dos dois cadernos iconográficos já existentes nas edições anteriores, um caderno colorido com fotos e documentos referentes à primeira edição e uma fortuna crítica com textos de Darcy Ribeiro, Roland Barthes, entre outros, que mostra a recepção crítica do livro ao longo dessas oito décadas. A obra de Gilberto Freyre retrata o pensamento brasileiro.

Raízes do Brasil - Sérgio Buarque de Holanda
Companhia das Letras, Ano 1997, 224 páginas

Nunca será demasiado reafirmar que Raízes do Brasil inscreve-se como uma das verdadeiras obras fundadoras da moderna historiografia e ciências sociais brasileiras. Tanto no método de análise quanto no estilo da escrita, tanto na sensibilidade para a escolha dos temas quanto na erudição exposta de forma concisa, revela-se o historiador da cultura e ensaísta crítico com talentos evidentes de grande escritor. 

A incapacidade secular de separarmos vida pública e vida privada, entre outros temas desta obra, ajuda a entender muito de seu atual interesse. E as novas gerações de historiadores continuam encontrando, nela, uma fonte inspiradora de inesgotável vitalidade. Todas essas qualidades reunidas fizeram deste livro, com razão, no dizer de Antonio Candido, "um clássico de nascença". 

1968 o ano que não terminou – Zuenir Ventura
Objetiva, Ano 2013, 312 páginas

Neste clássico da não ficção nacional, o jornalista e romancista Zuenir Ventura conta, com a urgência das grandes reportagens e com a sofisticação da alta literatura, como transcorreu no Brasil o ano que, através do mundo, iria se tornar lendário por conta de manifestações estudantis contra o sistema. Aqui, sob a ditadura militar estabelecida em 1964, o desenlace seria terrível: pressionado pelos radicais, o presidente Costa e Silva decretaria o AI-5, concentrando poderes e sufocando o que restava de democracia. O famoso maio de 1968 começou com dois meses de antecedência no Brasil. Mais precisamente em 28 de março, quando a PM invadiu o restaurante estudantil Calabouço, no centro do Rio de Janeiro, e matou Edson Luis Lima Souto, de 18 anos, com um tiro à queima-roupa no peito. A reação da sociedade civil à truculência da ditadura militar, no enterro acompanhado por 50 mil pessoas e na famosa Passeata dos Cem Mil, realizada em junho, estabeleceu a rota de colisão que culminaria com a decretação do nefando Ato Institucional nº 5 no dia 13 de dezembro daquele ano tornado mitológico. A partir dali, não haveria mais a encenação de democracia que vigorava desde o golpe de 1964: o governo do general Arthur da Costa e Silva deteria nas mãos todos os poderes e não se furtaria a usá-los, fosse cassando, exilando, prendendo ou até matando de forma clandestina. Vinte e um anos se passariam até que um presidente civil eleito democraticamente chegasse ao Palácio do Planalto - Fernando Collor de Mello, que, também democraticamente, seria impedido de governar pelo Congresso, em 1992, acusado de corrupção - e a normalidade viesse a ser restaurada na vida nacional. Neste livro já clássico, que vendeu mais de 300 mil exemplares desde sua primeira edição, em 1988, o jornalista Zuenir Ventura historia - a partir da louca festa de réveillon na casa da crítica literária Heloísa Buarque de Hollanda - o ano de 1968 tal como vivido no Brasil. Fazem parte de sua pauta, além do assassinato de Edson Luis, da Passeata dos Cem Mil e do AI-5, a contracultura hippie, Caetano, Gil, Chico, Glauber, Fernando Henrique, José Dirceu, Nelson Rodrigues, o congresso da UNE em Ibiúna, a conspiração de militares de extrema-direita para explodir o Gasômetro e matar milhares de cariocas, o discurso do deputado Márcio Moreira Alves que revoltou as Forças Armadas, a pressão dos radicais pelo endurecimento do regime. Que ano.

Matar para não morrer - A morte de Euclides da Cunha e a noite sem fim de Dilermando de Assis - Mary Del Priore

Euclides da Cunha, escritor do clássico e aclamado “Os Sertões” e membro da Academia Brasileira de Letras era um homem como qualquer outro.  E assim, sendo estava sujeito a quaisquer problemas. Em sua vida familiar, mais especificamente, em sua relação conjugal, Euclides passou  por uma grande turbulência. A relação extra-conjugal mantida por sua esposa com outro homem, o militar Dilermando de Assis, o desequilibrou emocionalmente.

Numa época de intenso julgamento sobre a vida particular, com imposição de inferiorização feminina, a submissão da mulher ao marido, a imagem ideal de pureza sexual da mulher e extremo machismo, as intervenções sociais (manifestadas em palavras e atos), culminou em afetar a vida do casal. Os falatórios, as colocações dos familiares, os olhares, o apontamento de amigos e colegas de trabalho, favoreceram a tomada de decisão que levaria aos fatos posteriores. Um homem, ou melhor dizendo, os homens, não podiam ficar com sua honra manchada diante de uma traição. Honra esta que deveria ser lavada até mesmo com sangue.

