O silêncio das montanhas - Khaled Hosseini



Sinopse
O romance traz como protagonistas os irmãos Pari e Abdullah, que moram em uma aldeia distante de Cabul. São órfãos de mãe e têm uma forte ligação desde pequenos. Assim como a fábula que abre o livro, as crianças são separadas, marcando o destino de vários personagens. Paralelamente à trama principal, o autor narra a história de diversas pessoas que, de alguma forma, se relacionam com os irmãos e sua família, sobre como as escolhas que fazem ressoam através de gerações. Seguindo os personagens, mediante suas escolhas e amores pelo mundo - de Cabul a Paris, de São Francisco à Grécia -, a história se expande. É um livro sobre vidas partidas, inocências perdidas e sobre o amor em uma família que tenta se reencontrar. 
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O livro escrito por Khaled Hosseini, autor também do conhecido e aclamado “O caçador de pipas”, foi lançado pela Editora Globo em 2013. Em suas 350 páginas é contada a história dos irmãos Abdullah e Pari. O primeiro é o mais velho e vive, na infância, uma relação de bastante proximidade com sua irmã.
“A mão de Pari, dentro da carrocinha, logo pegou a de Abdullah. Ficou olhando para ele, com os olhos lacrimejando, sorrindo com seus dentes separados como se nada de ruim pudese acontecer com ela se o irmão estivesse ao seu lado. Abdullah enlaçou os dedos da mão dela, como fazia todas as noites quando dormia com a irmão na mesma casa, as cabeças se tocando, as pernas entrelaçadas.”
O destino, através das mãos de gente próxima, separa os dois irmãos ainda quando crianças. E cada um, acaba sendo conduzido a uma família diferente. A marca da separação fica presente, embora ocultada.
“E não houve choradeira nenhuma. Ninguém na aldeia perguntou sobre Pari. Ninguém nem falava o nome dela. Abdullah ficou espantado com a facilidade com que ela havia desaparecido da vida deles.”
O espaço temporal narrado sobre a vida dos personagens vai da primavera de 1952 ao inverno de 2010. Histórias de amor, traição, solidariedade, guerra, amizade, morte, egoísmo, gratidão, permeiam a vida dos personagens. Geograficamente, os acontecimentos se passam em Cabul e em outros lugares do mundo. Além da história dos dois irmãos, o livro conta a história de outras pessoas que, ao longo do tempo tiveram contato ou fizeram parte da vida de ambos.
“... Intuitivamente, ela não duvida de quaisquer que sejam as revelações (...) essa pessoa de seu passado distante, do outro lado do mundo (...) Ela já sabe há muito tempo que mamã mentiu sobre sua infância. Mas, mesmo com a base de sua vida abalada por uma mentira, o que Pari plantou desde então nessa base é verdadeiro, forte e inabalável como um cavalo gigante.”
Passam-se os anos e, ao atender o telefone, Pari refaz sua conexão com as lembranças sobre seu irmão, sua infância e sobre sua família. A menina, agora mulher, havia sido "agraciada" com o esquecimento sobre os fatos. Em algum lugar do mundo Abdullah mantinha viva a lembrança acerca da sua vida ao lado de sua irmã. Sua ausência marcava presença constantemente.

As decisões tomadas pelos personagens ao longo de sua história, influenciam o futuro que eles viverão. Somos frutos de nossas escolhas e estas podem e afetam as futuras gerações.

Khaled trata da passagem do tempo e das escolhas humanas nas relações, numa trama entremeada de adversidades e construções. É um livro que toca, emociona e nos desperta para a reflexão. As relações, sobretudo as familiares, e as decisões sobre os caminhos a seguir, me tocaram. E, na sutileza do texto, de forma não escancarada, mas narrada, despertou o que pra mim é o cerne do livro e a provocação implícita lançada pelo escritor.

Sobre o autor
Khaled Hosseini é romancista e médico afegão. Tem naturalização estadunidense. Nasceu em Cabul no dia 04 de março de 1965. É filho de uma professora e de um diplomata. O escritor tem mais  de 38 milhões de volumes vendidos em todo o mundo. Khaled escreveu também o sucesso de público e de crítica: “O caçador de pipas”. “A cidade do sol” é outro dos livros escritor pelo autor.




Ficha Técnica
Título: O silêncio das montanhas
Escritor: Khaled Hosseini
Editora: Globo Livros
ISBN: 978-85-250-5408-1
Ano: 2013
Edição:
Número de Páginas: 350
Assunto: Ficção norte-americana / Relações interpessoais

29 de Outubro - Dia Nacional do Livro

Estamos no antepenúltimo dia de outubro, dia 29. Nesse dia comemora-se no Brasil o Dia Nacional do Livro.

Quando do surgimento da primeira biblioteca no Brasil, Portugal que era colonizador do país, disponibilizou um grande acervo bibliográfico de origem da Real Biblioteca Portuguesa. Ao que consta havia mais de sessenta mil objetos, entre livros, medalhas, manuscritos, mapas e outros. O Rio de Janeiro foi a cidade que recebeu a primeira instalação, que funcionava no Hospital da Ordem Terceira do Carmo.