Euclides da Cunha carregava consigo o peso da traição de sua esposa, Ana da Cunha, ou dona Saninha como era comumente chamada. Esse peso que o escritor carregava o levou a sair em busca de “matar para não morrer” e, de arma em punho, um crime foi cometido.

Com o acontecimento verifica-se ainda a posição adotada pela imprensa, que escolheu um algoz para perseguir e, assim conseguiu perpetuar sua fama de homem mau. A imprensa carregava em adjetivos como “desprezível”, “asqueroso”, “cruel”, “besta”, “selvagem”, “bárbaro”. Ao assassino coube carregar o peso, apesar de fatos que lhe foram favoráveis após a execução do ato.

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Além de contar sobre a vida particular de Euclides da Cunha, a autora do livro demonstra o panorama social, político, cultural, econômico, histórico e até literário, que se vivia na época. Retrato esse, capaz de nos fazer entender, como a sociedade, de um modo ou de outro, pode afetar a decisão particular. O homem comum, envolto a cultura em que vive, carrega consigo o modo de compreender o que é moral.

Da curiosa relação do triângulo amoroso que se formou, o pano de fundo nos questiona a avaliar os fatos passados, em sua posição histórica e relacioná-los com o momento presente, com a história que vivemos hoje. Alguns fatores se destacam como a posição da imprensa em rechaçar o assassino, a luta da família por honrar o nome do escritor Euclides da Cunha, a tentativa de Dilermando de se reconstruir, o papel da mulher na sociedade, o entendimento sobre moral, a formação familiar e as consequências dos atos de seus integrantes, o posicionamento pessoal diante dos fatos revelados, entre outros. Temas, que vez ou outra, discutimos.
Foto: Bel Pedrosa

Sobre a autora
Mary Del Priore escreveu mais de vinte livros sobre a História do Brasil. Historiadora, foi duas vezes vencedora do Prêmio Casa Grande & Senzala. Ganhou ainda o Jabuti na categoria Ciências Humanas, com “História das Mulheres no Brasil”. Ganhou também o prêmio de melhor livro de não-ficção da Associação Paulista de Críticos de Arte com o livro “O Príncipe Maldito”.

Ficha Técnica
Titulo: Matar para não morrer – A morte de Euclides da Cunha e a noite sem fim de Dilermando de Assis
Escritora: Mary Del Priore
Editora: Objetiva
Edição:
ISNB: 978-85-390-0027-2
Número de Páginas: 174
Ano: 2009
Assunto: Euclides da Cunha

Os Crimes do Monograma – Agatha Christie por Sophie Hannah

No lançamento mundial de “Os crimes do monograma”, ocorrido simultaneamente em 33 países e publicado no Brasil pela Editora Nova Fronteira, o célebre personagem de Agatha Christie reaparece. Hercule Poirot, o famoso, baixinho, bigodudo, organizado e astuto detetive morreu no livro “Cai o Pano”, publicado em 1975 e aqui é contado um novo caso que teve a participação do belga.

Segundo relatos, Agatha Christie, sua criadora, teria matado o detetive para que seu grande personagem não fosse utilizado após a sua morte. Especulações a parte, Mathew Prichard, neto e detentor dos direitos sobre a obra da Rainha do Crime, autorizou a britânica Sophie Hannah a escrever uma nova história do detetive.

Poirot é um dos mais representativos detetives da literatura policial, tendo ganhado vida também no cinema, na televisão e no teatro.

Nas 288 páginas de “Os crimes do monograma”, Sophie, com tradução de Alyne Azuma,  apresenta a história de três crimes que ocorrem num hotel. Cada corpo é encontrado em um quarto diferente e, após conhecer uma mulher num café, Poirot é levado a investigar os acontecimentos. Ao lado do policial da Scotland Yard, Edward Catchpool, vai buscar desvendar a conexão entre as vítimas,  o motivo, porque tinham abotoaduras na boca e, sobretudo, quem foi o autor dos assassinatos.

“O modo como Poirot conta uma história rapidamente é um tanto distinto do da maioria das pessoas. Todo detalhe tem igual importância, seja um incêndio no qual trezentas pessoas morreram ou uma pequena covinha no queixo de uma criança.”

Hannah conseguiu manter a fidelidade ao personagem Poirot escrito e descrito por Agatha. O personagem, no entanto, apresenta de maneira muito sutil uma impaciência maior em relação aos seus companheiros de trabalho e mostra uma outra faceta. Mas, Poirot está lá, de maneira primorosa com suas deduções perspicazes, sua astúcia, sua incredulidade diante dos fatos que são apresentados, sua perseguição pelo caminho não óbvio dos fatos e pelo modo de instigar o pensamento crítico de seus parceiros para que eles usem suas “celulazinhas cinzentas”. No caso em questão o parceiro é Catchpool.