Fachado do Hospital da Ordem Terceira do Carmo, na Rua Riachuelo, Lapa - Rio de Janeiro. Foto: Hospital do Carmo
O dia 29 de outubro foi escolhido como data para comemorar o dia nacional do livro, porque foi num dia 29 de outubro, no ano de 1810, que a biblioteca que funcionava no hospital foi transferida para outro lugar. Assim sendo, foi fundada pela coroa portuguesa a Biblioteca Nacional do Livro.

Foto da parte interna da Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro. Foto: Agência Estado

O Brasil passou a editar livros a partir de 1808 quando Dom João VI fundou a Imprensa Régia. O primeiro livro publicado no Brasil foi Marília de Dirceu, do escritor Tomás Antônio Gonzaga. É um relato de 60 páginas que fala sobre a vida do frei Antônio de Desterro Malheyro. Tomás, o escritor, morreu em 1810, foi advogado e um dos maiores poetas do arcadismo brasileiro.

Marília de Dirceu - primeiro livro publicado no Brasil. Foto: Sem referência.
E para comemorar o Dia Nacional do Livro, o blog Tomo Literário deseja vida longa e muitas histórias a todos os leitores, escritores, editores, distribuidores, livrarias, blogueiros literários, bibliotecários e todas as pessoas que de alguma forma contribuem para a perpetuação do saber e do conhecimento por meio dos livros.

10 livros de sucesso na década de 80


O Menino Maluquinho – Ziraldo
O livro foi lançado em 1980. Seu protagonista, o Menino Maluquinho, é um garoto tão menino quanto qualquer outro de sua idade. Na grande obra infantil de Ziraldo, verso e desenho contam a história de um menino traquinas que aprontava muita confusão. Alegria da casa, liderava a garotada, era sabido e um amigão. Fazia versinhos, canções, inventava brincadeiras. Tirava dez em todas as matérias, mas era zero em comportamento. Menino maluquinho, diziam. Mas na verdade ele era um menino feliz. A panela na cabeça é sua marca registrada. Em 1981 o livro ganhou o Prêmio Jabuti e se tornou um dos grandes fenômenos editoriais do Brasil. Além de sucesso em livro, “O Menino Maluquinho” virou filme no cinema na década seguinte, mais precisamente, no ano de 1995.

Marcelo, marmelo, martelo e outras histórias – Ruth Rocha
O livro infantil conta a história de Marcelo, um menino muito curioso que vivia fazendo perguntas. Um certo dia, ele cismou com os nomes das coisas e resolveu mudá-los. As outras histórias, citadas no título do livro são de Teresinha e Gabriela, que descobrem a identidade na diferença e de Carlos Alberto, que entende que não temos nada sem amigos.


Série Vaga-lume – Vários Autores
A série Vaga-lume de livros foi lançada pela Editora Ática a partir de 1972, mas teve grande sucesso na década de 80. Na ocasião foi adotada em muitas escolas do país. Alguns dos títulos publicados foram:
A ilha perdida, de Maria José Dupré;
Cabra das rocas, de Homero Homem;
O caso da borboleta Atíria, de Lúcia Machado de Almeida;
O escaravelho do diabo, de Lúcia Machado de Almeida;
O mistério dos morros dourados, de Francisco Marins;
Pega ladrão, de Luiz Galdino;
Açúcar amargo, de Luiz Puntel;
O rapto do garoto de ouro, de Marcos Rey.

Feliz ano velho – Marcelo Rubens Paiva
Foi publicado em 1982. O livro é um relato verdadeiro do acidente que deixou Marcelo tetraplégico, a poucos dias do Natal de 1979. Jovem paulista de classe média alta, vida boa, muitas namoradas, estudante de Engenharia Agrícola, ele vê sua vida se transformar num pesadelo em questão de segundos. Durante um passeio com um grupo de amigos, Marcelo, de farra, resolve dar um mergulho no lago. Meio metro de profundidade. Uma vértebra quebrada. O corpo não responde. Começa ali, naquele mergulho, a história de “Feliz ano velho”. A partir do acidente, Marcelo vê sua vida mudar radicalmente. Seus dias no hospital, as visitas que recebeu, as histórias que viveu são relatadas sob uma nova perspectiva: a de um jovem que sempre fez tudo o que podia e queria, e que, agora, sentado em uma cadeira de rodas, vê-se dependendo da ajuda de amigos e familiares para reaprender a viver.

As brumas de Avalon – Marion Zimmer Bradley
 Embora a obra tenha sido publicada em 1979, foi na década de 80 que conquistou muitos leitores. A Senhora da Magia, A Grande Rainha, O Gamo-Rei e O Prisioneiro da Árvore são os quatro volumes que compõem As Brumas de Avalon - a grande obra de Marion Zimmer Bradley -, que reconta a lenda do rei Artur através da perspectiva de suas heroínas. Guinevere se casou com Artur por determinação do pai, mas era apaixonada por Lancelote. Ela não conseguiu dar um filho e herdeiro para o marido, o que gera sérias conseqüências políticas para o reino de Camelot. Sua dedicação ao cristianismo acaba colocando Artur, e com ele toda a Bretanha, sob a influência dos padres cristãos, apesar de seu juramento de respeitar a velha religião de Avalon.  Além da mãe de Artur, Igraine e de Viviane, a Senhora do Lago que é a Grande Sacerdotisa de Avalon, uma outra mulher é fundamental na trama: Morgana, a irmã de Artur. Ela é vibrante, ardente em seus amores e em suas fidelidades, e polariza a história com Guinevere, constituindo-se em a sua grande rival. Sendo uma sacerdotisa da Avalon, ela tem a Visão, o que a transforma em uma mulher atormentada.  Trata-se, acima de tudo, da história do conflito entre o cristianismo, representado por Guinevere, e da velha religião de Avalon, representada por Morgana. Ao acompanhar a evolução da história de Guinevere e de Morgana, assim como dos numerosos personagens que as cercam, acompanhamos também o destino das terras que mais tarde seriam conhecidas com Grã-Bretanha. “As Brumas de Avalon evoca uma Bretanha que é ao mesmo temo real e lendária - desde as suas desesperadas guerras pela sobrevivência contra a invasão saxônica até as tragédias que acompanham Artur até a sua morte e o fim da influência mítica por ele representada. Igraine, Viviane, Guinever e Morgana revelam através da história de suas vidas e sentimentos a lenda do rei Artur, como se ela fosse nova e original. 

Eu, Christiane F., 13 anos, drogada e prostituída – Kai Hermann e Horst Rieck
O livro foi lançado em 1982 e virou best-seller instantaneamente. Este livro nasceu da gravação do depoimento de Christiane F. em 1978 então com 15 anos - ela depunha como testemunha num tribunal de Berlim. Esta história ensina mais do que o mais bem documentado relatório sobre a situação de uma grande parte da juventude. Christiane F. quis que este livro fosse a público. Como quase todos os viciados em drogas, desejava romper o silêncio opressivo que cerca a questão dos tóxicos entre adolescentes. Ao depoimento de Christiane F. juntou-se declarações de sua mãe e de outras pessoas que dela se ocuparam, assim completando a análise com uma perspectiva diferente. Na década de 80 o livro era “desaconselhável para menores” (vinha com esse aviso na capa) e muitos pais torciam o nariz só de pensar em ver seus filhos com o livro nas mãos. Em 1982 foi o ano também que o livro virou filme, contando com a participação do cantor David Bowie.
 
Síndrome de Peter Pan – Dan Kiley
O livro foi publicado em 1987. Síndrome de Peter Pan é um estado de imaturidade emocional que começa com ansiedade e narcisismo e termina em desespero. É um fenômeno sociopsicológico detectado em homens que, embora tenham atingido a idade adulta, são incapazes de encarar os sentimentos e as responsabilidades dos adultos. No esforço de esconder seus fracassos, recorrem ao fingimento e à falsa alegria.

Complexo de Cinderela – Colette Dowling
O livro entrou na lista dos mais vendidos em 1987. Fala sobre o conflito da mulher moderna, que tem necessidade de ser independente, mas também de ser amada. Num livro fundamental para a mulher, a autora explora suas idéias acerca da psicologia feminina. Segundo ela, as mulheres desejam ser cuidadas e aliviadas das responsabilidades essenciais para consigo mesmas. Colette fez fortuna com os direitos autorais do livro, mas perdeu tudo na década seguinte. A autora sofria de oniomania, doença em que a pesoa compra compulsivamente até ficar totalmente sem dinheiro.

A droga da obediência – Pedro Bandeira
O livro foi escrito em 1985 e vendeu mais de um milhão de exemplares. Uma turma de adolescentes enfrenta o mais diabólico dos crimes. Num clima de mistério e suspense, cinco estudantes - os Karas - enfrentam uma macabra trama internacional - o sinistro Doutor Q.I. pretende subjugar a humanidade aos seus desígnios, aplicando na juventude uma perigosa droga. E essa droga já está sendo experimentada em alunos dos melhores colégios de São Paulo. Este é um trabalho para os Karas - o avesso dos coroas, o contrário dos caretas.

O diário de um mago – Paulo Coelho
“O diário de um mago” lançado em 1987 preparou o caminho para o sucesso internacional do livro “O alquimista”, de Paulo Coelho. Em muitas maneiras, esses dois livros estão conectados – para realmente compreender um, você precisa ler o outro. É preciso mergulhar dentro desse cativante relato da peregrinação de Paulo Coelho pelo Caminho de Santiago de Compostela. Essa fascinante parábola explora a necessidade que temos de encontrar nosso próprio caminho. No final, descobrimos que o extraordinário está sempre presente na vida simples e normal das pessoas comuns. Parte uma história de aventura, parte um guia para o autoconhecimento, essa narrativa apaixonante entrega a perfeita combinação entre encanto e discernimento.

Fortaleza Digital - Dan Brown

Sinopse
Em 'Fortaleza Digital', Brown mergulha no intrigante universo dos serviços de informação e ambienta sua história na ultra-secreta e multibilionária NSA, a Agência de Segurança Nacional americana, mais poderosa do que a CIA ou qualquer outra organização de inteligência do mundo. Quando o supercomputador da NSA, até então considerado uma arma invencível para decodificar mensagens terroristas transmitidas pela Internet, se depara com um novo código que não pode ser quebrado, a agência recorre à sua mais brilhante criptógrafa, a bela matemática Susan Fletcher. Presa numa teia de segredos e mentiras, sem saber em quem confiar, Susan precisa encontrar a chave do engenhoso código para evitar o maior desastre da história da inteligência americana e para salvar a sua vida e a do homem que ama. 