“Poirot havia apontado uma falha tão óbvia no relato dela, e eu não tinha reparado. Simplesmente aquilo não me ocorrera.”

Suspense, mistério, ligações entre fatos presentes e passados, relações, disfarces, mentiras e omissões, que marcam as histórias de suspense e de Agatha estão presentes no livro de Hannah. O detetive Poirot, figura central, marca mais uma vez sua característica de compreender o ser humano e, a partir desse entendimento, desvendar os crimes que são capazes de cometer.

Para fãs de Agatha Christie, de Hannah, de Poirot ou de histórias de suspense o livro é mais do que recomendado. Supriu a minha expectativa em ver um personagem tão marcante e tão ligado a seu autor, ser descrito por outro com as mesmas nuances e sem perder sua essência, embora se veja diante de uma história diferente das que costumava atuar.

Sobre a autora
Sophie Hannah é autora de thrillers psicológicos que se tornaram Best-sellers em mais de vinte países. O jornal The Guardian descreve que “a genialidade dos thrillers de Hannah – além dos mais enredos surpreendentes de todos os tempos – está na criação de personagens comuns cujas particularidades psicológicas fazem delas tão monstruosas como qualquer serial killer”. Sophie é também poetisa e foi uma das finalistas do Prêmio T.S. Eliot.

Ficha Técnica:
Título: Os crimes do monograma
Escritora: Sophie Hannah
Editora: Nova Fronteira
ISBN: 978-852-093-925-3
Edição: 1º
Número de Páginas: 288
Ano: 2014
Assunto: Romance inglês


10 excelentes livros sobre gestão


Sobre gestão e liderança há uma infinidade de livros. Trata-se de uma fonte quase inesgotável para discussão no universo acadêmico e corporativo. As pessoas, em busca de crescimento em sua jornada profissional (sendo líderes ou não), tem necessidade de conhecimento e de afiar sua mente e seus atos com o que é esperado no dia-a-dia de uma empresa. Ser líder não é tarefa fácil e, talvez por isso, tenhamos nos catálogos de grandes editoras uma série de títulos que tratam do tema. Separei 10 excelentes livros que não podem faltar na biblioteca de um gestor ou que podem auxiliar oqualquer pessoa a entender mais acerca da gestão e do ser humano.

Inteligência emocional – Daniel Goleman
Editora: Objetiva – Número de Páginas: 372 – Ano 1996

Inteligência é emocão. QI não é destino. O fascinante e convincente livro 'Inteligência Emocional', de Daniel Goleman revela que a nossa visão sobre este assunto ainda é muita estreita. Ao contrário do saber científico que dominou o mundo ocidental no últimos séculos, Daniel Goleman revoluciona conceitos mostrando que o QI de uma pessoa não é garantia de sucesso e felicidade. No Brasil, o livro de Goleman tornou-seu um verdadeiro fenônemo editorial com mais de 400 mil exemplares vendidos. Utilizando inovadoras pesquisas cerebrais e comportamentais, Goleman, PhD pela Universidade de Harvard, mostra porque pessoas de QI alto fracassam e outras, cujo quociente é mais modesto, apresentam uma trajetória de vida de sucesso. O livro de Goleman ainda derruba um outro tabu: o mito de que a inteligência seria determinada pela genética. Para o cientista, a inteligência está ligada à forma como negociamos as nossas emoções. A inteligência emocional seria esta capacidade de autoconsciência, controle de impulsos , persistência, empatia e habilidade social.

O Gerente-Minuto – Kenneth Blanchard e Spencer Johnson
Editora: Record – Número de Páginas: 112 – Ano 2004

Várias empresas de porte no Brasil e no mundo já adotaram o programa revolucionário criado por Kenneth Blanchard e Spencer Johnson em 'O Gerente-Minuto', um manual de três regras básicas, muito fáceis de serem aplicadas, que produzem excelentes resultados em um curto espaço de tempo: - Objetivos-Minuto: como estabelecer objetivos e padrões de desempenho e fornecer o feedback de que seus funcionários precisam para realizar suas tarefas melhor; - Elogios-Minuto: como obter um alto nível de desempenho e aumentar a produtividade através do reforço positivo; - Repreensões-Minuto: como recolocar vencedores em potencial no caminho certo para um desempenho superior. A tese de Goleman está baseada numa síntese original, feita a partir de pesquisas e recentes descobertas sobre o funcionamento do cérebro. Ele mostra como a inteligência emocional pode ser alimentada e fortalecida em todos nós, principalmente na infância, período no qual toda a estrutura neurológica encontra-se em formação. 