 Antes do best-seller “O Código Da Vinci”, Dan Brown havia escrito “Fortaleza Digital”, que é o seu primeiro livro publicado. O título foi lançado nos Estados Unidos em 1998.

No livro, o autor fala sobre o universo dos serviços secretos de informação da NSA – Agência de Segurança Nacional americana.

Ensei Tankado, ex-funcionário da NSA, escreveu um programa que cria códigos indecifráveis. O nome do programa: Fortaleza Digital. Um programa, que com qualquer modem, seria capaz de enviar códigos que a NSA não poderia quebrar.

Susan Fletcher é uma brilhante criptógrafa que atua junto ao órgão e é convocada para auxiliar na descoberta do motivo pelo qual o supercomputador (TRANSLTR) da agência não consegue decifrar um misterioso código.
“O TRANSLTR, como todos os grandes avanços tecnológicos, era produto da necessidade. Durante os anos 1980, a NSA presenciou uma revolução nas telecomunicações que mudariam o mundo da espionagem para sempre: o acesso público à Internet. Mais especificamente, a chegada do e-mail.Criminosos, terroristas e espiões, fartos de ter que lidar com linhas telefônicas grampeadas, voltaram-se imediatamente para essa nova forma de comunicação global. O e-mail combinava a segurança do correio convencional com a velocidade do telefone. Como as transferências eram feitas através de cabos de fibra óptica e nunca transmitidas por ondas de rádio, era impossível interceptar e-mails ou, ao menos, era o que parecia.”
Ao mesmo tempo, Davi Becker, um professor da Universidade de Georgetown, especialista em línguas estrangeiras, é enviado à Europa para encontrar uma das chaves que pode abrir o código secreto. Quem o enviou foi Trevor J. Strathmore, comandante de Susan. David é o grande amor da vida da criptógrafa.

Diante de intrigas, desencontros, brigas, segredos e mentiras Susan precisa achar a chave para evitar um dos grandes desastres, senão o maior desastre, para o setor de inteligência dos Estados Unidos.
“No entanto, Susan continuava perturbada com a ideia de guardar a chave e desencriptar o Fortaleza Digital,. Ela se sentia desconfortável, achava que não deviam brincar com a sorte. Estavam se saindo bem até o momento.”
Para quem já leu outros livros de Dan Brown, vai reconhecer diversos elementos que estão presentes nos outros títulos, como a narrativa rápida, muitas reviravoltas nos casos que são apresentados e enigmas cheios de mistérios e suspense. Assim como nos outros livros, à medida que avançamos na leitura das páginas, descortinamos intrigas e mudanças no que parecia elucidado. “Fortaleza Digital”, lançado pela Editora Arqueiro em 2008, tem um final alucinante, de diálogos velozes, que nos faz sentir a pressão vivida pelos personagens.

Inicialmente, a leitura não foi muito agradável. Talvez por ter lido primeiro “Ponto de Impacto”, que fixou minha atenção desde o início. Mas, com o desenrolar da história, fui envolvido pelo jeito eletrizante da escrita de Dan Brown.


Ficha Técnica
Título: Fortaleza Digital
Escritor: Dan Brown
Editora: Arqueiro
ISBN: 978-85-99296-20-2
Edição:
Ano: 2008
Número de Páginas: 298
Assunto: Romance americano / Ficção / Agentes de serviço de inteligência


Novo integrante da Academia Brasileira de Letras

O historiador pernambucano Evaldo Cabral de Mello é o novo ocupante da Cadeira 34 da Academia Brasileira de Letras (ABL). A referida cadeira estava vaga desde 18 de julho de 2014, após a morte do romancista e cronista baiano João Ubaldo Ribeiro.Evaldo recebeu, na eleição para a vaga, 36 dos 37 votos possíveis. 20 acadêmicos votaram em presencialmente e 16 por carta.
Foto: Divulgação
Evaldo Cabral de Mello, irmão do poeta João Cabral de Melo Neto, nasceu em 1936 no Recife e estudou Filosofia da História em Madri e Londres, antes de ingressar no Instituto Rio Branco, em 1960, e seguir carreira diplomática. É especialista em História regional e no período de domínio holandês em Pernambuco no século XVII, assunto sobre o qual escreveu muitos de seus livros, como Olinda restaurada (1975), sua primeira obra, 'Rubro veio' (1986), sobre o imaginário da guerra entre Portugal e Holanda, e 'O negócio do Brasil' (1998), sobre os aspectos econômicos e diplomáticos do conflito entre portugueses e holandeses. Sobre a Guerra dos Mascates e a rivalidade entre brasileiros e portugueses em seu Estado natal, publicou 'A fronda dos mazombos' (1995).

Escreveu, também, 'O norte agrário e o Império' (1984), 'O nome e o sangue' (1989), 'A ferida de Narciso' (2001) e 'Nassau: governador do Brasil Holandês' (2006), este para a Coleção Perfis Brasileiros, da Companhia das Letras. É organizador do volume 'Essencial Joaquim Nabuco', da Penguin-Companhia das Letras.

Fontes:

10 escritores internacionais e seus primeiros livros




John Green – Quem é você, Alasca?
O primeiro romance de John Green, escritor que fez muito sucesso com o livro “A culpa é das estrelas”, foi “Quem é você, Alasca?”, publicado em 2005. Miles Halter é um adolescente fissurado por célebres últimas palavras - e está cansado de sua vidinha segura e sem graça em casa. Vai para uma nova escola à procura daquilo que o poeta François Rabelais, quando estava à beira da morte, chamou de o 'Grande Talvez'. Muita coisa o aguarda em Culver Creek, inclusive Alasca Young. Inteligente, engraçada, problemática e extremamente sensual, Alasca levará Miles para o seu labirinto e o catapultará em direção ao Grande Talvez.

Dan Brown – Fortaleza Digital
O primeiro livro do autor de “O Código Da Vinci” foi “Fortaleza Digital”, publicado nos Estados Unidos em 1998. Muitos dos ingredientes que, anos depois, fariam com que o autor fosse reconhecido como um novo mestre dos livros de ação e suspense já estavam presentes no seu romance de estreia: a narrativa rápida, a trama repleta de reviravoltas que prendem o leitor da primeira à última página e o fascínio exercido por códigos secretos, criptografia e enigmas misteriosos. 
Em “Fortaleza Digital”, Brown mergulha no intrigante universo dos serviços de informação e ambienta sua história na ultra-secreta e multibilionária NSA, a Agência de Segurança Nacional americana, mais poderosa do que a CIA ou qualquer outra organização de inteligência do mundo.Quando o supercomputador da NSA, até então considerado uma arma invencível para decodificar mensagens terroristas transmitidas pela Internet, se depara com um novo código que não pode ser quebrado, a agência recorre à sua mais brilhante criptógrafa, a bela matemática Susan Fletcher. Presa numa teia de segredos e mentiras, sem saber em quem confiar, Susan precisa encontrar a chave do engenhoso código para evitar o maior desastre da história da inteligência americana e para salvar a sua vida e a do homem que ama. 

Stephen King – Carrie
O escritor americano é reconhecido como um dos mais notáveis escritores de contos de horror fantástico e ficção. O primeiro romance publicado de Stephen foi “Carrie”, em 1974. O referido livro deu origem ao filme “Carrie, a estranha”. A obra apresenta a adolescência de uma jovem problemática, perseguida pelos colegas, professores e impedida pela mãe de levar a vida como as garotas de sua idade. Só que Carrie guarda um segredo: quando ela está por perto, coisas estranhas acontecem, misteriosamente. Aos 16 anos, Carrie prepara sua vingança contra todos os que a prejudicaram.

Harlan Coben – Play Dead
O primeiro livro publicado do escritor Harlan Coben foi “Play Dead”, em 1990. O livro não teve edição brasileira, por isso algumas pessoas confundem, acreditando que o primeiro livro do autor foi “Quebra de Confiança”, lançado no Brasil com este título. Antes de um casamento acontece uma tragédia. Na lua de mel na Austrália, David sai para um mergulho e nunca mais volta. Laura tem mil perguntas e nenhuma resposta. Sua busca pela verdade vai atraí-la para uma teia de mentiras e enganos que se remonta a 30 anos.

John Grisham – Tempo de matar
Os livros do escritor giram em torno de temas ligados ao Direito, e geralmente criticam o sistema judiciário americano e as firmas de direito que por lá atuam. “Tempo de Matar” foi o primeiro livro publicado, em 1989. Pena de morte. Até que ponto se é contra? Até que ponto se é a favor? Se dois drogados estupram, torturam e tentam matar uma menina de 10 anos, qual a pena que deveriam ter? E se um pai, chocado com todas estas barbaridades cometidas contra a filha, resolve fazer justiça com as próprias mãos, o que ele merece? Pelas leis do Mississípi, Estados Unidos, 20 anos de prisão para os primeiros e a cadeira elétrica para o segundo. Tentando reverter este paradoxo legal, o advogado Jack Brigance enfrenta mais um problema para defender seu cliente, Carl Hailey, preso depois de matar os dois estupradores: o racismo. A opinião pública fica dividida entre os que apóiam a atitude de Hailey e os que não admitem que um negro acabe com um branco. A Ku-klux-klan resolve comprar a briga. Os jurados e o juiz são ameçados. O advogado de defesa tem sua casa incendiada, o marido de sua secretária é espancado e morre, sua estagiária sofre um atentado e seu segurança fica paralítico por causa de um tiro destinado a ele. E, pior, todos dizem que a causa é perdida.

Agatha Christie - O misterioso caso de Styles
A escritora, conhecida como “A Rainha do Crime”, lançou seu primeiro livro em 1920, depois de ter sido rejeito por várias editoras. “O misterioso caso de Styles” é um marco do romance policial e um dos maiores do gênero. No meio da madrugada, a rica proprietária da mansão Styles é encontrada morta em sua cama, aparentemente vítima de um ataque cardíaco. As portas do quarto estavam trancadas por dentro e tudo indicava morte natural. Mas o médico da família levanta uma suspeita: assassinato por envenenamento. Todos os hóspedes da velha mansão tinham motivos para matar a Sra. Inglethorp e nenhum deles possuía um álibi convincente. Para solucionar o crime entra em ação o detetive Hercule Poirot, irresistível personagem criado por Agatha Christie, que faz a sua estreia neste caso intrigante.