Os Sete Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes – Stephen R. Covey
Editora: Best Seller – Número de Páginas: 448 – Ano 2005

Considerado um dos livros de negócios mais influentes de todos os tempos pela revista Forbes, Os 7 hábitos das pessoas altamente eficazes já teve mais de 15 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo. Esta miniedição reúne os tópicos essenciais do programa de sete passos desenvolvido por Stephen R. Covey, que mostra como alcançar a paz de espírito e adquirir confiança por meio dos princípios que caracterizam as ações bem-sucedidas e a felicidade duradoura.

Quem mexeu no meu queijo? – Spencer Johnson
Editora: Record – Número de Páginas: 112 – Ano 2003

Uma parábola que busca revelar verdades sobre mudança. É uma história sobre quatro personagens, dois ratos e dois humanos do mesmo tamanho dos roedores,  que vivem em um labirinto em eterna procura por queijo, que os alimenta e os faz feliz. O queijo é uma metáfora daquilo que se deseja ter na vida, seja um bom emprego, um relacionamento amoroso, dinheiro, saúde ou paz espiritual. O labirinto é o local onde as pessoas procuram por isso - a empresa onde se trabalha, a família ou a comunidade na qual se vive. Nesta história, os personagens se defrontam com mudanças inesperadas. Um deles é bem-sucedido, e escreve o que aprendeu com sua experiência entre as paredes do labirinto.

O monge e o executivo – James C. Hunter
Editora: Sextante – Número de Páginas: 144 - Ano 2004

Você está convidado a juntar-se a um grupo que durante uma semana vai estudar com um dos maiores especialistas em liderança dos Estados Unidos. Leonard Hoffman, um famoso empresário que abandonou sua brilhante carreira para se tornar monge em um mosteiro beneditino, é o personagem central desta envolvente história criada por James C. Hunter para ensinar de forma clara e agradável os princípios fundamentais dos verdadeiros líderes. Se você tem dificuldade em fazer com que sua equipe dê o melhor de si no trabalho e gostaria de se relacionar melhor com sua família e seus amigos, vai encontrar neste livro personagens, idéias e discussões que vão abrir um novo horizonte em sua forma de lidar com os outros. É impossível ler este livro sem sair transformado. 'O Monge e o Executivo' é, sobretudo, uma lição sobre como se tornar uma pessoa melhor. James C. Hunter, o autor, é instrutor e palestrante nas áreas de liderança funcional e organização de grupos comunitários.

Como se tornar um líder servidor – James C. Hunter
Editora: Objetiva – Número de Páginas: 144 – Ano 2006

Com 700 mil exemplares vendidos, O Monge e o Executivo se tornou um dos mais influentes livros sobre liderança já publicados no Brasil, disseminando conceitos inovadores que estão sendo debatidos e adotados por empresas, universidades, escolas, famílias e indivíduos em todo o país. O outro livro de James C. Hunter, 'Como se Tornar um Líder Servidor', tem dois objetivos: o primeiro é compilar de maneira simples, concisa e clara os princípios da liderança servidora apresentados em seu livro anterior. O segundo é proporcionar um guia que facilite a aplicação desses princípios em sua vida e no trabalho. Este livro mostra que o desenvolvimento de liderança e a construção do caráter são a mesma coisa – ambos exigem mudança. Os princípios da liderança servidora podem ser aprendidos e aplicados por quem tem a vontade e a intenção de mudar, crescer e melhorar.

A arte da guerra – Sun Tzu
Editora: Sapienza – Número de Páginas: 178 – Ano 2006

O maior tratado de guerra de todos os tempos. 'A Arte da Guerra' é sem dúvida a Bíblia da estratégia, sendo hoje utilizada amplamente no mundo dos negócios, conquistando pessoas e mercados. Não nos surpreende vê-la citada em filmes como Wall Street (Oliver Stone, 1990) e constantemente aplicada para solucionar os mais recentes conflitos do nosso dia-a-dia.. Realista e moderado, Sun Tzu acreditava que, na guerra, o ideal é vencer sem combater. Predecessor de Clausewitz, escreveu seu tratado 600 anos antes de Cristo - e até hoje é atual.

O livro de ouro da liderança – John C. Maxwell
Editora: Thomas Nelson – Número de Páginas: 200 - Ano 2011

John C. Maxwell, o maior treinador de líderes da atualidade, passou os últimos dez anos pensando em escrever este livro. O Livro de Ouro da Liderança’ descreve uma jornada que começou em 1964, quando ele tinha 17 anos. Aos 22, Maxwell assumiu seu primeiro cargo como líder. Aos 29, convenceu-se de que tudo começa e termina com a liderança. Juntamente com essa crença, desenvolveu uma paixão: a de estudar e ensinar sobre o assunto.As lições passadas por Maxwell em ‘O Livro de Ouro da Liderança’ são fundamentadas em suas experiências pessoais, ao longo se toda a sua vida como líder. Seus conselhos são importantes na escalada em busca da liderança. Cave a sua pepita de ouro e descubra como se tornar um grande líder.