Sidney Sheldon – A outra face
O primeiro livro de Sheldon foi publicado em 1970, “A outra face”. Jud Stevens é um psicanalista que subitamente vê-se envolvido em uma sucessão de assassinatos que precisa desvendar. Entre os suspeitos estão uma atriz decadente e ninfomaníaca, um pai de família com tendências homossexuais, um empresário paranóico e uma jovem misteriosa. Mas talvez não seja preciso ir longe para encontrar o assassino: o psicanalista desconfia que pode estar matando pessoas em momentos de privação de sentidos.

Woody Allen - Don't drink the water: a comedy in two acts 
O primeiro livro de Woody Allen foi “Don’t drink the water: a comedy in two acts”, cujo título traduzido seria “Não tome a água: uma comédia em dois atos”. O caso ocorre dentro de uma embaixada americana por trás da Cortina de Ferro. Um turista norte-americano, um fornecedor, e sua esposa e filha correm para a embaixada. O filho do embaixador foi expulso de países africanos. Eles cuidadosamente e freneticamente traçam sua fuga, e o filho do embaixador e a filha do fornecedor ainda tem tempo para se apaixonar.

Markus Zusak – O azarão
O primeiro livro do escritor australiano e autor de “A menina que roubava livros” levou sete anos para ser publicado. “O azarão” foi lançado em 1999. Narrado em primeira pessoa, o livro apresenta a história de Cameron Wolfe, um garoto de 15 anos perdido na vida e que vive às turras com a família. Trabalha com o pai encanador e sua mãe está sempre brigando com os filhos. Todos moram juntos numa casa pequena. Steve é o mais velho e mais bem-sucedido. Sarah é a segunda, e está sempre dando uns amassos com o namorado. Rube é o terceiro e o mais próximo de Cameron. Os dois, além de boxeadores amadores, vivem armando esquemas para roubar lojas e outros locais do tipo. Contudo, os planos nunca saem do papel. Uma história sobre a vida e sobre as lições que dela podem ser tiradas. Um romance de formação que exibe um jovem incorrigível, infeliz consigo mesmo e com sua vida.

J. R. R. Tolkien – Sir Gawain and the Green Knight
O autor da aclamada série “O Senhor dos Anéis” concluiu e publicou seu primeiro livro em 1925, com a colaboração de E. V. Gordon: "Sir Gawain and the Green Knight", baseado em lendas folclóricas inglesas. É uma obra-prima de uma época remota e exótica – a idade da cavalaria e dos magos, cavaleiros e missões sagradas.

Nota: Os escritores foram escolhidos aleatoriamente.

Força Estranha – Nelson Motta

Sinopse
Filha vira cafetina para chantagear o pai! Filho faz filme erótico sobre a vida da mãe! Candomblé: corno recebe santo sem querer! Largou o marido para consolar o viúvo da filha! Sexo, politica e futebol na ditadura argentina! Pai e filha no motel assaltado. Cada um com seu amante! Ladrões de conversas atacam em Paris!
Tudo o que você vai ler aqui foi vivido, ouvido, testemunhado ou imaginado por Nelson Motta. E nem ele sabe mais o que é verdade ou ficção. As forças que movem a vida são muito mais estranhas do que parecem ... Em cenários e épocas diversos, uma série de personagens carismáticos e movidos a forças estranhas e emoções fortes, vivem histórias que o narrador viu, ouviu falar ou até viveu. São relatos da orla da Zona Sul do Rio de Janeiro, nas décadas de 60 e de 80; dos terreiros de Salvador à paradisíaca Boipeba; dos quartinhos frequentados pelos poderosos em Brasília; da perigosa Buenos Aires na ditadura militar; da Nova York multicultural de Woody Allen. Da Espanha almodovariana. Da swinging London dos anos 60. Aos fatos e feitos, o autor une sua criatividade, seu humor e sua prosa vibrante e saborosa. Vale o escrito!

Um livro que conta dez histórias envolvendo pessoas diferentes, lugares distintos e situações inusitadas, nas quais as pessoas são movidas por uma força estranha. Em “Força Estranha”, lançado pela Editora Suma de Letras em 2009, Nelson Motta, que é jornalista, escritor, roteirista, compositor e produtor musical, nos apresenta contos brasileiros que se confundem com a realidade vivida, ouvida ou testemunhada por ele.

O autor viveu algumas das situações e carrega de ficção os pontos que assim merecem, para tornar tudo mais divertido e mais encantador ao leitor.

As histórias são: O cavalo, Os sentidos da vida, Bola na rede,  Noite quente no motel barato, As mal-amadas, Felizes para sempre, O pulo da gata, O Édipo feliz, Conversas roubadas e Vale o escrito.

Os textos dos contos são bastante divertidos e cheios de malícia que dão um bom tom para as histórias. Fica na imaginação do leitor: o que será verdade e o que será ficção?