Não se desespere – Mario Sergio Cortella
Editora: Vozes – Número de Páginas: 144 – Ano 2013

O livro traz profundas reflexões que contribuem na formação para a prática do controle emocional, característica é tão exigida atualmente no mercado de trabalho, sobretudo para os cargos de liderança. 'Não se desespere' nos convida a ir em busca do bem-viver. Acolher instantes deliberados de paz interior e sentir a prazerosa sensação mental, ainda que provisória, da aparente suspensão do fluir do tempo, permitindo um distanciamento das aflições cotidianas e uma recusa momentânea às perturbações que o existir nos oferta. Afinal, a humanidade acumulou conhecimentos e experiências ao longo de milênios, que a Ciência, a Filosofia, a Arte e a Religião expressam em forma de orientações para o nosso viver diário e de respostas às indagações centrais de nossa existência. Essas fontes nos sugerem como atitude sábia a recomendação; Não se desespere!

A arte de pensar claramente – Rolf Dobelli
Editora: Objetiva – Número de Páginas: 216 – Ano 2013

'A arte de pensar claramente' - do fundador do Zürich Minds e ex-diretor do grupo Swissair, Rolf Dobelli - reúne pesquisas inovadoras de economia comportamental, psicologia e neurociência para abordar erros cognitivos recorrentes. Com trânsito livre no alto escalão do mundo corporativo, Dobelli também se surpreendeu com a sucessão de falhas de interpretação que levou à crise de 2008, especialmente num ambiente no qual deveria predominar a racionalidade. No livro, o autor aponta 52 armadilhas crônicas e afirma que erros de pensamento são desvios sistemáticos em relação ao raciocínio e ao comportamento ideais, lógicos e sensatos. Formado em Ciências Empresarias e com PhD em Filosofia da Economia pela Universidade St. Gallen, na Suíça, Dobelli chama atenção para a repetição dos mesmos enganos, quase sempre numa mesma direção, e insere ao debate a tendência humana para a ilusão e excesso de confiança no processo de tomada de decisões e escolhas. Ao buscar compreender os mecanismos que induzem a mente humana ao erro, valendo-se de conhecimentos da psicologia, evolucionismo e da ciência cognitiva, Dobelli lista em A arte de pensar claramente a reincidência de tais equívocos e esmiúça o quebra-cabeça do raciocínio humano.

Balzac – Johannes Willms

Adquiri o livro na Bienal de São Paulo. Fui ávido por uma biografia. Não uma em específico, mas com outros títulos de ficção, queria sair de lá com um livro biográfico. E foi num estande logo na entrada, em meio à promoções, que de longe vi o livro. Foi assim que ele veio parar na minha estante.

Honoré de Balzac, escritor francês, nasceu no século XVIII, em 20 de Maio de 1799. O livro conta a história da vida de Balzac, passada no século XIX. Estão presentes os relatos sobre a conturbada relação com a mãe desde a infância, o que culminou em seu encaminhamento a um internato, local em que substituía sua necessidade de aconchego pela leitura. Foi essa paixão que despertou nele a vontade de tornar-se um escritor.
“Graças a suas leituras excessivas, ele amealhou durante seu tempo no internato uma bagagem multicolorida de conhecimento e de opiniões precoces, que seu jovem cérebro assimilou sem dificuldade. Mais tarde, obteve algum lucro desse tesouro conquistado na época de extrema carência emocional com inúmeros trabalhos paralelos jornalísticos e ensaísticos.”
Mais do que ser um escritor, Balzac pretendia ser um escritor conhecido. Sua irmã contava quando voltaram para Paris, que “ele começou a dizer que algum dia as pessoas ainda falariam dele”.

O francês teve vários relacionamentos amorosos, sendo inclusive sustentado por uma dessas mulheres, que lhe deu incentivos durante o tempo, em que ele sem dinheiro, se empenhava em consolidar sua carreira de escritor. Pelas palavras menos que pela aparência, Balzac seduzia as mulheres com seu entendimento sobre a alma feminina.

O escritor era louvável com seu árduo trabalho e incessante busca em publicar seus textos, construiu amizades e inimizades ao longo da jornada e, viveu altos e baixos com sua trágica maneira de lidar com finanças. Apesar das dívidas, Balzac não era pobre, embora tenha pairado em certos momentos uma lenda construída por seus contemporâneos que o definiam como um pobre poeta. 

O autor da biografia descreve em certas situações a relação da vida de Balzac fundindo-se com a vida de seus personagens. Exemplos são dados ao fatos vividos por ele, com a transcrição de textos de cartas e/ou outros registros do escritor. Em uma das obras, exemplificativamente, Balzac acrescentou a máxima “os infelizes não tem credores; para tê-los é preciso certo esplendor exterior”. Falava ele de experiência própria em relação a sua ilusão pela riqueza.