Alguns trechos de alguns dos contos:

O cavalo
"O abandono é uma merda. O ser humano aceita tudo - ofensas, injustiças, maldades -, menos rejeição. É isso que dói."
Bola na rede
"Começou a repassar mentalmente tudo que falara sobre milicos, tiras e dedos-duros, mas concluiu que não havia nada que pudesse complicar a sua vida. A não ser a maconha, que trouxera do Brasil e fumava sozinho todos os dias, economizando avaramente e tomando todos os cuidados nas cidades ultrapoliciadas. Os maconheiros brasileiros estavam a pão e água, a carne e vinho."
O pulo da gata
"Ora, nós não as pagamos para irem para a cama conosco. Pagamos é para depois irem embora."
Conversas roubadas
"Querida, você deu um golpe sensacional, ficou rica com menos de 30 anos, pode fazer o que quiser da sua vida..."
Ficha Técnica
Título: Força Estranha
Escritor: Nelson Motta
Editora: Suma de Letras
ISBN: 978-85-60280-48-3
Número de Páginas: 151
Ano: 2009
Edição:
Assunto: Conto Brasileiro

Prêmio Jabuti – Vencedores da 56ª edição

Foi divulgada a lista dos livros e autores vencedores das categorias do Prêmio Jabuti 2014, que está em sua 56ª edição.
Conheça os ganhadores de três das categorias do prêmio: Biografia, Contos e Crônicas e Romance.
Biografia
1º Lugar – Título: Getúlio – Do governo provisório à ditadura do Estado Novo (1930-1945) – Autor: Lira Neto – Editora: Companhia Das Letras
2º Lugar - Título: Wilson Baptista: o samba foi sua glória! – Autor: Rodrigo Alzuguir – Editora: Casa da Palavra
3º Lugar - Título: O castelo de papel – Autor: Mary del Priore – Editora: Editora Rocco

Contos e Crônicas
1ºLugar – Título: Amálgama – Autor: Rubem Fonseca – Editora: Nova Fronteira
2ºLugar - Título: Você verá – Autor: Luiz Vilela – Editora: Editora Record
3ºLugar - Título: Nu, de botas – Autor: Antonio Prata – Editora: Companhia Das Letras
3ºLugar - Título: Um solitário à espreita – Autor: Milton Hatoum – Editora: Companhia Das Letras

Romance
1º Lugar – Título: Reprodução – Autor: Bernardo Carvalho – Editora: Companhia Das Letras
2º Lugar - Título: A maçã envenenada – Autor: Michel Laub – Editora: Companhia Das Letras
3º Lugar - Título: Opisanie Świata – Autor: Verônica Stigger – Editora: Cosac & Naify Edições
Selo comemorativo para divulgação

Na entrega do prêmio serão anunciados os livros do ano de ficção e não ficção.

Para conhecer a lista completa de ganhadores, acesse o site do maior prêmio da literatura brasileira. Clique no link a seguir que será redirecionado para lista de vencedores. http://premiojabuti.com.br/vencedores/v-todas-categorias-2/

Veja a sinopse dos livros vencedores das três categorias citadas no post.

Biografia
gETÚLIO - Do governo provisório à ditadura do Estado Novo (1930-1945) - Lira Neto (632 páginas, Companhia das Letras)

Amparado por uma minuciosa pesquisa em acervos nacionais e estrangeiros, que incluiu documentos públicos e pessoais, diários, jornais, correspondências, gravações e filmes do período, Lira Neto mostra como e por quê, para bem ou para mal, Getúlio Vargas foi “a maior figura política do Brasil no século XX”, na expressão do historiador Boris Fausto. 

Logo depois da conquista do poder federal, em outubro de 1930, Getúlio se viu diante do complexo desafio de promover sua ambiciosa agenda de reformas ao mesmo tempo em que precisava neutralizar, como um jogador de xadrez paciente, os movimentos da oposição interna e externa ao regime. Diversas facções políticas insatisfeitas, especialmente os “reacionários” de São Paulo, insistiam em questionar a autoridade do todo-poderoso líder gaúcho. 

Com a Constituinte de 1934 - concessão provisória às aparências democráticas - e a recondução por eleição indireta ao Catete, Getúlio na realidade consolidou sua supremacia pessoal sobre as frágeis instituições políticas do país. O presidente forjava com sua figura roliça e bonachona, sempre de charuto e vestido em ternos de linho de impecável apuro, a imagem impoluta de “pai dos pobres”. À maneira de um monarca absoluto dos novos tempos, era a própria encarnação do Poder, difundida massivamente em palavras e imagens pela publicidade oficial. 

Após o breve interlúdio democrático, o golpe do Estado Novo em 1937 reinstituiu a ditadura aberta, inspirada no salazarismo e no fascismo italiano. A guinada autoritária, justificada pela necessidade de esmagar a subversão comunista, teve o respaldo da hierarquia militar e da poderosa Ação Integralista Brasileira, de extrema-direita. O experiente caudilho, no entanto, optou por prescindir da organização de massas que em última análise fragilizaria sua autoridade pessoal, e baniu todas as agremiações políticas, inclusive a AIB. A frustrada vingança integralista, com o assalto ao Palácio Guanabara em maio do ano seguinte, deu ensejo a mais repressão política, dirigida pelo sinistro chefe de polícia do Distrito Federal, Filinto Müller. 

No plano externo, a eclosão da Segunda Guerra Mundial marcou a reaproximação de Getúlio com as potências aliadas e, internamente, a decadência do regime estadonovista. Mas a contradição de lutar pela democracia na Europa e exercer o poder ditatorial no Brasil acabaria minando a sustentação de Getúlio nos quartéis. Em novembro de 1945, o general Góes Monteiro, seu antigo colaborador, liderou a rebelião militar que encerrou os primeiros quinze anos de Getúlio no Palácio do Catete.