Balzac não contentava-se apenas em ser escritor e buscar seu sucesso em reconhecimento e dinheiro. Fez incursões na política francesa, embora não tenha obtido êxito. Estava sempre aproximando-se das altas rodas da sociedade francesa, ostentando suas aquisições em vestimentas, objetos de decoração, esbanjamento em restaurantes e outros consumos. Com isso, acumulava dívidas. Um dos episódios que comprovam a falta de traquejo de Balzac em lidar com as questões financeiras se deu durante o período em que trabalhou num jornal parisiense. Os relatos jornalísticos rendiam-lhe mais que o papel de escritor. Sua megalomania e seu desejo de ter poder, despertou nele a vontade de não somente escrever uma coluna para o jornal, mas de adquiri-lo. Assim o fez. No entanto, o jornal estava fadado ao fracasso, chegando a falência. Nessa época, o escritor sentiu que seu talento foi questionado, sobretudo em função da malograda atuação como editor.

O livro “A Comédia Humana” foi a maior e a mais conhecida das obras de Honoré de Balzac. Conta as histórias de mais de mil e trezentos personagens. Ao longo da vida, o escritor, criou cerca de dois mil em suas mais de cinqüenta obras. Alguns personagens, como citado anteriormente, carregam traços autobiográficos revelados em suas narrativas ou por meio de diálogos e confissões.
Balzac em 1842. Pintura realizada por Louis-Auguste Bisson.
A imagem não é parte integrante do livro.
(Foto meramente ilustrativa)
Durante certo tempo, Balzac chegou a se manter recluso numa casa de campo, com o intuito de escrever, apenas escrever. A casa fora decorada com móveis caros e extravagantes, o que era típico de sua característica. Escrevia, nos tempos de maior intensidade de trabalho, abastecido por café. Tomava-o como água. Johannes cita  que “a obra gigantesca de Balzac não surgiu apenas de rios de tinta, mas também de verdadeiros rios de café...” Era assim que ele passava oitos horas noturnas escrevendo.

Muito tempo de sua vida Balzac se correspondeu com sua amiga, fã e amada. Nas cartas falava sobre sua vida, sobre os fatos que vivenciava, exagerava em algumas circunstâncias, revelava segredos familiares e seus sentimentos, além, obviamente, de seduzi-la. No fim de sua vida, depois de frustradas tentativas e ter passado por outros relacionamentos, ela se casou com o escritor. Pouco tempo depois do casamento, Balzac veio a falecer, mais precisamente em 18 de agosto de 1850, aos 51 anos. Ao seu lado, no leito de morte, estava sua mãe, com quem tivera uma relação conturbada e odiosa a vida toda.

Foi Victor Hugo quem fez o discurso fúnebre de Honoré, no qual citou uma frase que bem pode definir a trajetória e a obra de Balzac: “o autor dessa obra incomensurável e rara faz parte, à revelia do seu saber ou querer, e talvez à revelia de sua percepção, da vigorosa raça dos escritores revolucionários".

O livro Balzac, escrito por Johannes Willms e publicado pela Editora Planeta em 2009 é recomendado para quem quer conhecer as circunstâncias da vida do célebre escritor e seu caminho para a construção de sua carreira. Nas 290 páginas do livro, Balzac ganha a simpatia por ser um ser excêntrico, otimista, trabalhador e amante de sua profissão, sonhador, que não sabia lidar com o dinheiro, embora achasse o contrário. Um homem apaixonado, sedutor, com características físicas que não lhe dariam o título de príncipe, extravagante, ostentador, ávido pelo poder e pela riqueza, profundo conhecedor da psicologia feminina e observador da burguesia francesa. Era ainda um ser humano de relações familiares desequilibradas, megalomaníaco, ousado, revolucionário e genial em sua vasta e ampla produção. Vale a pena conhecer Balzac. Encarei o livro com um convite a ler a obra do escritor.


Ficha Técnica
Título: Balzac
Escritor: Johannes Willms
Editora: Planeta
ISBN: 978-85-7665-434-6
Edição:
Número de Páginas: 290
Ano: 2009
Assunto: Biografia / Escritores franceses

10 livros com animais protagonistas


Certamente você ouviu falar de algum livro que tenha um animal como personagem e que tenha sido sucesso nas livrarias. Por meio dos autores, os animais ganharam voz e imortalizaram suas histórias em narrativas de ficção ou em relatos verídicos (com uma pitada de fantasia humana, naturalmente). Foi inspirado nestes volumes que montei a lista de dez livros, cujos protagonistas são cães, gatos ou outros bichos. Confira abaixo a sinopse dos volumes.


Marley & eu – John Grogan

Ediouro, Ano 2006, 272 páginas
Você irá rir, se emocionar e se surpreender com este livro. John Grogan sabe que as jornadas que pessoas e cachorros enfrentam juntos são um reflexo de nossa própria humanidade e das alegrias e tristezas, dos altos e baixos de nossas vidas. Marley é um grande e inesquecível cão, e nas mãos de um escritor observador, realista e objetivo como Grogan, esta é uma jornada ao mesmo tempo humana e canina que os amantes de cães adorarão viver. O livro é uma lição de amor incondicional e já teve adaptação para o cinema.
A arte de correr na chuva – Garth Stein
Ediouro, Ano 2008, 304 páginas
A história de uma família contada sob a visão do dócil e sábio Enzo, um cachorro com alma humana. Enzo foi criado assistindo a programas no canal "National Geographic" e aprendeu que todo cachorro que morre, se estiver preparado, reencarna como ser humano. Em um flashback de sua vida, Enzo relembra momentos de ternura, amor, injustiça e traição que presenciou na vida de seu dono Denny. Ele aprendeu a administrar a vida como numa corrida de carros, onde nem sempre a velocidade é a melhor estratégia. E agora tudo o que deseja é colocar este aprendizado em prática. 
A revolução dos bichos – George Orwell
Companhia das Letras, Ano 2007, 156 páginas
Verdadeiro clássico moderno, concebido por um dos mais influentes escritores do século 20, 'A Revolução dos Bichos' é uma fábula sobre o poder. Narra a insurreição dos animais de uma granja contra seus donos. Progressivamente, porém, a revolução degenera numa tirania ainda mais opressiva que a dos humanos.Escrita em plena Segunda Guerra Mundial e publicada em 1945 depois de ter sido rejeitada por várias editoras, essa pequena narrativa causou desconforto ao satirizar ferozmente a ditadura stalinista numa época em que os soviéticos ainda eram aliados do Ocidente na luta contra o eixo nazifascista.

De fato, são claras as referências: o despótico Napoleão seria Stálin, o banido Bola-de-Neve seria Trotsky, e os eventos políticos - expurgos, instituição de um estado policial, deturpação tendenciosa da História - mimetizam os que estavam em curso na União Soviética.Com o acirramento da Guerra Fria, as mesmas razões que causaram constrangimento na época de sua publicação levaram A revolução dos bichos a ser amplamente usada pelo Ocidente nas décadas seguintes como arma ideológica contra o comunismo. O próprio Orwell, adepto do socialismo e inimigo de qualquer forma de manipulação política, sentiu-se incomodado com a utilização de sua fábula como panfleto.

Um milagre chamado Grace – Kristin Von Kreisler
Editora Única, Ano 2014, 288 páginas
Você nunca mais verá os olhos de um cão da mesma maneira... Depois de ter sobrevivido a uma tragédia em que vários de seus amigos foram mortos, Lila Elliot sabe que suas cicatrizes só amenizarão com o tempo. E ela é grata pelo carinho de sua melhor amiga, que a hospedou em sua casa para que ela não ficasse sozinha e recebesse seus cuidados. Entretanto, algo em seu coração não consegue esquecer a tristeza e a dor desse trauma. Até que ela conhece Grace, uma golden retriever que sofreu abusos e maus tratos, mas que havia sido resgatada por Adam, um homem de bom coração que não suportou ver um animal tão triste e sofrido. Lila, que tem verdadeiro pavor de cães desde a infância, terá de dividir o espaço com Grace. As duas precisam de amor e de tempo para superar suas tragédias pessoais. Grace mantém distância de Lila, pressentindo o medo que ela sente. Aos poucos, porém, Lila consegue enxergar pelos olhos de Grace o amor e a coragem que são tão importantes para seguir em frente. Um romance apaixonante, sobre os dramas da vida, as incertezas e o amor que chega inesperadamente.
Adorável heroína – Michael Hingson e Susy Flory
Universo dos Livros, Ano 2012, 232 páginas
Nenhum alarme soou no 78o andar da Torre Norte do World Trade Center e ninguém sabia o que tinha acontecido às 8h46 do dia 11 de setembro de 2001, uma manhã que teria sido de um dia normal de trabalho para milhares de pessoas. Cego desde o nascimento, Michael também não via nada naquele dia, mas conseguia ouvir os sons de vidro estilhaçado, destroços caindo e pessoas aterrorizadas se reunindo em torno dele e de sua cão-guia. No entanto, Roselle permaneceu calma ao seu lado.Naquele momento, Michael escolheu confiar nos julgamentos de sua cachorra e não entrar em pânico. Eles eram uma equipe. Adorável heroína possibilita ao leitor entrar no World Trade Center segundos após o ataque para vivenciar a experiência de um homem cego e de sua amada cão-guia na luta pela sobrevivência.
Um Gato de rua chamado Bob – James Bowen
Novo Conceito, Ano 2013, 240 páginas