Contos e Crônicas
Amálgama – Rubem Fonseca (160 páginas, Nova Fronteira)

Em 'Amálgama', livro de contos de Rubem Fonseca, residem todos os elementos - o erotismo, a violência, a velocidade narrativa, o clima noir - que consagraram o autor de Lúcia McCartney. Rubem Fonseca consegue construir uma narrativa que se desenha ao longo dos contos e, ineditamente, das poesias. Personagens e situações unidos pela tristeza, pela dor, pela raiva, pelo fracasso, pela ternura e pelo amor, um verdadeiro amálgama de vidas que se constroem e se destroem num instante.

Romance 
Reprodução – Bernardo Carvalho (168 páginas, Companhia das Letras)

Um homem, referido como “o estudante de chinês”, se envolve num estranho imbróglio quando se preparava para embarcar para China no mesmo voo de uma de suas antigas professoras desse idioma. Detido por um delegado da Polícia Federal, desanda a desfiar toda uma série de preconceitos tenebrosos - contra negros, árabes, judeus, gays, pobres, gordos -, prejudicando-se ainda mais aos olhos da lei.

Acontece que esse “estudante de chinês”, sujeito que chegou a trabalhar no mercado financeiro, é um típico personagem da nossa época: leitor de revistas semanais, comentarista de blogs (onde vitupera em caps lock contra as minorias), com um saber supostamente enciclopédico (graças à Wikipedia) e um ethos reacionário, parece encarnar um tipo anti-intelectual que iria ganhar força graças ao espaço relativamente livre da internet.

Mas a confusão em que o personagem de Bernardo Carvalho se envolve é apenas a ponta do iceberg: o próprio delegado tem uma estranha história envolvendo paternidade, assim como uma de suas colegas, uma agente infiltrada numa igreja neopentecostal. Sem falar na própria professora de chinês, que está tentando retornar à China para replicar, através da vida de uma menina órfã, a sua própria infância devastada.

São personagens, vigorosamente construídos pelo autor, às voltas com suas próprias buscas de identidade e procura por um sentido. Enquanto o estudante de chinês embarca numa espécie de delírio, o mundo à sua volta parece igualmente destituído de um sentido maior. Porque cada um tem sua versão da realidade. E é do choque dessas diversas versões que Reprodução ganha força e profundidade, sem abdicar da fluência e do humor corrosivo.

É deste modo, trazendo à tona uma série de “reproduções” - do discurso da imprensa aos sites da internet, da reprodução sexual à própria imitação da vida - que este romance poderoso do início ao fim ganha relevância, além de ser leitura imensamente prazerosa e intelectualmente estimulante.


Prêmio Nobel de Literatura de 2014

O escritor francês Patrick Modiano de 69 anos, foi anunciado no dia 09 de Outubro de 2014 como vencedor do Prêmio Nobel de Literatura de 2014. A escolha foi divulgada na Suécia. Além do título, o escritor receberá um prêmio de R$ 2,66 milhões.


Mondiano foi escolhido por conta "da arte da memória com a qual evocou os destinos humanos mais inapreensíveis e jogou luz sobre a vida durante a ocupação", relatou o Comitê da premiação.
Modiano é o 11º autor nascido na França a ser premiado.

Jean Patrick Modiano nasceu em 30 de julho de 1945 na comuna Boulogne-Billancourt, subúrbio de Paris. É filho de um homem de negócios judeu de Alexandria e da atriz belga Louisa Colpeyn.

Seu primeiro romance, "La place de l’étoile", foi publicado em 1968. Ao longo de sua carreira, também escreveu roteiros para o cinema. Foi um dos autores do filme "Lacombe Lucien" (1974), dirigido por Louis Malle. O longa ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro em 1975. Em 2000, Modiano integrou o júri do Festival de Cannes.

Antes do Nobel, Modiano já havia recebido os principais prêmios da literatura francesa, como o Grand prix du Roman de l’Académie française em 1972, por "Les boulevards de ceinture", e o Goncourt em 1978, por "Uma rua de Roma". Pelo conjunto da obra, recebeu o Grande Prêmio Nacional das Letras, em 1996, e o Prêmio Marguerite Duras em 2011, na França.


Lançamento no Brasil

Modiano teve sete livros publicados no Brasil. Editados pela Rocco, seis deles estão esgotados. São eles "Ronda da noite" (1985), "Uma rua de Roma" (1986), "Vila triste" (1998), "Dora Bruder" (1998), "Do mais longe ao esquecimento" (2000), e "Meninos valentes" (2003). "Filomena firmeza", com ilustrações de Sempé, saiu pela Cosac Naify neste ano.

2013: Alice Munro (Canadá)
2012: Mo Yan (China)
2011: Tomas Tranströmer (Suécia)
2010: Mario Vargas Llosa (Peru)
2009: Herta Müller (Romênia)
2008: Jean-Marie Gustave Le Clézio (França)
2007: Doris Lessing (Reino Unido)
2006: Orhan Pamuk (Turquia)
2005: Harold Pinter (Reino Unido)
2004: Elfriede Jelinek (Áustria)
2003: John Coetzee (África do Sul)

Fontes