É uma tarde de outono em Covent Garden, Londres. Trabalhadores correm para o almoço, turistas brotam de todos os lados e clientes entram e saem das lojas. No meio de tudo isso está um gato. Usando um vistoso lenço Union Jack em volta do pescoço e cercado por uma multidão de 30 espectadores de boca aberta, Bob, o gatinho cor de laranja, sorri timidamente. Próximo a ele, está seu dono James Bowen, com seu violão surrado, cantando músicas do Oasis. Então, ele para de tocar e se abaixa para Bob: Vamos, Bob, cumprimente! Bob mexe os bigodes, levanta uma pata e a estende para James. A multidão assobia. Não é todo dia que se vê um gato sentado, calmamente, no centro de Londres, aparentemente sem se abalar com o barulho das sirenes, os carros passando e todo aquele movimento, mas Bob não é um gato comum.

A viagem do elefante – José Saramago
Companhia das Letras, Ano 2008, 264 páginas
"Por muito incongruente que possa parecer...", assim começa o novo romance - ou conto, como ele prefere chamá-lo - de José Saramago, sobre a insólita viagem de um elefante chamado Salomão, que no século XVI cruzou metade da Europa, de Lisboa a Viena, por extravagâncias de um rei e um arquiduque. O episódio é verdadeiro. Dom João III, rei de Portugal e Algarves, casado com dona Catarina d'Áustria, resolveu numa bela noite de 1551 oferecer ao arquiduque austríaco Maximiliano II, genro do imperador Carlos Quinto, nada menos que um elefante. O animal viera de Goa junto com seu tratador, algum tempo antes. De início, o exotismo de um paquiderme de três metros de altura e pesando quatro toneladas, bebendo diariamente duzentos litros de água e outros tantos quilos de forragem, deslumbrara os portugueses, mas agora Salomão não passava de um elefante fedorento e sujo, mantido num cercado nos arredores de Lisboa. Até que surge a idéia mirabolante de presenteá-lo ao arquiduque, então regente da Espanha e morando no palácio do sogro em Valladolid.
Minha vida com Boris – Thays Martinez
Editora Globo, Ano 2011 , 144 páginas
Numa manhã de maio de 2000, a advogada Thays Martinez e seu cachorro Boris saíram de casa para fazer história. Recém-chegados dos Estados Unidos, os dois tiveram a entrada barrada numa estação de metrô. Motivo: animais não eram permitidos nas instalações da Companhia do Metropolitano de São Paulo. E os funcionários da estação não se dobraram nem mesmo ao argumento de que cães-guia são instrumentos de acessibilidade e autonomia para pessoas com deficiência visual como Thays, cega desde os quatro anos. Thays, então, moveu uma ação judicial contra o Metrô e, seis anos depois, conquistou uma histórica vitória no Tribunal de Justiça de São Paulo, fazendo a própria defesa com Boris a seu lado. Antes mesmo da decisão judicial que permitiu o acesso de cães-guia ao Metrô da maior metrópole do país, o caso de Thays e Boris já havia inspirado a aprovação de duas leis — uma estadual, em 2001, e outra federal, em 2005 — que garantem o acesso de cães-guia a todo e qualquer local público e privado de uso coletivo. A dupla também ficou conhecida graças às várias reportagens de que foi tema após o incidente, e Boris ainda foi alçado à condição de herói da inclusão e da acessibilidade. Mas a obra vai muito além da narrativa de um triunfo da cidadania. No vibrante resgate de suas memórias, Thays aborda, sobretudo, sua profunda amizade com Boris, uma conexão baseada em confiança e cumplicidade que deixa como legado uma comovente história de afeto para além da vida.
Dewey: um gato entre livros – Vicky Miron
Editora Globo, Ano 2008, 272 páginas

A rotina da pacata cidade de Spencer, Yowa, Estados Unidos, se transforma após Dewey, um gato, ser encontrado na Biblioteca Pública. A diretora da Biblioteca, que achou o gatinho na caixa de devolução, resolve contar a história e lança o livro, ‘Dewey, um gato entre livros’. O livro escrito por Vicki Myron, com colaboração de Bret Witte, é a história real de um gato que fez da biblioteca – e da cidade de Spencer- sua casa e de seus habitantes, os melhores amigos.

Flush: memórias de um cão – Virgínia Woolf
L&PM Editores, Ano 2014, 160 páginas

A obra é a biografia de um cão que mostra aventuras e mistérios da existência percebidos através dos olhos do melhor amigo do homem. O personagem central dessa história é um cocker spaniel de origem inglesa, Flush. Em pleno processo de apreensão do mundo e de si mesmo, ele ama tanto os raios de sol quanto um pedaço de rosbife, a companhia de cadelinhas malhadas assim como a companhia de seres humanos, o cheiro de campos abertos tanto quanto ruas cimentadas e o burburinho da cidade. A autora tece comentários sobre a sociedade inglesa e vitoriana e seus valores.